Dicas de Roteiro

18/11/2010

O Argumento

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 21:44
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Este post é apenas para adiantar um pouquinho este assunto que está sendo abordado mais amplamente nos posts da série A Bíblia do Roteirista. Aqui vão algumas dicas para ajudar a escrever um argumento, tiradas do site The Script Lab:

Escrevendo com caneta de pena

Dê a um carpinteiro um bocado de ferramentas e um monte de madeira, e ele irá construir algo. Mas entregue também a ele esquemas estruturais, e o resultado final será surpreendente. Roteiristas trabalham da mesma forma, e o argumento é o seu esqueleto.

Começos e Finais

Como você começa quando há tantas maneiras diferentes de fazê-lo, e cada jeito pode levar você a dezenas de caminhos diferentes? Resposta: CONHEÇA O SEU FINAL. Deixe o final ditar o começo correto.

Se você sabe que o seu herói encontra o tesouro, derrota o cara mau e fica com a garota no final, faz sentido ele não ter nada disso no começo. Ele deve ser azarado, solitário e vencido.

Pense em Indiana Jones em "Os Caçadores da Arca Perdida". Na seqüência de abertura do filme, Indy está sozinho em algum lugar nas profundezas da selva peruana, diante da morte eminente pelas mãos de uma tribo de guerreiros Hovitos; os seus companheiros traidores foram mortos, e o ídolo, que ele arriscou a vida para obter, é tomado por seu arqui-rival, Belloq. Este é o início perfeito para o roteiro de Lawrence Kasdan, porque no final Indy volta a enfrentar a morte eminente – desta vez pelas mãos dos nazistas – mas ele não está sozinho. Ele tem a Marion. E Belloq é destruído. E Indy chega em casa com seu prêmio: A Arca da Aliança.

No entanto, pode ser que você ouça um monte de gente dizer que você não precisa saber o seu final antes de começar a escrever. Alguns podem argumentar: "Meus personagens vão me guiar para o final", ou, "Eu vou descobrir o meu final conforme eu avanço." Isto pode ser possível, talvez num romance ou numa peça de teatro, mas não em um roteiro.

Portanto, se o final é a chave, o que o faz ser bom? Finais felizes são para princesas de livros de histórias, não necessariamente para filmes. Finais de filmes podem ser felizes, mas também trágicos, agridoces, hilariantes, etc. O que importa é que o final seja satisfatório e crível.

No final do premiado roteiro de 1996, “Coração Valente”, escrito por Randal Wallace, o nosso herói William Wallace é torturado na praça de Londres: enforcado, esticado e esquartejado, emasculado e estripado, só para gritar "Liberdade!" com seu último suspiro antes de ser decapitado. Claramente, este não é o mais feliz dos finais. Mas é satisfatório. Se todos os seus companheiros escoceses escondidos no meio da multidão saíssem correndo para fora da toca no último momento possível para resgatá-lo, lutando para abrir caminho através de um monte de soldados ingleses, o fim se tornaria banal e inacreditável, e, mais importante, o tema da liberdade e o poder do martírio iriam se perder.

Antes de escrever um cabeçalho de cena, uma descrição visual, uma linha de diálogo, você deve saber, pelo menos, sete coisas: o final (a resolução), o começo (a introdução), e OS CINCO PONTOS-DE-VIRADA-CHAVE (o incidente incitante, a prisão, o primeiro ponto culminante, o ponto culminante principal, e a reviravolta do terceiro ato), e nesta ordem. Deixe o seu final ajudar a determinar o seu início, e a partir daí os cinco momentos-chave para traçar a jornada do seu herói.

Então, agora que você sabe o seu final, o que fazer? Você deve escrever um início que não só honre o seu final, como também prenda a atenção do leitor.

No início de um roteiro, você tem cerca de dez minutos para realizar três coisas muito fundamentais para o leitor: (1) ilustrar em detalhes quem é o seu protagonista – ele ou ela deve ser interessante, com defeitos, e se não for agradável, ao menos empático; (2) estabelecer o mundo da história e o status quo do personagem; e (3) apresentar a situação dramática – ou seja, deixar claro sobre o que vai ser a história.

Argumento – Cinco Elementos

Um argumento permite um exame crítico do esqueleto antes da carne de ação e diálogo ser aplicada. Na verdade, o próprio ato de colocar a "espinha" no papel revela coisas sobre a história que não seriam evidentes sem fazer o argumento.

Não existe, é claro, nenhuma receita mágica de quanto você deve incluir em um argumento, mas mesmo plano o mais rudimentar deve conter estes cinco elementos fundamentais:

1. O protagonista e seu objetivo.

2. O elenco de apoio e o que cada um deles deseja.

3. Os cinco principais pontos de virada.

4. A ordem dos eventos, sequências, e divisões dos atos.

5. Uma lista das cenas que você acha que irão ajudar a contar a história.

[N.T.: Note que existem argumentos para ajudá-lo a escrever o roteiro, e argumentos escritos depois da história pronta, para apresentá-la para produtores e diretores. Neste último caso, não é aconselhável que se coloque a divisão de cenas ou atos, apenas conta-se a história em forma de prosa narrativa, citando os pontos mais importantes da história, sem diálogos, e geralmente sem o arco dos personagens secundários, exceto se eles forem fundamentais para a resolução da história.]

Enredo: Cinco Momentos-Chave

"Um filme, eu acho que é realmente apenas quatro ou cinco momentos entre duas pessoas; o resto dele existe para dar a esses momentos seu impacto e ressonância. O roteiro existe para isso. Tudo existe para isso." – Robert Towne

1. INCIDENTE INCITANTE

Muitas vezes chamado de ponto de ataque (o momento – e principal ponto de virada – em que o conflito dramático, oculto até agora, se anuncia. Este momento ocorre por volta da metade do primeiro ato), o incidente incitante é a primeira premonição de um problema iminente, dilema ou circunstância que irá criar a principal tensão da história. Ele geralmente cai no final da primeira sequência. Mas às vezes pode aparecer no primeiros minutos de um filme.

2. PRISÃO

O protagonista fica preso na situação que é central para a história, o que ocorre no final do Ato Um. Esta prisão, portanto, impulsiona o protagonista em uma nova direção, a fim de realizar o seu novo objetivo durante todo o segundo ato.

3. PRIMEIRO PONTO CULMINANTE

O primeiro ponto culminante geralmente ocorre em torno do ponto central (também chamado de primeiro ponto culminante, é o primeiro momento decisivo em que o personagem enfrenta o seu maior obstáculo até então. Este momento geralmente faz paralelo com o final do filme; portanto, se o filme for uma tragédia, então o primeiro ponto culminante deve ser um ponto baixo para o personagem. Se o personagem vence no final, então o primeiro ponto culminante deve ser uma vitória para o personagem) do segundo ato e é um momento crucial na história, mas não tão crítico quanto a Prisão ou o Ponto Culminante Principal (ou clímax, é o ponto decisivo definitivo no final do Ato Dois, no qual o personagem fez tudo o que ele ou ela podia para alcançar o objetivo desejado, e agora ele/a enfrenta seu maior obstáculo e o fim da tensão principal. Este momento geralmente trabalha em oposição ao ponto central e o final. Se o personagem vence no final – e portanto no ponto central/primeiro ponto culminante também – então este deve ser o seu momento mais baixo). Considere o primeiro ponto culminante como o segundo ponto mais alto ou o segundo mais baixo do Ato Dois, o segundo maior obstáculo a ser enfrentado.

4. PONTO CULMINANTE PRINCIPAL

O ponto culminante final ocorre no final do segundo ato e traz a tensão principal a um fim, enquanto simultaneamente ajuda a criar uma nova tensão para o Ato Três.

5. REVIRAVOLTA DO TERCEIRO ATO

A reviravolta (ou inversão, é uma mudança surpreendente – contudo explicável e fundamentada – na direção da ação, seja dentro de uma cena, de uma sequência ou na linha geral da história) é uma mudança inesperada dos acontecimentos no terceiro ato. Sem uma reviravolta, o terceiro ato pode parecer demasiado linear e previsível. Ela também pode ser o último teste do herói.

th_write Boa escrita hoje!

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