Dicas de Roteiro

02/12/2010

A Bíblia do Roteirista – Parte 9

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:58
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Hoje voltamos com mais um trecho do livro The Screenwriter’s Bible, de David Trottier:

Roteirista. substantivo

Roteirista: substantivo. Quem faz as celebridades parecerem interessantes.

Como vender o seu roteiro sem um agente

Muita coisa tem mudado nos últimos anos. Hollywood está fazendo mais procriações consanguíneas. Em outras palavras, o sistema tem se tornado mais fechado para forasteiros, e está mais difícil de entrar nele. Como no caso de Jack em TITANIC, é difícil conseguir ser aceito pelo clube.

Criar um plano de venda irá lhe ajudar a penetrar no mercado enquanto você está procurando por um agente.

Você ficaria surpreso se eu lhe dissesse que muitos primeiros roteiros são vendidos sem um agente? É verdade. E apesar de ser uma clara vantagem ter um agente, é possível você vender o seu roteiro sem um.

DEZ FERRAMENTAS DE VENDA

Antes de tentar vender o seu roteiro por conta própria, você precisa de um conjunto completo de ferramentas de venda. Reúna estas antes de tomar alguma atitude.

1. Um roteiro-amostra

Você precisa de um ótimo roteiro (de preferência dois ou mais) que seja prova de sua habilidade de escrita e possa ser usado como um cartão de visita. Se você quer entrar na televisão, precisará de um roteiro de longa-metragem e, no mínimo, uma amostra de roteiro de televisão.

2. Uma apresentação de ideias com gancho

Como mencionado, isto irá consistir de uma logline, o conceito em uma frase, ou uma declaração da premissa que você possa inserir em uma carta de consulta, usar pelo telefone, ou apresentar em pessoa.

3. Um breve sumário da história

Isto terá um ou dois parágrafos e poderá ser usado em sua carta de consulta ou como parte de sua apresentação. Isto, junto com a sua apresentação com gancho, compreende a apresentação de ideia de dois minutos. [N.T.: No Brasil, este sumário também é conhecido como sinopse. Para os americanos, ela é mais longa.]

4. Uma sinopse

Uma sinopse é um resumo da história em uma ou duas páginas, com espaçamento duplo e fonte 12. Ela pode ser anexada a uma carta de consulta dirigida a produtores ou artistas, ou entregue em uma apresentação de ideia. Ao enviar uma sinopse, a carta de consulta torna-se mais uma carta de apresentação contendo o conceito principal, o título, o gênero, e suas qualificações. Muitos produtores preferem ver uma sinopse ou argumento antes de ler o roteiro.

A propósito, as palavras sinopse, tratamento e argumento são frequentemente usadas como sinônimos. Todas as três apresentações de ideias têm tamanhos diferentes. Não confunda argumento com a mais detalhada, cena-por-cena, escaleta.

5. Um tratamento ou um argumento

Este não é o longo tratamento de cinquenta páginas que você é pago para escrever num acordo de desenvolvimento. Este tratamento de especulação tem de duas a sete páginas – sendo que a maioria das pessoas prefere cerca de três a quatro páginas.

Um tratamento é na realidade uma longa sinopse – uma apresentação escrita da ideia, análoga à longa apresentação de ideia discutida anteriormente – com espaçamento duplo e escrita em forma narrativa no tempo presente, com ou sem diálogos. Não é um resumo detalhado cena-por-cena, e você irá apenas se concentrar em cerca de três ou quatro personagens. Isso enfatiza os momentos cruciais, os eventos-chave da história, e os altos e baixos emocionais dos seus personagens. Este tratamento não apenas conta a história, mas vende a história. É uma obra de divulgação. Você a escreve para produtores, artistas, e diretores – você quer que eles amem a história. Você quer que eles digam: “Que ótimo conceito! Deixe-me ler o roteiro!”

Então, como você escreve um tratamento? Eu acho que o melhor jeito de aprender é entender a diferença entre a sinopse profissional da história e o tratamento de especulação (ou sinopse ou argumento) escrito para fins de divulgação. Algum tempo atrás, eu pedi à experiente analista de histórias de Hollywood, Leslie Paonessa, para ler o meu velho roteiro, O SEGREDO DA CAVERNA DO PONTO DE INTERROGAÇÃO, e escrever uma análise crítica.

A análise crítica consistia de suas recomendações, uma análise, e uma sinopse da história. Quando ela escreveu sua sinopse, seu objetivo como analista de histórias profissional não era apresentar a história para vendê-la, mas criar um resumo claro e completo da história. Com você verá, ela fez um soberbo trabalho.

cut to

Nota: A análise crítica citada acima sairá na parte 12 desta série.

Boa escrita pra você hoje! 😀

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