Dicas de Roteiro

30/10/2010

Escrita Astuta Para a TV – Parte 13

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:50
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Terminamos!! Enfim, aqui vai a última parte da série baseada no livro Crafty TV Writing, de Alex Epstein, publicado em seu site, Crafty Screenwriting. Este último post é composto apenas de glossário. Eu fiz uma tradução livre dos termos, colocando sempre a palavra original em inglês entre parênteses. A ordem será alfabética mas em inglês, ou seja, estou seguindo a ordem original do autor. Como todos os termos são jargões do ramo, eu tentei ser o mais fiel possível ao sentido das palavras, mas às vezes apenas traduzi literalmente, pois muitas não têm equivalentes em nossa língua. Traduzir jargões é extremamente difícil, e estes termos que escolhi não devem ser utilizados como jargões em nossa língua. Se alguém souber de algum termo que já tenha uma versão mais apropriada em português, ou que possa ter uma melhor tradução, por favor, me avise.

glossario   glossario

GLOSSÁRIO

História A (A story): A história mais importante de um episódio, a que ocupa mais tempo de tela.

Ação de saída (act out): Um gancho ou um revés emocional que acontece pouco antes do programa cortar para os comerciais, de modo que o público fique sintonizado no programa. "Nós fazemos o nosso dinheiro nos teasers, nas pontas e nas saídas".

Ato (act): Tudo entre dois comerciais.

Ação (action): Tudo o que acontece que não seja pessoas falando.

Fantasia atraente (attractive fantasy): Uma situação de vida em que a estrela de uma série encontra-se, e na qual nós gostaríamos de estar. Parte do modelo.

História B (B story): A segunda história mais importante de um episódio, a que ocupa uma quantidade média de tempo de tela.

Escritor-bebê (baby writer): Um escritor sem muita experiência profissional, independentemente de quão velho seja.

História pregressa (backstory): A história pessoal de um personagem antes do episódio ou série começar sua cronologia na tela.

Folha de beats (beat sheet): A história toda de um episódio, narrada beat por beat, na ordem. [N.T.: A tradução literal mais aproximada de beat para este caso seria pulsação, batida (de ritmo), batimento.]

Beat (beat): Uma unidade da narrativa, em que uma coisa importante acontece.

Bíblia (bible): Um documento que, teoricamente, lhe conta tudo o que você precisa saber sobre o programa a fim de escrevê-lo, e praticamente quase nunca o faz.

Rotina (bit): Uma série de piadas relacionadas.

Pretos (blacks): A descrição da ação. Assim chamado porque deixa grandes blocos de desagradável texto preto na página, enquanto o diálogo é bom e esparso.

Episódio-garrafa (bottle show): Um episódio que acontece em um cenário fisicamente restrito utilizando um elenco limitado, ou que se passa apenas nos cenários montados, utilizando somente os membros habituais da série, para economizar tempo e dinheiro.

Sumário (breaking down): Um breve esboço das histórias do episódio, mostrando atos e ações de saída, teaser e ponta.

Dividir a história (breaking story): Encontrar os atos e as ações de saída de uma história; geralmente é feito na sala pela equipe de roteiristas.

Dividir o quadro (breaking the frame): Chamar a atenção para o fato de que os eventos estão ocorrendo em um programa de TV, não na vida real.

Aporrinhar (bumping): Irritar-se por um furo na trama. "Eu estou aporrinhado por causa do modo como chegaram ao dispositivo transportador." "É por isso que você está aporrinhado???"

Botão (button): Um pedaço particularmente bom de diálogo (uma única frase, ou um dístico) que termina uma cena de forma inteligente. Também é usado como um verbo: "Aquilo abotoa a cena bastante bem, não é?"

História C (C story): A terceira história mais importante de um episódio, a que ocupa pouco tempo de tela.

Chamar de volta (callback): Diálogo que se refere a um diálogo anterior, frequentemente torcendo o seu significado para algo novo.

Baseado em personagens (character-based): Um drama em que as histórias surgem principalmente a partir de conflitos entre os personagens. Todas as comédias são baseadas em personagens.

Civil (civilian): alguém que não trabalha no show business.

Episódio recortado (clip show): Um episódio que se baseia em muitas cenas de episódios anteriores. Utilizado para economizar dinheiro ou, mais frequentemente, tempo. Errado, errado, errado.

Co-produtor executivo (co-executive producer): Título dado para indicar um roteirista-produtor, cujo posto está bem abaixo do de um produtor executivo.

Co-produtor (co-producer): Título de cortesia dado a um editor de história veterano, cujo posto está abaixo do de um produtor, mas acima do de um editor de história executivo.

Comédia (comedy): Tudo o que é suposto ser consistentemente engraçado.

Drama cômico (comic drama): Um sub-gênero no qual a estrutura e os riscos da história são dramáticos, mas as situações e os diálogos podem ser interpretados para arrancar risos. Geralmente uma única câmera.

Elenco principal (core cast): Os personagens que deveriam estar em todos os episódios.

Dístico (couplet): Duas frases seguidas de diálogo, em que a frase de um personagem responde à frase anterior. "Como você consegue dormir à noite?" “Eu não durmo.” Um dístico que fecha bem uma cena é chamado de botão.

Demografia (demographics): Que tipo de gente assiste o programa.

Diálogo (dialogue): Personagens falando.

Dopplerar (dopplering): Descreve o som de um carro passando fora da tela.

Rascunho ou versão (draft): Uma versão do roteiro. Definido no contrato-padrão do Sindicato, mas mais flexível na vida real.

Drama (drama) (1): Uma série de TV que não é de comédia ou realidade. Geralmente uma hora.

Drama (drama) (2): O que acontece quando duas pessoas entram em conflito físico, emocional ou moral;

Drama (drama) (3): Um gênero de programa de TV sobre personagens passando por problemas emocionais.

Dramédia (dramedy): Um drama cômico. Ninguém mais usa este termo a sério, então simplesmente esqueça-o. Não deve ser confundido com dromedário, que é uma palavra perfeitamente boa para um camelo com duas corcovas [N.T.: Na verdade é o camelo que tem duas corcovas, o dromedário tem apenas uma.]

Eco (echo): Repetição de uma frase que já ouvimos antes no episódio.

Ep (ep): Um episódio. Ninguém pode ser amolado para escrever a palavra "episódio" várias e várias vezes.

Episódico (episodic): Descreve um programa em que nada que acontece em um episódio tem um impacto significativo em episódios posteriores; compare com seriado.

Editor de história executivo (executive story editor): Título que indica um editor de história veterano, cujo posto está acima do de editores de história, mas abaixo dos escritores-produtores.

Produtor executivo (executive producer): O título mais elevado em um programa. Tradicionalmente dado ao showrunner, mas não exclusivamente.

Expo (expo): Exposição, ou seja, quando um personagem explica as coisas que o público precisa saber. "Então, como esta máquina funciona, exatamente?"

Freelancer (free lancer): Um escritor que é contratado na base de um roteiro por vez.

Dourar o pão ázimo (gilding the matzah): Repisar uma piada que não é mais engraçada.

Ir para as páginas (going to pages): Escrever o roteiro.

Sair para (go out on): Terminar uma cena ou ato com: "Vamos sair para a Jasmine e decidir se o matamos ou não."

Sindicato (Guild): O Writer’s Guild of America ou o Writer’s Guild of Canada. A sua primeira linha de defesa contra produtores bagunçando com o seu crédito ou dinheiro. (Nada impede os produtores de bagunçarem com as suas palavras.)

Acenar de mãos (handwaving): História que parece ótima em uma folha de beats ou argumento, devido à prosa inteligente do escritor, mas deixa grandes questões da história não-resolvidas. O acenar de mãos irá causar dor a qualquer pobre coitado que realmente tenha de escrever as páginas.

Pendurar uma lanterna em (hang a lantern on): Chamar a atenção para um elemento da história de modo que o espectador não o perca; também chamado de pendurar uma placa em.

Escritor principal (head writer): O maior posto de escritor abaixo do showrunner. Pode ter qualquer título, desde editor de história executivo até co-produtor executivo, dependendo da estrutura e do tamanho da equipe de roteiristas.

Gancho (hook): A premissa da série que faz com que as pessoas queiram se sintonizar para assistir pelo menos um episódio.

Joss Whedon (Joss): O deus negro dos escritores. Cordeiros negros são abatidos para ele na lua nova.

Assentar a tubulação (laying pipe): Dar informação técnica agora, de modo que a saibamos mais tarde, quando um ponto da história girar em torno dela.

Como-uma-piada (like-a-joke): Uma parte cômica que tem o ritmo de uma piada, e é seguido por gargalhadas na trilha sonora, mas na verdade não é engraçada.

Fazer um momento (make a moment): Chamar a atenção para o momento em que um personagem está dizendo ou decidindo algo importante.

Fantasia negativa (negative fantasy): Uma situação de vida na qual encontra-se a estrela de uma série e que ficamos contentes por não estarmos nela. Parte do modelo.

Na cara (on the nose): Diálogo que diz exatamente o que o personagem quer dizer. Os personagens normalmente devem evitar falar na cara.

Saída (out): Uma ação de saída.

Páginas (pages): O roteiro.

Revisão (pass): A revisão que um escritor faz de um roteiro, escrevendo ou reescrevendo uma versão do mesmo. Uma versão pode representar várias revisões feitas por um ou mais escritores. "Revisão" sugere que a versão atual provavelmente será criticada e/ou a história editada antes que alguém de fora da sala de escrita a veja. "Versão" implica que está sendo mostrada para não-escritores. Escritores freelancers supostamente só deveriam fazer duas versões, mas nada limita quantas revisões eles fazem antes de mostrarem o seu trabalho para qualquer um.

Furo no enredo (plothole): Uma falha lógica na história.

Personagem do ponto de vista (point of view character): Um personagem através de cuja perspectiva a história é contada, seja o herói ou não.

Estouro (pop): Quando a cena termina com um estrondo que impulsiona você para a próxima cena.

Piloto premissa (premise pilot): Um episódio piloto que mostra como o elenco principal se junta em primeiro lugar, ou a situação básica que surgiu primeiro.

Processual (procedural): Um drama em que os eventos externos fornecem as histórias. Programas médicos, de tribunais e policiais são processuais típicos.

Produtor (producer) (1): Um título de cortesia dado para editores de história veteranos.

Produtor (producer) (2): Um vendedor que vende um pacote de algum material criativo e alguns talentos para organizações com dinheiro, tais como redes de TV e estúdios.

Empurrar (pushing): Dar ao público a história mais rápido do que ele pode absorver.

Série de realidade (reality show): Um programa que finge não ter um roteiro, a fim de evitar o pagamento da escala do escritor. A WGA está cuidando desta questão.

Elenco recorrente (recurring cast): Personagens que reaparecem na série sem serem os principais.

Sala (room): A sala de escrita [ou sala de redação]. O lugar mágico onde a equipe de roteiristas divide a história. Um dos melhores lugares do mundo para se estar, se você for um escritor. Não-escritores na sala geralmente matam a magia.

Corredor (runner): Uma parte recorrente de ação, como uma piada que se repete, não necessariamente contendo todos os elementos de uma história e, portanto, não é uma história C ou D.

Escala (scale): O pagamento mínimo permitido para uma obra escrita sob um contrato do Sindicato.

Isca de idiota (schmuck bait): Uma reviravolta prometida da história que só um idiota acreditaria que fosse realmente acontecer, como o herói morrer (ou em um programa de ficção científica, o herói morrer permanentemente).

Cronometragem de roteiro (script timing): O processo de estimar quanto tempo um episódio vai passar na tela.

Transição (segue): Como você se move de uma cena para outra. Às vezes escrevem errado como "segway", que é a marca de uma espécie de scooter que se equilibra sobre duas rodas.

Seriado (serial): Um programa no qual a trama se desenvolve de episódio a episódio; compare com episódico.

Assíduos da série (series regulars): Os atores que são contratados por temporada e não por episódio.

Servir um personagem (serving a character): Dar a um personagem algo para fazer em um episódio.

Velha tática (shoe leather): Diálogo ou ação que existe apenas para preencher um furo de enredo.

Showrunner (showrunner): A pessoa responsável por todos os aspectos criativos do programa. Todos da equipe respondem ao showrunner; ele responde apenas à rede (e para a companhia produtora, se a empresa não for dele). Normalmente, um escritor. O seu trabalho não é fazer um bom programa de TV; este é o trabalho dele. O seu trabalho é tornar a vida do showrunner mais fácil.

Sitcom (sitcom): Uma comédia de meia hora, frequentemente com três câmeras; geralmente tenta fornecer três risadas por minuto e existe apenas pelo humor.

Novela (soap): Um drama baseado em personagens com um enredo em série. Não necessariamente uma verdadeira telenovela diária.

Novelesco (soapy): Descreve um programa com elementos de enredo em série.

Piloto de especulação (spec pilot): Um episódio de amostra de uma série inexistente, escrito seja para demonstrar a sua originalidade, ou para realmente vender o programa para uma rede.

Roteiro de especulação (spec script): Um episódio de uma série existente escrito para demonstrar as suas habilidades de escrita e obter um emprego; não se destina a ser realmente vendido ou produzido, embora isso tenha acontecido com freqüência suficiente para dar a algumas pessoas uma falsa esperança.

Ponto de partida da história/trampolim (springboard): Uma idéia de episódio em poucas palavras.

Temporada de pessoal (staffing season): O ciclo anual em que programas são comprados em opção, pilotos são rodados, programas são financiados e equipes de escritores são contratadas.

Escritor da equipe (staff writer): Um freelancer que trabalha no escritório escrevendo seus próprios roteiros.

Cenários montados (standing sets): Cenários de estúdio que ficam montados a temporada inteira. É barato filmar neles. Cenas que se passam em cenários montados deixam os gerentes de produção felizes.

Editor de história (story editor): um escritor que trabalha em equipe, escrevendo seus próprios roteiros, dividindo a história e reescrevendo os roteiros de outras pessoas.

Legendas para os deficientes de nuance (subtitles for the nuance impaired): Prosa inserida em um tratamento ou roteiro para se certificar de que o leitor captou a mensagem. Somente considerado trapaça se o público não entender, tampouco. A diferença entre o leitor não entender e o público não entender pode ser explicada pela referência a termos de direção, interpretação, fotografia, edição e música.

Ponta (tag): A cena ou as cenas que aparecem depois do último comercial, para amarrar todas as pontas soltas ou, alternativamente, para desatar uma ponta solta de modo que a história possa continuar na próxima semana.

Tirar a maldição (taking the curse off): Fazer um elemento da história não passar a sensação de ser clichê sem alterar o elemento da história em si.

Teaser (teaser): A cena ou as cenas que aparecem antes dos letreiros e do primeiro comercial, para "provocar" [tease] o público para ele que assista o episódio. Normalmente estabelece a história do episódio, mas não precisa.

Telegrafar (telegraphing): Dar ao público uma dica muito óbvia de para onde a história vai.

Modelo (template): A estrutura profunda de um programa de TV. O modelo abrange todas as coisas que todo episódio da série deve fazer.

Fazer templo (templing): Quando um personagem coloca os dedos juntos, pensativo, formando um templo.

O longo prazo (the long term): A próxima temporada.

Três câmeras (three-camera): Série rodada em um estúdio à prova de som com três câmeras gravando constantemente a ação. Séries de três câmeras são freqüentemente rodadas em duas apresentações em um único dia. Contrapõe-se à câmera única.

Monitorar a trajetória (tracking): Seguir a história pessoal de um personagem para se certificar de que ela faça sentido por si só. "A história de Josh não segue a trajetória."

Argumento (treatment): Uma folha de beats expandida e polida para entregar para pessoas que não ouviram a apresentação oral, tais como os executivos da rede. Muitas vezes contém legendas para os deficientes de nuance.

Dois comunicadores (two handler): Uma cena de diálogo entre dois personagens. Os gerentes de produção amam essas.

Escritor (writer): Um homem ou uma mulher divina, digno de adoração e ofertas de casamento, fantástico na cama, cujo todo defeito é simplesmente adorável.

AlfabetoBoa escrita pra você hoje!

26/10/2010

7 Lugares Para Escrever o Seu Roteiro

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:47
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O artigo a seguir é de autoria de Christopher Rice, e foi tirado de seu blog, ScriptXRay:

St-James-s-Park--London

Casa

Stephen King sugere que você crie um espaço para si mesmo em algum lugar de sua casa onde você possa ir para fazer nada mais do que escrever. Seja na varanda, no escritório ou no banheiro, certifique-se de que você tenha um lugar para ir quando quiser escrever… que por acaso deveria ser todo dia, se você for um escritor de verdade. Por falar nisso, se você estiver escrevendo em um computador, certifique-se de que ele não esteja conectado à Internet… ela realmente cria bloqueios de escritor.

Barnes & Noble (Livraria)

Vamos encarar: a Barnes é a melhor livraria da cidade. Os funcionários são profissionais, bem vestidos e educados, a organização dos livros é impecável e clara, e o melhor de tudo: eles servem café da Starbucks em um dos cafés mais limpos no qual você jamais leu ou jantou. E é exatamente por isso que é um ótimo lugar para escrever. Se você é como eu, você precisa estar no meio da agitação do mundo cotidiano a fim de devanear em sua imaginação e produzir trabalho. Pegue uma mesa, peça um macchiato de caramelo com fava de baunilha em pó em uma caneca, e devaneie com nada além do seu caderno e caneta, laptop e fichas, ou giz antigo de homem das cavernas, e conte a sua história.

[N.T.: Não existem B&Ns no Brasil, mas temos outras excelentes livrarias que também são ótimas opções de locais para escrever. Aproveite!]

Chuveiro ou Banheira

Para a maioria dos escritores, o chuveiro é um dos lugares mais criativos da casa. Talvez o vapor crie uma zona tipo-zen, onde o inconsciente circule. Talvez seja um lugar onde deixamos a nossa mente vagar até ficar calma, e portanto, nos tornamos abertos a novas idéias. Se você precisa relaxar, desligar-se do mundo, e deixar os mundos da sua história tomarem conta, considere este o melhor lugar para você.

Parque

Quando foi a última vez que você foi a um parque? Quando foi a última vez que você leu Peter Pan? Você sabia que muito da história de Peter, bem como muitas das histórias de J.M. Barrie, foram em grande parte criadas no parque local? Há algo em se passear pela grama ao ar livre, ouvir o barulho do balanço, os risos das crianças, o farfalhar das folhas ou o gotejar da água dos chafarizes, que estimula a imaginação e encoraja a sua mente a voar alto como costumava fazer quando você era criança. Sem fronteiras. Sem limites. Imaginação pura.

Park_Bench_Companions

Trabalho

O seu trabalho diário é algo que você quer fazer para o resto da sua vida? Se não, você deve estar pensando em suas histórias a cada segundo do dia. Mesmo se você não está fisicamente escrevendo, a sua mente está ponderando, fazendo brainstorm, criando e produzindo novas idéias. Considere este momento o seu tempo para pensar sobre o que você escreveu ontem à noite ou de manhã cedo, o que você quer escrever esta noite ou amanhã de manhã, e para onde você está indo. Além disso, tenha em mente que, como um contador de histórias, o seu trabalho é contar histórias que reflitam a condição humana, então agora é também o tempo de observar e entender as pessoas e a vida. Se você puder, tome notas em seu caderno. Durante a sua pausa, escreva uma cena, explore uma idéia, e teste alguns nomes ou descrições. Você passa de oito a nove horas no trabalho… utilize o máximo que for possível desse tempo em sua escrita, sem ser demitido.

Veículo

Quando eu estava trabalhando em uma companhia produtora em West Hollywood, eu agüentava uma hora e meia de viagem de ida e de volta, todos os dias – que são três horas além das suas oito a nove horas por dia em que você poderia estar escrevendo ou, pelo menos, pondo em prática os seus sonhos de escrever. Eu mantinha um grande bloco amarelo no meu banco de passageiro o tempo todo (cadernetas não funcionam bem porque se você tem um pingo de sanidade mental enquanto escreve no seu carro, você vai olhar a estrada), e produzi muitos artigos, contos, e outros escritos. Isto deve servir melhor para os residentes de Los Angeles – porque o trânsito daqui realmente permite isso. O que você faria se ficasse preso em um engarrafamento infernal todos os dias da semana? Escreveria, certo? Eu não sou do tipo que usa gravador de voz, mas, ei, esse é um ótimo lugar para se escrever oralmente. Abaixe o rádio que você não está realmente ouvindo de qualquer modo, pegue o bloco e a caneta, e escreva à mão ao estilo George Lucas.

Sono

Mais uma vez, quando a sua mente está em repouso, as idéias fluem. Mantenha aquele “oh, tão prático” bloco amarelo perto da sua cama ou sofá ou rede ou onde quer que você durma, de modo que você possa facilmente anotar todas as grandes idéias que você sonhar. Se você não costuma acordar ou sonhar, considere botar o seu despertador para tocar nas primeiras horas da madrugada; as chances são de que você será acordado bem no meio de um sonho. Certifique-se de manter aquele bloco por perto; é quase garantido que você vá esquecer o seu sonho, a menos que você o anote ou o verbalize.

Banco borboleta

Em dois comentários do post original os internautas sugeriram também a biblioteca e a praia como bons lugares para se escrever. O autor então acrescentou que a biblioteca da UCLA é uma melhores que ele conhece, e que na verdade todo o campus da UCLA é excelente.

Boa escrita pra você hoje!

25/10/2010

Escrita Astuta Para a TV – Parte 12

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 01:54
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Êba! Estamos acabando!! Esta é a penúltima parte desta série baseada no livro de Alex Epstein, Crafty TV Writing, publicado no site dele (Crafty Screenwriting):

Santo_Graal

Capítulo 10: O Santo Graal: Criar o Seu Próprio Programa

Pilotos de especulação para valer

A melhor maneira de conseguir que a rede de televisão escolha a sua ideia de série é se casando com o chefe da rede. A maneira mais provável é escrevendo um piloto de especulação. Uma bíblia diz ao leitor como você quer que seja o programa. Mas isso não prova que você pode entregar um programa assim. Um roteiro-piloto é a evidência definitiva.

É muitíssimo mais fácil conseguir que os executivos da rede leiam um roteiro-piloto de especulação do que leiam uma bíblia de programa. Os executivos frequentemente estão dispostos a ler um piloto de especulação como amostra. Assim, muitos escritores experientes escrevem um piloto em especulação de tempos em tempos como uma alternativa para escrever em especulação um programa atual. Se o piloto não for escolhido, ainda é uma boa amostra e demonstra a originalidade do escritor. Se o piloto, por algum milagre, for escolhido, Mazel Tov. Chris Abbott:

Eu nunca escrevi roteiros de especulação de programas já existentes. Eu sempre escrevo um piloto ou um roteiro [de longa-metragem] de especulação. E quando estou contratando escritores, é isso o que eu quero ler. Você pode escrever personagens, você pode escrever enredo, você pode escrever voltas e reviravoltas, diálogos interessantes… tudo isso estará em um [piloto] de especulação mais do que em um roteiro de especulação de um programa existente. Os agentes me ligam: "Você quer ver o CSI deles?" E eu digo: "Não!"

Um piloto lhe permite exibir o seu estilo próprio mais do que ao escrever o programa de outra pessoa. O risco é que é muito mais difícil escrever um piloto impressionante do que um episódio impressionante de um programa em andamento, cujos atores já trouxeram os personagens à vida. Mas o lucro é que, se o piloto for verdadeiramente excepcional, é possível que alguém da rede possa comprá-lo. Não é provável, mas possível. Bob Lowry:

O meu agente precisava de mais material para começar a bater perna para me arranjar um emprego. Ele disse que queria ou um West Wing ou um material novo. Voltando à… querer escrever na minha própria voz ao invés da de Aaron Sorkin, eu escolhi escrever Huff".

Há uma sutil diferença entre um piloto de especulação que você escreve como amostra, e um piloto que você seriamente espera que seja escolhido. Em uma amostra de escrita, você só tem que mostrar que há um programa ali. Precisamos ter uma noção de quem você pretende que seja o elenco central, e de qual é o modelo do programa, mas desde que eles estejam apenas lendo aquele roteiro, você não tem que ter todas as decisões criativas especificadas. Se você realmente pretende criar um programa, então precisa saber para onde o programa vai depois do piloto. Como é o segundo episódio? O quinto? O arco dramático completo da primeira temporada? Como é o episódio 100? Como é o último episódio da quinta temporada? Kay Reindl (Millennium, Dead Zone, The Twilight Zone):

Se você estiver escrevendo um piloto de especulação para ser usado como amostra da escrita, não se preocupe com uma bíblia. Apenas se preocupe em criar a série no episódio piloto. Ou seja, você quer que o leitor veja que há uma série ali. É um pouco diferente se você está tentando vender um piloto. É sempre melhor, eu descobri, ir preparado além da conta. Ter três anos de seu programa já planejados. As chances são de que você não vá falar sobre isso, mas saber para onde está indo o seu programa vai animar a apresentação de venda. A coisa mais importante em uma apresentação para vender um piloto é fazer com que o executivo se sinta confortável por existir um programa ali.

Se quiser vender o seu piloto como uma série em potencial, você precisa conhecer o seu programa de trás para frente – não cada mínima coisa que vai acontecer, mas todos os aspectos do modelo. Você precisa saber o que o seu programa é ou não é, e o que vai acontecer a cada semana.

O perigo de escrever um piloto sem conhecer o programa é que você pode se colocar num beco sem saída. Os programas às vezes são escolhidos pelos pilotos excelentes, só para os escritores descobrirem que é muito difícil criar episódios. Ou o piloto já queimou a questão central do programa, ou não criou uma. Um programa pode conseguir um grande público pelo seu piloto, apenas para despencar no ranking quando os episódios posteriores não chegam à mesma altura.

Tais problemas – você deve ser muito sortudo, para ter esses problemas.

Se o seu piloto for comprado, é improvável que você conseguirá ser o showrunner do seu próprio programa, a menos que você tenha muita experiência de alto nível de trabalho em equipe de escrita. Triste, mas verdadeiro. Existem exceções famosas. Josh Schwartz deu um jeito de arranjar um lugar de produtor executivo em seu primeiro programa, Wall to Wall Records, que nunca conseguiu passar do piloto e, então, ele fez isso novamente em O.C.. Moira Kirland:

É quase sempre o cara mais experiente que é colocado no comando do programa. Fiquei surpresa por Josh Schwartz vir a conduzir o O.C.. E ele teve tipos tais como Produtores Executivos, apoiando-o. Isso é uma coisa nova. Se não tivesse sido ele e não tivesse sido a Fox… em outra rede eles teriam contratado um macaco gigante. Josh teria conseguido o título de Produtor Supervisor e teria permissão de, bem, comentário

Eu acho que essa é uma forma absurda de fazer as coisas. Porque o criador teve a visão – ele é marginalizado. A pessoa que está comandando não teve essa visão. Não tem essa paixão. Deve-se permitir que o cara com a visão seja um showrunner oficial. Deve ser apoiado. Eu também não lembro de nenhum programa [onde eles colocaram o criador sob as ordens de outra pessoa] que foi um enorme sucesso.

O melhor programa possível é quando você tem o criador envolvido e apaixonado pelo programa, e fazendo o programa. Eles não queriam deixar o Joss Whedon conduzir Buffy. Ele lhes disse: “Não, vocês não podem ter o programa.” Se tivessem posto outro Produtor Executivo acima dele, o programa teria fracassado. Você tem que ter fé nas pessoas que lhe trazem essas idéias. Marc Cherry não tinha comandado um drama antes. Agora ele está comandando Desperate Housewives. Ele não tinha absolutamente nenhuma experiência como showrunner em teledramaturgia.

Em outros países é geralmente mais fácil montar o seu próprio programa. No Canadá, por exemplo, programas feitos por canadenses obtêm um substancial apoio do governo. Isso permite aos produtores darem uma chance aos criadores inexperientes. Eu co-criei Naked Josh quando tinha no meu currículo apenas a experiência de uma temporada trabalhando em equipe de escrita. A desvantagem é que no Canadá os criadores de programa normalmente têm menos controle sobre seus próprios programas do que eles têm nos Estados Unidos.

Sem inspiracao

“Por favor, aguardem. Estamos sem ideias.”

Boa escrita pra você hoje! 😀

24/10/2010

Dez Razões Para Amar Escrever

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:34
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Olá, o texto a seguir é só pra lembrar vocês porque é gostoso escrever (apenas alguns motivos, não todos, claro). O artigo de hoje foi escrito pela escritora freelancer de TV, rádio e cinema, Michelle Lipton, para o blog dela (Michelle Lipton):

love-for-writing

Ou pelo menos, dez razões pelas quais eu adoro escrever:

1. Você consegue aprender todos os tipos de coisas interessantes sobre diferentes assuntos. É como não ter de escolher uma carreira e ficar presa a ela, você pode tentar todas elas! Interessado em leis? Medicina? Prefere planejar um crime? Falar como um político? Voltar no tempo? O mundo é seu para aproveitar! Qualquer trabalho que você gostar, sem as partes chatas como exames ou papeladas ou pegar condução. Você pode ficar em casa de pijama e aprender tudo sobre ele a partir daí, como não gostar disso? Não aprecia nenhuma das carreiras do universo conhecido? Invente uma! Oras, invente o universo também, por que não?

2. Uma vez tendo escrito sobre as coisas interessantes que aprendeu, você pode compartilhá-las com as pessoas. Com sorte elas as acharão tão interessantes quanto você achou. Sabe quando você está lendo um livro muito interessante e não consegue evitar, você pára e lê em voz alta alguns trechos para alguém? E então ela diz para você calar a boca e ler em silêncio porque ela está tentando ler seu próprio livro e você está sendo irritante? Bem, é assim mesmo, sem todos os “shhhh” e o ser irritante! Ótimo!

3. Você pode desafogar seu peito. Frustrado? Zangado? Repleto de um sentimento de injustiça em ebulição? Você pode colocar isso no papel e parar de atravancar o seu cérebro, deixando-o livre para se concentrar em coisas importantes, como o que teremos para o café da manhã, ou como montar aquela estante estranha que você comprou na Ikea. [N.T.: Companhia de origem sueca especializada na venda de móveis domésticos de baixo custo. A característica principal da IKEA é que seus produtos são criados para que sejam montados pelos próprios clientes.]

4. É duro. Ninguém pode realmente lhe ajudar quando você está preso num problema da história, a menos que eles possam rastejar para dentro do seu cérebro e saber tudo o que você já pensou. E se eles puderem fazer isso, eles são provavelmente os tipos de pessoas das quais você quer ficar longe, de qualquer maneira. Descobrir uma solução em seu próprio cérebro, sem nenhuma ajuda de ninguém, dá uma satisfação de matar, e lhe deixa com um grande sentimento de realização. Mesmo que ninguém mais entenda.

5. Você pode ter amigos imaginários e ninguém irá julgá-lo por isso. Muito.

6. Você pode fazer as pessoas rirem. O que é bom.

7. Se você faz as pessoas chorarem, elas lhe AGRADECEM por isso! Na verdade, quanto mais você faz alguém chorar, melhor opinião ela tem de você! É o mundo de pernas para o ar!

8. Você pode fazer isso em casa, de pijama. (Eu sei que já disse isso, mas vale a pena mencionar duas vezes, eu acho.)

9. Você pode começar com um pequenino cerne de uma idéia de história e cultivá-la e moldá-la e dar forma a ela em algo realmente legal. Eu ia dizer que é como plantar uma semente e fazer crescer um carvalho, mas não é bem assim, é? É mais tipo: fazer crescer uma árvore de carvalho a partir de uma semente, derrubá-la e, em seguida, transformá-la em uma bela mesa de jantar com um conjunto chique de cadeiras e talvez uma fruteira bonita para pôr em cima, ou alguns castiçais. Em uma fração do tempo! E sem toda aquela serragem infernal!

10. É de graça! E qualquer um pode fazê-lo! Tudo o que você precisa é da sua própria imaginação. E talvez de uma caneta e um papel, mas o que isso custa? Cerca de dez reais no máximo, se você não for exigente com isso. Idéias são de graça. Histórias são de graça. Palavras são de graça. E ainda assim, se pôr essas três coisas juntas na ordem correta, você pode fazer zilhões de reais! Bem, algumas pessoas podem. Talvez um dia possa ser nós!

É. Escrever é incrível.

Isso é tudo o que eu queria realmente dizer. Tenha um bom resto de dia.

i_love_writing_buttonBoa escrita hoje! 😀

Escrita Astuta Para a TV – Parte 11

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:09
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Oi! Aqui vai a antepenúltima parte de nossa série baseada no livro de Alex Epstein, Crafty TV Writing, publicado em seu site, Crafty Screenwriting:

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Capítulo 9: Subindo na Cadeia Alimentar

Editores de história

Não há nenhuma diferença qualitativa entre as descrições de trabalho de um editor de história e as de um co-produtor executivo. Ambos escrevem roteiros. Ambos reescrevem roteiros. Ambos dividem a história. Só que um está acima do outro. Um editor de história pode acabar reescrevendo um roteiro de um co-produtor executivo, mas é muito mais provável que o co-produtor executivo faça a análise final do roteiro do editor de história; e, claro, o showrunner reescreve os de todos, se o tempo permitir.

Como qualquer cargo, diferentes cargos de escrita possuem diferentes protocolos. Alguns são igualitários. Os créditos significam pouco mais do que quem é melhor pago. Outros são hierárquicos: editores de história subalternos devem manter suas bocas fechadas na sala, a menos que o editor executivo de história peça a sua opinião. Marc Abrams (The Bernie Mac Show):

Conforme você passa de programa para programa, aprende que cada um tem a sua própria temperatura e a sua própria etiqueta. Você reconhece o seu papel naquele programa específico. Alguns showrunners encorajam os escritores de nível inferior a lançarem idéias, outros não. Alguns querem idéias bem pensadas antes de serem apresentadas, outros gostam de ouvir o cerne de uma idéia que possa ser expandido.

Um bom editor de história é um jogador de equipe. Apesar de que você precisa ter os seus roteiros feitos a tempo, também precisa fazer a sua parte para certificar-se de que a equipe de escrita como um todo continue produzindo os roteiros com tranquilidade. Isso pode significar ajudar outro escritor a re-dividir uma história, ou fazer o brainstorm de uma cena com a qual ele esteja tendo dificuldades para escrever. Às vezes, para ajudar um escritor a cumprir um prazo, você vai escrever um ato, ou uma história B. Quando um roteiro está seriamente atrasado, todo mundo pode escrever um ato – isso chama-se "fazer suruba" com um roteiro.

Sempre que você não estiver ocupado – todos os seus próprios roteiros estão prontos ou à espera de comentários – você deve ficar criando novos lances de história para os últimos episódios. Uma temporada de treze episódios pode ser escolhida para continuar, e de repente há a necessidade de dezoito novas histórias. Melinda Hsu:

E você deve sempre, sempre se relacionar bem e fazer mais do que a sua parte. Dê às outras pessoas o crédito pelas idéias que elas tiveram; agradeça às pessoas por sua ajuda; permaneça no escritório até que as pessoas de nível superior ao seu saiam no final do expediente; esteja na sua mesa mesmo que nada de especial esteja acontecendo; não fale pelas costas das pessoas; não seja exigente; não seja louco ou arrogante ou desorganizado ou lento ou difícil de se trabalhar. Não perca prazos, não importa o quão compreensivos os seus colegas e patrões pareçam ser.

Ser um jogador de equipe aplica-se não apenas àqueles projetos nos quais você trabalha, mas como você trata as suas próprias ideias. Um bom jogador de basquete passa a bola para a pessoa que tem a melhor chance de acertar a cesta; ele só vai lançar para a cesta se tiver a melhor chance. Um bom editor de história ajuda a história a ir na direção que parece ser a melhor para ela. Se a ideia for sua, ótimo. Se ideia de alguém funcionar melhor, vá com a dele. Melinda Hsu:

Você quer manter a conversa em movimento e as idéias fluindo, mas não pode simplesmente deixar escapar tudo o que aparece em sua cabeça porque você precisa respeitar a direção na qual a história já está se movendo (a menos que você tenha uma idéia incrivelmente genial). E mesmo caso você tenha uma idéia genial e ela seja rejeitada, você tem que imediatamente deixá-la de lado e não levar para o lado pessoal. Algumas das piores coisas que se pode fazer em uma sala, são:

a) permanecer irremovivelmente fixado em uma única idéia,

b) não sugerir nem uma única ideia, e

c) fracassar em acompanhar a discussão – por exemplo, esquecer as idéias descartadas que já foram levantadas, não seguir as reviravoltas da história que os outros escritores estão propondo, não pensar rápido o suficiente e ter que ter coisas repetidas e re-explicadas para o seu benefício.

É uma habilidade importante saber quando não dizer nada, mesmo que você fizesse diferente se estivesse no comando; e saber como alcançar o resto apenas escutando, quando você perceber que não entendeu muito bem a última reviravolta na história que foi proposta.

Como em qualquer cargo, mesmo em uma situação igualitária, é preciso lembrar quem está trabalhando para quem. Eu perguntei a Paul Guyot qual é o maior erro que os editores de história tendem a fazer no trabalho:

Pensar que sabem mais do que os produtores executivos. Não, eu retiro isso. É abrir a boca e dizer que sabem mais do que os produtores executivos. Você pode ser um editor de história ou mesmo um escritor de equipe, e pode muito bem saber muito mais do que o produtor executivo. Mas mantenha a sua boca fechada. É o programa dele, não o seu. Cale a boca e faça o seu trabalho.

Chris Abbott reforça essa emoção, advertindo contra "não reverenciar o suficiente o produtor executivo." E Kay Reindl (Twilight Zone, Millennium):

Embora um showrunner possa insistir que todos na sala têm voz igual, um escritor de equipe que sempre faz comentários não solicitados para alguém acima dele é considerado problema. Você pode ser o escritor mais brilhante de todos os tempos, mas numa equipe você ainda é um escritor-bebê e está lá para aprender. Ninguém gosta de um escritor de equipe atrevido! Eu já trabalhei com escritores de equipe ansiosos que faziam um ótimo trabalho e aprendiam muito, e escritores de equipe que realmente precisavam parar de falar. Então, apenas lembre que você está ali para aprender tanto como se faz as coisas direito quanto como não se faz as coisas.

Não é uma má idéia de vez em quando checar com o seu chefe, para ver se há algo que você poderia estar fazendo a mais ou a menos. Só porque alguém está num cargo superior ao seu, isso não significa que ele se sinta confortável criticando você. Eles podem não dizer nada até que aquilo se torne um problema. Não deixe chegar até esse ponto. Torne fácil para eles criticarem. Peça que eles o façam.

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Boa escrita pra você hoje! 😀

23/10/2010

Escrita Astuta Para a TV – Parte 10

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 15:58
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Hoje continuamos nossa série com mais um subcapítulo do livro de Alex Epstein, Crafty TV Writing, tirado do site Crafty Screenwriting:

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Capítulo 8: Sendo Contratado

Arranjando o seu primeiro trabalho remunerado

Se os editores de história de um programa gostarem dos roteiros de especulação que o seu agente enviou, eles vão pedir para que você se encontre com eles e lance idéias para episódios. Você não precisa convencê-los de que você consegue escrever, pois eles já decidiram que você consegue. Você precisa convencê-los de três coisas:

a. Você tem grandes histórias para contar.

b. Você tem paixão por essas histórias.

c. Vai ser divertido trabalhar com você.

Se eles não gostarem das ideias que você lançar mas gostarem de você, eles até podem atribuir-lhe um roteiro para escrever, mas não conte com isso. Você quer lançar ideias para as quais eles possam dizer "sim".

sim Boa escrita pra você!

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