Dicas de Roteiro

20/01/2011

As Cinco Primeiras Páginas São Tão Importantes Assim?

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 17:06
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O artigo de hoje foi escrito por Lee Jessup, e tirado do site Script Shark/Script Jounal:

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Página do roteiro de Os Simpsons – O Filme, com observações escritas pelo produtor Al Jean

De uma vez por todas, vamos responder à velha pergunta: Será que as cinco primeiras páginas de um roteiro são realmente tão importantes? Afinal de contas, um roteiro tem entre 90 e 120 páginas, então um executivo não deveria ler a coisa toda para saber se você apresentou ou não a sua história? Em um mundo perfeito, sim. Eu estou totalmente com você. Mas, neste mundo aqui… Nem tanto. Os executivos são soterrados com mais roteiros do que eles têm tempo para ler, e assim se tornou padrão ler apenas algumas páginas para saber se o roteiro tem algo nele que fará a leitura valer a pena. E a má notícia é que isso só piorou – lá pelos anos 80 e 90 os nossos roteiros costumavam ter 20 páginas inteiras de chance. Nos dias de hoje? Cinco, na melhor das hipóteses. Alguns até já dizem três. E se o começo do seu roteiro passar no teste inicial, então são as cinco páginas seguintes que podem fazer você entrar.

Então, como combatemos isso? Alguns dizem que já se foram há muito tempo os dias da narração de histórias lentamente desdobradas e cuidadosamente elaboradas. E, embora isso possa ser verdadeiro em relação a uma obra de especulação de um novo escritor, não é verdade para aqueles que já estão estabelecidos. Mas se você está tentando chamar a atenção para um primeiro roteiro (mesmo que tecnicamente ele seja o quarto que você escreveu, mas nenhum dos outros lhe conseguiu a atenção que você precisava para levar a sua carreira à frente), então cabe a você agarrar o leitor logo de cara, e segurá-lo firme como uma questão de vida ou morte, até o final do roteiro. Isso significa que o seu roteiro inteiro tem de ser feito de porções de ação sofisticadas? Absolutamente não. Não se esqueça, "Juno" era um roteiro de uma roteirista de primeira viagem. O que isto significa é que depende de você dar a eles algo original, algo novo para se agarrarem a partir da primeira página. E o melhor lugar para ir à procura desse Original e Novo, é lá no fundo de sua bem afiada voz de escritor.

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Mais duas páginas corrigidas do roteiro de Os Simpsons – O Filme. Bem legais!

Boa escrita pra você hoje! 😀

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9 Comentários

  1. Então argumento e as cinco primeiras páginas são cartão de visita?
    Você tem dicas para escrever sitcom?

    Comentário por Rafael — 23/01/2011 @ 19:41

    • Oi, Rafael!

      É verdade, esses são os nossos cartões de visita, mas o maior cartão de todos talvez seja o próprio roteiro, que irá abrir portas para os próximos que escrevermos. Então é importante a gente caprichar tanto nas cinco primeiras páginas quanto no resto delas, não acha?

      Olha, eu já traduzi vários textos sobre escrita para TV (você pode dar uma procurada neles através do Índice de Posts na coluna da direita aqui do blog), mas eu estou seriamente devendo vários textos sobre o assunto. Inclusive, o próximo que irá sair é um grande sobre formatação de roteiros para TV. Depois desse eu vou postando os outros, eu tenho uma pasta com mais de vinte links sobre o assunto, o que tá me faltando é tempo! 😐

      Mas, pode deixar, que este ano ainda traduzirei todos eles! 😆 Sério, eu vou traduzindo tudo o que der, como prioridade, já que tem muita gente escrevendo roteiros de TV, e poucos textos em português sobre o assunto. Eu dou minha palavra!

      Um beijo grande, Rafael!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 24/01/2011 @ 09:45

  2. Legal essas páginas rabiscadas do roteiro dos Simpsons, legal mesmo, Valéria. Ver os rabiscos é ver uma parte do processo, isso é importante também.

    Hum, olha só, quase uma anedota: ano passado participei de um mini-curso da Adriana Falcão. E num dado momento lá, pra exemplificar como dizer tudo sem precisar usar diálogo, ela mencionou a abertura de um filme com a Shirley MacLaine, cujo nome, no entanto, lhe escapuliu. E ninguém na platéia, gente saindo pelo ladrão, lhe ajudou na lembrança. Nem eu. Mas foi me dando uma nóia, pois o nome estava na ponta da língua (por causa da Debra Winger, que no filme contracena com a MacLaine, nunca esqueço dela, A Força do Destino e O Céu Que Nos Proteje me fizeram nunca me esquecer da Debra Winger) E isso me deixou mais cabreiro ainda: que eu precisava dar um jeito nesse branco, precisava.

    No dia seguinte, antes de iniciar a aula, eu lá fora fumando sossegado, Adriana chega, me dá um troço e barro ela na porta: “É Laços de Ternura, é Laços de Ternura, Adriana!” E ela ficou toda feliz da vida. E no meio da aula Adriana menciona de novo o filme, devidamente nomeado, e eu aproveito: “E vocês sabem quem é o diretor, galera? James L. Brooks, o mesmo que também escreveu e dirigiu Melhor é Impossível. E…? E que fez trocentos Simpsons. E Simpsons também é diálogo do bom, né?”

    Que coisa, não?

    Comentário por Cícero Soares — 23/01/2011 @ 20:27

    • Oi, Cícero! 😀 😀

      Legal a sua história! Nossa, Debra Winger… eu fiz uma viagem no tempo agora! Eu ia perguntar quem fim ela levou, mas acabei indo direto na página do IMDB para saber o que ela tem feito, e vi que em 2010 ela fez essa série… In Treatment. Eu não assisti nenhum episódio, nem sabia que ela estava lá, mas agora fiquei curiosa só pra ver como ela anda!

      Ah, e eu não sabia que o James L. Brooks também tinha feitos Os Simpsons! Eu fui lá no link do longa-metragem, e quem eu acho como roteirista não-creditado? James L. Brooks! E mais 16 roteiristas!! DEZESSEIS!!! Definitivamente, escrever animação de comédia não é brincadeira de criança! Ufa!

      Os diálogos dos Simpsons eram geniais no começo, e eu achei interessantíssimo notar que na primeira página, no canto superior da direita, Al Jean menciona isso, dizendo que eles teriam que caprichar como nos bons velhos tempos, que aquilo estava com a qualidade da temporada 17, não o suficiente para o cinema (no rodapé da mesma página ele diz “AS PESSOAS JÁ ESTÃO DEIXANDO O CINEMA!” 😆 ). É bom saber que eles reconhecem que o nível de qualidade caiu nesses 17 (agora mais de 21) anos de existência. Mas isso deve ser algo normal e esperado, manter o mesmo padrão por décadas é algo puxado demais. Se fosse fácil, eles não precisariam de 17 roteiristas pra escrever um longa de 87 minutos, né?

      Valeu pela história e pelas informações, Cícero, adorei! 😀 😀 😀
      Um beijo grande! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 24/01/2011 @ 10:06

  3. Sempre leio o seu blogue, até porque assino a sua newsletter. Vi que você está traduzindo os comentários da interessante reportagem do The Guardian. vou deixar um link aqui que é muito interessante, do jornal El País, com uma matéria onde eles entrevistaram vários escritores sobre o porquê eles escrevem. Muito interessante.
    http://www.elpais.com/articulo/portada/escribo/elpepusoceps/20110102elpepspor_9/Tes

    Comentário por Emílio Poletto — 24/01/2011 @ 00:34

    • Oi, Emílio, como vai? 😀 😀

      Que bom vê-lo por aqui de novo, eu fico super feliz de saber que você tem sempre estado conosco, isso me dá muita alegria mesmo! =D

      Adorei o link que você mandou, eu comecei a lê-lo pelo final (!) 😆 e achei interessantíssimos os depoimentos dos escritores. Eu até gostaria de traduzir este texto também para o blog, mas no momento estou sem dicionário de espanhol (e eu sou mais lerda pra ler nesta língua do que em inglês, inacreditável, não? Preciso de um cursinho de espanhol urgente!!). Mas vou salvá-lo pra ver se consigo ir traduzindo devagarzinho com a ajuda do dicionário online.

      Muito legal a sua indicação, Emílio, e mais ainda a sua visita! :mrgreen: 😀
      Um beijo grande! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 24/01/2011 @ 10:14

  4. Oi, Valéria!

    Estou “di vorta”! 😉

    Depois de ler este post, cheguei à conclusão:

    Eles NÃO lêem!!!!!

    Não têm tempo para ler? Por favor, esses executivos são mesmos um bando de preguiçosos, porque em apenas três páginas… vou repetir para EU mesma acreditar: TRÊS páginas é impossível chegar ao âmago(vamos dizer assim) da trama e mostrar a qualidade da história a fim de convencê-los a produzir um filme.

    Lembra quando lhe disse que precisei de dezessete folhas para escrever o argumento?

    Agora entendo porque tem tanta porcaria (desculpe a palavra) está sendo produzida. Eles não lêem tudo!

    Depois quando querem desistir do projeto, não podem mais.

    Prefiro pensar assim do que acreditar que eles PAGAM para fazer filmes sem conteúdo! É como rasgar dinheiro! Fala sério!

    Claro, estou sendo hipotética e sarcástica ao mesmo tempo, mas deve ser isso mesmo ou alguma coisa parecida.

    Olha, às vezes, quando estou assistindo a um filme onde (e eu assisto a muitos, ultimamente a madruga toda =^^=)observo em alguns filmes tantas bobagens, que fico me perguntando como algum produtor paga $$$$$$$$$ (já perdi até a conta de quantos zeros) para produzir filmes tão medíocres. Fico impressionada e indignada! É inacreditável!

    Amiga, desculpe o desabafo! Deixa pra lá!

    Vamos pensar que foi só para descontrair!

    ALOHA!

    Eve

    Comentário por Eve — 27/01/2011 @ 21:00

  5. *Agora entendo porque tem tanta porcaria (desculpe a palavra) SENDO produzida.

    Amiga, esse dinheiro MAL gasto é tão espantoso que até escrevi duas vezes para justificar a minha indignação por tanta grana jogada fora.

    Ufa, é melhor eu parar por aqui, pois se me der corda…iiiii…vai longe 😀

    ALOHA!

    Beijos!

    Eve

    Comentário por Eve — 27/01/2011 @ 21:07

    • Oi, Eve!

      Concordo plenamente com sua indignação. E não são apenas os produtores que não lêem, os agentes, os atores, até os diretores devem ler tudo por alto, quando lêem! Eu lembro que a atriz Halle Barry, em seu “discurso de agradecimento” pelo prêmio Framboesa de Ouro “que recebeu pelo filme Mulher-Gato que a tirou do ponto máximo da profissão de atriz e a levou ao fim de carreira, ela disse: “Quero agradecer a Warner Brothers por ter me escalado para fazer essa merda”, disse Berry, alertando seu agente para que “da próxima vez, leia o roteiro antes”” (a frase entre aspas eu cito de outro site que fala sobre o prêmio). Se o agente não leu, e ELA? Achei ridículo isso! Ela, a maior interessada em sua própria carreira, deveria ler tudo o que lhe mandassem, MAIS AINDA aquilo em que ela vai trabalhar!! Inacreditável!

      Mas, como eu disse no outro comentário, esse pessoal só continua fazendo lixo porque sabem que vão lucrar assim mesmo, enquanto estiverem dominando o mercado cinematográfico mundial. É só mexer com os lucros deles que eles mudam de estratégia rapidinho!

      Um beijo grande, amiga!
      ALOHA! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 30/01/2011 @ 01:55


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