Dicas de Roteiro

30/10/2010

Escrita Astuta Para a TV – Parte 13

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:50
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Terminamos!! Enfim, aqui vai a última parte da série baseada no livro Crafty TV Writing, de Alex Epstein, publicado em seu site, Crafty Screenwriting. Este último post é composto apenas de glossário. Eu fiz uma tradução livre dos termos, colocando sempre a palavra original em inglês entre parênteses. A ordem será alfabética mas em inglês, ou seja, estou seguindo a ordem original do autor. Como todos os termos são jargões do ramo, eu tentei ser o mais fiel possível ao sentido das palavras, mas às vezes apenas traduzi literalmente, pois muitas não têm equivalentes em nossa língua. Traduzir jargões é extremamente difícil, e estes termos que escolhi não devem ser utilizados como jargões em nossa língua. Se alguém souber de algum termo que já tenha uma versão mais apropriada em português, ou que possa ter uma melhor tradução, por favor, me avise.

glossario   glossario

GLOSSÁRIO

História A (A story): A história mais importante de um episódio, a que ocupa mais tempo de tela.

Ação de saída (act out): Um gancho ou um revés emocional que acontece pouco antes do programa cortar para os comerciais, de modo que o público fique sintonizado no programa. "Nós fazemos o nosso dinheiro nos teasers, nas pontas e nas saídas".

Ato (act): Tudo entre dois comerciais.

Ação (action): Tudo o que acontece que não seja pessoas falando.

Fantasia atraente (attractive fantasy): Uma situação de vida em que a estrela de uma série encontra-se, e na qual nós gostaríamos de estar. Parte do modelo.

História B (B story): A segunda história mais importante de um episódio, a que ocupa uma quantidade média de tempo de tela.

Escritor-bebê (baby writer): Um escritor sem muita experiência profissional, independentemente de quão velho seja.

História pregressa (backstory): A história pessoal de um personagem antes do episódio ou série começar sua cronologia na tela.

Folha de beats (beat sheet): A história toda de um episódio, narrada beat por beat, na ordem. [N.T.: A tradução literal mais aproximada de beat para este caso seria pulsação, batida (de ritmo), batimento.]

Beat (beat): Uma unidade da narrativa, em que uma coisa importante acontece.

Bíblia (bible): Um documento que, teoricamente, lhe conta tudo o que você precisa saber sobre o programa a fim de escrevê-lo, e praticamente quase nunca o faz.

Rotina (bit): Uma série de piadas relacionadas.

Pretos (blacks): A descrição da ação. Assim chamado porque deixa grandes blocos de desagradável texto preto na página, enquanto o diálogo é bom e esparso.

Episódio-garrafa (bottle show): Um episódio que acontece em um cenário fisicamente restrito utilizando um elenco limitado, ou que se passa apenas nos cenários montados, utilizando somente os membros habituais da série, para economizar tempo e dinheiro.

Sumário (breaking down): Um breve esboço das histórias do episódio, mostrando atos e ações de saída, teaser e ponta.

Dividir a história (breaking story): Encontrar os atos e as ações de saída de uma história; geralmente é feito na sala pela equipe de roteiristas.

Dividir o quadro (breaking the frame): Chamar a atenção para o fato de que os eventos estão ocorrendo em um programa de TV, não na vida real.

Aporrinhar (bumping): Irritar-se por um furo na trama. "Eu estou aporrinhado por causa do modo como chegaram ao dispositivo transportador." "É por isso que você está aporrinhado???"

Botão (button): Um pedaço particularmente bom de diálogo (uma única frase, ou um dístico) que termina uma cena de forma inteligente. Também é usado como um verbo: "Aquilo abotoa a cena bastante bem, não é?"

História C (C story): A terceira história mais importante de um episódio, a que ocupa pouco tempo de tela.

Chamar de volta (callback): Diálogo que se refere a um diálogo anterior, frequentemente torcendo o seu significado para algo novo.

Baseado em personagens (character-based): Um drama em que as histórias surgem principalmente a partir de conflitos entre os personagens. Todas as comédias são baseadas em personagens.

Civil (civilian): alguém que não trabalha no show business.

Episódio recortado (clip show): Um episódio que se baseia em muitas cenas de episódios anteriores. Utilizado para economizar dinheiro ou, mais frequentemente, tempo. Errado, errado, errado.

Co-produtor executivo (co-executive producer): Título dado para indicar um roteirista-produtor, cujo posto está bem abaixo do de um produtor executivo.

Co-produtor (co-producer): Título de cortesia dado a um editor de história veterano, cujo posto está abaixo do de um produtor, mas acima do de um editor de história executivo.

Comédia (comedy): Tudo o que é suposto ser consistentemente engraçado.

Drama cômico (comic drama): Um sub-gênero no qual a estrutura e os riscos da história são dramáticos, mas as situações e os diálogos podem ser interpretados para arrancar risos. Geralmente uma única câmera.

Elenco principal (core cast): Os personagens que deveriam estar em todos os episódios.

Dístico (couplet): Duas frases seguidas de diálogo, em que a frase de um personagem responde à frase anterior. "Como você consegue dormir à noite?" “Eu não durmo.” Um dístico que fecha bem uma cena é chamado de botão.

Demografia (demographics): Que tipo de gente assiste o programa.

Diálogo (dialogue): Personagens falando.

Dopplerar (dopplering): Descreve o som de um carro passando fora da tela.

Rascunho ou versão (draft): Uma versão do roteiro. Definido no contrato-padrão do Sindicato, mas mais flexível na vida real.

Drama (drama) (1): Uma série de TV que não é de comédia ou realidade. Geralmente uma hora.

Drama (drama) (2): O que acontece quando duas pessoas entram em conflito físico, emocional ou moral;

Drama (drama) (3): Um gênero de programa de TV sobre personagens passando por problemas emocionais.

Dramédia (dramedy): Um drama cômico. Ninguém mais usa este termo a sério, então simplesmente esqueça-o. Não deve ser confundido com dromedário, que é uma palavra perfeitamente boa para um camelo com duas corcovas [N.T.: Na verdade é o camelo que tem duas corcovas, o dromedário tem apenas uma.]

Eco (echo): Repetição de uma frase que já ouvimos antes no episódio.

Ep (ep): Um episódio. Ninguém pode ser amolado para escrever a palavra "episódio" várias e várias vezes.

Episódico (episodic): Descreve um programa em que nada que acontece em um episódio tem um impacto significativo em episódios posteriores; compare com seriado.

Editor de história executivo (executive story editor): Título que indica um editor de história veterano, cujo posto está acima do de editores de história, mas abaixo dos escritores-produtores.

Produtor executivo (executive producer): O título mais elevado em um programa. Tradicionalmente dado ao showrunner, mas não exclusivamente.

Expo (expo): Exposição, ou seja, quando um personagem explica as coisas que o público precisa saber. "Então, como esta máquina funciona, exatamente?"

Freelancer (free lancer): Um escritor que é contratado na base de um roteiro por vez.

Dourar o pão ázimo (gilding the matzah): Repisar uma piada que não é mais engraçada.

Ir para as páginas (going to pages): Escrever o roteiro.

Sair para (go out on): Terminar uma cena ou ato com: "Vamos sair para a Jasmine e decidir se o matamos ou não."

Sindicato (Guild): O Writer’s Guild of America ou o Writer’s Guild of Canada. A sua primeira linha de defesa contra produtores bagunçando com o seu crédito ou dinheiro. (Nada impede os produtores de bagunçarem com as suas palavras.)

Acenar de mãos (handwaving): História que parece ótima em uma folha de beats ou argumento, devido à prosa inteligente do escritor, mas deixa grandes questões da história não-resolvidas. O acenar de mãos irá causar dor a qualquer pobre coitado que realmente tenha de escrever as páginas.

Pendurar uma lanterna em (hang a lantern on): Chamar a atenção para um elemento da história de modo que o espectador não o perca; também chamado de pendurar uma placa em.

Escritor principal (head writer): O maior posto de escritor abaixo do showrunner. Pode ter qualquer título, desde editor de história executivo até co-produtor executivo, dependendo da estrutura e do tamanho da equipe de roteiristas.

Gancho (hook): A premissa da série que faz com que as pessoas queiram se sintonizar para assistir pelo menos um episódio.

Joss Whedon (Joss): O deus negro dos escritores. Cordeiros negros são abatidos para ele na lua nova.

Assentar a tubulação (laying pipe): Dar informação técnica agora, de modo que a saibamos mais tarde, quando um ponto da história girar em torno dela.

Como-uma-piada (like-a-joke): Uma parte cômica que tem o ritmo de uma piada, e é seguido por gargalhadas na trilha sonora, mas na verdade não é engraçada.

Fazer um momento (make a moment): Chamar a atenção para o momento em que um personagem está dizendo ou decidindo algo importante.

Fantasia negativa (negative fantasy): Uma situação de vida na qual encontra-se a estrela de uma série e que ficamos contentes por não estarmos nela. Parte do modelo.

Na cara (on the nose): Diálogo que diz exatamente o que o personagem quer dizer. Os personagens normalmente devem evitar falar na cara.

Saída (out): Uma ação de saída.

Páginas (pages): O roteiro.

Revisão (pass): A revisão que um escritor faz de um roteiro, escrevendo ou reescrevendo uma versão do mesmo. Uma versão pode representar várias revisões feitas por um ou mais escritores. "Revisão" sugere que a versão atual provavelmente será criticada e/ou a história editada antes que alguém de fora da sala de escrita a veja. "Versão" implica que está sendo mostrada para não-escritores. Escritores freelancers supostamente só deveriam fazer duas versões, mas nada limita quantas revisões eles fazem antes de mostrarem o seu trabalho para qualquer um.

Furo no enredo (plothole): Uma falha lógica na história.

Personagem do ponto de vista (point of view character): Um personagem através de cuja perspectiva a história é contada, seja o herói ou não.

Estouro (pop): Quando a cena termina com um estrondo que impulsiona você para a próxima cena.

Piloto premissa (premise pilot): Um episódio piloto que mostra como o elenco principal se junta em primeiro lugar, ou a situação básica que surgiu primeiro.

Processual (procedural): Um drama em que os eventos externos fornecem as histórias. Programas médicos, de tribunais e policiais são processuais típicos.

Produtor (producer) (1): Um título de cortesia dado para editores de história veteranos.

Produtor (producer) (2): Um vendedor que vende um pacote de algum material criativo e alguns talentos para organizações com dinheiro, tais como redes de TV e estúdios.

Empurrar (pushing): Dar ao público a história mais rápido do que ele pode absorver.

Série de realidade (reality show): Um programa que finge não ter um roteiro, a fim de evitar o pagamento da escala do escritor. A WGA está cuidando desta questão.

Elenco recorrente (recurring cast): Personagens que reaparecem na série sem serem os principais.

Sala (room): A sala de escrita [ou sala de redação]. O lugar mágico onde a equipe de roteiristas divide a história. Um dos melhores lugares do mundo para se estar, se você for um escritor. Não-escritores na sala geralmente matam a magia.

Corredor (runner): Uma parte recorrente de ação, como uma piada que se repete, não necessariamente contendo todos os elementos de uma história e, portanto, não é uma história C ou D.

Escala (scale): O pagamento mínimo permitido para uma obra escrita sob um contrato do Sindicato.

Isca de idiota (schmuck bait): Uma reviravolta prometida da história que só um idiota acreditaria que fosse realmente acontecer, como o herói morrer (ou em um programa de ficção científica, o herói morrer permanentemente).

Cronometragem de roteiro (script timing): O processo de estimar quanto tempo um episódio vai passar na tela.

Transição (segue): Como você se move de uma cena para outra. Às vezes escrevem errado como "segway", que é a marca de uma espécie de scooter que se equilibra sobre duas rodas.

Seriado (serial): Um programa no qual a trama se desenvolve de episódio a episódio; compare com episódico.

Assíduos da série (series regulars): Os atores que são contratados por temporada e não por episódio.

Servir um personagem (serving a character): Dar a um personagem algo para fazer em um episódio.

Velha tática (shoe leather): Diálogo ou ação que existe apenas para preencher um furo de enredo.

Showrunner (showrunner): A pessoa responsável por todos os aspectos criativos do programa. Todos da equipe respondem ao showrunner; ele responde apenas à rede (e para a companhia produtora, se a empresa não for dele). Normalmente, um escritor. O seu trabalho não é fazer um bom programa de TV; este é o trabalho dele. O seu trabalho é tornar a vida do showrunner mais fácil.

Sitcom (sitcom): Uma comédia de meia hora, frequentemente com três câmeras; geralmente tenta fornecer três risadas por minuto e existe apenas pelo humor.

Novela (soap): Um drama baseado em personagens com um enredo em série. Não necessariamente uma verdadeira telenovela diária.

Novelesco (soapy): Descreve um programa com elementos de enredo em série.

Piloto de especulação (spec pilot): Um episódio de amostra de uma série inexistente, escrito seja para demonstrar a sua originalidade, ou para realmente vender o programa para uma rede.

Roteiro de especulação (spec script): Um episódio de uma série existente escrito para demonstrar as suas habilidades de escrita e obter um emprego; não se destina a ser realmente vendido ou produzido, embora isso tenha acontecido com freqüência suficiente para dar a algumas pessoas uma falsa esperança.

Ponto de partida da história/trampolim (springboard): Uma idéia de episódio em poucas palavras.

Temporada de pessoal (staffing season): O ciclo anual em que programas são comprados em opção, pilotos são rodados, programas são financiados e equipes de escritores são contratadas.

Escritor da equipe (staff writer): Um freelancer que trabalha no escritório escrevendo seus próprios roteiros.

Cenários montados (standing sets): Cenários de estúdio que ficam montados a temporada inteira. É barato filmar neles. Cenas que se passam em cenários montados deixam os gerentes de produção felizes.

Editor de história (story editor): um escritor que trabalha em equipe, escrevendo seus próprios roteiros, dividindo a história e reescrevendo os roteiros de outras pessoas.

Legendas para os deficientes de nuance (subtitles for the nuance impaired): Prosa inserida em um tratamento ou roteiro para se certificar de que o leitor captou a mensagem. Somente considerado trapaça se o público não entender, tampouco. A diferença entre o leitor não entender e o público não entender pode ser explicada pela referência a termos de direção, interpretação, fotografia, edição e música.

Ponta (tag): A cena ou as cenas que aparecem depois do último comercial, para amarrar todas as pontas soltas ou, alternativamente, para desatar uma ponta solta de modo que a história possa continuar na próxima semana.

Tirar a maldição (taking the curse off): Fazer um elemento da história não passar a sensação de ser clichê sem alterar o elemento da história em si.

Teaser (teaser): A cena ou as cenas que aparecem antes dos letreiros e do primeiro comercial, para "provocar" [tease] o público para ele que assista o episódio. Normalmente estabelece a história do episódio, mas não precisa.

Telegrafar (telegraphing): Dar ao público uma dica muito óbvia de para onde a história vai.

Modelo (template): A estrutura profunda de um programa de TV. O modelo abrange todas as coisas que todo episódio da série deve fazer.

Fazer templo (templing): Quando um personagem coloca os dedos juntos, pensativo, formando um templo.

O longo prazo (the long term): A próxima temporada.

Três câmeras (three-camera): Série rodada em um estúdio à prova de som com três câmeras gravando constantemente a ação. Séries de três câmeras são freqüentemente rodadas em duas apresentações em um único dia. Contrapõe-se à câmera única.

Monitorar a trajetória (tracking): Seguir a história pessoal de um personagem para se certificar de que ela faça sentido por si só. "A história de Josh não segue a trajetória."

Argumento (treatment): Uma folha de beats expandida e polida para entregar para pessoas que não ouviram a apresentação oral, tais como os executivos da rede. Muitas vezes contém legendas para os deficientes de nuance.

Dois comunicadores (two handler): Uma cena de diálogo entre dois personagens. Os gerentes de produção amam essas.

Escritor (writer): Um homem ou uma mulher divina, digno de adoração e ofertas de casamento, fantástico na cama, cujo todo defeito é simplesmente adorável.

AlfabetoBoa escrita pra você hoje!

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4 Comentários

  1. A definição de “writer” é a melhor! HAHAHAHAHHAHAHAH

    E Friends tinha os melhores episódios de garrafa EVER! Adoro esse tipo de episódio.

    Comentário por Fernando — 31/10/2010 @ 11:24

    • É verdade, Fernando, a série Friends tinha roteiros tão bons que faziam o máximo uso daqueles cenários já batidos, não precisava de nada mirabolante pra fazer rir!

      E a definição de escritor está perfeita! Deveria constar em todos os dicionários do mundo!! 😆 :mrgreen:

      Comentário por valeriaolivetti — 01/11/2010 @ 11:05

  2. Nada como a repetição para reforçar a idéia:

    Escritor (writer): Um homem ou uma mulher divina, digno de adoração e ofertas de casamento, fantástico na cama, cujo todo defeito é simplesmente adorável.

    Falem a verdade, não se sente um pouco assim!

    Abraços!

    Comentário por Cilas Medi — 03/11/2010 @ 11:02

    • Realmente, eu não me canso de admirar a perfeição desta definição!! :mrgreen:

      Comentário por valeriaolivetti — 04/11/2010 @ 14:41


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