Dicas de Roteiro

16/05/2010

Videoclipe – Argumento de Believe – Cher

Filed under: Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 10:15
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Hoje teremos mais um argumento de videoclipe. Eu ainda traduzirei os outros oito que faltam do site do Nigel Dick, mas de vez em quando, intercalando com outros posts, para não enjoar (mais ainda!).

CHER – Believe
Filme do Dick nº 372
Escrito em: 07/10/1998

 

Este conceito incorpora algumas ideias discutidas com Cher hoje: Cher Mecânica / Cher Normal / Cher como um anjo da guarda que aparece e desaparece. A iluminação e a vibe precisam ser contemporâneas e terem uma energia juvenil. Nós discutimos a criação de um conceito que tivesse uma qualidade linear, mas que não fosse necessariamente todas as letras de uma história de A-Z.

Introdução:

À medida que a música começa, nos encontramos em um clube escuro e vazio à noite. O clube está localizado na parte industrial da cidade, e sentimos que raves são realizadas aqui ocasionalmente – ou seja, não é um clube normal que está aberto todas as noites, com um bar convencional etc. Vemos uma caixa de vidro no clube vazio, com uma solitária figura tipo-estátua dentro dela. Está escuro demais para ver quem ou o que a figura pode ser, apesar de que breves feixes de luz passem através dela. Talvez por um momento sentimos dois pequeninos pontos de luz, como se olhos tivessem piscado na escuridão.

Nós vemos lampejos de informação fora do clube, enquanto um estrondoso automóvel esportivo dos anos 1960-70 chega, e quatro garotas saem juntas do veículo. Elas têm a atitude da Rollergirl em Boogie Nights, e os cabelos estranhos e sapatos de salto alto de qualquer corrente da moda atual. Uma coleção de outros tipos de frequentadores de clube está convergindo para a entrada do clube, onde um grande homem tatuado carimba suas mãos – uma sensação palpável de tensão paira no ar.

Estrofe um, refrão um…

Dentro do prédio não é tanto o Club 54, quanto o Studio 99. O lugar parece densamente apinhado, e em incrível câmera lenta a multidão diverte-se no instante em que nossas quatro heroínas entram. O resto da multidão são tipos glam, cabeças com dreadlocks, cabeças reluzentes: uma colisão turbulenta de cultura pop.

Cher começa a cantar. É claro que ela é a figura dentro da caixa de vidro, que tem as dimensões de uma cabine telefônica – esta é a Cher Mecânica. Sua performance está toda em seus olhos e em sua boca, e em movimentos ocasionais de suas mãos. Sua face está perfeitamente iluminada, apesar do resto dela estar muito escuro. Os jovens pressionam contra o vidro da cabine. Seus corpos balançam com a música, luzes do fundo do clube varrem através de seus cabelos, nós podemos sentir seu suor, ver suas respirações e as impressões digitais que eles deixam no vidro enquanto Cher canta. Eles estão empurrando para obter uma visão da Cher na cabine – a atitude deles é totalmente devocional. Cher permanece completamente calma enquanto canta. Filmaremos a performance da estrofe com um obturador a 90º, de modo que a performance de Cher pareça extra-mecânica. Nos momentos sintetizados, nós deslizamos duas imagens dela juntas (efeito de pós-produção) de modo que vejamos uma mudança na imagem que corresponda ao som. Esta é obviamente uma instalação única, que somente este clube pode oferecer.

Na pista de dança, os jovens dançam num ritmo furioso. Alguns momentos são capturados numa intensa câmera lenta, outros com incrível energia – a câmera tremendo e sacudindo, enquanto as cabeças balançam e os bumbuns se agitam.

Nós estabelecemos agora que uma das garotas que saíram do carro é nossa heroína, vamos chamá-la de G, que abre caminho através da multidão à procura de alguém – um cara que chamaremos de Doyle. G encontra o que ela estava procurando: Doyle está flertando com uma garota no canto. Em uma câmera muito lenta, G observa Doyle. Doyle se vira e vê, não a G, mas a Cher ali: ‘I can’t break through, there’s no talking to you.’ [‘Eu não consigo abrir caminho, não tem conversa com você.’]. Os olhos dele se arregalam. Cortamos de volta para encontrar-nos olhando para G, que se afasta.

Estrofe dois, refrão dois…

Cher continua, por enquanto, a cantar na cabine de vidro. Os jovens continuam a pairar em torno do vidro, como muitas mariposas ao redor de uma luz brilhante que as alimenta de energia.

G afunda numa cabine de canto com suas três amigas. Do outro lado da sala cheia ela vê momentos de Doyle abrindo caminho entre a multidão com sua nova garota. G observa-o atentamente: ‘What am I supposed to do, sit around and wait for you? Well I can’t do that.’ [‘O que eu devo fazer, sentar e esperar por você? Bem, eu não posso fazer isso.’]. Conforme a câmera faz entrecortes, vemos que é a Cher quem está observando-o agora. Doyle está visivelmente perturbado com isso. Nós cortamos de volta e descobrimos que é a G quem está observando-o novamente.

No segundo refrão, o clube inteiro parece congelar quando um raio de luz precipita-se através do clube vindo da caixa de vidro, até um tablado circular que apareceu no centro do clube (efeito de pós-produção). A Cher Mecânica tornou-se a Cher normal. Conforme as ondas de luz banham a platéia, um vento pesado sopra no clube, e a Cher se inclina neste vento para cantar o segundo refrão e a transição com enorme energia e compromisso: ‘I know that I’ll get through this, I know that I’m strong, I don’t need you anymore.’ [‘Eu sei que vou superar isto, eu sei que sou forte, eu não preciso mais de você.’]. Os jovens dançam ao redor dela com igual intensidade – novamente a intensa câmera lenta entrecortada com energia frenética.

Refrões finais…

Ver Doyle divertindo-se com sua nova garota é demais para G, que abre seu caminho através da multidão e corre para a saída de incêndio até o telhado do edifício. A câmera gira em torno de G, quando ela se encontra sozinha olhando para a cidade.

Atrás dela, na escuridão, há uma mudança na imagem (efeito de pós-produção) e a Cher aparece. G anda em direção à borda do telhado e então nota Doyle deixando o clube com sua nova garota. G move-se para ainda mais perto da borda.

Atrás de G, Cher mantém seus braços abertos enquanto canta. Um pé de vento surge e G desaparece do primeiro plano, encontrando-se de pé, longe da borda, na posição que a Cher ocupava anteriormente (combinando dissolução de filmagem estática com luz de efeito de pós-produção). Em super câmera lenta os olhos de G brilham por um segundo (efeito de pós-produção) e ela se afasta da cena, seguindo seu caminho em direção à saída de incêndio.

De volta à borda do edifício, a Cher agora está de pé onde a G estava. O seu corpo se dissolve na noite (efeito fantasmagórico de pós-produção) e FADE TO BLACK.

FIM.

© Nigel Dick, ’98

Este conceito pressupõe dois dias de filmagem. A Cher seria necessária para apenas um dia, que iria incluir algumas horas da noite filmando no telhado.

Como aconteceu, nós filmamos o vídeo em Londres, e quando subimos no telhado estava caindo uma pancada de chuva, e apesar do fato de que estava molhado e muito frio, a Cher nunca reclamou, nunca disse uma palavra. Fiquei muito impressionado.

cher

Obrigada a todos pela paciência! Amanhã voltaremos a variar os assuntos. Boa escrita pra você hoje!

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