Dicas de Roteiro

30/06/2010

Escreva o Que Você Sabe

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:50
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Hoje temos um artigo escrito pelo 8th Samurai para o site Filmmaker IQ. Amanhã postarei um outro texto que complementa esse aqui.

escreva

Eu não produzi muitos desses negócios de “como fazer” desde o Verão, pois fui arrastado por este projeto, por coisas de trabalho e por tragédias recentes, então eu acho que agora é hora.

Esta frase do título é lançada para os escritores-bebês com tanta frequência quanto "mostre, não conte", e, provavelmente, recebe o mesmo número de acenos de cabeça discretos combinados com expressões enfadonhas.

O que diabos ela significa?

É uma que os escritores-bebês gostam de discutir – como você pode escrever sobre duendes, dragões e tal, se você NÃO PODE conhecê-los – eles são imaginários.

Trata-se de escrever coisas que você experimentou e entende, com certeza. Quando uma pessoa chega lá pelos 15 anos, ela entende de saudade, gafes sociais, a dor do fracasso etc. Seria um pouco mais difícil para alguém desta idade escrever sobre o funcionamento interno de um casamento de longo prazo a partir de dentro, ou convincentemente representar um engenheiro industrial a partir de uma base matemática.

Escrever não trata-se de fatos, trata-se de personalidades e emoções. À medida que você envelhece, você conhece mais personalidades, e as relações se tornam mais complexas.

O cerne desta teoria é que um escritor principiante terá uma dificuldade maior em escrever algo com que ele não tenha familiaridade nenhuma, tanto do ponto de vista técnico quanto emocional.

Eu nunca fui um oficial de polícia. Eu poderia escrever um? Claro. Eu precisaria fazer bastante pesquisa para torná-lo plausível, no entanto. Quanto tempo é o treinamento? (Depende do tipo de oficial). Como funciona a hierarquia, quais são as competências básicas, o ambiente social, o comportamento aceitável/típico etc. O personagem saberia dessas coisas.

Para alguém que esteja apenas começando, toda essa pesquisa poderá revelar-se assustadora, e impedir o avanço da prática.

Se alguém nunca esteve apaixonado, experimentou grandes perdas, esses serão mais um desafio para imaginar.

Isso é o que a frase realmente significa – ir aos bocadinhos. Começar com o território familiar como um ponto de partida.

E pode ser muito mais agradável para o escritor começar em algum lugar que seja interessante para ele. Ama dragões e duendes? Então eu aposto que você já leu folclore suficiente para saber a diferença entre um duende e um skeltie [N.T.: Me pegou, não tenho ideia do que seja um skeltie.]. Adora armas de fogo? Então você tem uma base para diferençar uma Firestar de um mosquete – e conhecimento suficiente para esboçar que tipo de personagem usaria cada uma, e como.

Ou o mundo do fisiculturismo competitivo, o de apostas, o de galerias de arte… a lista poderia continuar para sempre!

Conforme você ganha experiência, a sua base de conhecimento e de interesses irá ampliar-se, e você será capaz de escrever mais de improviso sobre uma variedade de situações, objetos, períodos históricos etc., e torná-los reais.

O que sempre parecerá mais legítimo, serão as coisas que você conhece melhor. Então escreva o que você sabe.

E você sabe muito.

bloco do saber

Boa escrita pra você hoje!

Contos do Script: 5 Coisas Que Aprendi Entrevistando Roteiristas

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:50
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Oi! O artigo de hoje foi tirado do site Writers Store e escrito pelo escritor e cineasta Peter Hanson, co-organizador do livro Tales From The Script – 50 Hollywood Screenwriters Share Their Stories [Contos do Roteiro – 50 Roteiristas Hollywoodianos Compartilham Suas Histórias] (também em DVD):

Tales from the Script_Covers

Ter conversas íntimas com dúzias dos melhores roteiristas de Hollywood foi uma experiência transformadora. Embora eu tenha sido um roteirista profissional por muitos anos, a maior parte do meu trabalho foi no reino do cinema independente, então coletar material para o Tales From The Script me deu um curso intensivo sobre a realidade de escrever filmes nos níveis superiores da indústria.

1. Boas coisas vêm para aqueles que esperam… e esperam… e esperam.

Um tema recorrente em todas as entrevistas neste projeto é a longa (e dolorosa) lacuna de tempo que se estende desde o momento em que alguém decide tornar-se um roteirista até o momento em que o sonho se torna realidade. Mas, como pode ser visto na seguinte observação de Frank Darabont, o escritor/diretor indicado ao Oscar por Um Sonho de Liberdade, há um modo de fazer um bom uso dessa inatividade excruciante: “Não fale sobre ser um roteirista. Sente o seu traseiro na cadeira e, mesmo que leve dez anos para começar a trabalhar como um profissional, desenvolva e aprimore as suas habilidades. Não pense que a primeira coisa que você escrever vai ser vendida por um milhão de dólares, porque eu tenho novidades para você: Não vai.” Stephen Susco, que escreveu a versão americana de O Grito, bem como sua seqüência, coloca a mesma ideia em perspectiva numérica, explicando que ele escreveu vinte e cinco roteiros antes de conseguir crédito em um filme produzido. Moral da história? Vencer a corrida do roteirismo não tem a ver com velocidade. Trata-se de resistência.

2. Não espere em pé se você estiver vendendo uma história original.

Tales From The Script é recheado de histórias inspiradoras sobre escritores que lançaram suas carreiras ao criarem histórias originais que agitaram a comunidade hollywoodiana – de Paul Schrader (Taxi Driver) e Ron Shelton (Sorte no Amor) a Justin Zackham (Antes de Partir). Mas, no clima de hoje, o escritor que ergue-se da obscuridade sobre a força de um simples roteiro de especulação é uma criatura rara. Estamos na era das adaptações e refilmagens e continuações, assim, muitas vezes, a melhor esperança do escritor emergente com um roteiro de especulação é conseguir ser notado e, então, contratado para uma tarefa em um projeto já existente. Quão ruim é o clima para histórias novas? Vou deixar que John August, o roteirista da versão de Tim Burton de A Fantástica Fábrica de Chocolate, responda essa: “Você tende a ter um monte de ideias que gostaria de ver transformadas em filmes, mas a realidade é que a maioria das coisas que realmente tornam-se filmes não são ideias novas em folha. No momento atual, os filmes que são feitos são baseados em alguma obra pré-existente de propriedade intelectual.” Para derramar um pouco de sal sobre a ferida, reflita sobre este comentário do autor de Atirador, Jonathan Lemkin: “Se eu pudesse apresentar a ideia de “Wheaties – O Filme” amanhã [N.T.: Wheaties é um clássico cereal matinal americano], eu teria uma chance melhor de vendê-la do que eu teria com uma ideia original. ‘Lá está uma caixa de cereais, pessoal!’ É uma época muito estranha.”

3. Não subestime o valor do cinismo.

Ok, eu estou tapeando neste ponto, porque se há uma coisa que eu já valorizava muito antes mesmo de começar a trabalhar no Tales From The Script, era o cinismo. Eu parei de esperar que as coisas dessem certo logo após os meus dias de estudante na NYU, quando percebi que o mundo não estava esperando ansiosamente a chegada das minhas grandes demonstrações artísticas. O resultado de me desfazer da ingenuidade juvenil foi descobrir a importância da diligência, e aprender que uma carreira no cinema é construída tijolo por tijolo, meticulosamente. Ao falar com os escritores que participaram do Tales From The Script, no entanto, eu encontrei uma nuance interessante relativa ao cinismo: com moderação, pode ser uma força positiva. Ninguém falou sobre este ponto de forma mais eloqüente (ou mais divertida) do que John D. Brancato, que, com o seu parceiro de escrita Michael Ferris, tem sobrevivido trabalhando em espetáculos de grande orçamento que incluem Mulher-Gato, O Jogo e os dois últimos filmes de O Exterminador do Futuro. Aqui está o que ele disse: “Eu li roteiros, muitos deles, onde o escritor, obviamente, odeia o que ele está fazendo, e acha que é uma bobagem. Esse tipo de cinismo é pernicioso. Ele prejudica o projeto. Prejudica os filmes em geral. Então eu tento não ser cínico em relação ao roteiro, em relação ao filme – embora sendo cínico em relação à todas as outras coisas ligadas à ele. Permanecer inocente no processo criativo é o negócio.”

4. Aprenda a amar as suas neuroses. Já vi colegas exaurirem as suas vidas por causa dos altos e baixos de buscar uma carreira em Hollywood.

Os agentes perdem o interesse, os contratos de opção expiram, os filmes que parecem perto de serem produzidos perdem o impulso… é um ciclo desolador, e até mesmo as pessoas mais fortes sentem insegurança depois de revés após revés. A única esperança que os novos escritores têm é que, uma vez que se tornarem escritores estabelecidos, as coisas vão ficar mais fáceis. Acontece que esse não é necessariamente o caso. Claro, o lado financeiro das coisas pode se tornar muito mais confortável uma vez que o escritor comece a vender os seus originais e a arranjar trabalhos. Mas depois que o sucesso chega, um novo conjunto de dificuldades torna-se parte da vida cotidiana. Competição mortal entre seus pares. Enlouquecedoras observações sem sentido do estúdio. Talentos egomaníacos influentes. E, para completar, a pressão constante de tentar superar, ou pelo menos igualar, o tipo de sucesso que coloca os escritores no mapa, para começo de conversa. É verdade que alguns dos escritores veteranos no Tales From The Script parecem capazes de manter Hollywood em perspectiva; todos nós deveríamos ser tão confiantes quanto o eternamente jovem Larry Cohen (Por Um Fio). Mas eu certamente me reconheço, e a quase todos os escritores no Tales From The Script, neste comentário do roteirista-que-se-tornou-psicoterapeuta, Dennis Palumbo (Um Cara Muito Baratinado): “Um escritor amigo meu uma vez descreveu os roteiristas como ‘egomaníacos com baixa auto-estima’.”

5. Vale a pena.

Vamos encarar: Reclamar de Hollywood e a coisa mais fácil do mundo. Qualquer um que embarca nessa imediatamente descobre que a indústria cinematográfica é um asilo de loucos, porque não há um caminho claro para se tornar um roteirista, não há um caminho claro para preservar a integridade dos roteiros, e não há nenhum caminho claro para manter uma carreira longa em roteirismo. Como William Goldman disse muitas vezes, e repetiu durante a sua extraordinária entrevista no Tales From The Script, “Ninguém sabe de nada.” Estamos todos inventando à medida que avançamos, tentando descobrir como escrever um grande trabalho, como conseguir que outras pessoas invistam nesse trabalho e, então, como garantir que o trabalho atinja as telas mantendo alguma semelhança com a sua forma original. Então, por que se preocupar? Por que não simplesmente publicar romances por conta própria ou ler poesia nas esquinas? Existem maneiras mais fáceis de compartilhar a sua arte, e o número de escritores que atingem o sucesso em Hollywood é excedido pelo número de escritores que não conseguem. O motivo pelo qual o sonho vale a pena ser perseguido é que as recompensas estão além da imaginação. Nada toca o público com o mesmo poder de um grande filme hollywoodiano, e se você alcançar o topo desta montanha em particular, poderá desfrutar de um estilo de vida espetacular. A razão pela qual alcançar o sucesso escrevendo roteiros é tão difícil, é que para aqueles poucos sortudos do topo, vale a pena. Vou deixar Gerald DiPego, o maduro escritor de sucessos que incluem Os Esquecidos e Fenômeno, falar por experiência própria: “Eu sabia que queria ser um escritor por volta de meus doze anos de idade, e há um momento em cada produção onde eu tenho doze anos de novo. O que é mais frágil do que uma história? É uma coisa sutil que você inventa em sua cabeça. E ver os atores em carne e osso andando por aí, sendo os seus personagens, e ver os carpinteiros construindo os edifícios, e tudo isso saiu daquele sonho… Ainda há um momento onde eu sou um garoto de doze anos dizendo: ‘Uau, olha só isso’.”

Tales from the Script

Boa escrita pra você hoje!

29/06/2010

Os 15 Minutos Mágicos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 17:06
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Continuando o assunto do último post, traduzo hoje o post seguinte àquele, escrito por Rosanne Bane para o seu blog, The Bane of Your Resistance. Vamos a ele:

grande escritor

No meu último post, eu falei sobre como você pode avançar com sua escrita ao expandir a sua percepção de ‘tempo de escrever’ para a de Momento de Criação, que inclui não só a elaboração, revisão e edição, mas todas as outras coisas que um escritor precisa fazer para completar um projeto de escrita.

A melhor parte do Momento de Criação é que você se compromete com apenas 15 minutos por dia. Ou, se 15 minutos parecerem muita coisa para um compromisso, pratique por 10 minutos ou até 5 minutos. Você se compromete com uma quantidade de tempo que pareça tão pequena que você possa fazer aquilo e irá fazê-lo não importa o que mais tenha se passado nesse dia.

Lembre-se, o que você faz nesses 15 minutos é livre, contanto que você esteja fazendo algo para fazer avançar a sua escrita. Houve dias em que eu tive um pesado cronograma de ensino e treinamento, completei um projeto no prazo final, tive de fazer limpeza por causa de um cachorro doente, saí para um evento social e me senti acabada lá pelas 23:00, quando percebi que não tinha praticado o meu Momento de Criação ainda. Esses são os dias em que eu fiz pesquisa na internet – é impressionante o que você pode aprender sobre mulas ou destilarias (ambas aparecem no meu livro) em 15 minutos – ou sonhava com possibilidades do enredo.

Se eu tivesse que escrever por mais de 15 minutos nesses dias, eu gostaria de pensar que eu o faria, mas eu sei que é mais provável que eu simplesmente tivesse desistido e prometido a mim mesma que eu voltaria ao meu romance ‘em breve’. Antes de eu descobrir a magia de um compromisso de 15 minutos, eu dizia a mim mesma que eu não poderia escrever quando estivesse tão ocupada, que eu iria fazê-lo amanhã, quando eu tivesse mais tempo. Mas eu parecia nunca ter mais tempo no dia seguinte. Isso soa familiar?

Mas desde que comecei a me comprometer com apenas 15 minutos, eu consigo fazê-lo. Dia após dia, semana após semana, ano após ano. Eu me comprometo com 15 minutos de Momento de Criação por cinco dias por semana e eu recomendo a alunos e clientes a se comprometerem com o Momento de Criação por algo entre três a seis vezes por semana.

Os 15 minutos são mágicos porque eles não são intimidantes. Não são uma grande coisa. E porque não são uma grande coisa, você pode fazê-lo. Apenas 15 minutos, oras, por causa disso nem sequer vale a pena desencadear o Sistema Reticular Ativador [N.T.: Parte do Sistema Nervoso Central] e o sistema límbico. Antes que você perceba, você estará tão acostumado a essa coisa de 15 minutos, que você vai sempre infiltrar a sua escrita para além do radar da resistência. É por isso que esses 15 minutos fazem uma enorme diferença.

Apresentar-se por apenas 15 minutos por dia lhe dá impulso. A sua escrita está na sua mente e mesmo quando você não está conscientemente pensando nela, o seu inconsciente está trabalhando nisso. Fica mais fácil começar a escrever a cada dia, porque é revigorante. Quanto mais tempo você ficar longe de sua escrita, mais difícil é voltar.

Você começa o hábito de apresentar-se para a sua escrita e os hábitos de esperar muito tempo pela "auto-disciplina" e pela "força de vontade" terão se apagado. Você terá muito mais escrita feita em 15 minutos por dia, de 3 a 6 vezes por semana, do que jamais terá esperando pelo dia em que você tiver "todo o tempo de que precisar", porque esse dia nunca chegará.

Lembre-se, a chave é que o compromisso de tempo é tão pequeno, que você pode fazê-lo, não importa o quê. Se 15 minutos são muita coisa, transforme-os em 10. Se 10 minutos ainda são um pouco assustadores, transforme-os em 5. Eventualmente, você vai querer esticar os 5 minutos em 10, talvez em 15. Mas nunca se comprometa com mais do que 15 minutos.

Se você quiser continuar a escrever após os 15 minutos, vá em frente. Mas o compromisso nunca é de mais de 15 Minutos Mágicos.

Deixe-me saber como a mágica funciona para você.

relogio_da_vida

Boa escrita pra você hoje!

28/06/2010

Honre o Momento de Criação Para Honrar o Processo Criativo

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:47
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Para espantar um pouco essa preguiça danada que vem com o frio [Aah, *bocejooo* humm-nham-nham], aqui vai um texto motivacional escrito pela instrutora de criatividade e de escrita, palestrante e autora Rosanne Bane, para o blog dela, The Bane of Your Resistance. Acooorda, galeraaa!!

dormindo no trabalho

Em minha resposta a um comentário da Mary (que estava no meu curso de Resistência do Escritor), eu me referi a apresentar-se para o Momento de Criação (algo sobre o qual eu falei naquele curso), então esta provavelmente é uma boa hora para explicar o que eu quis dizer com Momento de Criação.

Quando eu instruo escritores e ensino os cursos de Hábito de Escrever e Resistência de Escrever, eu recomendo três práticas simples que podem ter um efeito profundo sobre a vida de um escritor: Processo, Auto-Precaução e Momento de Criação. 85 a 95% dos alunos e clientes que experimentam estas práticas relatam escreverem com mais frequência, sentirem-se melhores em relação à sua escrita, experimentarem menos resistência e sentirem-se mais satisfeitos quando eles seguem estes três hábitos.

Aqui está a parte sobre o Momento de Criação que dá a tantos alunos e clientes uma nova liberdade: contanto que você se apresente e torne-se disponível para a sua escrita e não faça nenhuma outra coisa – contanto que você não esteja arrumando a sua gaveta de meias, procurando por respostas na geladeira, jogando jogos de computador ou trabalhando em algum outro projeto – você honra o seu compromisso com o Momento de Criação.

Sem pressão. Sem exigências. Sem expectativas. Você não tem que produzir a prosa perfeita, você não tem que escrever um determinado número de palavras ou de páginas, você não precisa nem escrever nada.

Não importa o que você faz em seu Momento de Criação, contanto que seja algo que você precise fazer para a sua escrita. Não apenas você pode esboçar, revisar e editar, como pode:

  • Fazer pesquisas (sobre tópicos sobre os quais você esteja escrevendo, ou sobre publicação ou qualquer outra coisa que seja relevante para você como escritor)
  • Navegar despretensiosamente e incubar ideias.
  • Entrevistar os personagens e escrever esboços de personagens
  • Ler livros sobre escrita
  • Fazer exercícios de escrita ou tentar diferentes motivadores de escrita
  • Encontrar-se com o seu grupo de escrita
  • Fazer um curso de escrita
  • Navegar pela internet e ler as Notícias do Bizarro para ter ideias sobre as quais escrever (para garantir que esta não se torne uma forma de resistência, faça anotações sobre as ideias que você encontrar e defina um limite de tempo)
  • Pôr em dia os arquivos (isso está ligado à sua escrita, não às suas coisas pessoais ou outras profissionais)
  • Criar uma base de dados para acompanhar o que você já enviou e para quais editores e agentes
  • e assim por diante.

Você pode até se sentar com os seus pés sobre a mesa, olhando fixo para fora da janela ou para o local onde a parede se encontra com o teto, perguntando-se como diabos você vai levar o Personagem A para o Lugar B, ou organizar aquela confusão de material para aquele artigo ou ensaio, ou resolver qualquer outro dilema de escrita.

Se você se apresentar de forma consistente para o Momento de Criação, você vai avançar com o seu texto. E você vai avançar muito mais rápido do que você irá se pensar que deve ter os seus dedos no teclado todos os dias. Existem 6 etapas no processo criativo e em apenas uma dessas seis você estará produzindo e revisando palavras. O Momento de Criação é um modo de honrar todas as coisas que um escritor precisa fazer para percorrer todas as 6 etapas.

E a melhor parte de tudo é que você só tem que se apresentar para o Momento de Criação por 15 Minutos Mágicos. Mais sobre isso no meu próximo post.

O KAMA SUTRA DA LEITURA

Kamasutradaleitura Ilustração de Seymour Chwast para o livro de Steven Heller Design Humor. The Art of Graphic Wit

Amanhã eu traduzo a continuação. Boa escrita pra você hoje!

27/06/2010

Um Dia de um Escritor Freelancer

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:24
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Olá! O texto de hoje foi gentilmente indicado pelo nosso querido colega Antunes. É um texto humorístico muito divertido (e, muitas vezes real) escrito por Connor O’Brien, um estudante de Escrita Criativa de uma universidade australiana, para o site The Bygone Bureau. O texto original tem várias gírias e palavrões, e tentei ser fiel ao máximo a ele, pois grande parte da graça reside no estilo de escrita desbocado do autor, mas algumas vezes o palavrão teve de ser trocado para que o sentido da frase não mudasse:

tirinha_escritor

Seu Dia Como Um Escritor Freelancer

Parabéns! Você é um escritor. Você é o seu próprio patrão agora. E Connor O’Brien sabe exatamente como correrá o seu dia de trabalho.

7:00h

Acorde. Você colocou o alarme do seu iPhone para despertar cedo porque vai ser um dia bem foda. Você vai escrever uma porrada de palavras. Uma porrada. Tipo, dezenas de milhares de palavras. Centenas de milhares? Quantas palavras o Kerouac escreveu entorpecido com Benzedrine? [N.T.: Um tipo de anfetamina.] Você vai, tipo, dobrar essa porra. Uma vez você fez um teste de digitação online e conseguiu 82 palavras por minuto. Se você ralar muito por cinco horas, são 25 mil palavras de um sopetão. Caralho, beleza! Isso é metade de um romance! Teoricamente, você poderia escrever uma centena de livros por ano.

8:00h

Acorde novamente. Nota para si mesmo: você estava autorizado a dormir aquela hora extra. Você apenas irá trabalhar uma hora mais tarde, isso é tudo. É por isso que isso é chamado de escrita freelance: você é livre para fazer esse tipo de merda sem se sentir culpado por isso. Não é como se você tivesse que bater ponto ou coisa assim. Você conseguiu escapar com sucesso da labuta do mundo de trabalho diário. Conclusão: você é o máximo. O que significa, por sua vez, que você mereceu essa hora extra.

9:00h

O seu telefone está tocando. “Sim, mãe, eu estou acordado. Não, mãe, você não me acordou.” Tá certo, agora você está fora da cama. Você vai trabalhar duas horas mais tarde para compensar pelo tempo perdido. Ou talvez você só vá trabalhar com um pouco mais de afinco durante o dia. Sim, é isso. Não trabalhe mais, trabalhe com mais intensidade. Você leu isso em algum lugar. Talvez no Lifehacker [N.T.: Lifehacks são truques criados por programadores para aumentar a produtividade e superar a sobrecarga de informação.]. Aqueles caras devem ser produtivos como o inferno por lá. É sério.

10:00h

Merda, 185 novas entradas em seu leitor de RSS. Provavelmente eu deveria clicar nelas bem rápido. “A única maneira de tornar-se um grande escritor é primeiro tornar-se um grande leitor”, o seu professor da faculdade lhe disse uma vez. Aquele cujo romance está fora de catálogo. Ele sabia o que ele estava falando.

11:00h

Mije, ligue a chaleira, coma uma maçã, lave os pratos, faça uma xícara de café, faça xixi de novo, dê uma volta no quarteirão e verifique a caixa de correio. Merda. Duas contas. Pense naquela obra de $500 que um editor acabou de lhe incumbir de escrever. Claro, você não começou ainda, mas em um certo sentido, você já tem o dinheiro, porque você irá escrevê-la, então qual é a grande diferença? Pague as suas contas a crédito. Não se preocupe: todo mundo está endividado hoje em dia. E, além disso, você está nos estágios iniciais de sua carreira. “Você tem que gastar dinheiro para ganhar dinheiro”, o seu professor da faculdade lhe disse isso também. Lembra-se? O professor que dirigia um Nissan Pulsar de 1978 e estava sempre falando para as garotas de sua turma de Literatura do primeiro ano sobre o romance fora de catálogo dele? Ele era um bom sujeito.

12:00h

Compre o sanduíche de 15 centímetros do Subway, ao invés do de 30 centímetros. Você ainda não escreveu nada hoje. É sério, você não merece a porra do de 30 centímetros.

13:00h

Escreva um parágrafo dessa obra, e então masturbe-se. Não se sinta estranho em se masturbar no meio do dia, enquanto o resto do mundo está trabalhando. Um cara mediano masturba-se uma vez por dia. Você sabia disso? Só porque você está se masturbando em uma hora diferente do que o resto do mundo, isso não significa que você não esteja tecnicamente “trabalhando”. A masturbação libera endorfinas. É meio tipo você ter acabado de beber um Red Bull gigante. Pense nisso.

14:00h

Porra, legal! 300 palavras! Se você simplesmente escrever direto de agora até as 17 horas, você ainda vai conseguir botar pra fora vários milhares de palavras. Você é obviamente um daqueles escritores que precisam de um empurrão, mas ninguém o detém uma vez que você atinja a velocidade crítica. 

15:00h

Visite um daqueles blogues tipo “Ganhe $10.000 por Dia Como Freelancer” e ria internamente dos numerosos erros de ortografia e gramática do site. Pense, “Merda, por que eu não estou ganhando dez vezes o que eles estão ganhando?” Amaldiçoe o mundo por recompensar idiotas e punir os verdadeiramente talentosos.

16:00h

Quatrocentas palavras! Não são dez mil, claro, mas todo escritor tem seus dias “livres”. (Observe que, embora seus últimos cinquenta dias “trabalhando” poderiam igualmente serem classificados como dias “livres”, isso apenas significa que você está pronto para uma enorme temporada de dias de “ralação”, porque é assim que as coisas funcionam.)

17:00h

Reconheça que o motivo de você não estar conseguindo fazer as coisas é porque você não aperfeiçoou um adequado “sistema de gestão de tempo”. Pesquise na App Store por uma lista de aplicativos de tarefas, faça o download de um, e gaste vinte minutos tentando sincronizá-lo pelo wifi com o seu aplicativo associado do Mac. Entenda que, embora você já tenha “desperdiçado” agora mais de meia hora instalando o aplicativo e digitando um enorme número de itens a fazer, em outro sentido você essencialmente economizou tempo, em termos de ganhos substanciais de produtividade no futuro. Dê a si mesmo um tapinha nas costas. Você agora tem um “sistema”, porra!

18:00h

Ligue a televisão. Lembre-se daquilo que você ouviu em algum lugar sobre a necessidade de um “equilíbrio entre trabalho/vida”. Leve em consideração que, se você fosse continuar trabalhando até tarde, acabaria excessivamente estressado e ansioso, o que, sem dúvida, resultaria numa má qualidade da produção escrita. Relaxe, reconhecendo que amanhã, ao acordar às 7 e bem descansado, você vai realmente arrebentar.

O Escritor Preguiçoso

1- (MEMO – PARA TODOS OS DEP ) Desde a aurora da Humanidade, as pessoas têm lutado para escrever…

2- Fazendo isso com apenas as mais rudes ferramentas…

3- (CUIDADO COM O DRAGÃO) Às vezes em face de grande perigo pessoal…

4- Para produzir obras de beleza atemporal…

5- Quanto a mim: Eu definitivamente vou começar a escrever logo que este filme terminar e esta cerveja estiver vazia e eu tirar uma soneca de seis horas e

Ah, quem eu estou enganando? Afinal de contas, eu sou O Escritor Preguiçoso.

Boa escrita pra você hoje! (Ah, bateu um soninho, acho que vou relaxar só um pouquinho! Ei, isso também é trabalho!) :mrgreen:

Escritora sonhando

– Este é um sonho muito chato, Francine. Vem, vamos lá encontrar o Johnny Depp.

– Se manda. Esta é a minha única chance de escrever sem interrupção por mais de 10 minutos por vez!

25/06/2010

Os Erros Comuns dos Dramas de TV Infantis

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:40
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Olá! O texto de hoje foi escrito pela roteirista Lucy V. Hay, para o blog dela, Write Here, Write Now.

Bebê olhudo

Pergunta:

Qual é o erro mais comum que os escritores cometem quando escrevem programas de TV infantis?

Resposta:

Como você sabe, eu recebo até que um monte de roteiros de especulação atualmente – eu arriscaria dizer que pelo menos metade deles são destinados ao mercado infantil/familiar – o tipo de nicho que Dr. Who, Primeval e Robin Hood habitam (o resto é vagamente composto de ficção científica “adulta” e drama de época. Curiosamente, eu recebo, muito raramente, um drama médico, dramas policiais ou drama relacionado com crime mas sem policiais, ou dramas familiares com famílias reais neles. Estranho.)

Bem você me conhece, por que falar sobre UM erro comum, quando eu posso falar sobre CINCO coisas que regularmente afligem as séries infantis de TV que eu vejo? Aqui vamos nós, caia de boca:

5. A Série Que É Parecida Demais Com Outra Série. Sim, a originalidade é superestimada, mas existe esse negócio de ser parecido DEMAIS com outra série. O que quer que seja aquilo com que você esteja lidando, seja dinossauros, demônios, Daleks [N.T.: Os Daleks são uma raça fictícia de mutantes extraterrestres, na série de ficção científica britânica Doctor Who.] ou o que for, você precisa trazer algo NOVO à mesa para ser notado. Pode ser qualquer coisa. É o CÉREBRO DE VOCÊS, meus amigos, arranquem alguma coisa dele. Embora, de preferência, não através de seus narizes, melecas em roteiros realmente acabam comigo.

4. A Criança Sabe-Tudo. Todo mundo sabe que quando o Apocalipse chegar, não serão nós, adultos, que resolverão a crise, mas alguma criança: ele(a) também será um(a) solitário(a), ele(a) provavelmente usará óculos (mas, na verdade, é lindo/a), ele(a) provavelmente fará artes marciais e ele(a) terá um bando de amigos desajustados para apoiá-lo. Ele(a) pode até mesmo ser um alienígena, um monstro ou um anjo de algum tipo (ou ser descendente de um). O que for, cara. O que ele(a) NÃO DEVERIA ser é um(a) completo(a) sabe-tudo. Isso não é um “personagem forte”, é somente chato. Além disso, se eles sabem tudo, contra o que estão lutando? No roteiro de especulação orientado para a família, poderá haver um adulto de natureza semelhante – um tipo de Dr. Who exagerado que esqueceu de tomar a sua Ritalina [N.T.: Metilfenidato (nome comercial Ritalina) é uma substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas. É usada para tratamento medicamentoso dos casos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), narcolepsia e hipersônia idiopática do sistema nervoso central (SNC).] e não tem nenhuma educação. Curiosamente, com muita frequência ele vai ser um homem divorciado que quer ter o seu filho ou família de volta de uma outra dimensão.

3. O Projeto Em Suspenso. Quer se trate de um roteiro de especulação infantil ou familiar, ou de algum outro gênero, a sua “história da semana” precisa de uma resolução. Muitas vezes, tudo vai fazer parte do seu elemento de série – e sem nada sendo resolvido e TUDO ficando no ar, é difícil saber o que é importante e, portanto, o que está realmente acontecendo.

2. Sobrecarga de Enredo. Algumas vezes isso anda de mãos dadas com o Projeto Em Suspenso; outras vezes ele vai resolver “A História da Semana” – de alguma forma – com cerca de cinco histórias diferentes acontecendo ao mesmo tempo. A boa notícia com roteiros como esse, que têm coisas demais, é que tudo o que o escritor tem de fazer é decidir quais duas histórias ele quer – e descartar o resto… usando-o em outra semana! Resolvido.

E, FINALMENTE:

1. A Criança Que Soa Como Um Adulto. Não importa o quão inteligente ou franca uma criança seja, ele(a) ainda é uma criança, e não pode apreender conceitos abstratos como um adulto, ainda que as crianças nos roteiros de especulação que eu vejo frequentemente possam. Crianças salvando o mundo na televisão poderiam ser interpretadas como um modo das crianças lidarem com lares desfeitos, luto, bullying (a destruição do universo DELAS, na verdade), então eu acho que pode-se argumentar que elementos de ficção científica e fantasia são extremamente importantes para a visão de mundo das crianças. Certamente, todas as crianças que eu conheço dão muita importância a tipos como My Parents Are Aliens, Dr. Who e Primeval (Robin Hood & Merlin, em menor medida). No entanto, vale lembrar que raramente há crianças EM séries como Dr. Who e Primeval; os personagens são adultos. Se você não sabe como as crianças são, você realmente precisa de, ou a) escrever uma série onde não haja nenhuma (isso é permitido), ou b) descobrir como elas são, já que existem tantos, tantos, tantos roteiros de especulação por aí que têm crianças que soam como adultos, o que imediatamente afasta o leitor.

Reconhece algum deles em seus próprios roteiros? Eu sou culpada dos números 2 e 5, que recorrentemente aparecem em meus primeiros rascunhos, embora o nº 4 tenha entrado furtivamente em um uma vez, DESGRAÇADO! Câmbio…

educar

Boa escrita para você hoje!

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