Dicas de Roteiro

25/10/2010

Escrita Astuta Para a TV – Parte 12

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 01:54
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Êba! Estamos acabando!! Esta é a penúltima parte desta série baseada no livro de Alex Epstein, Crafty TV Writing, publicado no site dele (Crafty Screenwriting):

Santo_Graal

Capítulo 10: O Santo Graal: Criar o Seu Próprio Programa

Pilotos de especulação para valer

A melhor maneira de conseguir que a rede de televisão escolha a sua ideia de série é se casando com o chefe da rede. A maneira mais provável é escrevendo um piloto de especulação. Uma bíblia diz ao leitor como você quer que seja o programa. Mas isso não prova que você pode entregar um programa assim. Um roteiro-piloto é a evidência definitiva.

É muitíssimo mais fácil conseguir que os executivos da rede leiam um roteiro-piloto de especulação do que leiam uma bíblia de programa. Os executivos frequentemente estão dispostos a ler um piloto de especulação como amostra. Assim, muitos escritores experientes escrevem um piloto em especulação de tempos em tempos como uma alternativa para escrever em especulação um programa atual. Se o piloto não for escolhido, ainda é uma boa amostra e demonstra a originalidade do escritor. Se o piloto, por algum milagre, for escolhido, Mazel Tov. Chris Abbott:

Eu nunca escrevi roteiros de especulação de programas já existentes. Eu sempre escrevo um piloto ou um roteiro [de longa-metragem] de especulação. E quando estou contratando escritores, é isso o que eu quero ler. Você pode escrever personagens, você pode escrever enredo, você pode escrever voltas e reviravoltas, diálogos interessantes… tudo isso estará em um [piloto] de especulação mais do que em um roteiro de especulação de um programa existente. Os agentes me ligam: "Você quer ver o CSI deles?" E eu digo: "Não!"

Um piloto lhe permite exibir o seu estilo próprio mais do que ao escrever o programa de outra pessoa. O risco é que é muito mais difícil escrever um piloto impressionante do que um episódio impressionante de um programa em andamento, cujos atores já trouxeram os personagens à vida. Mas o lucro é que, se o piloto for verdadeiramente excepcional, é possível que alguém da rede possa comprá-lo. Não é provável, mas possível. Bob Lowry:

O meu agente precisava de mais material para começar a bater perna para me arranjar um emprego. Ele disse que queria ou um West Wing ou um material novo. Voltando à… querer escrever na minha própria voz ao invés da de Aaron Sorkin, eu escolhi escrever Huff".

Há uma sutil diferença entre um piloto de especulação que você escreve como amostra, e um piloto que você seriamente espera que seja escolhido. Em uma amostra de escrita, você só tem que mostrar que há um programa ali. Precisamos ter uma noção de quem você pretende que seja o elenco central, e de qual é o modelo do programa, mas desde que eles estejam apenas lendo aquele roteiro, você não tem que ter todas as decisões criativas especificadas. Se você realmente pretende criar um programa, então precisa saber para onde o programa vai depois do piloto. Como é o segundo episódio? O quinto? O arco dramático completo da primeira temporada? Como é o episódio 100? Como é o último episódio da quinta temporada? Kay Reindl (Millennium, Dead Zone, The Twilight Zone):

Se você estiver escrevendo um piloto de especulação para ser usado como amostra da escrita, não se preocupe com uma bíblia. Apenas se preocupe em criar a série no episódio piloto. Ou seja, você quer que o leitor veja que há uma série ali. É um pouco diferente se você está tentando vender um piloto. É sempre melhor, eu descobri, ir preparado além da conta. Ter três anos de seu programa já planejados. As chances são de que você não vá falar sobre isso, mas saber para onde está indo o seu programa vai animar a apresentação de venda. A coisa mais importante em uma apresentação para vender um piloto é fazer com que o executivo se sinta confortável por existir um programa ali.

Se quiser vender o seu piloto como uma série em potencial, você precisa conhecer o seu programa de trás para frente – não cada mínima coisa que vai acontecer, mas todos os aspectos do modelo. Você precisa saber o que o seu programa é ou não é, e o que vai acontecer a cada semana.

O perigo de escrever um piloto sem conhecer o programa é que você pode se colocar num beco sem saída. Os programas às vezes são escolhidos pelos pilotos excelentes, só para os escritores descobrirem que é muito difícil criar episódios. Ou o piloto já queimou a questão central do programa, ou não criou uma. Um programa pode conseguir um grande público pelo seu piloto, apenas para despencar no ranking quando os episódios posteriores não chegam à mesma altura.

Tais problemas – você deve ser muito sortudo, para ter esses problemas.

Se o seu piloto for comprado, é improvável que você conseguirá ser o showrunner do seu próprio programa, a menos que você tenha muita experiência de alto nível de trabalho em equipe de escrita. Triste, mas verdadeiro. Existem exceções famosas. Josh Schwartz deu um jeito de arranjar um lugar de produtor executivo em seu primeiro programa, Wall to Wall Records, que nunca conseguiu passar do piloto e, então, ele fez isso novamente em O.C.. Moira Kirland:

É quase sempre o cara mais experiente que é colocado no comando do programa. Fiquei surpresa por Josh Schwartz vir a conduzir o O.C.. E ele teve tipos tais como Produtores Executivos, apoiando-o. Isso é uma coisa nova. Se não tivesse sido ele e não tivesse sido a Fox… em outra rede eles teriam contratado um macaco gigante. Josh teria conseguido o título de Produtor Supervisor e teria permissão de, bem, comentário

Eu acho que essa é uma forma absurda de fazer as coisas. Porque o criador teve a visão – ele é marginalizado. A pessoa que está comandando não teve essa visão. Não tem essa paixão. Deve-se permitir que o cara com a visão seja um showrunner oficial. Deve ser apoiado. Eu também não lembro de nenhum programa [onde eles colocaram o criador sob as ordens de outra pessoa] que foi um enorme sucesso.

O melhor programa possível é quando você tem o criador envolvido e apaixonado pelo programa, e fazendo o programa. Eles não queriam deixar o Joss Whedon conduzir Buffy. Ele lhes disse: “Não, vocês não podem ter o programa.” Se tivessem posto outro Produtor Executivo acima dele, o programa teria fracassado. Você tem que ter fé nas pessoas que lhe trazem essas idéias. Marc Cherry não tinha comandado um drama antes. Agora ele está comandando Desperate Housewives. Ele não tinha absolutamente nenhuma experiência como showrunner em teledramaturgia.

Em outros países é geralmente mais fácil montar o seu próprio programa. No Canadá, por exemplo, programas feitos por canadenses obtêm um substancial apoio do governo. Isso permite aos produtores darem uma chance aos criadores inexperientes. Eu co-criei Naked Josh quando tinha no meu currículo apenas a experiência de uma temporada trabalhando em equipe de escrita. A desvantagem é que no Canadá os criadores de programa normalmente têm menos controle sobre seus próprios programas do que eles têm nos Estados Unidos.

Sem inspiracao

“Por favor, aguardem. Estamos sem ideias.”

Boa escrita pra você hoje! 😀

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