Dicas de Roteiro

23/03/2011

Descubra o Seu Artista Interior

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 14:31
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Este artigo foi escrito por Jacob Krueger e publicado no blog dele, Write Your Screenplay:

Cheryl Kid - Romero BrittoObra sem título de Romero Britto

Tire o Seu Cérebro Criativo do Congelador

Lembra-se da expressão no rosto do Hans Solo, quando Darth Vader o puxou para fora da câmara de congelamento de carbono? É assim que os nossos cérebros criativos se sentem na maior parte do tempo. Congelados. Desamparados. Paralisados. Perdidos. A boca aberta num grito silencioso.

Não foi sempre assim. Se você quiser se lembrar do tempo anterior ao seu cérebro editor ter tomado o controle, basta ver uma criança brincar com seus presentes do feriado. Veja o quão facilmente a criatividade flui através delas. Cada uma e toda criança é um gênio criativo. Elas podem inventar coisas para sempre, sem nunca ficarem bloqueadas, nem jamais acabarem sem ideias.

Uma criança não se preocupa se ela está ou não brincando com a sua Barbie corretamente, se a jornada do Meu Pequeno Pônei dela tem o arco adequado. Uma criança não se atormenta com o fato dela ter ou não talento para diálogos, ou se o seu Elmo-que-sente-cócegas é um personagem simpático. Uma criança não se reprova por brincar de forma errada, ou por quebrar as regras, ou por inventar uma história que ninguém mais entende.

Uma Criança Simplesmente Brinca

Pablo Picasso, um dos maiores artistas de todos os tempos, disse que passou a primeira metade de sua vida tentando pintar como Rembrandt, e a segunda metade tentando pintar como uma criança.

Há uma razão para ele ter se sentido deste jeito e ter dedicado tanto tempo a essa meta improvável. Há uma razão pela qual Picasso foi tão prolífico. E há uma razão pela qual a obra que ele criou desta forma foi tão tremendamente bem sucedida.

Quando você se conectar com a sua criança interior, você estará conectando-se com o poder ilimitado de sua mente criativa. Você alcança o que os Mestres Zen chamam de "mente de principiante", aquele estado mágico antes de conhecer as regras, quando tudo parece possível, e é.

Já vi isso várias vezes nas minhas aulas. Jovens escritores que nunca pegaram numa caneta antes ofuscam as obras polidas dos graduados nos melhores cursos de cinema.

Ao encontrar a mente de principiante, você não tem nada a perder. Porque você não está tentando ser bom. Você está apenas se permitindo escrever.

Estimule o Seu Artista Interior

O artigo de hoje pode parecer uma contradição com outros postados aqui anteriormente, mas não é. Ser roteirista é assim mesmo. Numa hora temos de ser livres como crianças, e na outra, temos de nos preocupar com formatação, ortografia e excesso de palavras nos diálogos ou de cenas no roteiro. Cabe a nós encontrarmos o equilíbrio e o momento certo para cada coisa.

Boa escrita pra você hoje! Alegre

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9 Comentários

  1. Acredito que o equilíbrio seja o de ter a “mente de principiante” na hora de criar sua trama, seus preceitos e tudo aquilo que realmente motiva a escrever de fato o roteiro (ou narrativa). Depois disso sim, deve-se aplicar todo o conhecimento adiquirido para polir aquela ‘jóia’ que foi concebida.

    O ponto chave é conseguir esquecer todos os preceitos e preconceitos que os conhecimentos nos dão no momento que estamos criando algo novo.

    Comentário por Vanessa M. Silva — 23/03/2011 @ 17:20

    • Concordo completamente, Vanessa, é escrevermos como criança e editarmos com o censor. Escrever, reescrever, o ciclo começa e termina e volta ao começo, até ficarmos satisfeitos com o resultado! Já tive roteiros em que o censor cortou e mudou demais, e ficou uma droga. Teve de passar um tempo até eu voltar à história e ver que a “criança” é que estava certa. Aí pude continuar de onde estava antes e terminá-lo de forma bacana. É por isso que eu não escrevo diretamente no computador, já perdi um montão de textos assim: O censor cortava tudo e quando eu queria rever o que havia feito originalmente, já era tarde demais! Eu escrevo agora tudo no papel antes. Assim, mesmo riscado, dá pra ler o que estava ali! 😀

      Um beijo grande, Vanessa, e obrigada pela mensagem! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 24/03/2011 @ 11:11

  2. Toda vez que eu vejo uma criança brincar sempre penso como são criativas essas criaturinhas!

    É cada história que você as vê “interpretando” que as vezes me deixa besta de tão elaborada e com tantas reviravoltas mirabolantes e seres fantásticos, e poderes que dá uma saudade desse tempo onde a vida era bem mais simples.

    E acho que o que nos limita é apenas o senso da realidade que temos que acabar colocando em nossas histórias conforme vamos ficando mais velhos, mas dependendo do tipo de história que você vai contar não vejo problema em ser livre das “regras” do mundo e tornar tudo uma brincadeira de criança. Vejam “Family Guy”, um desenho para adultos com cada história e piada que de tão insana e divertida poderia muito bem ter saído da cabeça de uma criança (não levem em consideração as referências sexuais da série para essa afirmação), e na verdade você só pode rir de algo assim se você não se apegar a realidade perfeita cheia de normas.

    Minha mãe, por exemplo, não dá para assistir uma série dessa, ou 30 Rock que possui um humor mais non-sense (que eu adoro), totalmente insano, porque ela começa a falar que são “ridículas” as tramas, as reviravoltas e saídas que são tomadas, mas tudo porque não seguem o caminho da razão, é algo muito mais espontâneo e inesperado, como a mente de uma criança.

    Comentário por Fernando — 23/03/2011 @ 22:23

    • É verdade, Fernando, a gente fica tão enraizado na realidade que, pra maioria, a vida fica até meio cinza depois de certa idade. A Humanidade tem a tendência de cair na rotina mediocrizante. E o interessante é que todos nós fomos mentalmente tão livres quando crianças, como as coisas mudam tão radicalmente em pouco tempo! Essa liberdade na escrita, sem censura nenhuma, é excelente para séries de comédia. Cai como uma luva! E em doses variadas, é muito importante também nos outros gêneros, apesar de que acho que histórias de fantasia, ficção científica e terror (e talvez ação também) têm mais campo para as viagens mentais de nossas crianças interiores do que as de drama, suspense e romance. Mas isso pode ser apenas preconceito meu (e mente limitada também). :/

      Um beijo grande, Fernando, valeu mesmo pela visita! =D
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 24/03/2011 @ 11:22

      • Preconceito, nada! Você está certa, Valéria. O drama, romance e suspense tendem a ser assim mesmo, mas porque eu acredito que a intenção é ser mais realista do que outros gêneros. Mas não que ficar “preso” na realidade seja algo de quem possui uma mente limitada, você pode viajar legal e ser beeeem realista (veja Fringe! As explicações para cada caso absurdo são mais plausíveis que as outras e isso deixa tudo muito real e com a sensação de que tudo ali é possível).

        Vai de cada um. Um pode querer viajar entre mundos e outro ter o desejo de permanecer apenas nesse, e ambos podem ser igualmente criativos como a mente de um criança.

        Comentário por Fernando — 24/03/2011 @ 17:05

  3. E o engraçado é que, quando Picasso ainda era vivo, muitas pessoas diziam que os seus quadros só tinham figuras sem sentido. Só depois de sua morte que suas obras começaram a ser valorizadas e entedidas, realmente, como “obras de arte”.

    Comentário por Carolina Flor — 24/03/2011 @ 12:02

    • Na verdade, até hoje tem gente que diz isso das obras dele…! Rsrs! Mas quando ele ainda era vivo, já era riquíssimo e famosíssimo, suas obras valiam os tubos! Seu prestígio começou antes mesmo da Segunda Guerra Mundial, quando ele pintou Guernica (1937).

      Comentário por valeriaolivetti — 24/03/2011 @ 12:46

  4. adorei esse post!
    sou fã do método ‘escrever como crianças’ – elas são geniais!
    valéria, vc pode me passar seu email pessoal?
    bjs

    Comentário por carol marçal — 24/03/2011 @ 17:44

    • Oi, Carol!

      Desculpa, mas eu só estou respondendo aqui pelo blog mesmo, nem pelo twitter eu respondo mais. Mas fique à vontade para mandar suas dúvidas, se eu puder, ficarei feliz em ajudá-la.

      Beijos! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 25/03/2011 @ 10:14


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