Dicas de Roteiro

20/05/2010

O Segredo das Grandes Cenas

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:21
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Olá! Este artigo foi tirado do site ScriptXRay, que por sua vez o retirou do site ScriptReaderPro. A autoria do texto é de Al Bloom:

cena de cinema 

Frequentemente esquecida na pressa de se criar a trama perfeita, ótimos personagens e diálogos mordazes, é aquela pequena pepita de ação dramática – a cena.

O conhecimento de como construir uma cena é tão importante quanto o conhecimento de como construir um roteiro, escrever diálogos ou fazer os personagens plausíveis. Posto de maneira simples, os roteiros de escritores que sabem como escrever cenas vão sempre ser superiores aos roteiros de escritores que não sabem.

A capacidade de criar uma cena é uma habilidade por si só. Sem a capacidade de escrever cenas firmes e bem construídas que levem a história adiante, um roteiro irá sempre lutar para excitar o leitor e fazer ele ou ela querer virar a página.

Existem três consequências principais da incapacidade de se escrever cenas: a) as cenas são longas demais, b) existem cenas demais, e c) muitas cenas não servem a nenhum propósito real. No entanto, todos estes problemas podem ser facilmente erradicados com bons conhecimentos de construção de cena.

Alguns (mas não todos) os grandes tutores têm palavras para dizer sobre cenas. Syd Field escreve sobre dar forma ao contexto e ao conteúdo da cena, enquanto Robert McKee pontifica sobre beats e a necessidade de uma cena mudar de valor. A maioria assinala que toda cena precisa mover a história adiante e/ou revelar o personagem.

Apesar de todos estes pontos serem verdadeiros, na verdade há um método mais simples de se criar grandes cenas. Sim, é aquela velha história – a estrutura de três atos.

Cenas, de fato, contêm três atos, assim como as sequências, os atos e o roteiro como um todo. Ao focar-se na estrutura de três atos de uma cena, concentre-se em seu conflito – um protagonista que quer algo e um antagonista que tenta impedi-lo de conseguir isso.

Cada cena então acaba como um “mini-filme”, com uma apresentação, um grande ponto de virada do “ato um”, desenvolvimento, ponto central, complicação e clímax. Não esquecendo do gancho que nos leva para a próxima cena.

A apresentação geralmente diz respeito à cena anterior. Depois vem o ponto de virada do “ato um”, que põe a cena em movimento e estabelece o conflito – quem quer o quê, e o que está evitando-o de conseguir isso?

O conflito aumenta – cada novo beat apresentando um novo obstáculo ao clímax. Frequentemente o ponto central, (reversão) é o clímax, ou leva diretamente ao clímax. Finalmente, na resolução temos um gancho que leva diretamente para próxima cena.

Claro que, às vezes, nem todos os beats estão presentes, como, por exemplo, em ‘’show-stopper” [N.T.: Uma performance ou um artista que evoca tanto aplauso do público que o programa é temporariamente interrompido] ou em “cenas de transição”. Entretanto, cada cena deveria conter um protagonista, antagonista, objetivo, inversão, clímax e um gancho.

Manter este paradigma de três atos em mente ao escrever cenas irá elevar o conflito e mantê-las sucintas, perfeitas e precisas. Bem como você as quer.

Cena de A Infância de Ivan, 1962 (Andrei Tarkovski)

Boa escrita de cenas pra você hoje! Inté! 😉 :mrgreen:

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2 Comentários

  1. muito boas as dicas para principiantes, simples e eficazes.

    Comentário por vitor — 28/12/2010 @ 09:58

    • Olá, Vitor!

      Obrigadão, fico super feliz que tenha gostado! 😀

      Um abraço, e obrigada pela mensagem!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 29/12/2010 @ 11:23


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