Dicas de Roteiro

09/06/2011

Como Escrever Ótimos Diálogos em Roteiros

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:40
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Olá! O artigo de hoje foi tirado do site Screenwriting Basics e é de autoria do consultor de roteiros Sean Platt:

dialogo

Se você quer escrever um ótimo roteiro, aprender a escrever diálogos convincentes e realistas é uma obrigação. Veja como reforçar o seu diálogo e evitar os maiores erros cometidos pelos roteiristas amadores.

Um dos maiores erros que os aspirantes a roteirista cometem é escrever trechos extremamente longos de diálogo. Você deve se esforçar para dizer o que deseja de uma forma rápida e concisa, para fazer a conversa do personagem fluir e se encaixar no ritmo do filme. Usar várias frases para transmitir uma ideia simples faz a sua escrita parecer desajeitada, e você irá perder rapidamente o interesse do seu leitor.

Aprender a ser econômico nos seus diálogos de roteiro é uma grande vantagem para os escritores. Você também deve evitar o uso de vocalizações e sons em seu roteiro para tentar transmitir o que seu personagem está pensando ou sentindo. Usar descrições das expressões faciais ou gestos do seu personagem também é algo que você deve evitar.

Outro erro que os amadores cometem quando escrevem diálogos em um roteiro é simplesmente não conhecerem as personalidades de seus personagens bem o suficiente para diferenciarem cada uma de suas falas. Se não há nenhuma maneira de saber qual personagem está falando sem olhar para os nomes dos personagens no roteiro, então você não fez o suficiente para estabelecer a maneira particular de falar própria deles.

Se você pensar na série de filmes Guerra Nas Estrelas, vai reconhecer que cada personagem tem a sua própria maneira particular de falar. Você nunca confundiria o jeito jovem e esperançoso de falar de Luke Skywalker com o discurso mais sofisticado, maléfico e ameaçador de Darth Vader.

Um grande personagem nessa série é o Yoda e a sua maneira completamente diferente de falar. A princípio, pode parecer perturbador, mas logo se torna parte do charme do personagem e o distingue completamente de todos os outros personagens.

Não exagere neste artifício. Afinal, só pode haver um Yoda, e o personagem de Jar Jar Binks fracassou completa e miseravelmente e seu jeito de falar na verdade enfureceu o público. A questão é fazer pleno uso da caixa de ferramentas do escritor ao variar o ritmo, o vocabulário, a cadência e a dicção para dar a cada um de seus personagens a sua voz própria e única, de acordo com suas personalidades e passados.

Há alguns autores como Quentin Tarantino que podem se safar ao quebrarem as regras e escreverem longos solilóquios e deixarem seus personagens ficarem bastante prolixos. Parte da razão pela qual ele se safa disso é porque ele é um sucesso já comprovado e também porque seus filmes geralmente são apoiados por financiamento de empresas independentes e não pelos grandes estúdios.

Para os roteiristas novatos que estão tentando entrar no negócio, é aconselhado ser econômico nos diálogos do roteiro. Aperfeiçoe a sua capacidade de apresentar um diálogo claro e rápido para lhe arranjar um lugar ao sol e para ser o mais versátil possível. Como na maioria das áreas de atuação, conforme você constrói uma reputação e um histórico, vai ganhar mais liberdade para sair fora das práticas mais aceitas e experimentar com diferentes formas de diálogo e de ritmo.

Em suma, se você quiser entrar no ramo de roteirismo, terá que aprender a escrever diálogos que sejam envolventes e, ao mesmo tempo, econômicos. Use os diálogos para transmitir os pensamentos e reações do seu personagem, em vez de depender de vocalizações e notas sobre expressões e gestos. Certifique-se de dar a cada um de seus personagens uma voz única que o faça se destacar. Lembre-se dessas coisas e você estará no caminho certo para criar o tipo de diálogo que vende roteiros.

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Boa escrita pra você hoje!

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4 Comentários

  1. Nossa, menina Valéria faz um tempão que não passo por aqui! (rs)
    O blog, como sempre, continua cada vez mais digno. Eu já o considero a minha bíblia de roteirismo! 😛

    Bom, Eu concordo plenamente com o artigo. Já li alguns roteiros em que a história principal era super bacana, percebia nitidamente um “casamento” entre as ações e personagens, porém os diálogos eram totalmente artificiais. Ou seja, uma total tragédia grega! (rs). Mas, por outro lado, não posso negar, que o “desenvolver diálogo” continua sendo um dos maiores problemas entre os roteiristas seja ele amador ou profissional. Às vezes para se chegar lá exige tempo, dedicação e bastante pesquisa. Mais a gente chega lá, né? (rs)

    Olha, vou aproveitar essa oportunity, para te perguntar uma coisa. Cenas que envolvem diálogos, principalmente no telefone é interessante colocar, principalmente se o propósito é alternar uma cena e outra, a FUSÃO PARA, ou não? Ou melhor, encher o roteiro de FUSÃO PARA para transmitir isso fica visualmente interessante? Às vezes fico com essa dúvida, por achar que existe outras alternativas – até melhores – de se trabalhar essa concepção, como, por exemplo, o uso do OFF (ouvimos, mas não vemos).

    É isso!!
    Já vou agradecendo desde já: Muito obrigada!!!! 😛

    PS: Tentarei passar com mais frequência por aqui!!

    Comentário por Marcia Fr. — 09/06/2011 @ 16:03

    • Oi, Marcia, como vai?! Que bom vê-la por aqui de novo! =D

      Sabe, eu também acho escrever diálogos interessantes uma das partes mais difíceis de se escrever roteiros. Eu fico me recriminando por não ler muitos romances clássicos para obter mais inspiração nesse campo, mas eu não tenho muita paciência (quase nenhuma, na verdade) para ler ficção. Estranho, né? Mas sou viciada em livros de História, biografias, ciência e curiosidades em geral. Por isso, não encontro muita dificuldade com cenas e enredos, a vida real é muito mais incrível do que a ficção! Tem mais do que o suficiente para se inspirar aí. Basta botar tudo junto, dar uma chacoalhada e ver o que a gente sorteia! Rs! Mas, ai ai, acho que ainda terei que ler aqueles clássicos, mais peças de teatro, pra ver se fortaleço o meu ponto fraco! Ai ai… *suspiro* Disciplina, disciplina, disciplina!

      Quanto às cenas de telefonema, um dos primeiros posts que eu escrevi foi sobre este assunto, dá uma conferida: https://dicasderoteiro.com/2009/12/12/como-escrever-uma-cena-de-telefonema/

      O FUSÃO PARA é mais para mudanças de cena, mas mesmo para isso o pessoal tem evitado usar esta expressão, já que está subentendido que a cena está mudando ao mudar o cabeçalho de cena, e, no fim das contas, é o diretor quem vai decidir se usará fusão, corte simples ou qualquer outro efeito de transição.

      É isso, Marcia, espero ter tirado a sua dúvida! Qualquer coisa, estamos sempre aqui! Um beijo grande, e obrigadão pela visita, você é sempre super bem-vinda! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 10/06/2011 @ 11:04

  2. Eu acredito que para desenvolver bons diálogos o uso da escaleta é fundamental. Ela ajuda a definir o significado para cena, o que a cena representa, contextualizá-la na história e qual a sua importância. Essa é a sacada para compor o diálogo ou descartá-lo completamente. Segundo o roteirista Bráulio Mantovani, os seus roteiros tem em média 25% de diálogos. Mas cada roteiro tem as suas peculiaridades, por exemplo, os roteiros para tevê naturalmente tem muitos diálogos, mas por ser característica do veículo que dispersa um pouco a atenção e tem de levar em conta que nem sempre o telespectador vai estar assistindo, muitas vezes vai estar escutando enquanto vai na cozinha asaltar a geladeira.
    Mas voltando a escaleta se você definir ali o que quer dizer na cena o diálogo rola mais facíl ou você pode perceber que não precisa dele para passar aquela informação.

    Comentário por Antunes — 10/06/2011 @ 16:58

    • Oi, Antunes! Como vai? 😀

      Bacana a dica, a de usar escaletas para diálogos, nunca usei para este fim. Vou botar em prática, pra ver se me ajuda! O meu problema principal é fazer diálogos que não sejam óbvios demais, os meus personagens têm o péssimo hábito de falar o que estão pensando, e isso fica muito direto e banal na maior parte das vezes. Então a gente tem que tornar a coisa um pouco mais sofisticada, enrolar o “ouvinte”, dizer o oposto do que pensa, mas demonstrar o contrário, falar muito e dizer pouco e vice-versa, essas coisas complicadas que fazem a gente perder o sono escrevendo e reescrevendo os diálogos na cabeça. Tem gente com um talento nato pra escrever diálogos afiados, isso é um dom super valioso! Mas eu acredito que aqueles que não o têm (como eu!) também podem desenvolvê-lo pois, para a maioria das capacidades na vida, a prática faz a perfeição! :mrgreen:

      Gostei muito das suas dicas e informações, Antunes, vou testar hoje mesmo! Valeu!

      Um beijo grande e um ótimo fim de semana pra você, adorei vê-lo por aqui de novo! =D Até a próxima! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 11/06/2011 @ 12:04


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