Dicas de Roteiro

05/06/2010

Extraindo Humor das Fraquezas dos Personagens

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 16:25
Tags: , , ,

Olá, voltei após alguns dias impossibilitada de mexer no computador porque o meu monitor deu seu último suspiro três dias atrás. Mas volto com o texto de Jane Espenson, roteirista hollywoodiana, que tinha parado de escrever em seu blog em dezembro de 2008, voltando exatamente com este post, em abril de 2010. Por este motivo o título original do post é “Eu ainda lembro como fazer isto?”. Vamos a ele:

Portrait_of_Jane_Espenson

Oi! Eu estou de volta. Não sei por quanto tempo, mas eu senti falta de falar com vocês, pessoal, em nacos de mais de 140 caracteres!

Eu estive fora escrevendo programas (Dollhouse, Caprica), e falando para jovens escritores, e tentando vender pilotos de séries, e escrevendo episódios freelancers de programas maravilhosos, e recarregando as minhas blogbaterias em geral! Está todo mundo aí assistindo Community? Eu amo esse programa, e ele é uma master class em novas e modernas maneiras de contar piadas. E sobre como realmente ser sobre algo ao mesmo tempo.

Pode-se dizer que os episódios são concebidos do mesmo jeito que vocês deveriam conceber os seus roteiros de especulação – eles começam com algo a dizer e então o humor vem daí. Eu lhe garanto que eles não começaram a trabalhar no último episódio pensando em coisas engraçadas que poderiam acontecer numa aula de cerâmica. Eles começaram pensando em seus personagens, no que eles acreditam, e onde eles são mais fracos.

Encontre os pontos vulneráveis de seus personagens e cutuque-os, e você encontrará uma história. A ideia de que Jeff era elogiado em demasia quando criança, resultando numa auto-imagem que precisa de correção não é hilariante. É fundamentado e real – o que permite mais liberdade de ação ao escrever as piadas. Por exemplo, os escritores foram capazes de ir para a circunstância surreal de ter as memórias de infância de Jeff mudarem retroativamente no final do episódio, só porque nós fomos envolvidos em uma mudança emocional que realmente compramos. Você tem de ser realmente cuidadoso com o surrealismo porque ele pode fazer o público se mandar, a não ser que uma cuidadosa preparação do terreno seja planejada.

Muita coisa depende do programa que você escolheu para escrever em especulação (ou o tom que você está procurando para o seu piloto de especulação), mas no geral, eu recomendaria que você devesse ser capaz de produzir uma resposta não-engraçada para a pergunta: “Sobre o que é o seu roteiro?”. Respostas do tipo: “O meus personagem principal teme que os seus filhos não o respeitem”, ou “O meu personagem principal tem medo de ser mais temido do que amado no trabalho”, ou “A minha personagem principal acha que o seu amante está ficando cansado dela”. Bem não-engraçado. Mas o modo como o personagem tomará medidas para resolver o problema… – agora você tem um panorama completo de possibilidades cômicas com que os espectadores realmente vão se identificar. E isso vale ouro.

Homem-Aranha se aliviando

Boa escrita pra você hoje!

Anúncios

4 Comentários

  1. Olha como o constragimento e a vulnerabilidade, ficam em distância sutil ao humor!… Ontem, estava no treinamento do meu novo emprego e essa turma, a maioria na faixa dos seus vinte e poucos anos, em apenas seis dias de treinamento, se tornou uma turma bastante coesa, mas esse resultado foi graças à treinadora, também jovem e competente, ela promove quase todos os dia Dinâmicas de Grupos e como você deve saber, essas atividades ajudam a “quebrar o gelo” entre as pessoas… Pois bem, lá pelas quase três horas da tarde, para espantar o cansaço, pois foi a semana inteira de puxado treinamento, a treinadora, entre uma informação a outra, injetava pequenas piadas para amenizar a chatice de informações que estávamos recebendo e nesse momento, eu quis tentar bancar a engraçadinha, bancar a jovenzinha, acabei que fazendo, inocentemente, um trocadilho, depois de mais uma piada da treinadora, em vez de dizer o chamado Método Braille para cegos, saiu “Método Bráulio”… Pois é Valéria, a turma toda veio a baixo de ri e eu né, fiquei com a cara “desse tamanho” foi um dos momentos mais constrangedores meu, mas foi o divertimento da turma toda de quase quarenta pessoas… Se achou engraçado, pode ri Valéria, pode ri… O que eu quero dizer e Jane Espenson ensina magistralmente, é que a situação de fraqueza nossa vira piada para os outros, só que a gente tem que usar isso de forma consciente e inteligente!… 🙂

    Comentário por januária — 20/06/2010 @ 21:54

    • É verdade, a gente tem de usar a fraqueza de nossos personagens para fazer humor, mas quando é a gente que paga mico dói no coração! Porém isso passa, nossa, quanto mico que já paguei nessa vida, e acho que estou longe de parar de pagar! É inevitável, que jogue a primeira pedra quem nunca passou por uma situação constrangedora, quem nunca teve um ato falho ou uma distração boba que lhe trouxe vergonha! O que eu tento fazer? Quando já estou um pouco mais calma, menos envergonhada e sou capaz de escrever sobre aquilo (como você acabou de fazer aqui), então eu tento aproveitar os meus próprios micos (e traumas) nos meus roteiros. Assim eu coloco as pessoas na minha pele, já que posso mostrar os sentimentos do personagem e ainda expurgo aquele resto de sentimento ruim que estava dentro de mim! Como eu costumo dizer: escrever é uma excelente terapia! Esse seu “Método Bráulio” foi ótimo, e tem muitas possibilidades de você fazer piadas (picantes!) com ele num roteiro. Aproveite bem os seus micos, eles são pérolas!! 😉 :mrgreen:

      Comentário por valeriaolivetti — 21/06/2010 @ 09:25

  2. É, eu tenho alguns projetos de humor e com certeza essa situação vai fazer parte de alguma cena desse projeto, inclusive, deixa eu te confessar mais uma coisa,(eu sempre me confessando aqui, ó céus!…)umas das razões por ter entrado nesse emprego é justamente em querer passar por experiências novas e reviver as antigas, não tão agradáveis, mas que de uma certa forma me marcaram e fez eu escrever algumas histórias, bacanas, assim as considero.

    Esse emprego é perto do meu antigo colégio, onde passei parte da adolescência e a maioria desses meus colegas de trabalho são mais jovens do que eu, então, é uma volta ao passado com um olhar mais maduro…

    Comentário por januária — 21/06/2010 @ 19:51

    • Essa vontade de vivenciar algo a fim de “encher o poço” e ter mais e melhores ideias para escrever é típico da alma dos escritores! Muita sorte, ricas experiências, amizades e alegrias nesse seu novo emprego, Januária! Estou torcendo por você!!

      Comentário por valeriaolivetti — 22/06/2010 @ 06:34


RSS feed for comments on this post.

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: