Dicas de Roteiro

19/01/2011

“Dez Regras Para Escrever Ficção”: Rose Tremain

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 16:25
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Aqui vão mais dicas tiradas do The Guardian, e indicadas pelo roteirista Scott Myers:

Typewriters 

1. Esqueça o tedioso velho ditado: "Escreva sobre o que você sabe". Em vez disso, busque uma área de experiência desconhecida (mas possível de ser conhecida) que vá melhorar a sua compreensão do mundo, e escreva sobre isso.

2. No entanto, lembre-se de que, na particularidade de sua própria vida encontra-se a semente que irá alimentar o seu trabalho criativo. Portanto, não jogue tudo fora em autobiografia. (Já existem memórias de escritores o bastante aí fora.)

3. Nunca fique satisfeito com a primeira versão. Na verdade, nunca esteja satisfeito com o seu próprio material de modo algum, até que você esteja certo de que ele é tão bom quanto os seus finitos poderes podem permitir que ele seja.

4. Ouça as críticas e preferências de seus confiáveis "primeiros leitores".

5. Quando uma ideia surgir, passe algum tempo em silêncio com ela. Lembre-se da ideia de Keats de Capacidade Negativa, e do conselho de Kipling de "vagar, esperar e obedecer". Junto com a sua compilação de dados concretos, permita-se também sonhar a sua idéia sendo posta em prática.

6. Na fase de planejamento de um livro, não planeje o fim. Ele tem de ser merecido por tudo o que virá antes dele.

7. Respeite a forma como os personagens podem mudar uma vez que eles tenham 50 páginas de vida neles. Reveja o seu plano nesta fase e veja se certas coisas têm de ser alteradas para levar em conta estas mudanças.

8. Se você estiver escrevendo uma ficção histórica, não tenha personagens reais bem conhecidos como os seus principais protagonistas. Isso só irá criar desconforto biográfico nos leitores e mandá-los de volta aos livros de história. Se você tiver de escrever sobre pessoas reais, então faça algo pós-moderno e divertido com elas.

9. Aprenda com o cinema. Seja econômico com descrições. Separe o detalhe revelador daquele que é sem vida. Escreva diálogos que as pessoas realmente falariam.

10. Nunca comece o livro quando você sentir que deseja começá-lo, mas adie-o um pouco mais.

Livro em branco

Boa escrita pra você hoje!

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3 Comentários

  1. 10. Nunca comece o livro quando você sentir que deseja começá-lo, mas adie-o um pouco mais.

    Não, não concordo. E a ansiedade de saber sobre eles, o que vão fazer, como irão se comportar? Se é para começar, está latente, por favor, escreva. Muito. Fale tudo deles todos. Com todos os detalhes. Comece já. (hehehehehehe)

    Abraços.!

    Comentário por Cilas Medi — 27/01/2011 @ 19:09

  2. Valéria, agora é sério (ou quase).
    Essas dez regras cairam como uma luva. Eu escrevo assim, de assuntos que não conheço, preocupado apenas com o que os personagens vão fazer. A especialidade deles, depois de escrita é que vou processar uma pesquisa, às vezes, nem extensa ela é, porque não sou especialista e o engenheiro civil, no momento, não está construindo e sim sofrendo por (falta) amor. Portanto, não preciso saber qual a tralha que vai no concreto.
    Vou seguí-las sempre. Já Crtl C e Crtl V no meu banco de dados. (Tem que pagar royalties????)

    Abraços!

    Comentário por Cilas Medi — 27/01/2011 @ 19:14

    • Oi, Cilas! 😀

      Eu concordo 100% com sua discordância! :mrgreen: Eu acho que a gente já tem tanta tendência a procrastinar e cair no bloqueio de escritor, que se arranja mais desculpas para não escrever, aí é que a vida inteira passa e não escrevemos nadica de nada!

      E eu também não gosto da dica número 6, pelo menos comigo ela não funciona, nunca funcionou. Eu acho uma perda de tempo terrível ficar escrevendo sem rumo certo. O trabalho mais duro é na fase do argumento, criar a história toda e deixá-lo polido, no ponto para virar um ótimo roteiro (ou livro, ou peça de teatro, o que for). O único lado bom dessas dicas é ver que cada um tem seu caminho, se algo funciona pra mim, mas não funciona pra você, não precisa ficar preso a ela, pode tentar fazer o oposto radical, e acabar dando certo!

      😆 Realmente, você não precisa saber que tralha vai no concreto, se isso não importa pra história! (Eu ri tanto nessa frase…!) E não, eu acho que não precisa pagar royalties, senão eu também teria que pagar, e todo mundo aqui! (É melhor a gente se fingir de morto ou de desentendido, só por via das dúvidas…)

      Um beijo grande, Cilas, adorei sua visita, volte sempre! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 29/01/2011 @ 21:53


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