Dicas de Roteiro

21/06/2010

A Lógica na Narração de Histórias

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:41
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O post de hoje foi escrito por Yolanda Beasley e tirado do blog Write For Hollywood!:

Nebulosa

É muito fácil se deixar levar ao escrever uma história, especialmente se você não escreveu um esboço. A coisa mais simples que pode ser esquecida é a lógica. O que você escreveu faz sentido lógico?

Existem alguns elementos fundamentais a se considerar em termos de lógica:

  • Linha do tempo: Será que tudo o que acontece em sua história faz sentido para o tempo em que ele ocorre? É importante considerar realisticamente quanto tempo vai levar para alguém atravessar a cidade ou para realizar uma tarefa. Se a sua história tem um cronômetro, certifique-se de não ter o seu herói realizando ridículas façanhas em um tempo super-rápido.
  • Mostre as Regras: Só porque é um filme, isso não lhe dá permissão para quebrar os limites do realismo. Isto é o que se chama de suspensão da descrença. Se no mundo que você criou as pessoas podem voar, tudo bem, desde que você estabeleça logo as ‘regras’ para o mundo em que elas habitam, e siga-as.
  • Comportamento Consistente: Os seus personagens comportam-se de forma consistente? Certamente eles podem fazer coisas que estão fora do personagem, mas a maioria das pessoas se comporta previsivelmente, especialmente nas histórias. Se, por exemplo, a sua heroína é educada e tem boas maneiras e de repente age de forma totalmente inadequada, esse comportamento deve ser justificado, ou vai parecer inconsistente.
  • Simples Hábitos Humanos: Existem certas coisas que as pessoas fazem sem pensar que são muitas vezes negligenciadas em roteiros. Se alguém deixa cair um copo, as pessoas instintivamente limpam-no. Se alguém espirra, alguém diz "saúde". Se os seus personagens não fazem isto, deve haver uma razão.
  • Negligenciando o Óbvio: Isso frequentemente acontece quando você, como escritor, sente que o seu personagem precisa fazer alguma coisa só pelo efeito visual, e ignora o óbvio a fim de colocá-lo lá. Por exemplo, o protagonista é um assassino que acabou de matar alguém que estava dirigindo um carro, mas você o coloca andando na estrada; por que ele está andando, quando ele poderia ter roubado o carro?
  • Coincidências: As coisas acontecem muito facilmente? O seu enredo inteiro depende de uma coincidência? Corrija-o agora! Se parecer forçado, ninguém vai acreditar. Lembra-se de O Júri, de John Grisham? A história toda girava em torno do fato de dois jurados acontecer de serem colocados no exato caso que eles queriam. Isso nunca acontece na vida real. A função de jurado é totalmente aleatória. Você não pode escolher os casos nos quais você quer estar.

Tudo o que acontece em sua história deveria ser uma consequência direta do conflito que surge entre duas pessoas. Quando você permanecer fiel aos personagens e à história que você está contando, tudo fluirá naturalmente e estas incoerências desaparecerão.

Às vezes, porém, nos perdemos na história e deixamos de ver os nossos próprios erros. Certifique-se de mostrar o seu roteiro para alguém que irá notar essas falhas na lógica e não irá desculpá-las como acidentes no seu roteiro porque “é só um filme”. Se o seu filme não é baseado na realidade, quem vai se importar? Não há nada em jogo se não houver nenhuma realidade, pois alguma nave espacial gigantesca pode descer do céu no último minuto e salvar todos.

Naves espaciais gigantes

Uma ótima escrita lógica para você hoje!

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2 Comentários

  1. ótimo texto. Lembrei das dicas q o Gabriel Garcia Marques dá numa apostila baseada num curso de roteiro q ele dá em Cuba.

    Comentário por Livia Alcântara — 11/07/2010 @ 15:03

    • Olá, Livia, seja bem-vinda!

      Que bom que você gostou, fico super feliz! Infelizmente, eu não tenho essa apostila do Gabriel Garcia Marques. Por acaso é daquele livro dele, “Como Contar Um Conto”?

      Um grande abraço, Livia, e obrigada por deixar sua mensagem. Volte sempre!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 11/07/2010 @ 16:26


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