Dicas de Roteiro

30/07/2010

Como Escrever Um Musical – Parte 5

Filed under: Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 12:50
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Aqui vai a penúltima parte do texto do autor e professor John Kenrick, tirado do site Musicals101.

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Oito Regras Para Escrever Musicais – Parte 2

Agora, algumas regras que se aplicam especificamente à forma musical:

5. Encontre os Locais das Canções – A colocação das canções em um musical não é arbitrária! Irving Berlin disse que avaliava projetos em potencial procurando por "locais" – pontos na história que demandam uma canção. Chame estes momentos-chave do que você quiser, mas eles são os lugares onde os personagens têm alguma justificativa emocional para cantar. Pense no seu musical favorito; todas as canções têm algo a dizer, expressando sentimentos ou preocupações importantes dos personagens. Alegria, confusão, mágoa, amor, raiva – nos pontos ou locais onde estes sentimentos definidores de vida irrompem, os personagens podem cantar.

6. Abra Com Uma Canção de Arrebentar – De vez em quando, um musical de sucesso (My Fair Lady, O Rei e Eu) abre com algumas páginas de diálogo antes do número de abertura, mas estas são as exceções. Na maioria dos casos, a maneira mais rápida de tocar um público de teatro musical é através da canção. Um número ou cena musical efetiva dá o tom do espetáculo a seguir e também permite uma rápida exposição da trama e do desenvolvimento dos personagens. Ao final do número de abertura, o público deve saber onde a história se passa, quais tipos de pessoas estão nela, e qual será o tom básico do espetáculo (cômico, satírico, sério etc.). É por isso que o número de abertura deveria ser um dos mais fortes na partitura. Um ótimo número de abertura reafirma ao público que há mais coisas boas por vir. Pense na canção-título de Ragtime, que habilmente introduz o público a um exército de personagens e à época distante em que viviam! Outros exemplos: Oklahoma ("Oh, What a Beautiful Morning"), Os Miseráveis ("At the End of the Day"), Urinetown ("Too Much Exposition"), e Hairspray ("Good Morning, Baltimore").

7. Letra, Partitura e Encenação DEVEM Se Expressar Como Uma Coisa  – No teatro musical contemporâneo, a partitura, o libreto e a encenação (tanto a direção quanto a coreografia) compartilham o trabalho de contar histórias. Isso resulta em freqüentes passagens do diálogos cantados, bem como cenas onde os personagens se movem continuamente entre a palavra falada, a dança e a canção. Pense no hilário "Keep It Gay", em Os Produtores; a belíssima "If I Loved You" da cena do banco em Carousel; ou as poderosas danças originadas pelas canções em Moving Out – os diálogos, as letras e a encenação formam um tecido único. O truque é manter o conteúdo regular e variado. Uma dica – se o seu libreto prolonga-se por páginas e páginas entre números musicais isolados, provavelmente algo está errado. E se a sua partitura tem um trecho de balada após balada, dê ao seu público uma pausa e varie de tom. Em outras palavras, anime!

8. Canções Não São Suficientes – Quando você transforma uma história já existente em um musical, você precisa de uma visão nova. Apenas adicionar as músicas não irá lhe fornecer um musical eficaz. Você tem que contar a história com uma dose nova de energia, de re-inspiração. Annie pegou os personagens de uma clássica história em quadrinhos, acrescentou alguns novos rostos e colocou todos eles em uma história inteiramente nova. Alguns dos melhores momentos em My Fair Lady não vieram do Pigmalião de Shaw – incluindo o ponto crucial da cena central "Rain in Spain". Quando você adiciona músicas, também deve reacender o material em mãos.

Até a última parte desta série, amanhã! Uma boa escrita pra você hoje!

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2 Comentários

  1. Ancioso para a última parte.

    Este texto tem me ajudado muito !

    Comentário por Igor — 12/09/2010 @ 23:43

    • Fico super feliz de estar ajudando! Já, já sai a última parte! 😉
      Beijos, Igor!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 13/09/2010 @ 08:28


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