Dicas de Roteiro

29/01/2011

“Dez Regras Para Escrever Ficção”: Will Self

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:20
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Hoje temos outra parte do artigo do The Guardian com dicas de escritores famosos, indicado pelo roteirista Scott Myers:

typewriter (2)

1. Não olhe o que escreveu até ter escrito uma versão inteira, apenas comece cada dia a partir da última frase que você escreveu no dia anterior. Isto evita aquele sentimento de vacilar de medo, e significa que você tem um substancial volume de trabalho antes de chegar ao verdadeiro trabalho que está todo na…

2. Edição.

3. Sempre carregue um caderno. E eu quero dizer sempre. A memória de curto prazo só retém as informações por três minutos; a menos que esteja confiada ao papel, você pode perder uma idéia para sempre.

4. Pare de ler ficção – é tudo mentira mesmo, e não tem nada para lhe dizer que você já não saiba (isto é, supondo que você já leu bastante ficção no passado; se não leu, você não tem nada a ver com ser um escritor de ficção).

5. Sabe aquela nauseante sensação de inadequação e superexposição que você sente quando olha para a sua própria prosa empolada? Relaxe pela consciência de que esta sensação medonha nunca, jamais irá deixá-lo, não importa o quão bem sucedido e elogiado publicamente você se torne. Isso é intrínseco ao negócio real da escrita e deve ser valorizado.

6. Viva a vida e escreva sobre a vida. Da qualificação de muitos livros de fato não há fim, mas existem livros mais do que suficiente sobre livros.

7. Da mesma maneira, lembre-se de quanto tempo as pessoas gastam vendo televisão. Se você estiver escrevendo um romance com um cenário contemporâneo tem de haver longas passagens onde nada acontece, exceto assistir TV: "Mais tarde, George viu Grand Designs enquanto comia HobNobs. Mais tarde ainda, ele assistiu o canal de compras por um tempo…"

8. A vida de escrita é essencialmente de solitário confinamento – se você não consegue lidar com isso, não precisa pôr em prática.

9. Ah, e não se esqueça do espancamento ocasional administrado pelos sádicos guardas da imaginação.

10. Considere a si mesmo como uma pequena empresa de um só. Leve a si mesmo para fora em exercícios de formação de equipe (longas caminhadas). Realize uma festa de Natal todos os anos na qual você fica em pé no canto de seu quarto de escrever, e grita bem alto para si mesmo enquanto bebe uma garrafa de vinho branco. Então masturbe-se debaixo da mesa. No dia seguinte, você vai sentir um profundo e consistente sentimento de vergonha.

Bebum no Natal

😆 Boa escrita pra você hoje! 😆

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8 Comentários

  1. (Ai, meus deuses, eu sabia que a partir da “regra” 8 a coisa não ia acabar bem. No mínimo, é de enrubescer…rs.)

    E aí dei uma corrida de olhos nas últimas do blog do Scott, me deparando com aquela série de posts a respeito de O Discurso do Rei. Pra roteiristas, acho que vale a pena, Valéria, parece bem proveitoso.

    Comentário por Cícero Soares — 12/02/2011 @ 16:35

    • 😆 Oi, Cícero! :mrgreen:

      Tem razão, é de enrubescer! Às vezes eu acho que alguns autores estavam meio bêbados quando escreveram essas dicas! Ou então é o famoso humor inglês mesmo. Mas, pensando bem, isso talvez não exclua a primeira possibilidade! :mrgreen: 😆

      Gostei muito da dica da série de posts! Eu vou começá-la depois que terminar esta (que é bem grandinha), assim deve dar tempo de eu assistir o filme antes! E também não quero ficar traduzindo muitos posts dele de uma vez só, senão o cara vai acabar me cobrando royalties! Rsrs! Eu já tô no vermelho em reais mesmo, imagina ter que pagar o cara em dólares! Tô frita! Rsrs!

      Um beijo grande, Cícero, valeu demais a sua visita, como sempre, aliás! :mrgreen:
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 13/02/2011 @ 09:12

  2. “Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia” se aplica muitíssimo bem aqui.

    Comentário por Fernando — 13/02/2011 @ 12:48

    • Oi, Fernando! =)

      Eu acredito que um conselho é válido se ele for bom para a pessoa, se ele melhorar a vida da pessoa de alguma forma, tenha sido ele pago ou não. Eu já comprei livros de não-ficção caríssimos que não passavam de um desperdício completo de papel (um atentado às pobres arvorezinhas), e comprei outros baratinhos que valiam dez vezes o seu peso em ouro. Do mesmo modo, já aprendi demais com gente que ensina de graça, como é o caso do Ted Elliot e seu site Wordplayer, o William C. Martell com seu Script Secrets e o próprio Scott Myers no seu blog Go Into The Story, entre muitíssimos outros. Além do mais, eu acredito que o The Guardian deve ter pago algo para estes escritores, então, na verdade não foi de graça.

      O pior de tudo são os “professores” (entre aspas, porque não merecem este título) paranóicos que têm raiva de alunos que fazem perguntas, pois acham que estes estão tentando roubar seu conhecimento! (COMO ASSIM??!! Eles não são pagos exatamente pra ensinar?! Quequeéisso?!!). Infelizmente já conheci mais gente egoísta e maluca desse tipo do que eu gostaria. No caso dessas dicas de escritores, eu tenho algumas teorias: 1) Ou os caras estão sem inspiração naquele momento para dar dicas; 2) Ou eles não querem passar o “pulo do gato” de seu trabalho; 3) Ou tem tantos escritores nesta série que cada um quer ser tão diferente do outro e sair do óbvio que acabam todos caindo no nonsense; 2) Ou, como a maioria é britânica, eles acabam dando apenas uma ou duas dicas do ofício e terminam o resto com o famoso humor inglês, para divertirem os leitores do jornal.

      Sei lá, mas a gente vai levando assim mesmo até o final, vamos ver o que a gente pode tirar de bom dessa série, né?

      Um beijo grande, Fernando! Uma ótima semana! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 15/02/2011 @ 08:54

  3. Lembre-se que como o corpo a mente tem que se exercitar, e uma bebedera, fumar uma maconha, ter um orgasmo, sentir se deprimido depois de ter literalmente fodido com a conciencia faz a inspiração fluir melhor. Pense nisso!

    Comentário por Rodrigo Macedo — 16/02/2011 @ 01:11

    • 😆 Que maneiras de “exercitar” a mente!! 😆 :mrgreen:

      Comentário por valeriaolivetti — 16/02/2011 @ 16:54

  4. […] muitos livros de fato não há fim, mas existem livros mais do que suficiente sobre livros”. (Dicas de Roteiro). Claro que não dispenso alguns bons dicionários (um de símbolos, outro de definições e um de […]

    Pingback por Melhor conselho sobre escrita « Leonardo Pascoal — 17/02/2011 @ 15:14

  5. […] “Dez regras para escre­ver fic­ção”: : Will Self em Dicas de Roteiro. E várias outras dicas no blog. […]

    Pingback por Eduardo Home » Para ler 1#37 — 19/02/2011 @ 06:35


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