Dicas de Roteiro

31/05/2010

Cartazes de Cinema Criativos de 2008-2009

Filed under: Produção,Roteiro — valeriaolivetti @ 13:46
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Ao procurar imagens para o post de ontem, eu me deparei com este blog, Instant Shift, cheio de pôsteres interessantíssimos, alguns até mesmo muito mais interessantes do que os filmes que divulgam. Como esta é uma ferramenta muito valiosa na promoção de um longa, achei válido colocá-los aqui como fonte de inspiração.

Posteres Criativos

Pôsteres de filmes são conhecidos como uma breve introdução para o que o filme trata. Cada filme tem um cartaz para a sua publicidade e propósito de comercialização. Agora, ao longo dos últimos anos, temos visto um crescimento contínuo de cartazes e capas de DVD que continuam a se aproveitar do estilo.

Um bom cartaz é uma tarefa muito fácil para um artista normal, mas um cartaz criativo leva uma imensa quantidade de tempo e de reflexão de um ou mais grupos de artistas que, no entanto, vai além do simples trabalho de propaganda, chegando a ser uma obra de arte, e o resultado é tão mais maravilhoso do que um poster de filme regular, que torna o filme memorável. Ainda assim, há exceções, em que a avaliação do filme foi realmente baixa, mas os cartazes são realmente inspiradores.

Para começar, nós colecionamos 24 Artes de Pôsteres Cinematográficos que são bastante criativos e que ousaram ser diferentes – todos de filmes de 2008 e 2009.

1. The Broken (2009)

 The Broken (2009)

2. Terminator: Salvation (2009)

Terminator Salvation (2009)

3. Leaves of Grass (2009)

Leaves of Grass (2009)

4. The Ugly Truth (2009)

The Ugly Truth (2009)

5. Assembly (2008)

Assembly (2008)

6. The Cottage (2008)

The Cottage (2008)

7. The Dark Knight (2008)

The Dark Knight (2008)

8. The Dark Knight (2008)

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9. Disaster Movie (2008)

Disaster Movie (2008)

10. Disaster Movie (2008)

OneSheet (Page 1)

11. The Eye (2008)

The Eye (2008)

12. Fuel (2008)

Fuel (2008)

13. Funny Games (2008)

Funny Games (2008)

14. The Guitar (2008)

The Guitar (2008)

15. The Happening (2008)

The Happening (2008)

16. Humboldt County (2008)

Humboldt County (2008)

17. The Memory Thief (2008)

The Memory Thief (2008)

18. Punisher: War Zone (2008)

Punisher War Zone (2008)

19. Punisher: War Zone (2008)

Punisher War Zone (2008)2

20. Wanted (2008)

Wanted (2008)

21. Wishbaby (2008)

Wishbaby (2008)

22. The Women (2008)

The Women (2008)

23. X Files 2 (2008)

X Files 2 (2008)

24. Young @ Heart (2008)

Young @ Heart (2008)

25. District 9 (2009)

District 9 (2009)

26. Cloverfield (2008)

Cloverfield (2008)

27. The Informers (2009)

The Informers (2009)

28. Max Payne (2008)

Max Payne (2008)

29. The Day the Earth Stood Still (2008)

The Day the Earth Stood Still (2008)

Outros sites com ótimos pôsteres:

Você pode utilizar os pôsteres dos longas que você não assistiu como inspiração para ideias de filmes. Muitas vezes um pôster sugere uma coisa e o filme é outra totalmente diferente. Portanto, é uma boa ideia anotar as impressões que você tem ao observar um desses cartazes (isso também funciona com quadros, pinturas, fotos, desenhos, esculturas, qualquer obra de arte, na verdade). Aproveite e dê uma olhada nesses cartazes de shows maneiros: 60 Concert Posters From Ten Amazing Artists

Boa escrita para você hoje!

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30/05/2010

O Perfeito Filme-Catástrofe-Clichê

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:28
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O artigo de hoje chama-se (ironicamente, eu suponho) “Como Escrever o Filme-Catástrofe Perfeito”. Ele descreve com tanta perfeição os clichês desse tipo de filme, que na verdade o autor deveria chamá-lo logo de “Como NÃO escrever um filme-catástrofe”. Lembre-se: evite os clichês, ou utilize-os a seu favor, surpreendendo o público quando ele estiver esperando algo previsível. O autor deste artigo é Paul Owen, que o escreveu para o site Guardian.co.uk. Como o artigo é de 12 de dezembro de 2008, portanto ele cita filmes que já saíram, mas que na época ainda estavam sendo produzidos:

disaster_movieCOMO ESCREVER O FILME-CATÁSTROFE PERFEITO

Enquanto Roland Emmerich prepara o seu último épico e O Dia Em Que a Terra Parou (The Day The Earth Stood Still, 2008) invade os cinemas, nós oferecemos um plano de 10 partes para o filme-catástrofe supremo.

Roland Emmerich, o rei dos filmes-catástrofe, está de volta. Não contente em mandar uma gigantesca onda quebrar-se sobre Manhattan em O Dia Depois de Amanhã (The Day After Tomorrow, 2004), ou permitir alienígenas destruírem a Casa Branca em Independence Day (Idem, 1996), Emmerich, em seu novo filme 2012 (Idem, 2008), está se preparando para desencadear erupções vulcânicas, imensas rachaduras na superfície da Terra, enormes tufões – e mais inundações.

Se você não conseguir esperar por isso, hoje tem o lançamento do remake de O Dia Em Que a Terra Parou, em que esferas alienígenas surgem repentinamente no mundo inteiro – inclusive uma no Central Park – anunciando um ataque contra o planeta que somente Keanu Reeves pode impedir.

Algo disso lhe soa familiar? Permita-me refrescar a sua memória com este guia de 10 partes para o filme-catástrofe perfeito.

1- Escolha um bom desastre

Muitos dos melhores desastres – asteróides, alienígenas, terremotos, tsunamis – já foram aproveitados, alguns duas vezes, como os inoportunos lançamentos simultâneos de Armageddon (Idem, 1998) / Impacto Profundo (Deep Impact, 1998) e Volcano – A Fúria (Volcano, 1997) / O Inferno de Dante (Dante’s Peak, 1997). Então você terá de ser um pouco criativo. Escolha algo incomum: E se a gravidade começasse a tender para os lados, ao invés de direto para baixo, digamos? 

A sua cena de abertura deveria mostrar a vida acontecendo de forma aparentemente normal – pense em Will Smith saindo para pegar um jornal no começo de Independence Day. O seu personagem principal deveria levantar uma manhã, passando a mão nos cabelos desalinhados e bocejando, e dirigir-se para o banheiro para escovar seus dentes. Ele abre a torneira, ignorando os primeiros sinais da catástrofe prestes a acontecer. Aos poucos, o fluxo de água começa a se virar em direção a ele. A saboneteira de repente tomba para fora da prateleira e cai com estrépito no chão, e ele começa a perder seu equilíbrio. Ele cai estendido contra a parede do banheiro, a água fluindo sobre ele, vindo da torneira. Balançando a cabeça, ele puxa uma pequena garrafa de uísque do bolso de seu roupão e olha para ela com desaprovação.

2- Você precisa de um cientista

Um cientista ou um professor de algum tipo – de meia idade, bonito – é crucial para um bom filme-catástrofe. Devemos primeiramente vê-lo trabalhando duro no laboratório, ou em uma missão externa (talvez brevemente usando óculos), conforme ele começa a captar os primeiros indícios do que está acontecendo de errado. Talvez alguns animais em um zoológico se assustaram com um clima incomum, ou um carro foi derrubado de cabeça para baixo de uma rodovia, sem motivo aparente. Intrigado, ele leva suas descobertas para um mentor mais velho, que acrescenta um fato que ele descobriu sozinho: enormes vespas com três vezes o seu tamanho normal têm aparecido por todo o Ártico, digamos. Esta é a peça que faltava do quebra-cabeça. “Você tem que levar isto ao Presidente”, o mentor diz a ele.

3- Você precisa de um herói

Este não é o cientista. O herói tem de ser um pouco mais pé no chão, um pouco de diamante bruto. Imperfeito, mas nobre –  como Bruce Willis em Armageddon. Um gatuno movido pela culpa e com um menino órfão doente terminal adotado como filho, seria perfeito.

4- Mande o seu cientista para a Casa Branca

Um rápido encontro com o presidente dos Estados Unidos parece ser a primeira parada para todos os cientistas preocupados em filmes-catástrofe. Mas não torne isso fácil demais. Um vice-presidente ou secretário de estado cético e levemente sinistro deveria detê-lo na porta do Salão Oval. Ele não quer ouvir nada desse papo sobrenatural sobre gravidade lateral. “Mas esta pode ser a nossa única chance de salvar o mundo!”, o cientista diz a ele.

“Ouça, professor, volte às suas teorias”, zomba o vice, “e deixe a salvação do mundo conosco.”

5- Destruição ao redor do globo

Agora é hora de você aumentar os riscos e sacrificar umas cidades estrangeiras – ou mesmo uma cidade americana de menor porte como Chicago (você vai reservar Nova York e Los Angeles para mais tarde, é claro). Londres e Roma seriam perfeitas. Xangai e Tóquio são ótimas, também. Em seu laboratório, o cientista liga o noticiário televisivo (preferivelmente um canal de marca afiliado do estúdio cinematográfico) para ver edifícios estrangeiros desabando nas ruas. Os repórteres falam rápido e incompreensivelmente para a câmera enquanto deslizam impotentes pelo meio da rua. “Começou”, murmura o cientista.

6 – Destruição em Nova York

Enquanto o cientista tenta alertar um público incrédulo, as coisas devem ficar realmente sérias: é hora de atingir Nova York. Numa enxurrada de efeitos especiais, a cidade deve cair espetacularmente para um lado, conforme os efeitos da catástrofe tomam lugar, com vários arquétipos nova-iorquinos, tais como estudantes de moda e garçonetes fleumáticas lançados pelas ruas, enquanto táxis amarelos viram-se e rolam nos lados dos arranha-céus, e torres d’água voam dos telhados e explodem contra saídas de incêndio.

É crucial a esta altura destruir um edifício icônico em uma cena de tirar o fôlego que você possa apresentar no trailer. Entretanto, muitos dos edifícios mais famosos de Nova York já foram usados antes – alguns mais do que uma vez – mas que tal o museu Guggenheim? Você poderia fazê-lo virar de lado e rolar pela Quinta Avenida abaixo, como uma roda de carroça.

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7- De volta à Casa Branca

Tudo isso é suficiente para convencer o presidente de que o cientista está certo, então ele o chama de volta para uma reunião ultra-secreta na sala de reuniões da Casa Branca, acompanhado por dezenas de chefes militares com cara de preocupados. O cientista explica o que está acontecendo com uma mistura de astronomia ginasial e uma ultrajante pseudo-ciência, usando quaisquer itens que estejam à mão, talvez uma bola de ping-pong para representar a Terra, e uma bola de basquete para representar o Sol.

Neste ponto, é o papel do cientista estabelecer o enredo na íntegra. “Vocês estão conscientes da força da gravidade, certo? Se vocês soltarem alguma coisa, ela vai cair no chão, ao invés de flutuar no ar. Desse jeito.” Ele joga uma maçã no chão. “Agora, este meteoro que atingiu o Sol foi poderoso o suficiente para mudar a gravidade da Terra para uma direção diferente. Na Inglaterra, em Tóquio, e agora na cidade de Nova York, a gravidade parou de ir para baixo – e começou a ir para os lados.” Enquanto o vice-presidente protesta, o cientista continua: “Conforme o meteoro continua a sua jornada para o coração do Sol, a Terra toda irá mudar para a gravidade horizontal.”

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8- O cientista reúne a sua equipe

Numa caverna sob o Monte Rushmore, o presidente deve apresentar o cientista para uma equipe de primeira classe dedicada a consertar o problema – que deveria acabar incluindo a atraente ex-esposa dele, assim como um inglês engraçado. Os três devem encontrar um plano para impedir a catástrofe – quanto menos realista, melhor. Um bom plano neste caso seria fazer alguém pular do edifício Empire State como um trampolim a fim de ativar uma arma nuclear que destruiria a Lua, deste modo recompondo a gravidade da Terra; qualquer coisa assim, na verdade. Assistindo às notícias do canal a cabo enquanto discutem quem poderia levar a cabo esta missão perigosa, a equipe vê uma notícia da Nova York devastada, onde o gatuno está pulando através das laterais dos arranha-céus para salvar a vida de uma velha avó. “Por Deus”, diz o inglês, “eu acho que encontramos o nosso homem!”.

O clima de comemoração deve ser pontuado por um breve telefonema para o cientista, vindo do chefe das forças armadas, com a desagradável notícia: “Perdemos o Canadá.”

9- Contratempo de última hora

A esta altura, mais e mais partes do mundo devem ter sucumbido à ameaça, e, após recalcular suas contas por algum motivo, o cientista deve relatar que há uma janela de tempo muito menor do que ele pensava para poder parar a gravidade horizontal, antes que ela destrua o globo inteiro. Mas enquanto constrói a arma nuclear para destruir a Lua, algo dá errado, matando o infeliz inglês e danificando a arma de forma que, quem quer que a detone, morrerá com ela. Isto deve causar um grande bate-boca, com o gatuno recusando-se a ir adiante com o plano. No entanto, um discurso sentimental, seja do cientista ou de sua ex-mulher, será o suficiente para convencê-lo, e ele corajosamente concorda em se sacrificar. Pouco antes dele zarpar para Nova York, seu pequeno filho adotivo bate no ombro dele e sussurra: “A mamãe ia querer que você fizesse isso, papai.” O ladrão coloca a mão na cabeça do menino e diz: “Eu sei, filho.”

10 – A operação final

Tudo o que resta agora é colocar o plano em ação. O ladrão escala precariamente ao longo do edifício Empire State, quase caindo pelo menos duas vezes, e prepara-se para o mergulho de sua vida a partir da ponta da torre. O cientista e sua ex-mulher trocam um olhar significativo. Um grupo de personagens secundários brindam o fim da civilização com um último drinque. Multidões reúnem-se em Times Square e em outras localidades ao redor do mundo para assistir o que está para acontecer. No Salão Oval, o presidente, sombrio, murmura: “Que Deus ajude a todos nós.”

O gatuno mergulha. A cena corta para o espaço sideral no momento em que a Lua é destruída. O Sol se inclina de volta para o seu eixo, e de volta à Terra, a gravidade gradualmente gira de volta à sua direção normal. Edifícios se endireitam e ficam eretos novamente. Estrangeiros em turbantes, ou esquimós envoltos em pele aplaudem e se abraçam em locais distantes. O cientista pega a mão de sua ex-mulher. E o pequeno órfão corre para o seu pai ladrão para um abraço dramático, o edifício Empire State de volta ao normal atrás deles. E ele acabou não morrendo no final das contas!

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Fala sério: Quantos filmes-bomba vocês já não viram com este esquema, tintim por tintim? Chega a me dar engulhos! Pra valer! O meu organismo já está até rejeitando fisicamente estes clichês terríveis! 😡 Como eu disse, utilize o clichê a seu favor, surpreenda o espectador quando ele estiver pensando que já sabe o que vai acontecer. Revolucione! Qualquer coisa, MENOS fazer um roteiro desses. Por caridade ❗ Boa escrita (sem clichês!) para todos nós, sempre!

29/05/2010

Ghost Writing

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:14
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O artigo de hoje não é sobre roteiro, mas é sobre escrita, e é dedicado à nossa amiga Januária, que sugeriu este interessante tema. O artigo foi tirado do site Suite 101, e escrito por Dulcinea Norton-Smith:

Ghost Writer

Tudo Sobre Ghost Writing

Os Prós, os Contras e os Fatos Sobre Escrever Para Outros

"Ghost writing" [Escrita Fantasma] é a arte de escrever para outra pessoa. O Ghost Writer [Escritor Fantasma] irá escrever o material final, e o cliente ficará com o crédito por tê-lo escrito.

Para alguns pode parecer enganoso, mas na realidade é mais um esforço conjunto do que uma "trapaça". Será necessário uma grande interação entre o Ghost Writer e o cliente, e, muitas vezes, o cliente fornecerá a maioria das pesquisas ou informações necessárias, deixando o Ghost Writer organizar as informações em um livro polido, artigo, relatório, discurso ou similar.

Por que contratar um Ghost Writer?

Há muitas pessoas que podem querer contratar um Ghost Writer, mas as razões para a contratação de um geralmente caem em uma de duas categorias:

  1. Falta de tempo. Um cliente que é especialmente ocupado em sua vida cotidiana, ou negócio de vida, pode querer escrever alguma coisa e até ter pronto o material de pesquisa e as habilidades de escrita para fazê-lo, no entanto, leva-se muito tempo para escrever qualquer coisa e o cliente não pode ter o luxo do tempo.
  2. Falta de habilidade. Escrever é uma habilidade e nem todos a possuem. Quais são as chances de que o proprietário de 42 sites baseados em conteúdo também seja um escritor talentoso da rede? Quais são as chances de que uma famosa estrela pop também tenha a capacidade técnica para escrever uma autobiografia envolvente? Nem todo mundo está na posse da gramática perfeita, ortografia e habilidades de contar histórias, e tem até mesmo aqueles que podem não ser capazes de escrever um best seller.

A maioria dos Ghost Writers é contratada para fazer o que o cliente desejaria poder fazer se tivesse o tempo e a habilidade. Então alguns são contratados como um serviço para pessoas que desejam lucrar com a palavra escrita, mas que não têm absolutamente nenhum interesse em escrever.

Quem contrata um Ghost Writer?

As pessoas que podem querer contratar um Ghost Writer, incluem:

  • Políticos ou oradores públicos, que são bons em fazer um discurso, mas que não conseguem escrever um
  • Uma celebridade que quer publicar a sua autobiografia ou um livro de ficção
  • Uma não-celebridade que quer escrever as suas memórias
  • Uma firma de treinamento ou consultoria que quer que todos os produtos que eles usem/vendam sejam “escritos” por membros da companhia
  • Um doutor, ou similar, que fez todas as pesquisas e trabalhos necessários para um relatório, mas precisa dele escrito em um estilo atraente e organizado
  • Um proprietário de site que quer um conteúdo pelo qual possa reivindicar o crédito
  • Uma editora de livros que quer lançar um livro ou uma sequência de um livro sob o nome de um autor conhecido (com a permissão dele)
  • Um editor de ebooks que quer vender ou doar ebooks (o site e os proprietários do site são vistos com mais credibilidade se eles tiverem “escrito” um livro inteiro sobre o assunto)
Prós e Contras da Escrita Fantasma

Existem muitos prós e contras da Escrita Fantasma.

As principais vantagens são que o escritor não precisa pensar sobre o que escrever e muitas vezes tem que fazer apenas uma pesquisa mínima. Ele pode assumir uma série de projetos em uma série de diferentes áreas e estilos, por isso é perfeito para os escritores que se entediam facilmente. Como ao escritor será normalmente paga uma única taxa, também é uma boa maneira de se fazer dinheiro rápido, o que pode ser preferível aos meses ou anos de espera até os cheques de direitos autorais começarem a entrar na conta do banco.

As desvantagens principais são que o escritor não será creditado por escrever o trabalho. Na ocasião, ele pode ser listado como co-autor ou creditado nos agradecimentos, entretanto, o que acontece com frequência, é que o Ghost Writer terá de assinar um acordo de não-divulgação e não obterá crédito em nenhum lugar por ter se envolvido no projeto. A outra desvantagem principal é que se o Ghost Writer escrever um livro de sucesso, ou artigos que rendam ao website centenas de milhares de dólares, ele não terá nenhum direito autoral e nenhuma parte nos lucros. Na verdade, ao assinar um acordo de não-divulgação, ele pode nem mesmo ser capaz de listá-lo em seu currículo de escritor. Imagine a tristeza de um Ghost Writer, se a J.K. Rowling tivesse contratado um, e o Ghost Writer só tivesse sido capaz de colocar em seu currículo: “escrevi um livro sobre um mago" (e por um pagamento único de 10.000 dólares)!

Ghost Writing não é para todos. Para aqueles que escrevem simplesmente para expressar os seus próprios pensamentos, histórias e opiniões, esta não é a melhor saída. Nem é ideal para quem sonha em fazer sessões de autógrafos, ou em esfregar o seu romance de estréia recomendado pelo New York Times na cara do seu ex-namorado. No entanto, Ghost Writing pode ser muito agradável, e para quem quiser fazer uma renda regular da escrita, pode ser um meio inestimável de praticar a arte e ainda ganhar dinheiro suficiente para pagar as contas.

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“Escritores-Fantasma não são assustadores”

Boa escrita para você hoje, fantasmagórica ou não! 😉

28/05/2010

Dicas de Roteiro de Um Pornógrafo

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:55
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Olá! O post de hoje é um tanto exótico, mas muito interessante! Foi tirado do blog Steven Pressfield Online, e escrito pelo próprio:

Aposentadoria na praia

Cenas de Sexo

Uma vez eu fiz uma re-escrita de um filme pornô. Antes de começar, o produtor queria se reunir comigo para me dar as minhas ordens e se certificar de que eu não atrasaria o projeto cometendo evitáveis erros de novato. Reunimo-nos para o desjejum num café em Santa Monica. Nessa reunião eu aprendi as duas melhores lições de escrita que já recebi até hoje.

Por que filmes pornôs são tão ruins

"Garoto, todo filme pornô é a mesma coisa: conversa, conversa, transa, transa. É por isso que são tão ruins. Isso não é boa narrativa. Aqui está o que eu quero de você: quando você chegar a uma cena de sexo, não deixe que a história faça uma parada brusca enquanto vemos duas pessoas masturbando uma à outra. "

Uau, eu pensei, isso é muito inteligente.

"Faça a cena de transa avançar a história", disse o produtor. "Onde quer que a história esteja quando os atores começarem a transar, eu quero que ela tenha mudado para o próximo nível no momento em que eles acabarem".

Em outras palavras, ele disse, se ele é um detetive particular e ela a sua linda cliente, no momento em que terminarem, o seu relacionamento tem de ter avançado – ela confessa alguma coisa, ele revela algum segredo, o que for. A história mudou e subiu para um nível mais alto.

Eu confesso que tinha ido para esse café da manhã esperando o pior – e até mesmo condescendente em minha mente para o que eu imaginava que era uma diversão de muito baixo nível. Agora, de repente eu vi a luz. Meu empregador tornou-se um mentor. Imediatamente eu entendi que o princípio não-pare-a-história poderia ser aplicado a outros gêneros mais comuns.

Filmes de ação: "Não deixe que uma perseguição de carro pare a história em seu curso. Faça a sequência de ação avançar a história." Flashbacks e histórias do passado: "Não deixe que eles transformem-se em desvios ou em assassinos de histórias, faça-os carregar a história para frente."

Como evitar que o sexo seja chato

"Okey, garoto, você entendeu? Aqui está a segunda coisa que eu quero de você. Nunca me escreva uma cena de sexo onde nada aconteça além do sexo. Sempre tenha alguma coisa acontecendo ao mesmo tempo.”

Exemplo: "A mulher está fazendo sexo no quarto com o carpinteiro excitado. Agora o marido chega em casa sem avisar. Ele entra pela porta da frente. O marido não sabe que a esposa e o carpinteiro estão no quarto. Eles não sabem que o marido acaba de entrar pela porta da frente. Agora nós temos alguma coisa! Podemos cortar de um para o outro e explorar o suspense. Não é apenas duas pessoas transando, percebe? E quando o marido descobre o que a sua ‘patroa’ está fazendo, teremos avançado a história!"

Na mosca de novo. Este segundo princípio poderia ser aplicado a todos os tipos de situações. Uau. E eu ainda estava sendo pago por isto!

A minha carreira pornô termina

No final, o filme nunca foi feito – e eu nunca fui pago. Alguns anos mais tarde, eu estava jantando fora em um restaurante diferente, quando vi o produtor chegar com a sua esposa e seus filhos pequenos. Daria uma história mais pitoresca se ele fosse um filisteu de Tinseltown [N.T.: Centro histórico da indústria cinematográfica, em Hollywood] com o charuto entre os dentes, mas na verdade ele era um cara doce e um homem de família normal. Eu queria agradecer-lhe pelo que ele havia me ensinado. Eu tinha colocado aquilo em uso, várias e várias vezes, em outros projetos indicados para maiores de 13 anos. Mas eu pensei, vendo-o com seus filhos a reboque, que talvez a discrição fosse a melhor coisa ali. Eu saí sem me desviar para atrair a atenção dele.

Mas, obrigado, Henry. Eu aprendi mais sobre narração de histórias com você em vinte minutos, comendo ovos e batatas fritas, do que aprendi em quatro anos de faculdade.

Consequências do Sexo

Como alguém disse nos comentários do blog acima, esta é uma prova de que podemos aprender algumas das melhores coisas nos lugares mais surpreendentes, se estivermos abertos a isso. Uma ótima escrita hoje!

27/05/2010

“O que você está esperando?”

Filed under: Direção,Roteiro — valeriaolivetti @ 11:13
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O post de hoje é de Eric Yang, tirado do blog The Right Time Is Now. Espero que lhe inspire!

Film Making Logo

Por muito tempo eu fiquei impedido de fazer filmes porque acreditava que não tinha a “câmera certa" ou o “equipamento apropriado”. Bem, agora recuso-me a ficar preso neste modo de pensar limitado. Acho que este é o segredo para se tornar um bom cineasta: 1) fazer o máximo de filmes horríveis como você puder e 2) aprender com eles. Se você quiser ser um roteirista, 1) escreva o máximo de roteiros terríveis que você puder e 2) aprenda com eles. Se você esperar pelo "roteiro perfeito" ou até o “momento certo", você vai acabar com nada além de arrependimentos.

Erros e contratempos são inevitáveis. É uma luta, não há dúvida sobre isso. Mas é assim que nós melhoramos no que fazemos, e é assim que a história segue: lutamos, trabalhamos duro, somos bem-sucedidos. Retire a parte do "trabalho duro" e você não tem nada além de luta.

Se você é apaixonado por fazer filmes – e digo realmente apaixonado pela arte, pelo artesanato, e pela completa tortura que isso causa à sua alma criativa – saia e filme alguma coisa. Não importa se é com a mais vagabunda câmera digital, ou com uma velha porcaria de câmera Sony 3CCD de 2001 como a minha. Steven Spielberg nunca teria se tornado o homem que ele é hoje, se tivesse dito: "Eu não tenho a câmera certa. Bem, acho que eu tenho que esperar até conseguir uma."

Stanley Kubrick tocou no ponto quando falou que os jovens cineastas deveriam pegar uma câmera e simplesmente "fazer um filme de qualquer tipo, de qualquer jeito." Estou certo de que é exatamente assim que ele se tornou um dos cineastas mais famosos do mundo.

As possibilidades estão dentro de nós, e não em algum lugar lá fora, de alguma forma intangível. Sei que existem outras pessoas lá fora, como eu, que precisam de um empurrãozinho às vezes. Então aqui está o seu empurrão. Estou ansioso para ver o seu nome na tela.

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Boa escrita (e uma boa filmagem) pra você!

26/05/2010

“Não é o que você diz, é como você diz”

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:57
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O post de hoje foi escrito pela roteirista Jane Espenson, e tirado do blog dela, Jane in Progress, ou Jane Espenson.com:

Diálogo

Algumas semanas atrás, eu estava sentada na platéia de um festival de cinema clássico aqui em LA e ouvi duas mulheres mais jovens tendo esta conversa:

Mandona
Você já viu "Seventh Heaven"?
Bobinha
Eu vi a série de televisão.
Mandona
Você já viu o clássico filme do diretor Frank Borzage, "Seventh Heaven", de 1927?
Bobinha
Não.

7thheaven1927  Seventh Heaven 1927

Você provavelmente já tem uma boa noção de como essas frases foram ditas. Eu ajudei a cimentar esta impressão com os nomes. Mas aqui está como elas realmente foram ditas:

Mandona
Você já viu "Seventh Heaven"?
Bobinha hesita. Ela sabe que não é a resposta certa, mas:
Bobinha
(Arriscando)
Eu vi a série de televisão.
Mandona
(Sorrindo carinhosamente)
Você já viu o clássico filme do diretor Frank Borzage, "Seventh Heaven", de 1927?
Bobinha
(Rindo-se)
Não.

O que eu amo sobre a forma como essa troca realmente aconteceu é que foi inesperado e acolhedor e humano. Tem nuances mais sutis do que apenas uma garota idiota irritando uma mandona. Claro, a Bobinha ainda é um pouco boba, e a Mandona ainda é um pouco mandona, mas elas são delicadas e reais, mais como as pessoas que conhecemos. Isso me deixa mais interessada em conhecê-las. Alguns podem dizer que o drama se perdeu, mas acho que o velho mantra, "drama é conflito", pode ser uma perigosa super-simplificação. O simples conflito é menos interessante do que o conflito sutil, mesmo se esse conflito mais sutil for menos conflituoso. E você não precisa de conflito entre cada par de personagens que tenham uma cena juntos. Amizades com nuances de complicação são realmente interessantes de se assistir, também.

Eu escolhi este exemplo porque eu apreciei escutar essa interação. Isso me fez começar a especular sobre as garotas. Eu imaginei que elas seriam colegas de faculdade que não se conhecem muito bem. Talvez elas se encontraram no cinema por acaso, não foi planejado? Fiquei curiosa porque a interação parecia revelar tanto sobre elas – sobre o desejo da Bobinha de ser apreciada, sobre a capacidade da Mandona de tornar claro que ela estava rindo com a outra garota, e não dela. Havia muita coisa acontecendo em pouquíssimas falas.

Preste atenção às conversas em torno de você quando estiver sozinho fora de casa. Veja se você consegue identificar moléculas de conversa, os menores pedaços de conversa que capturem aspectos importantes de todos os personagens envolvidos. É realmente um treinamento muito bom para ajudá-lo a escrever conversas que pareçam que foram tiradas da vida real, e não de roteiros de outros escritores. Mesmo sem coletar exemplos, acho que você vai descobrir que é um ajuste simples olhar para o diálogo que você escreveu e brincar em deixar as atitudes mais sutis.

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DIÁLOGO – “OK, vamos começar!”

Boa escrita pra você! Inté mais!

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