Dicas de Roteiro

29/07/2010

Como Escrever Um Musical – Parte 4

Filed under: Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 10:28
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Hoje temos a antepenúltima parte do texto do autor e professor John Kenrick, tirado do site Musicals101.

botoes musicais

Oito Regras Para Escrever Musicais – Parte 1

Embora ninguém possa lhe dizer como escrever um musical, (existe um eco aqui?), há algumas regras básicas que podem ajudar os aspirantes a autores e compositores ao longo da estrada em direção à primeira noite de abertura deles. Mas não vá por mim em nenhuma delas – comprove-as sozinho. Elas se aplicarão a qualquer grande musical atualmente em existência.

As quatro primeiras regras se aplicam à qualquer espécie de boa escrita:

1. Mostre, Não Conte – Este é um trabalho para todos os escritores, agora e sempre. Não nos diga o que os seus personagens são – deixe que as ações deles nos mostrem! O drama é expresso em ação, não descrição. Ninguém tem de nos dizer que Seymour em A Pequena Loja dos Horrores/A Lojinha dos Horrores é um nerd ingênuo; todas as suas ações proclamam isso em voz alta. Peggy Sawyer nunca tem de declarar que é uma novata ingênua no severo mundo do show business de 42nd Street’s – seu comportamento inocente deixa isso bem claro desde a sua primeira cena.

Há um outro aspecto do "mostre, não conte". Já que o teatro e o cinema são meios visuais, bem como literários, os musicais não se limitam às palavras e à música. Muitos grandes musicais usam o poder das imagens visuais para comunicar informações importantes. (Peças são chamadas de "shows", não?) [N.T.: Show em inglês significa mostrar.] Os garçons em Alô , Dolly! nunca têm de nos dizer que amam a Dolly – a sua visível reação à sua presença mostra tudo. E ninguém em My Fair Lady tem que anunciar quando Liza Doolittle torna-se uma dama – a sua elegante descida pelas escadas, sem palavras, antes de sair para o Baile da Embaixada, mostra que a transformação ocorreu.

2. Corte tudo o que não for essencial – Alguns chamam isso de regra de “matar seus queridos”. Todo personagem, canção, palavra e gesto tem de servir a um claro propósito dramático. Se não, a estrutura inteira do seu espetáculo pode sofrer. Se algo não desenvolve o personagem, estabelece o cenário ou avança o enredo, você deve cortá-lo – mesmo que seja um momento que você ama. Na próxima vez que você assistir a um musical que pareça estar perdendo o fôlego, as probabilidades são de que os escritores não tiveram a coragem de cortar o material não-essencial. Nunca demonstre ao seu público tal falta de respeito – corte impiedosamente tudo o que não serve a um propósito claro e vital para a sua premissa.

3. Saiba o básico da boa narrativa – Musicais são apenas uma outra forma de contar histórias, uma arte que os seres humanos vêm praticando desde a invenção da fala. Você pode me dizer sobre o que seu espetáculo é realmente (a premissa), e definir o propósito dramático essencial de cada personagem? E toda cena apresenta um personagem com o profundo desejo de enfrentar um obstáculo poderoso?

Aprender a arte de contar histórias não significa obter um diploma de mestrado – uma boa notícia, amigo: as ferramentas básicas da narrativa já estão em você. Ler alguns bons livros pode lhe fazer pensar na direção certa. Para começar, tente o Immediate Fiction: A Complete Writing Course, de Jerry Cleaver (NY: St. Martin’s Griffin, 2002). Ele irá lhe abrir os olhos para os elementos invisíveis que tornam uma grande história absorvente, e uma grande história é o melhor ponto de partida para qualquer peça musical. Se você precisa ir mais fundo, leia o From Where You Dream: The Process of Writing Fiction, de Robert Olen Butler (NY: Grove Press, 2005). Ambos os livros são originais, e ambos podem economizar-lhe anos de esforço mal orientado.

Sobre a questão específica de escrever musicais originais, Making Musicals (NY: Limelight Editions, 1998), de Tom Jones é o único livro sobre o assunto escrito por um autêntico criador de sucessos musicais (The Fantasticks, etc.). Ele não oferece nenhuma fórmula mágica, mas a sua bondosa sabedoria pode enriquecer alguém que esteja encarando o processo criativo.

4. O seu primeiro dever ao escrever um musical é contar uma boa história de um jeito novo e divertido – NUNCA ensine ou pregue. Se você fizer um ou mais comentários inteligentes ao longo do caminho, isso é fantástico, mas é algo que não vai importar muito se o seu público acabou perdendo o interesse, ou simplesmente ficou afastado. Dance a Little Closer condenava a guerra e a homofobia, e fechou em sua noite de abertura. Por outro lado, Hairspray era inclinado à intolerância e durou por muitos anos. E, embora alguns críticos repudiassem A Noviça Rebelde como um equívoco, ele provavelmente fez mais dano à ameaça em curso do nazismo do que todos os documentários da 2ª Guerra Mundial já feitos.

Se você sempre colocar a história e os personagens em primeiro lugar, não terá que bater na cabeça de ninguém com uma lição ou uma mensagem. Uma história bem contada vive na memória por muito tempo após qualquer sermão ou palestra. Eu lhe imploro: se você quiser pregar, construa um púlpito. Quando você realmente tiver sorte, aquele que irá aprender alguma coisa com a sua escrita será você.

Amanhã teremos as outras quatro regras. Boa escrita pra você hoje! 😀

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