Dicas de Roteiro

18/06/2010

O Atual Mercado de Trabalho Para Roteiristas Em Hollywood

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:02
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Para quem não sabe, Fernando Marés de Souza é um cara super generoso que há anos faz um trabalho incrível coordenando os melhores sites de roteiro do Brasil, quiçá da língua portuguesa! (Ah, desculpe, sempre quis usar esse ‘quiçá’ algum dia, e hoje não consegui resistir! :mrgreen:). Você quer novidades quentinhas, saídas do forno, sobre o mundo do roteirismo? Vá no blog de notícias. Você precisa de algum roteiro estrangeiro? Utilize o ótimo mecanismo de busca (se não encontrar ali, vai ser difícil você achar em outro lugar!). Quer baixar roteiros nacionais, inclusive alguns de seriados e novelas? Vá na Biblioteca de Roteiros Online. Você quer montar a sua biblioteca de livros de roteiro, mas não sabe quais títulos já foram lançados em português? Vá na Biblioteca. Tá doido pra entrar num curso de roteiro, mas não sabe como, quando, quanto($) e onde? Na seção de cursos tem informações sempre atualizadas! Quer entrar num concurso? Você também encontra os maiores concursos do Brasil lá (e alguns estrangeiros também!). Softwares de roteiro, relação de roteiristas da língua portuguesa, comunidade e redes sociais para roteiristas, manuais de roteiro, textos importantes sobre a profissão, (ufa!) tudo isso e muito mais você encontra nos sites dele (eu adoro me perder por ali, sempre acabo encontrando coisas muito legais). E, por um bom preço, tem até análise e script doctoring, para quem deseja uma opinião profissional sobre seu roteiro.

E você também pode segui-lo pelo Twitter! Foi pela indicação dele pelo Twitter que descobri o texto que estou postando hoje. Achei super importante publicá-lo aqui, já que a maioria dos aspirantes a roteirista está mais de olho em entrar no mercado hollywoodiano do que no nacional, não é mesmo? Por isso, agradecendo à dica bacana do Fernando, hoje traduzo o artigo do Los Angeles Times, escrito por Richard Verrier, chamado Roteiristas Descobrem Que o Trabalho Está Diminuindo. Vamos a ele:

Procurando cortar custos, os estúdios de Hollywood reformulam as regras sob as quais eles têm escritores contratados por um longo tempo.

David Steinberg

“Se eu fosse entrar no ramo agora, não sei se conseguiria”, diz David Steinberg, cujos créditos incluem American Pie 2.

O roteirista David Steinberg foi convidado no outono passado por um produtor para apresentar a sua idéia de reescrever para um grande estúdio uma “comédia high concept” sobre um adulto preguiçoso.

Steinberg imaginou que tinha uma boa chance de conseguir o trabalho, com créditos como "American Pie 2" em seu currículo, mesmo tendo escutado que havia muitos outros escritores competindo pela vaga.

Após uma reunião inicial, o produtor pediu-lhe que preparasse uma proposta mais detalhada, conhecida como “beat sheet”, descrevendo cada cena e personagem. Steinberg retrabalhou quatro versões de seu discurso de apresentação e encontrou-se com outros produtores, cada um oferecendo uma abordagem diferente, e ao mesmo tempo elogiando-o por seu “ótimo trabalho”.

Normalmente, fazer todo esse esforço significaria que ele tinha o trabalho praticamente garantido. Não desta vez. Steinberg estava de férias com sua família em Aruba durante o feriado de inverno, quando o seu agente lhe mandou um e-mail dizendo que o estúdio escolheu um outro escritor.

"Fiquei arrasado", disse Steinberg, um advogado antes de se tornar roteirista. "Se eu fosse entrar no ramo agora, não sei se conseguiria, porque existem tão poucas oportunidades de vender um roteiro ou de arranjar um trabalho."

Tal é a triste sorte que agora apresenta-se a muitos dos roteiristas de Hollywood, que emergiram de uma greve contundente dois anos atrás apenas para serem atingidos pela recessão que obrigou a uma redução acentuada na produção de filmes nos estúdios.

Esta semana, o Writers Guild of America – Oeste relatou que, enquanto os ganhos para os roteiristas tenham saltado de volta aos níveis pré-greve, há muito menos trabalho por aí: o emprego caiu 11% nos últimos três anos, com 226 roteiristas a menos trabalhando em 2009 do que em 2006 (um ano antes da greve de 100 dias), e o menor nível em pelo menos seis anos.

De fato, a recessão tem dado aos estúdios de cinema um motivo – ou uma desculpa, dependendo da perspectiva – para ajustar a seu favor o modo como eles empregam roteiristas.

Quando os roteiristas realmente conseguem uma oportunidade de trabalho, eles ficam cada vez mais sujeitos à "corrida de apresentações de ideias", no qual até doze escritores devem competir uns contra os outros, com os produtores escolhendo o que eles mais gostam.

Ou os escritores muitas vezes são pagos apenas pela primeira versão do roteiro, em "negociações de uma única etapa", e não lhes é mais oferecida uma taxa para versões subseqüentes, tal como no passado. Também espera-se que os escritores produzam elaborados esboços do roteiro antes de serem contratados para o projeto, perdendo um tempo precioso se não forem selecionados.

As práticas têm despertado a ira do Writers Guild of America, Oeste. O presidente do sindicato, John Wells, e outros membros da associação recentemente reuniram-se com executivos de estúdio no Hotel Beverly Hills para expor as suas preocupações sobre as práticas que consideram abusivas e prejudiciais ao processo criativo.

"O que alguns membros estão nos dizendo é: ‘Querem que eu escreva um filme antes de ser contratado para escrever um filme", disse David Young, diretor-executivo do Writers Guild of America, Oeste. "Isso não é ruim somente para os escritores, é ruim para toda a indústria."

Os executivos de estúdio que participaram da reunião, incluindo Tom Rothman, co-presidente da Fox Filmed Entertainment, o presidente da Warner Bros., Alan Horn, e Donna Langley, co-presidente da Universal Pictures, todos recusaram-se a comentar. A Aliança de Produtores de Cinema e Televisão, que barganha contratos em nome dos estúdios, também não quis comentar.

Duas pessoas que participaram da reunião, mas que pediram para não serem identificadas porque os procedimentos eram confidenciais, disseram que os executivos de estúdio prometeram reexaminar as práticas, mas ao mesmo tempo enfatizaram o direito de proteger seus interesses financeiros.

Após a reunião, a Warner Bros. agiu para eliminar gradativamente as negociações de uma única etapa, enquanto também insiste em que os escritores cumpram os prazos para o trabalho.

É claro, os escritores não são os únicos em Hollywood a serem pressionados. Confrontados com um declínio acentuado nas vendas de DVD, os estúdios vêm se contendo nas taxas pagas às principais estrelas e cineastas, que estão sendo pedidos para adiar a sua parte dos lucros nos filmes até os estúdios terem recuperado os seus custos de produção e distribuição.

Para cortar outras despesas mais, os estúdios reduziram os gastos em desenvolvimento – o equivalente da indústria ao P&D [Pesquisa e Desenvolvimento] – enquanto reduzem o número de filmes que lançam a cada ano: o Writers Guild concedeu a escritores créditos por 237 filmes no ano passado, contra 299 em 2008.

Com o fechamento de vários selos de distribuição independentes, os estúdios têm comprado menos roteiros de apoio ou adaptações de histórias em quadrinhos, graphic novels, remakes e programas de TV.

Tudo isso significou menos empregos para os escritores sem posto regular, especialmente aqueles que estão tentando vender roteiros originais.

"Exceto para os atuais escritores top de linha, o quadro é o mais desolador que eu já vi", disse o ex-presidente do Writers Guild, Dan Petrie Jr.

Escritores acham que a restrição ao que os estúdios estão dispostos a pagar limita a criatividade, uma vez que não incentiva a tomada de riscos.

"Quando um escritor está trabalhando em um negócio de uma única etapa, ele vai ser avesso ao risco, porque se ele tomar uma atitude ousada, escolhendo uma forma indomitamente criativa e inventiva de contar a história, ele pode acabar sendo demitido", disse Billy Ray, escritor dos suspenses Plano de Vôo e A Cor da Noite, cujos últimos quatro projetos foram todos negócios de uma única etapa. "Ele não vai ter mais uma ou duas versões para fazê-la funcionar, então vai escrevê-la pela metade".

Isso porque, como os agentes que representam os roteiristas observam, um roteiro geralmente só fica pronto após várias reescritas.

"Na minha opinião, essa é uma visão míope", disse Nicole Clemens, chefe do departamento literário de cinema da International Creative Management. "Em termos de processo de desenvolvimento, o que é lamentável sobre o negócio de uma única etapa é que o filme é frequentemente ‘encontrado’ na segunda ou terceira versão.

O que significa que se os escritores não tiverem êxito na primeira versão, eles não terão a chance de tentar e tentar novamente.

Hollywood Sign1

P.S.: Esse texto tem alguns termos e frases idiomáticas que achei um tanto difíceis de traduzir (mesmo pesquisando bastante). Eu coloquei a tradução que achei mais apropriada, mas, se tiverem alguma correção ou sugestão, será muito bem-vinda!

Boa escrita para você!

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4 Comentários

  1. Boa matéria e parabéns pelo empenho na tradução.
    A área de roteiro é o que mais me encantada no cinema. Descobri isso recentemente, e estou adorando descobrir este mundo. Vc tem alguma matéria falando sobre a vida de um roteirista no Brasil?

    Um abraço!

    Comentário por Wesley — 06/07/2010 @ 12:14

    • Olá, Wesley, seja bem-vindo!

      Muito obrigada pela força! Fico muito feliz que esteja gostando do meu trabalho! 😀

      Infelizmente, Wesley, não sei de nenhum site ou livro que possa lhe indicar. O pouco que sei sobre o mercado nacional é pescando uma coisinha aqui e outra ali em jornais (eu leio principalmente O Globo), e, ocasionalmente, em revistas como Bravo e Piauí. Não tenho comprado a revista Set há alguns anos, portanto não sei se ela tem o que você procura. Existem alguns blogs de noveleiros, mas eles falam pouco sobre a profissão.

      É triste, mas o Brasil investe pouco em divulgar essa área. Se houvesse mais esclarecimentos, aposto que muito mais gente talentosa iria se interessar. É uma pena mesmo.

      Desculpe, Wesley, por não ter podido lhe ajudar, quem sabe na próxima, não é?

      Um grande abraço,
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 07/07/2010 @ 08:31

  2. Muito boa a tradução e a iniciativa de traduzir este material. Eu já tinha tentando ler em inglês, mas perdia um monte de coisas, daí usei uma ferramenta de idioma que ajuda um pouco, mas nada como este seu trabalho, agora dá para entender direitinho.

    Quanto a matéria propriamente dita, acredito que sempre há lugar no mercado para um bom roteiro.

    Ah vai aqui uma sugestão, achei outra matéria bem humorada na rede sobre o dia a dia do roteirista freelancer. Veja o link:

    http://bygonebureau.com/2010/05/31/your-day-as-a-freelance-writer/

    Se achar que vale a pena uma tradução…

    Comentário por Antunes — 14/07/2010 @ 16:53

    • OOOOOIIII, Antunes, que bom vê-lo aqui de novo!! :mrgreen:

      Obrigadão pelo seu apoio, como sempre, chegando na hora certinha, em que eu mais preciso!! (Você é super intuitivo, sabia? Qualidade excelente num escritor!).

      Sabe, eu descobri com este blog que não sei inglês! Sério! Eu levo de uma a seis (às vezes sete!!) horas para traduzir um post, dependendo do tamanho do texto e das palavras que o autor utilizou. Alguns textos me fazem arrancar meus cabelos, eu preciso procurar nos meus três dicionários de inglês, procurar sinônimos mais adequados no dicionário de português e, quando nenhum desses dá conta, eu fico um tempão procurando em sites e dicionários online, até descobrir que aquela era uma gíria inglesa do século passado, e que não tinha nadinha a ver com o que parecia ser! Ufa! Mas eu gosto muito de fazer esse serviço, e estou aprendendo muito também (roteiro, eu digo, além de inglês! :lol:). Por isso fico super feliz de que meu trabalho esteja compensando! Isso me dá muita alegria pra botar a mão na massa todo dia! Obrigada mesmo, Antunes, pela força!

      Adorei o texto que você indicou! Vai ser o próximo a ser traduzido, sem falta! Vou tentar postar ainda hoje, mas se não der, vai sair amanhã (eu já comecei a traduzi-lo, mas tenho que sair daqui a pouco e talvez não dê tempo de terminar!). Pode mandar mais sugestões, tem tanta coisa interessante na internet que é realmente impossível eu ficar a par de tudo, por isso as sugestões são sempre muito bem-vindas!

      Um abração forte e um beijo grande no coração, Antunes, e obrigada, obrigada mesmo por estar sempre me salvando!! 😀 😀 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 15/07/2010 @ 11:05


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