Dicas de Roteiro

17/06/2010

Dicas Gerais de Roteiro

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:50
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O texto de hoje foi tirado do site Movie Staff. Ele mostra um panorama geral de como escrever um roteiro, resumido em dicas curtas e diretas. Muita coisa aqui faz parte da chamada “fórmula americana”, ou “receita de bolo” para escrever roteiros. Não significa que devemos sempre seguir tudo ao pé da letra, mas existem coisas muito legais para se aprender com ela. É importante informar-se porque, como dizem, é necessário conhecer as regras para poder quebrá-las. Só evite quebrar regras por quebrar, use sua intuição e bom senso, para não acabar criando um roteiro-Frankenstein! 😀 😉

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Use os Cenários Criativamente

O uso criativo dos cenários pode tornar um roteiro emocionante e memorável. Mudar o local da ação para um cenário incomum pode tornar a história extremamente dinâmica.

O filme Outland – Comando Titânio é essencialmente um filme de faroeste no espaço sideral. Neste filme, o ator Sean Connery representa um delegado de polícia federal tentando manter a lei e a ordem em um posto avançado de mineração em uma das luas de Júpiter.

O filme Guerra Nas Estrelas se passa no futuro [N.T.: Na realidade, acontece “Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante”] e está situado no espaço sideral, mas contém muitas semelhanças com a Segunda Guerra Mundial. O antagonista, Darth Vader, pode ser comparado a Adolf Hitler. A aparência e o comportamento de Vader são semelhantes aos de Hitler. Vader até usa um capacete que tem o mesmo formato dos capacetes usados pelos soldados nazistas de Hitler. E, assim como Hitler tentou exterminar os seus inimigos em campos de concentração, Vader tenta aniquilar a Aliança Rebelde usando a Estrela da Morte como arma.

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NEGAÇÃO

Porque se ele não for realmente o seu pai, você pode continuar transando com a sua irmã.

Para escrever um roteiro usando um cenário criativo, pergunte a si mesmo várias questões:

1. Quem é o protagonista da sua história? Quem é o antagonista?

2. Qual é o objetivo do protagonista? Que tipo de conflito está impedindo-o de alcançar o seu objetivo?

3. Quando a sua história se passa? Qual é o período histórico? Se ela se passa nos dias de hoje, você é capaz de ambientá-la no futuro ou no passado?

4. Onde acontece o conflito principal de sua história? Ocorre na Terra? Podem os conflitos acontecerem em um planeta distante ou em um ambiente primitivo?

5. Por que o seu protagonista é capaz de resolver o conflito principal da história nesse cenário? Ele tem uma habilidade ou aptidão única que o ajuda a triunfar? Se sim, descreva esta habilidade ou aptidão.

Use uma estrutura de três atos. Com uma Crise ou um Ponto de Virada na história, no final do Ato I e do Ato II.

Faça os Atos I e III com a mesma extensão, e o Ato II com cerca de duas vezes o tamanho do Ato I.
[Atribuição típica de páginas para um roteiro de 120 páginas: I = 30; II = 60; III = 30.] Roteiros são contínuos – não rotule os Atos. Eles são o seu segredo, embora os profissionais saibam onde procurar.

Conte a sua história visualmente, com diálogo suficiente apenas para preencher os vazios. Lembre-se dessa diferença: O filme é uma seqüência de imagens visuais; o teatro é uma seqüência de imagens verbais. Procure no nosso site por seminários sobre esse negócio de Narrativa Visual versus Narrativa Verbal.

Mantenha as suas falas de diálogo curtas. Mesmo nos filmes mais parecidos com peças de teatro, o diálogo é extremamente breve.

Filmes americanos são sobre o que acontece em seguida. A tecnologia de cortar de uma imagem para a próxima tem muito a ver com isso. O cinema europeu é o único mercado para estudos de caráter semelhante a peças de teatro.

Estabeleça um forte Enredo de Suspense. Mesmo numa comédia romântica. Filmes não lidam bem com os enredos de suspense leves que funcionam bem em peças teatrais.

Coloque o Gancho [em termos teatrais, o Incidente Detonador] nas primeiras duas páginas. Se você é um roteirista que não tem nenhum roteiro produzido, coloque o gancho na página 1.

Mantenha as suas cenas curtas. Três páginas é uma boa máxima absoluta antes de cortar para uma nova locação; de meia página a uma página é o mais típico.

Use menos Subtexto. No cinema, o Subtexto flutua para a superfície do diálogo com muito mais frequência, principalmente porque Hollywood tende a ter uma visão muito obtusa da inteligência de seu público.

Coloque um Padrão Emocional na Cena Obrigatória. Essas coisas são feitas sob medida para filmes.

Planeje um Final Feliz. É a norma.

Mantenha o manuscrito com menos de 120 páginas no formato de roteiro.
A maioria das empresas de produção não vai olhar para um primeiro roteiro freelance que esteja acima deste número mágico. Um máximo de 100 páginas os deixaria mais felizes. A regra antes de você ser famoso: Qualquer coisa além de 120 páginas é a morte.

Faça um resumo detalhado das cenas antes de escrever o roteiro.
À parte a atitude de Steve Tesich em relação a detalhar as cenas, a maioria dos roteiristas faz isso. O próximo passo é muitas vezes um Argumento [uma narrativa da história, entre 20 a 50 páginas]. E então, finalmente, o roteiro vem em terceiro lugar.

Pratique responder à pergunta: "Então me diga, sobre o quê isso se trata?" em uma frase, e faça uma comparação com outro filme de Hollywood recente [e bem sucedido financeiramente]. Se você não puder fazer isso facilmente, ou se a mera idéia de fazê-lo lhe irrita, volte para a dramaturgia.

Você está tendo problemas com a sua história? Tente colocar as suas cenas em cartões ou fichas, uma ficha para cada cena. Em seguida, coloque as fichas no chão à sua frente, e organize as cenas do começo ao fim. É um velho truque de roteiro, mas ajuda a muitos escritores a planejar suas histórias.

Lutar contra a dor. Ser um escritor pode ser desencorajador, porque sempre parece ter mais trabalho a se fazer. Há também aqueles dias em que você acredita que tudo que você escreveu é um desastre, e você não sabe por que começou a escrever, para começo de conversa. Paciência é uma virtude por uma razão. Você apenas tem que esperar isso passar, e continuar a escrever, tanto quanto possível. Se serve de consolo, todos passamos por isso.

Uma dica importante sobre personagens
Às vezes, quando estamos escrevendo um roteiro, nos esquecemos de que nossos personagens são pessoas reais com DEFEITOS REAIS. É fácil cair nessa armadilha, especialmente se o seu personagem principal tem que defender algo ou lutar por uma causa. Não faça-os bonzinhos demais, ou você vai perder o leitor. Dar aos seus personagens, especialmente aos heróis, defeitos reais é uma maneira certeira de torná-los mais humanos e, desse modo, as pessoas vão se identificar mais facilmente com eles.

Conclua. Parece elementar, mas não é. Ao longo da História, muitas pessoas tiveram grandes idéias, mas quantas as levaram adiante até o fim? Certifique-se de não deixar as armadilhas e o bloqueio de escritor ocasional impedirem-no de criar a sua obra-prima.

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Para quem deseja mais detalhes sobre essas técnicas de roteiro básicas (divisão em atos, crises, pontos de virada etc), consulte o livro Roteiro – Os Fundamentos do Roteirismo, de Syd Field, e o Story – Substância, Estrutura, Estilo e Os Princípios da Escrita de Roteiro, de Robert McKee. Ambos são bíblias de roteirismo – indispensáveis.

Boa escrita pra você hoje!

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1 Comentário

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Patrícia C. Louzada. Patrícia C. Louzada said: RT @DicasDeRoteiro: Dicas Gerais de Roteiro: http://wp.me/pJ8ar-R3 […]

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