Dicas de Roteiro

25/06/2010

Os Erros Comuns dos Dramas de TV Infantis

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:40
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Olá! O texto de hoje foi escrito pela roteirista Lucy V. Hay, para o blog dela, Write Here, Write Now.

Bebê olhudo

Pergunta:

Qual é o erro mais comum que os escritores cometem quando escrevem programas de TV infantis?

Resposta:

Como você sabe, eu recebo até que um monte de roteiros de especulação atualmente – eu arriscaria dizer que pelo menos metade deles são destinados ao mercado infantil/familiar – o tipo de nicho que Dr. Who, Primeval e Robin Hood habitam (o resto é vagamente composto de ficção científica “adulta” e drama de época. Curiosamente, eu recebo, muito raramente, um drama médico, dramas policiais ou drama relacionado com crime mas sem policiais, ou dramas familiares com famílias reais neles. Estranho.)

Bem você me conhece, por que falar sobre UM erro comum, quando eu posso falar sobre CINCO coisas que regularmente afligem as séries infantis de TV que eu vejo? Aqui vamos nós, caia de boca:

5. A Série Que É Parecida Demais Com Outra Série. Sim, a originalidade é superestimada, mas existe esse negócio de ser parecido DEMAIS com outra série. O que quer que seja aquilo com que você esteja lidando, seja dinossauros, demônios, Daleks [N.T.: Os Daleks são uma raça fictícia de mutantes extraterrestres, na série de ficção científica britânica Doctor Who.] ou o que for, você precisa trazer algo NOVO à mesa para ser notado. Pode ser qualquer coisa. É o CÉREBRO DE VOCÊS, meus amigos, arranquem alguma coisa dele. Embora, de preferência, não através de seus narizes, melecas em roteiros realmente acabam comigo.

4. A Criança Sabe-Tudo. Todo mundo sabe que quando o Apocalipse chegar, não serão nós, adultos, que resolverão a crise, mas alguma criança: ele(a) também será um(a) solitário(a), ele(a) provavelmente usará óculos (mas, na verdade, é lindo/a), ele(a) provavelmente fará artes marciais e ele(a) terá um bando de amigos desajustados para apoiá-lo. Ele(a) pode até mesmo ser um alienígena, um monstro ou um anjo de algum tipo (ou ser descendente de um). O que for, cara. O que ele(a) NÃO DEVERIA ser é um(a) completo(a) sabe-tudo. Isso não é um “personagem forte”, é somente chato. Além disso, se eles sabem tudo, contra o que estão lutando? No roteiro de especulação orientado para a família, poderá haver um adulto de natureza semelhante – um tipo de Dr. Who exagerado que esqueceu de tomar a sua Ritalina [N.T.: Metilfenidato (nome comercial Ritalina) é uma substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas. É usada para tratamento medicamentoso dos casos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), narcolepsia e hipersônia idiopática do sistema nervoso central (SNC).] e não tem nenhuma educação. Curiosamente, com muita frequência ele vai ser um homem divorciado que quer ter o seu filho ou família de volta de uma outra dimensão.

3. O Projeto Em Suspenso. Quer se trate de um roteiro de especulação infantil ou familiar, ou de algum outro gênero, a sua “história da semana” precisa de uma resolução. Muitas vezes, tudo vai fazer parte do seu elemento de série – e sem nada sendo resolvido e TUDO ficando no ar, é difícil saber o que é importante e, portanto, o que está realmente acontecendo.

2. Sobrecarga de Enredo. Algumas vezes isso anda de mãos dadas com o Projeto Em Suspenso; outras vezes ele vai resolver “A História da Semana” – de alguma forma – com cerca de cinco histórias diferentes acontecendo ao mesmo tempo. A boa notícia com roteiros como esse, que têm coisas demais, é que tudo o que o escritor tem de fazer é decidir quais duas histórias ele quer – e descartar o resto… usando-o em outra semana! Resolvido.

E, FINALMENTE:

1. A Criança Que Soa Como Um Adulto. Não importa o quão inteligente ou franca uma criança seja, ele(a) ainda é uma criança, e não pode apreender conceitos abstratos como um adulto, ainda que as crianças nos roteiros de especulação que eu vejo frequentemente possam. Crianças salvando o mundo na televisão poderiam ser interpretadas como um modo das crianças lidarem com lares desfeitos, luto, bullying (a destruição do universo DELAS, na verdade), então eu acho que pode-se argumentar que elementos de ficção científica e fantasia são extremamente importantes para a visão de mundo das crianças. Certamente, todas as crianças que eu conheço dão muita importância a tipos como My Parents Are Aliens, Dr. Who e Primeval (Robin Hood & Merlin, em menor medida). No entanto, vale lembrar que raramente há crianças EM séries como Dr. Who e Primeval; os personagens são adultos. Se você não sabe como as crianças são, você realmente precisa de, ou a) escrever uma série onde não haja nenhuma (isso é permitido), ou b) descobrir como elas são, já que existem tantos, tantos, tantos roteiros de especulação por aí que têm crianças que soam como adultos, o que imediatamente afasta o leitor.

Reconhece algum deles em seus próprios roteiros? Eu sou culpada dos números 2 e 5, que recorrentemente aparecem em meus primeiros rascunhos, embora o nº 4 tenha entrado furtivamente em um uma vez, DESGRAÇADO! Câmbio…

educar

Boa escrita para você hoje!

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