Dicas de Roteiro

03/09/2010

Escrita Astuta Para a TV – Parte 3

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:31
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Oi! Hoje trazemos a continuação dos trechos do livro Crafty TV Writing, do roteirista Alex Epstein, e tirados do site dele, Crafty Screenwriting:

Datilografando na maquina de escrever

Capítulo 3: Escrevendo o Roteiro

Tecendo as Histórias Juntas – A Folha de Beats [Beat Sheet]

Um beat [batida] é a menor unidade da narração de histórias. É um pedaço da história em que alguma coisa acontece. Poderia ser algo dramático:

 beat

Ou poderia ser ação:

Beat2

Ambos os exemplos são também cenas individuais. Uma cena é uma ação contínua em um único lugar. Uma cena continua até você cortar para uma nova cena em um novo cenário. No entanto, um beat pode se passar durante várias cenas:

 Beat3

Note que, embora isto esteja formatado como se fosse uma única cena, "RODOVIA / RUA / BEIRA-MAR" não é um local. São vários locais. Este beat vai se transformar em muitas cenas no argumento passo-a-passo:

Beat4

O roteiro pode dividi-lo em ainda mais cenas, especialmente se o editor de histórias que está escrevendo o episódio for para as locações físicas e reais, e adaptar a ação para aquele lugar.

Da mesma forma, vários beats podem ocorrer no mesmo ambiente:

Beat5

Uma folha de beats é o episódio inteiro, contado beat por beat. Um plano detalhado mantém as histórias A, B e C separadas, para deixar mais claro se elas estão funcionando ou não. Uma folha de beats tece as histórias juntas na ordem que você pretende que apareçam no episódio.

Uma folha de beats de meia hora poderia ter de 3 a 6 páginas, espaçamento simples; uma folha de beats de uma hora poderia ter de seis a doze páginas. Mas não há um número exigido de páginas. Uma folha de beats é tão longa quanto precisa ser para contar a história de forma eficiente.

As histórias A, B e C devem ser equilibradas, de modo que nenhum ato seja demasiado pesado com um enredo em  particular. Em geral, a história A tem mais beats do que a história B, que tem mais do que a história C. Assim, em um drama de uma hora, a história A pode ter três a quatro beats por ato, a história B pode ter dois, e a história C, apenas um. Quantos beats existem depende do ritmo da narração das histórias. Um drama falador como Gilmore Girls pode ter menos beats por ato do que um thriller intenso de alta de alta velocidade como 24 Horas. Em geral, o ritmo da narração e do diálogo têm se acelerado. As cenas de Miami Vice agora parecem arrastadas – longas e prolixas. As cenas do Dragnet original de 1951 parecem inacreditavelmente arrastadas.

O objetivo de se escrever uma folha de beats é primeiro permitir que você possa ter uma noção clara da forma como a história irá fluir. É difícil ler um roteiro de trinta páginas, de meia hora, mantê-lo todo em sua cabeça de uma vez, e ter uma noção se vai funcionar como um episódio. Com três ou quatro, ou mesmo seis páginas de uma folha de beats, é muito mais fácil.

Os beats devem ser escritos da forma mais clara e simples possível. Este é um documento para você. Você não está tentando vender a história para um estranho; você está apenas tentando captar a história toda de uma vez. (Mas veja “Tratamentos”, abaixo). [N.T.: Ele está se referindo a outro subtítulo do terceiro capítulo, que ele não postou na internet, só comprando o livro].

Normalmente, uma folha de beats não contém muito diálogo. Pode ter algumas falas aqui ou ali se forem excepcionalmente inteligentes, ou se elas definirem uma cena de diálogo, mas, em geral, guarde o diálogo e a descrição detalhada da ação para as páginas. Se a sua folha de beats for muito detalhada, isso anula o propósito de contar a história em lances amplos.

Na sua folha de beats, tente certificar-se de que cada cena levante uma questão – seja uma questão emocional ou de enredo, seja de forma implícita ou explícita – que uma cena posterior responda. Isso é o que puxa o público através da história.

Você deve saber, no mínimo, quem está em cena e onde ela ocorre. Você deve saber o que cada personagem quer discutir na cena, e qual é o conflito. Você deve saber quais reviravoltas acontecem, e onde os personagens vão acabar.

television

Boa escrita pra você hoje! :mrgreen:

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2 Comentários

  1. Eu não entendi muito o que é um beat!, tipo, você pode escrever o roteiro todo só em beat ?

    Estou confuso !

    Beijos !!!

    Comentário por Igor — 19/09/2010 @ 10:04

    • Oi, Igor!

      Não se preocupe, você não é o primeiro a me perguntar isso, todo mundo tem essa dúvida. Um beat seria a ação principal da cena. Quando você escreve o seu argumento, antes de escrever o roteiro, por exemplo, você escreve resumidamente o que vai acontecer na história, não é mesmo? Numa cena que pode ser longa, a gente costuma resumir em uma frase o ponto principal dela, e este seria o tal do beat. Num roteiro você pode escrever: “Maria chega em casa cansada, pega sua correspondência, anda pela cozinha, tira uma caixa de leite da geladeira, cheira-o, vê que está azedo, joga o leite na pia, lê os remetentes de sua correspondência, anda distraidamente até o quarto, onde descobre o seu marido morto, assassinado.” Mas um beat seria: “Maria chega em casa e encontra o marido morto.” Entendeu? É o objetivo central da cena, o resto era encheção de linguiça, só serviu para passar um clima, mas não era o foco principal. Por este motivo, o roteiro não pode ser escrito apenas em beats, faltaria muita ação e os diálogos também. Os beats são utilizados na fase de pré-roteiro, quando a gente usa as fichas no quadro (já temos um post sobre isso) ou quando você está escrevendo um argumento para lhe orientar na escrita, para não se perder nem esquecer cenas importantes. No caso deste post, isso ainda serve para a gente ter uma visão geral da história, saber se ela ficou legal ou não. É um modo mais fácil de analisar a história.

      É isso, Igor, espero ter explicado direito, esse beat sempre deixa a gente encasquetado, pois é uma subdivisão muito sutil da história, só você mesmo que vai sentir o que é ou não vital em cada cena.

      Um beijão, Igor, e até mais! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 19/09/2010 @ 11:18


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