Dicas de Roteiro

24/10/2010

Dez Razões Para Amar Escrever

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:34
Tags: ,

Olá, o texto a seguir é só pra lembrar vocês porque é gostoso escrever (apenas alguns motivos, não todos, claro). O artigo de hoje foi escrito pela escritora freelancer de TV, rádio e cinema, Michelle Lipton, para o blog dela (Michelle Lipton):

love-for-writing

Ou pelo menos, dez razões pelas quais eu adoro escrever:

1. Você consegue aprender todos os tipos de coisas interessantes sobre diferentes assuntos. É como não ter de escolher uma carreira e ficar presa a ela, você pode tentar todas elas! Interessado em leis? Medicina? Prefere planejar um crime? Falar como um político? Voltar no tempo? O mundo é seu para aproveitar! Qualquer trabalho que você gostar, sem as partes chatas como exames ou papeladas ou pegar condução. Você pode ficar em casa de pijama e aprender tudo sobre ele a partir daí, como não gostar disso? Não aprecia nenhuma das carreiras do universo conhecido? Invente uma! Oras, invente o universo também, por que não?

2. Uma vez tendo escrito sobre as coisas interessantes que aprendeu, você pode compartilhá-las com as pessoas. Com sorte elas as acharão tão interessantes quanto você achou. Sabe quando você está lendo um livro muito interessante e não consegue evitar, você pára e lê em voz alta alguns trechos para alguém? E então ela diz para você calar a boca e ler em silêncio porque ela está tentando ler seu próprio livro e você está sendo irritante? Bem, é assim mesmo, sem todos os “shhhh” e o ser irritante! Ótimo!

3. Você pode desafogar seu peito. Frustrado? Zangado? Repleto de um sentimento de injustiça em ebulição? Você pode colocar isso no papel e parar de atravancar o seu cérebro, deixando-o livre para se concentrar em coisas importantes, como o que teremos para o café da manhã, ou como montar aquela estante estranha que você comprou na Ikea. [N.T.: Companhia de origem sueca especializada na venda de móveis domésticos de baixo custo. A característica principal da IKEA é que seus produtos são criados para que sejam montados pelos próprios clientes.]

4. É duro. Ninguém pode realmente lhe ajudar quando você está preso num problema da história, a menos que eles possam rastejar para dentro do seu cérebro e saber tudo o que você já pensou. E se eles puderem fazer isso, eles são provavelmente os tipos de pessoas das quais você quer ficar longe, de qualquer maneira. Descobrir uma solução em seu próprio cérebro, sem nenhuma ajuda de ninguém, dá uma satisfação de matar, e lhe deixa com um grande sentimento de realização. Mesmo que ninguém mais entenda.

5. Você pode ter amigos imaginários e ninguém irá julgá-lo por isso. Muito.

6. Você pode fazer as pessoas rirem. O que é bom.

7. Se você faz as pessoas chorarem, elas lhe AGRADECEM por isso! Na verdade, quanto mais você faz alguém chorar, melhor opinião ela tem de você! É o mundo de pernas para o ar!

8. Você pode fazer isso em casa, de pijama. (Eu sei que já disse isso, mas vale a pena mencionar duas vezes, eu acho.)

9. Você pode começar com um pequenino cerne de uma idéia de história e cultivá-la e moldá-la e dar forma a ela em algo realmente legal. Eu ia dizer que é como plantar uma semente e fazer crescer um carvalho, mas não é bem assim, é? É mais tipo: fazer crescer uma árvore de carvalho a partir de uma semente, derrubá-la e, em seguida, transformá-la em uma bela mesa de jantar com um conjunto chique de cadeiras e talvez uma fruteira bonita para pôr em cima, ou alguns castiçais. Em uma fração do tempo! E sem toda aquela serragem infernal!

10. É de graça! E qualquer um pode fazê-lo! Tudo o que você precisa é da sua própria imaginação. E talvez de uma caneta e um papel, mas o que isso custa? Cerca de dez reais no máximo, se você não for exigente com isso. Idéias são de graça. Histórias são de graça. Palavras são de graça. E ainda assim, se pôr essas três coisas juntas na ordem correta, você pode fazer zilhões de reais! Bem, algumas pessoas podem. Talvez um dia possa ser nós!

É. Escrever é incrível.

Isso é tudo o que eu queria realmente dizer. Tenha um bom resto de dia.

i_love_writing_buttonBoa escrita hoje! 😀

Anúncios

Escrita Astuta Para a TV – Parte 11

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:09
Tags: , ,

Oi! Aqui vai a antepenúltima parte de nossa série baseada no livro de Alex Epstein, Crafty TV Writing, publicado em seu site, Crafty Screenwriting:

food_chain

Capítulo 9: Subindo na Cadeia Alimentar

Editores de história

Não há nenhuma diferença qualitativa entre as descrições de trabalho de um editor de história e as de um co-produtor executivo. Ambos escrevem roteiros. Ambos reescrevem roteiros. Ambos dividem a história. Só que um está acima do outro. Um editor de história pode acabar reescrevendo um roteiro de um co-produtor executivo, mas é muito mais provável que o co-produtor executivo faça a análise final do roteiro do editor de história; e, claro, o showrunner reescreve os de todos, se o tempo permitir.

Como qualquer cargo, diferentes cargos de escrita possuem diferentes protocolos. Alguns são igualitários. Os créditos significam pouco mais do que quem é melhor pago. Outros são hierárquicos: editores de história subalternos devem manter suas bocas fechadas na sala, a menos que o editor executivo de história peça a sua opinião. Marc Abrams (The Bernie Mac Show):

Conforme você passa de programa para programa, aprende que cada um tem a sua própria temperatura e a sua própria etiqueta. Você reconhece o seu papel naquele programa específico. Alguns showrunners encorajam os escritores de nível inferior a lançarem idéias, outros não. Alguns querem idéias bem pensadas antes de serem apresentadas, outros gostam de ouvir o cerne de uma idéia que possa ser expandido.

Um bom editor de história é um jogador de equipe. Apesar de que você precisa ter os seus roteiros feitos a tempo, também precisa fazer a sua parte para certificar-se de que a equipe de escrita como um todo continue produzindo os roteiros com tranquilidade. Isso pode significar ajudar outro escritor a re-dividir uma história, ou fazer o brainstorm de uma cena com a qual ele esteja tendo dificuldades para escrever. Às vezes, para ajudar um escritor a cumprir um prazo, você vai escrever um ato, ou uma história B. Quando um roteiro está seriamente atrasado, todo mundo pode escrever um ato – isso chama-se "fazer suruba" com um roteiro.

Sempre que você não estiver ocupado – todos os seus próprios roteiros estão prontos ou à espera de comentários – você deve ficar criando novos lances de história para os últimos episódios. Uma temporada de treze episódios pode ser escolhida para continuar, e de repente há a necessidade de dezoito novas histórias. Melinda Hsu:

E você deve sempre, sempre se relacionar bem e fazer mais do que a sua parte. Dê às outras pessoas o crédito pelas idéias que elas tiveram; agradeça às pessoas por sua ajuda; permaneça no escritório até que as pessoas de nível superior ao seu saiam no final do expediente; esteja na sua mesa mesmo que nada de especial esteja acontecendo; não fale pelas costas das pessoas; não seja exigente; não seja louco ou arrogante ou desorganizado ou lento ou difícil de se trabalhar. Não perca prazos, não importa o quão compreensivos os seus colegas e patrões pareçam ser.

Ser um jogador de equipe aplica-se não apenas àqueles projetos nos quais você trabalha, mas como você trata as suas próprias ideias. Um bom jogador de basquete passa a bola para a pessoa que tem a melhor chance de acertar a cesta; ele só vai lançar para a cesta se tiver a melhor chance. Um bom editor de história ajuda a história a ir na direção que parece ser a melhor para ela. Se a ideia for sua, ótimo. Se ideia de alguém funcionar melhor, vá com a dele. Melinda Hsu:

Você quer manter a conversa em movimento e as idéias fluindo, mas não pode simplesmente deixar escapar tudo o que aparece em sua cabeça porque você precisa respeitar a direção na qual a história já está se movendo (a menos que você tenha uma idéia incrivelmente genial). E mesmo caso você tenha uma idéia genial e ela seja rejeitada, você tem que imediatamente deixá-la de lado e não levar para o lado pessoal. Algumas das piores coisas que se pode fazer em uma sala, são:

a) permanecer irremovivelmente fixado em uma única idéia,

b) não sugerir nem uma única ideia, e

c) fracassar em acompanhar a discussão – por exemplo, esquecer as idéias descartadas que já foram levantadas, não seguir as reviravoltas da história que os outros escritores estão propondo, não pensar rápido o suficiente e ter que ter coisas repetidas e re-explicadas para o seu benefício.

É uma habilidade importante saber quando não dizer nada, mesmo que você fizesse diferente se estivesse no comando; e saber como alcançar o resto apenas escutando, quando você perceber que não entendeu muito bem a última reviravolta na história que foi proposta.

Como em qualquer cargo, mesmo em uma situação igualitária, é preciso lembrar quem está trabalhando para quem. Eu perguntei a Paul Guyot qual é o maior erro que os editores de história tendem a fazer no trabalho:

Pensar que sabem mais do que os produtores executivos. Não, eu retiro isso. É abrir a boca e dizer que sabem mais do que os produtores executivos. Você pode ser um editor de história ou mesmo um escritor de equipe, e pode muito bem saber muito mais do que o produtor executivo. Mas mantenha a sua boca fechada. É o programa dele, não o seu. Cale a boca e faça o seu trabalho.

Chris Abbott reforça essa emoção, advertindo contra "não reverenciar o suficiente o produtor executivo." E Kay Reindl (Twilight Zone, Millennium):

Embora um showrunner possa insistir que todos na sala têm voz igual, um escritor de equipe que sempre faz comentários não solicitados para alguém acima dele é considerado problema. Você pode ser o escritor mais brilhante de todos os tempos, mas numa equipe você ainda é um escritor-bebê e está lá para aprender. Ninguém gosta de um escritor de equipe atrevido! Eu já trabalhei com escritores de equipe ansiosos que faziam um ótimo trabalho e aprendiam muito, e escritores de equipe que realmente precisavam parar de falar. Então, apenas lembre que você está ali para aprender tanto como se faz as coisas direito quanto como não se faz as coisas.

Não é uma má idéia de vez em quando checar com o seu chefe, para ver se há algo que você poderia estar fazendo a mais ou a menos. Só porque alguém está num cargo superior ao seu, isso não significa que ele se sinta confortável criticando você. Eles podem não dizer nada até que aquilo se torne um problema. Não deixe chegar até esse ponto. Torne fácil para eles criticarem. Peça que eles o façam.

seriado-01 seriado-02 seriado-03

Boa escrita pra você hoje! 😀

%d blogueiros gostam disto: