Dicas de Roteiro

14/07/2010

Oito Semanas Para Um Roteiro – Parte 3

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:50
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Olá, pessoal! Desculpe a demora, é que eu peguei uma gripezinha com essa virada de tempo. Mas estou de volta com a continuação de nossa série. Lembrando que o texto foi escrito por Richie Solomon e tirado do site Story Link.

calendario1

SEMANA TRÊS – ATO UM

Forrester

Encontrando Forrester, escrito por Mike Rich

Quando você constrói uma casa, não começa edificando uma única parede, instalando suas janelas e portas, rebocando e pintando-a até ter a parede perfeita antes de passar para a parede seguinte. Você constrói uma casa primeiro assentando a sua fundação, e então levantando a estrutura inteira, viga por viga. E é exatamente assim que se escreve um roteiro.

Você já tem a fundação da sua história (o argumento) e agora iremos esboçar a sua estrutura (o rascunho).

Um professor de escrita criativa me disse uma vez: "Se vale a pena ser escrito, vale a pena ser mal escrito". O que ele quis dizer é que se você quer escrever algo, então apenas comece a escrever.

Afinal de contas, roteiros não são escritos, são reescritos.

Todo mundo quer escrever o melhor que pode, mas gente demais tenta trabalhar suas palavras na cabeça antes mesmo de colocá-las no papel. Eles se censuram à procura da prosa perfeita.

Com demasiada freqüência, suas mentes giram em círculos até eles esquecerem o que estavam tentando dizer em primeiro lugar. Eles desistem antes mesmo de começarem. Eles se convencem de que não podem ser escritores antes mesmo de efetivamente escreverem.

Não se preocupe em fazer tudo certo; apenas escreva.

Quando eu escrevo o meu rascunho, tudo o que eu quero fazer é botar o fluxo básico da minha história no papel. Eu não estou preocupado em escrever as descrições perfeitas ou em encontrar o diálogo certo. Se acontecer da inspiração bater, ótimo, eu irei escrever isso. Mas tudo o que eu quero agora é expandir o meu argumento no formato de roteiro.

Aqui está um exemplo do meu argumento atual:

Descrição1

O meu rascunho fica assim:

Cena1

Pterodátilo

Nada demais, eu sei. Eu estou apenas botando o fluxo básico no papel. Eu terei muito tempo para levá-lo exatamente para onde eu quero durante a fase de reescrita.

Esta versão é somente para os meus olhos, por isso que eu nunca deixo ninguém ler os meus rascunhos. Quando eu quero obter um feedback da minha história, eu posso dar a alguém um argumento detalhado ou apenas descrever verbalmente a minha história. Não importa o quanto você explique que o seu rascunho é apenas isso, as pessoas sempre irão lê-lo como se ele devesse ser algo mais, como você provavelmente fez quando leu o meu exemplo. Eu reescrevo pelo menos umas duas ou três vezes antes de deixar qualquer pessoa ler o meu roteiro.

Mais sobre isso depois. Por enquanto, vamos nos concentrar em escrever a nossa estrutura básica. Certamente qualquer um pode escrever tão mal quanto o meu exemplo. Então vamos começar a trabalhar no seu rascunho.

Esta semana nós vamos nos concentrar no Ato Um, apresentando o conflito. Tenha em mente que você escreve um roteiro para o leitor e não para o público do filme. Uma pessoa irá agüentar sentada algumas cenas chatas para chegar à parte boa. Afinal de contas, ela acabou de gastar 10 dólares em sua entrada e quer obter o valor do seu dinheiro em troca.

Um leitor está apenas procurando uma desculpa para não virar a página. Ele ou ela tem pilhas de roteiros para ler, portanto, por que perder tempo com algo que é chato? Então, como você evita ser chato?

Você começa abrindo a sua história com uma cena que prenda o leitor. Ela deve representar o que a história tem reservado para ele ou ela. Pense em James Bond. Ela não tem que necessariamente apresentar o seu protagonista. Ela só precisa levar o leitor a querer ler mais.

Nas próximas cinco a 10 páginas ou mais depois disso, existem algumas coisas que você quer estabelecer:

  • Você quer apresentar o(a) seu(sua) protagonista.
  • Você quer determinar qual é o conflito dele(a).
  • Você quer estabelecer claramente o gênero de sua história.

Basicamente, o leitor deve ter uma boa idéia do que ele ou ela terá pela frente, e deve querer pegar uma carona no passeio.

Você tem que mostrar tudo isso em apenas 10 páginas? Não, sinta-se à vontade para botar isso tudo na primeira. Não, de verdade, pare de rir. Alguns comerciais contam sua história inteira na metade desse tempo, que então por que nós não poderíamos, pelo menos, apresentar a nossa?

Aqui está um exemplo de The Longest Night, de Eric Heisserer:

The Longest Night

[N.T.: Como a língua inglesa é muito sucinta em relação ao português, uma página desse roteiro equivale aqui a uma página e um quarto. Até que poderíamos dizer em português a mesma coisa com menos palavras, mas neste caso a nossa fidelidade foi ao conteúdo do texto, e não ao tamanho dele.]

Uau! Não é nenhuma surpresa que ela tenha ganho o Concurso de Roteiro Página Um de 2001.

No entanto, é um pouco injusto compará-la com o que nós estamos fazendo agora. Isso é de uma versão final polida. O rascunho não é nada parecido com isso, mas ele contém as mesmas informações básicas.

A partir da página de abertura de Eric, o leitor sabe claramente o que esperar. Ele ou ela sabe o gênero da história, alguns dos personagens que ele ou ela irá defrontar, qual será o conflito, como essa história é diferente de outras semelhantes anteriores, e, o mais importante de tudo, faz com que ele ou ela queira virar a página.

Cada uma de suas cenas deixa o leitor querendo virar a página?

Termine de escrever o seu rascunho do Ato Um. Não adie a sua escrita tentando encontrar as palavras perfeitas. Apenas escreva a sua história. Eu lhe prometo que teremos bastante tempo para reescrever o seu roteiro mais tarde.

Comece com grandiosidade. Fisgue o leitor. Lá pela página 10 devemos saber o que teremos pela frente. Nas próximas 10 a 20 páginas devemos ter conhecido os personagens principais e saber quais são seus conflitos. Devemos também aumentar a pressão e prepará-los para a sua viagem através do Ato Dois.

Na próxima semana mergulharemos no Ato Dois.

calendário de montar

Boa escrita para você hoje, e até a quarta parte!

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2 Comentários

  1. Olá, cumprimentos. Sigo as tuas dicas. Obrigado por isso. Certamente a negativa pelo exemplo dado acima é tolice. O exemplo esclareceu o seu ponto. No website que envio existem roteiros em suas primeiras versões. Continuo na leitura. até mais. sucesso.

    Comentário por COELHO DE MORAES — 04/02/2011 @ 17:01


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