Dicas de Roteiro

11/06/2010

Escrevendo Musicais

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:22
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Olá, o texto de hoje é uma resposta à pergunta de nosso colega Douglas Ribero, e foi escrito pelo roteirista Scott Myers, tirado do blog dele, Go Into the Story:

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Pergunta: Como lidar com um musical?

Eu dei uma olhada nas perguntas postadas antes e não vi nada relacionado a como escrever um musical. Eu não tenho a menor idéia sobre o que incluir do começo ao fim do roteiro, tal como descrição do que um personagem canta ou a sua ação/dança em uma cena.
Eu agradeceria qualquer conselho que você possa dar sobre o assunto.

Eu gostaria de ter algumas respostas verdadeiramente perspicazes, mas este é um assunto que conheço pouco. Burg & Myers [N.T.: Ele está referindo-se à sua dupla de escrita, composta por ele mesmo, Scott Myers, e seu parceiro, Andy Burg] escrevemos um roteiro que se passava durante uma única noite num show de rock e nós inventamos bandas juntamente com algumas letras-chaves que simplesmente inseríamos no diálogo, desse jeito:

BANDA
(Cantando música)
"As letras vão aqui.
Faça uma quebra de página para a próxima fala.
E uma quebra de página para essa aqui também.
Então, termine com uma citação para indicar…
O fim do verso ou refrão. "

[N.T.: O autor usou o termo ‘hard break’ que, procurando por todos os dicionários ao meu alcance e pela Internet, descobri que significa apenas ‘quebra de página’. Se alguém souber de outro significado para este termo, por favor, me avise.]

A questão é, como eu tenho certeza que você percebeu, não há mais tantos musicais – na forma de filmes – por aí. Sim, há o atual filme Nine. E houve o Fama em 2009. É claro, todos os filmes High School Musical. Chicago. Moulin Rouge – Amor em Vermelho. Mas nada comparado aos anos de 1930, 40 e 50. Eu não estou dizendo isso para criticar o gênero, mas sim fornecer crédito para as dificuldades que você teve de encontrar informação.

Um bom lugar para começar é aqui no ótimo site de roteiros SimplyScripts.com. Eles têm uma seção inteira sobre musicais.
Eu acabei de ter uma ideia. Corri para a internet. E voilà! Encontrei algo que pode ajudá-lo. Que tal o roteiro de O Rei Leão? Sim, é animado, mas é um musical. E você pode obter um PDF dele aqui pelo preço baixo, baixo de zero dólares!

Se você olhar para O Rei Leão, eles fazem isso para significar que é a vez da canção:

Excerto de O Rei Leão

Observe três coisas: (1) Eles anotam que é hora da canção simplesmente escrevendo um Cabeçalho Secundário (naturalmente em maiúsculas) com a palavra CANÇÃO, e, em seguida, o título da canção. (2) Eles colocam em maiúsculas as letras cantadas no diálogo. (3) E estendem o diálogo todo para os lados, pegando as margens esquerda e direita da descrição de cena.

Isso parece perfeitamente lógico para mim. E como vocês podem ver, eles vão e voltam entre a descrição de cena e o diálogo, assim como a ação fora da cantoria. Novamente, a única distinção é o diálogo em maiúsculas e as margens estendidas.

Esse é o meu conselho e estou com ele e não abro!

E você, leitor? Algum de vocês está escrevendo ou já escreveu um musical para um filme? Como você aborda isso em termos de formato e estilo?

Neste post houve dois comentários interessantes, que eu traduzo na íntegra, a seguir:

Ryan H. disse…
 
Eu li um monte de roteiros de filmes musicais, de CHICAGO a O FANTASMA DA ÓPERA, de SWEENEY TODD a NINE, e parece-me que a maioria deles nunca realmente destaca o início da canção com um cabeçalho secundário como O REI LEÃO faz.
A maioria deles apenas acrescenta uma nota perto do início que sugere que o material cantado estará inteiramente em maiúsculas, e os diálogos falados não estarão. Isso abre um bom precedente para o resto do roteiro, principalmente porque muitos musicais nestes dias são mais "inteiramente-cantados" (eles geralmente usam a música como diálogo, ao estilo pseudo-ópera) e, portanto, não têm necessariamente pausas claras e definidas para as canções.

Gaffney disse…
 
Eu venho tanto do mundo do teatro quanto do mundo do cinema. Você já disse quase tudo – cabeçalho, tudo em maiúsculas, quebras de páginas para as frases das canções.
 
Usar o cabeçalho para mostrar o início da música pode ser muito útil, especialmente para evitar confusão entre cantar e gritar. Se um cabeçalho é usado para o início da música, muitas vezes é igualmente útil usar um para indicar o final da canção. (Especialmente tendo em conta que o diálogo muitas vezes se entrelaça com ela. É bom para dar ao leitor uma indicação de que a música acabou.)

Uma coisa para se ter em mente: o formato bagunça a contagem de páginas – o que pode ser um minuto de música, pode muito bem tomar várias páginas de roteiro (em oposição à ideia de tempo de tela de uma página por minuto). Renée Zellweger tem a história de ficar coçando a cabeça ao tentar ler o roteiro musical de CHICAGO, pegando página após página de personagens apenas repetindo: "Ele estendeu a mão para, ele estendeu a mão para, ele estendeu a mão para a pistola, a pistola, a pistola" etc.

 

teoriamusical

Boa escrita musical para você!

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