Dicas de Roteiro

12/07/2010

A Abordagem da Seqüência

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:51
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Olá, como prometido, este é o primeiro artigo sobre a técnica de seqüenciamento, um tipo de estrutura não muito falado, mas bem interessante e eficiente. O texto foi escrito pelo roteirista Scott Myers, e tirado do blog dele, Go Into The Story.

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No fim de semana tivemos uma discussão nos comentários na Seção de Perguntas Sobre Escrita, relativa à “abordagem da seqüência” para domar a estrutura de história de um roteiro. Eu me lembrei de uma entrevista do site Done Deal Pro com o roteirista Ryan Condal. Ele ainda não tem nenhum crédito por ter escrito algo que tenha sido produzido, mas isso é só porque ele vendeu seu primeiro roteiro de especulação em 2008:

Ryan Condal nasceu e cresceu em Hasbrouck Heights, Nova Jersey. Ele estudou na Villanova University, na Pensilvânia, onde recebeu o seu diploma de Contabilidade em 2001. Depois de passar seis anos trabalhando em publicidade farmacêutica, Ryan fez a sua primeira venda com o seu roteiro Galahad, para o Departamento de Cinema no início de 2008. Desde então, ele foi contratado pela Warner Bros para escrever a adaptação de Ocean, uma graphic novel de Warren Ellis, para a Nick Wechsler Productions. Ele foi recentemente contratado pela Spyglass Entertainment e a Film 44 para escrever Hercules, uma minissérie em quadrinhos da Radical Comics, que Peter Berg foi indicado para dirigir.

Enfim, na entrevista, Condal fala sobre a abordagem da seqüência:

Você está usando o método de seqüenciamento para fazer primeiro o enredo dos seus roteiros? Você pode contar o que é o método de seqüência para aqueles que nunca trabalharam com ele? E você pode falar sobre como ele lhe ajuda a planejar o que escrever?

O seqüenciamento é ouro. Hesito em sequer falar sobre isso, com receio de que todos os seus leitores saiam e tornem-se sucessos da noite para o dia, e botem-me para fora do trabalho. Eu brinco, mas esta abordagem é realmente muito boa. E não há mágica nisso, é apenas o bom-senso, o senso comum. É por isso que é tão brilhante.

Basicamente, você deve ver o seu roteiro como oito seqüências de 12 a 15 páginas. Os Atos 1 e 3 têm duas seqüências cada, e o Ato 2 têm quatro. Cada seqüência deve ter um mini-objetivo para o protagonista (alguns mais definidos do que outros), e um início, um meio e um final, assim como o seu roteiro tem. Dessa forma, você acaba com um roteiro seqüenciado que cresce sobre si mesmo e cria estes maravilhosos “picos e vales” que criam tensão/relaxamento, tensão/relaxamento, por toda a sua história. Cada seqüência tem um objetivo (que é ou não realizado no final dela) e um primeiro, segundo e terceiro atos, tal como no seu roteiro. O primeiro ato da seqüência é a apresentação (2 ou 3 páginas), então a parte principal é o conflito (de 5 a 9 páginas), e daí vem a resolução (de 1 a 3 páginas). Cada seqüência tem a ver com o objetivo maior de sua história, cada uma construída sobre a última e aumentando as apostas e o conflito até que a história e os conflitos eventualmente sejam resolvidos no final do roteiro.

A melhor característica do seqüenciamento é que ele torna o seu roteiro digestível. Especialmente o segundo ato. Quando você vai esboçar o seu roteiro, ao invés de ter 120 páginas de um infinito assustador, você tem oito seqüências claras que precisa criar e planejar para preencher esta estrutura maior.

É simples e brilhante, e algo que todo escritor deveria fazer. Depois de ter uma ideia de arrasar, a estrutura é o rei. O seqüenciamento eventualmente irá levá-lo a uma estrutura à prova de balas. E a estrutura vai fazer você ser respeitado, e a estrutura você vai lhe conquistar trabalhos, assim como eu consegui. Estrutura ruim significa roteiros ruins, mesmo se você tiver ótimos diálogos e personagens (o que você também deveria ter, naturalmente – como eu disse, esta merda é competitiva!).

A abordagem da seqüência faz muito sentido. Como observado nos comentários anteriores, um livro sobre o assunto é "Screenwriting: The Hidden Structure of Successful Screenplays", de Paul Gulino.

Eu fiquei pensando sobre isso ontem à noite e o que eu pretendo fazer durante as próximas semanas é focar várias abordagens de roteirismo, começando com o ‘grandões’: Syd Field, John Truby, e Robert McKee, e depois o resto. Todo escritor é diferente, então ser exposto a diversas teorias e paradigmas deve ser útil.

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Boa escrita hoje! Amanhã teremos uma crítica do livro de Paul Gulino que foi citado acima. Até lá!

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2 Comentários

  1. Muito bom o artigo. Parabéns pelo site, está me ajudando muito! =)

    Comentário por Leonardo — 13/08/2010 @ 21:43

    • Olá, Leonardo, seja bem-vindo!

      Fico super feliz que este blog esteja lhe ajudando. Dei uma visitadinha no seu blog e gostei muito do seu trabalho! Escrever quadrinhos tem tudo a ver com roteiro e cinema, eu sempre digo que até aprendo cinema através das “posições de câmera” e da “edição” das cenas nos quadrinhos. Muito legal. Aconselho também você dar uma passadinha no site Roteiro de Quadrinhos, acho que também vai ser uma mão-na-roda pra você!

      Boa sorte e muito sucesso com seu trabalho, Leonardo, e muito obrigada pelo comentário! 😀
      Um abração,
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 14/08/2010 @ 09:46


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