Dicas de Roteiro

28/07/2010

Como Escrever Um Musical – Parte 3

Filed under: Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 08:31
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Aqui vai mais uma parte do texto do autor e professor John Kenrick, escrito para o site Musicals101.

instrumentos musicais

 

Coisas Para Se Ter Em Mente

Considere estas questões fundamentais colocadas pelo produtor original de 1776 e Pippin:

"A maior questão que os dramaturgos musicais devem responder é esta: a história que eu estou contando canta? O assunto tem um sentimento incrível o suficiente para compelir à intensificada emoção de se irromper em uma canção? Uma canção irá adicionar uma compreensão mais profunda do personagem ou da situação?"
– Stuart Ostrow, A Producer’s Broadway Journey (Praeger: Westport, CT. 1999), p. 96.

Se todos os compositores e libretistas respondessem a essas questões de forma diligente, o público seria poupado de inúmeras horas de tédio. Disseque o pior musical que você já viu (estou falando sério; escolha aquele que você mais odeia), e as probabilidades são de que você vai descobrir que a história não "canta" realmente, não pede pela emoção intensificada de personagens irrompendo em canções.

Além dessa questão básica, existem outros indicadores que vale a pena lembrar. No decorrer da minha carreira de produção na Broadway e off-Broadway, eu tenho trabalhado com dezenas de compositores e libretistas, de talentosos desconhecidos a ganhadores do Tony e do Oscar. Com base nessa experiência, há várias coisas que eu recomendo se você quiser escrever musicais:

  • Assista o máximo de musicais que você puder, no palco ou na tela.
  • Estude os musicais de que você gosta e descubra o que os faz funcionar bem.
  • Estude os musicais de que você não gosta e descubra o que os impede de funcionar bem. Às vezes você pode aprender muito mais estudando um fracasso do que um sucesso impecável – pelo menos, veja os fracassos como aulas práticas do que não fazer!
  • Já que os musicais são uma forma de arte colaborativa, faça o seu melhor para encontrar colaboradores com quem você possa trabalhar confortavelmente.
  • Encontre ou invente a idéia de uma história que lhe deixe tão animado que você possa gastar cinco anos ou mais de sua vida trabalhando nela sem nenhuma promessa (nem mesmo uma esperança razoável) de você ganhar um centavo com ela.
  • Estruture a sua vida de tal modo que lhe deixe um tempo diário para escrever e/ou compor.
  • Certifique-se de que esta estrutura de vida lhe forneça uma maneira para que você possa manter as contas em dia.
  • Trabalhe apenas em projetos pelos quais você seja apaixonado – nunca assuma um musical baseado exclusivamente em suas possibilidades comerciais. A idéia “quente” deste ano muitas vezes se revela ser o constrangimento do ano seguinte.
  • Certifique-se de que o seu trabalho tenha um genuíno senso de humor. Escritores e compositores novatos além da conta tendem a criar musicais “sérios” que entediam o público.
  • Não perca tempo com medo de fazer besteira – todos os talentos criativos da história já escreveram porcarias. Melhor ainda, todo grande musical começou como uma porcaria em sua primeira versão. É preciso esforço determinado e revisão para tirar o melhor de qualquer projeto. Se você tratar cada projeto em que trabalhar como uma experiência de aprendizado, eu lhe farei uma promessa: você vai descobrir que mesmo uma cena ou música que “fracassou” pode ser um lugar muito criativo.

Boa escrita pra você hoje!

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4 Comentários

  1. É, realmente, eu estou amando esta série sobre musicais.

    Comentário por Igor — 10/09/2010 @ 10:33

    • Oi, Igor!

      Que bom que esteja gostando! Eu tô numa correria, mas logo, logo, eu termino esta série!

      Um beijão, e até a próxima!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 11/09/2010 @ 17:51

  2. Oi, querida! Já está melhorando? Bom, estou adorando essa série sobre musicais, mesmo que no meu roteiro tenha apenas uma ou duas cenas de musical, acho as dicas valem do mesmo modo e quem sabe eu pegue gosto pela a coisa e começo a escrever um roteiro 100% musical? Tenho uma dúvida: Existe dicas também de como escrever cenas de dança? Sabe, só com a música ao fundo e os atores em cena, dançando? Beijos e bom fim de semana!

    Comentário por Fabio Farro de Castro — 10/09/2010 @ 10:45

    • Oi, Fabio!

      Estou melhorando sim, aos poucos a vida segue adiante, não é mesmo? Obrigada por perguntar!

      Legal você começar a pensar em escrever um musical, tomara que seja um sucesso! Quanto a escrever cenas de dança, eu não sei bem, acredito que sejam iguais às cenas de luta, você apenas diz onde começa e/ou termina a dança, e deixa o resto com o diretor e o coreógrafo.

      Já inventaram até uma linguagem escrita para que os coreógrafos e bailarinos pudessem registrar as suas ideias de movimentos de dança no papel, mas acho que não é uma linguagem acessível a não-dançarinos profissionais, e não teria muita utilidade escrevê-la num roteiro.

      Creio que você pode colocar pelo menos o estilo de dança: valsa, pop, sapateado, “ridícula”, ou seja o que for, só para dar o sabor da cena e ajudar o leitor a imaginar o que você imaginou. Talvez uma cena assim tenha detalhes importantes que você quer que façam parte da dança, tipo: “Eles dançam sobre o balcão do bar e quebram todas os copos e garrafas enquanto dançam”. Aí você define a mensagem que deseja transmitir com a dança, seja ela romântica, engraçada, violenta etc.

      Infelizmente não me lembro de ter lido nenhum roteiro com cenas de dança para lhe exemplificar. Fico devendo essa.

      Um beijão, Fabio, espero ter ajudado um pouquinho!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 11/09/2010 @ 18:06


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