Dicas de Roteiro

20/04/2010

Programas de Jogos – Entrevista com Paul Gilbert

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 07:49
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Hoje teremos a entrevista que foi citada no último post, com o Executivo da Indústria, Paul Gilbert, Vice-Presidente Sênior de Formatos Internacionais da CBS Studios International. A entrevista foi dada para o site The TV Writers Vault:

PAUL GILBERT

The Television Writers Vault tem a honra de receber o Sr. Paul Gilbert, Vice-Presidente Sênior de Formatos Internacionais da CBS Studios International,  em nossa última entrevista pessoal na continuação da série de conversas com executivos-chave da indústria.

O Sr. Gilbert começou a sua carreira na Merv Griffin Productions, eventualmente produzindo programas de sucesso como “Jeopardy!” e “Wheel of Fortune”, antes de passar a trabalhar com companhias classe-A tais como Merrill Heatter Productions e King World Productions, onde ele liderou o Programa de Desenvolvimento Internacional para a gigante sindical. O seu trabalho em desenvolvimento de formato e distribuição continuou com a Sony, conforme desbravou o caminho para seus empreendimentos de risco no negócio de formatos, para, no final das contas, trabalhar como chefe de Desenvolvimento Internacional e Vendas.

Como Vice-Presidente Sênior da CBS Studios International, ele é responsável pelo desenvolvimento, produção e distribuição de alguns dos programas mais bem sucedidos da televisão, inclusive: “Wheel of Fortune”, “Jeopardy!”, “America’s Next Top Model”, “I Love Lucy”, “Hotel”, “Dinasty”, “Taxi”, “Family Ties”, “Numb3rs”, e outros programas controlados pela CBSSI que marcaram.

O Sr. Gilbert é um Membro Executivo do Television Writers Vault, e fez a gentileza de compartilhar as suas ideias com o fundador do TV Writers Vault, Scott Manville.


Game shows Antes da Invenção da Roda

Gameshows before the invention of the wheel

QUADRADO DA FORTUNA

Gire de novo, Ug.”

Scott Manville: Obrigado por separar um tempo na sua movimentada agenda para nós. Eu sei que muitos na indústria, incluindo os nossos Escritores e Produtores do TV Writers Vault, irão considerar de valor inestimável a sua perspectiva.

Paul Gilbert: O prazer é todo meu. O seu serviço é um recurso muito valioso para qualquer um envolvido com produção e programação.

Scott Manville: Muito obrigado. Estamos felizes de contribuir para o mercado e para a comunidade televisiva. A sua experiência e suas contribuições para a programação e para a indústria de televisão são altamente impressionantes. Você deve possuir aquela combinação única de ter tanto uma sensibilidade aguda de negócios quanto criativa, para ter lidado com tantos programas de sucesso. Você concorda?

Paul Gilbert: Por mais que eu queira concordar, tenho de admitir que, quando criança, eu assisti televisão além da conta… e até hoje quase nada mudou. Eu realmente tenho que arranjar uma vida.  

Scott Manville: Anos antes da explosão da TV de Realidade, você abriu caminho para a entrada da Sony no negócio de formatos de TV para, no final, acabar ficando à frente do desenvolvimento e da programação internacional deles. Você tinha alguma ideia da paixão pelo formato de realidade que viria a seguir, ou estava mais concentrado em formatos de jogos naquele momento?

Dragons Den “Você precisa de grana para a sua ideia de negócio?”

Paul Gilbert: Quando eu trabalhava na King World, fui convidado por Michael King a trabalhar com o então Presidente Internacional da King World, Fred Cohen, e tentar entender “esta coisa de formato”. Eu não estava familiarizado com tudo isso, mas com a paciência de Fred como professor, eu fui capaz de entender. No momento em que saí, eu tinha o ‘Wheel’ e o ‘Jeopardy’ formatados pelo mundo inteiro. Eu deixei a King World para entrar no negócio de formato da Sony e, na época, a minha ordem era explorar a biblioteca de game show deles. Uma vez que tínhamos o mundo coberto com os game shows da Sony, nós começamos a adquirir formatos de terceiros, que incluíam formatos de realidade. Um dos formatos de realidade mais bem sucedidos foi um programa da TV Nippon chamado “Dragons’ Den” que foi formatado em mais de 20 países. O formato finalmente encontrou seu caminho para a TV ABC, onde foi renomeado “Shark Tank”.

 shark_tank

Scott Manville: A programação baseada na realidade é uma coisa boa para a indústria? Eu sei que muitos dos altos escalões de Hollywood estavam preocupados que fossem lançados muitos programas que não seriam reprisados, e que não produziriam os programas de longa duração que os estúdios e as televisões sindicais precisam para ter segurança e longevidade. Você confia na TV de realidade a este respeito?

Paul Gilbert: Eu discordo… a TV a Cabo está tendo sucesso em reprisar seus reality shows.

Game show perigoso

“Oh, nossa… agora o concorrente nº 3 misteriosamente caiu morto, então eu suponho

que isto faça de você, Espectro da Morte, o vencedor do grande prêmio de hoje!” 

Scott Manville: Para onde você vê o futuro do conteúdo da TV de realidade se dirigir?

Paul Gilbert: Vai continuar a ficar mais forte, conforme os produtores tentam ultrapassar os limites, indo para níveis mais altos. Como espectador, eu odiaria vê-los ir longe demais.

Scott Manville: Na TV de Realidade há uma grande variedade de subgêneros: séries documentais, jogos/competições, séries eliminatórias, programas de transformação, séries de realização de desejos, programas de paquera, e incontáveis híbridos. Em sua experiência, que tipo de conteúdo ou de formatos contém maior potencial de se tornar uma franquia internacional?

1 contra 100

Paul Gilbert: Alguns do gêneros a que você se referiu são difíceis de formatar. Séries documentais são difíceis de formatar já que o distribuidor não tem nada a oferecer para licenciar que constituísse o programa como um formato. Programas de paqueras não foram formatados já que o sistema judiciário é diferente na maioria dos países. Em resumo: Todos os outros gêneros têm o potencial para se tornarem sucessos mundiais… [jogos, competições, séries eliminatórias, programas de transformação, séries de realização de desejos].

Scott Manville: Para os Executivos de Desenvolvimento [Companhias Produtoras] à procura de formatos, e transformando “ideias” de programas de TV em projetos tangíveis, em quais componentes-chaves eles deveriam focar em apresentar como parte de um pacote de projeto, de modo que não estejam apenas apresentando uma “ideia”.

Paul Gilbert: TAPE, TAPE, TAPE.

Scott Manville: Eu gostaria de tocar em formatos de game shows. No começo de sua carreira você produziu alguns dos game shows de maiores sucesso da televisão, tais como, “Wheel” e “Jeopardy!”. Como os game shows de sucesso gerados hoje (“Millionaire”, “Deal or No Deal”, “Are You Smarter Than A 5th Grader”) são diferentes daqueles criados antes da moda da TV de Realidade? Eles são diferentes?

 Millionaire

Paul Gilbert: Existem muitos fatores que diferenciam os shows de hoje… como os formatos de programa de 60 minutos de hoje versus os programas de 30 minutos de ontem. Eu lhe garanto que se Merv Griffin criasse o “Wheel” hoje, não haveria nenhuma chance de que ele pudesse vendê-lo. Eu tenho certeza disso. É um programa muito tradicional.

Scott Manville: O que faz um grande game show?

Paul Gilbert: É uma pergunta muito difícil de responder porque eu não acho que haja uma resposta correta. Anos atrás eu teria dito que um grande game show é aquele onde os espectadores podem jogar junto. Entretanto, se você pegar o “Deal or No Deal”, não há como jogarem junto em casa. Os Criadores/Produtores fizeram um excelente trabalho ao tornar aquele programa divertido.

deal_or_no_deal

Scott Manville: Em 2000, você ajudou a fundar a FRAPA (Format Recognition and Protection Association – Associação de Reconhecimento e Proteção ao Formato) cuja missão é referida como “garantir que os formatos televisivos sejam respeitados pela indústria, e protegidos por lei como propriedade intelectual”. Com vários programas sendo derivados uns dos outros, e frequentemente parecendo ser versões recicladas de formatos comprovados, que conselho você pode dar para os nossos escritores e criadores que estão trabalhando para entregar conceitos originais, mas temem o roubo de propriedade intelectual ou um conflito com o mercado de trabalho quando forem apresentá-los?

Paul Gilbert: Se isto ainda for possível, seja criativo e original, daí você não precisa se preocupar com a FRAPA batendo em sua porta.

show-do-milhao show do milhao

Scott Manville: Com o seu dedo no pulso das tendências de programação nos EUA, você acha que territórios estrangeiros tais como o Reino Unido ou a Austrália compartilham os mesmos gostos de entretenimento? Você vê áreas de programação onde eles são mais progressistas do que nós?

Paul Gilbert: Por vários anos o Reino Unido tem sido um viveiro de formatos de sucesso. Estamos todos à espera que eles criem o próximo grande programa como eles fizeram com o “Who Wants To Be a Millionaire?”, entre outros. Sempre me perguntam que tipo de programas são bem sucedidos ao redor do mundo. A minha resposta é sempre a mesma: Eles assistem aos mesmos programas que nós assistimos. Eu poderia vendar a minha esposa, levá-la para o exterior, registrá-la num hotel, ligar a TV sem o som, e ela teria não teria nenhuma ideia de onde ela está, já que hoje em dia todas as TVs parecem iguais.

 South Park Mega Millionaire

Scott Manville: Eu entendi que você cuida das vendas e da distribuição de uma incrível biblioteca de programas americanos para mercados estrangeiros. Você já procurou por formatos em outros países para exploração nos EUA, ou isto é deixado por conta de grupos de produção global como Endemol, ou Granada?

Paul Gilbert: O nosso grupo na CBS está sempre procurando formatos de terceiros para distribuir. Nós adquirimos dois formatos de game shows este ano. Um é um programa chamado “Catch 21” que está agora em seu terceiro ano de sucesso na GSN, e o outro foi um piloto que adquirimos chamado “Every Second Counts”, que vendemos para muitos territórios nos últimos dois meses. Para quem estiver lendo isto, como eu mencionei anteriormente, a melhor maneira de apresentar algo a nós e aos outros distribuidores, é nos trazendo um tape, tape, tape.

Scott Manville: Estando tão imerso na televisão como um negócio, você realmente ainda a aprecia como uma forma de entretenimento, ou é difícil deixar de olhar através do programa que você está assistindo, vendo somente a estratégia e as escolhas por trás de um projeto? Fazer parte da máquina mata a mágica?

Paul Gilbert: Para mim, de modo algum! Eu ainda amo assistir à TV e apreciar o que ela tem a oferecer. Eu apenas me pergunto algumas vezes como seria ler um livro.

studio1

Scott Manville: Que conselho você pode dar para o escritor e aspirante a criador de formatos começando nesta indústria?

Paul Gilbert: Seja um líder, e não um seguidor. Como Michael King costumava me dizer o tempo todo: “Nós temos de zig quando todo mundo está zagging.”

Scott Manville: Obrigado novamente, por nos conceder estas ótimas informações, Paul.

Paul Gilbert: Obrigado, Scott! Continuem com o bom trabalho.

i-survived-a-japanese-game-show-season-finale

Notícia tirada do site Resumo da Notícia:

“O game show ‘I Survived a Japanese’, da rede ABC, está tendo seu formato negociado com a Globo. Segundo informações da colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, a ideia da emissora é transformá-lo em quadro do Domingão do Faustão.
’I Survived’ acompanha dez participantes até o Japão, onde eles competem numa gincana local. O vencedor embolsa um prêmio de R$ 500 mil.”
(fonte: Natelinha)

Uma sugestão: Assistam ao filme Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show, 1994). Tem tudo a ver.

Outros filmes sobre game shows:

O Sobrevivente (Series 7: The Contenders, 2001)

O Sobrevivente (The Running Man, 1987)

Confissões de Uma Mente Perigosa (Confessions of a Dangerous Mind, 2002)

Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008)

O Olho Que Tudo Vê (My Little Eye, 2002)

Quem lembrar de outros filmes sobre game shows ou reality shows, manda pra gente!! 😀

Roda da Bufunfa

1994-08-27

“Uau! Echarpes longas realmente acrescentam um elemento excitante à este jogo!”

 00000008  Boa escrita hoje!!

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2 Comentários

  1. Adorei este post também, Valéria, continue assim!

    Comentário por januária — 26/04/2010 @ 14:23

    • 😀 😀 😀 😀 😀 😀 😀 😀

      Muito obrigada pela força, Januária!! 😀 😀 😀
      Um beijo grande,
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 27/04/2010 @ 08:31


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