Dicas de Roteiro

20/07/2010

E Se o Seu Roteiro Não For Bom?

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:26
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Olá! Hoje começamos mais uma série, sobre obter feedback para o seu trabalho. Este e os próximos artigos serão do blog Write Your Screenplay, e escritos pelo roteirista Jacob Krueger. Vamos lá:

Bom trabalho!

Recentemente, um aluno me perguntou uma questão profunda. Após trabalhar animadamente durante um mês num primeiro esboço de um novo roteiro, ele se encontrou paralisado por uma questão assustadora:

"E se não for BOM?"

Acho que todos nós podemos imaginar o seu horror – o tipo de horror que só um escritor pode se sentir – depois de despejar tudo o que tinha em algo que pode não vir a ser o que você sonhou que seria.

O horror de não saber. E, possivelmente, de não querer saber…

Isto é o que eu gosto de chamar de "Síndrome de Emily Dickinson" – o desejo de esconder a sua escrita onde você nunca poderá descobrir o que há de bom ou ruim nela.

Este é o mesmo impulso que detém os escritores de terminarem alguns dos seus melhores projetos, por medo de não estarem à altura de suas próprias expectativas.

É aquela mesma vozinha em sua cabeça que inventa desculpas exatamente quando você está pronto para sentar para escrever, inscrever-se numa aula de redação, ou mandar o seu roteiro para um agente ou produtor.

É o medo de ser julgado como NÃO BOM O SUFICIENTE.

Deixe-me dizer isto em voz alta e clara:

A fim de escrever bem, você tem que estar disposto a escrever mal. E você tem que estar disposto a mostrar o seu trabalho, nem sempre sabendo como as pessoas vão reagir.

Escrever é muito parecido com mineração. É trabalho duro. Nem sempre você pode ver para onde está indo. Você tem que fazer a seleção entre um monte de material. E a maioria não é ouro.

Mas se você não trazê-lo até a superfície onde os outros possam vê-lo, você nunca saberá o que tem.

Tornar-se um grande escritor não é ter algum tipo de bênção secreta que falte às outras pessoas. É gerar o máximo de páginas que você puder, e tornar-se muito bom em perceber os lampejos de brilho dentro delas.

Conforme você se torna mais hábil em escavação, vai aprender como seguir estas pepitas não-polidas e a poeira cintilante até encontrar o grande veio de ouro que você está de fato procurando. Esse é o momento em que de repente o seu roteiro parece estar se escrevendo sozinho.

Você apenas tem que estar disposto a fazer muita escavação para chegar lá.

E, de vez em quando, você tem que afastar-se um pouco do processo, subir para pegar um ar, e verificar o que você tem.

A questão é: onde você virá à tona?

Para realmente saber se a sua escrita está funcionando, você tem que mostrá-la para as pessoas que sabem sobre o que estão falando.

Para o olho destreinado, o ouro não parece muito com ouro. De fato, parece muito mais com rocha. Mas quando está polido, lustrado, martelado e moldado, o seu valor é inegável.

Não obtenha o seu feedback inicial de qualquer pessoa. Consiga-o de alguém que seja pelo menos tão bom escavador quanto você é. Entre num curso. Encontre um profissional. Ou você pode acabar jogando fora as suas melhores cenas, simplesmente porque ainda não estão suficientemente polidas para os olhos de um leigo.

Pronto para dar o próximo passo?

feedback (2)

Boa escrita pra você hoje! Amanhã continuaremos com este assunto. Inté lá! 😀

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