Dicas de Roteiro

19/04/2010

Programas de Jogos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:12
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Conforme o prometido, hoje temos o texto sobre Game Shows do site The TV Writers Vault:

Realidade vende

“Caia na real! Na realidade, a realidade vende.”

Para os escritores que querem vender um game show, ou um programa de TV com a predominância de elementos de jogos como parte do formato, é importante primeiro considerar o seguinte:

Ontem e Hoje – Programas de jogos tem sido a base da televisão sindical por décadas. [N.T.: Ele se refere aos programas feitos por produtoras independentes, que os vendem para as redes de televisão. Nos EUA e em muitos países europeus há leis obrigando as redes de TV a comprarem a maior parte de sua programação das produtoras independentes. Aqui não há essa lei, e as próprias redes de TV produzem a maior parte de seu conteúdo.] “Jeopardy” e “Wheel of Fortune” ficaram em 1º e 2º lugares em relação a toda a TV sindical por muito tempo. O motivo? Simples: formatos estimulantes que os espectadores podem acompanhar jogando junto. Nos últimos anos nós vimos “Who Wants To Be a Millionaire?” trazer os game shows de volta para o horário nobre, e a “Reality TV” quebrar as barreiras de formato e conquistar a aceitação do espectador para formatos híbridos (combinados) de programação. Reality shows com elementos de jogos, game shows com elementos baseados na realidade, e assim por diante. Como isto beneficia o escritor/produtor? Isto permite livrar-nos do tradicional formato de “três pódios” dentro do estúdio, e usar uma variedade infinita de elementos para criar o que pode ser classificado como um game show.

três pódios de game show

A diferença entre “game” e “reality”: Com a sobreposição de elementos em ambos os gêneros, o criador pode encontrar dificuldade de decidir uma categoria definitiva de gênero para um programa criado. A melhor abordagem é levar em consideração o produtor ou o executivo de desenvolvimento, e a perspectiva da rede televisiva. Se o formato de um programa for episódico (que resolve-se em um episódio) e tiver concorrentes competindo uns contra os outros utilizando elementos de jogos, será um Game show. Se o formato for episódico ou ocorrer ao longo de um arco de história evolutiva que envolve elementos da vida real, é melhor categorizá-lo como um reality show, mesmo se ele envolver concorrentes competindo dentro do programa usando elementos de jogos. “Survivor” tem elementos de jogos, mas é um reality show. “Fear Factor” tem elementos baseados na realidade, mas é verdadeiramente um game show.

O que faz um grande Game Show? Os game shows de hoje são muito diferentes em formato dos de suas contrapartes da televisão primitiva, mas uma coisa ainda continua verdadeira – a tensão dramática. Um bom produtor sabe como criar momentos decisivos de tensão e drama dentro do formato de qualquer programa, e esta é a coisa mais importante para os game shows de hoje, especialmente num mercado que está voltado à procura de um novo sucesso de horário nobre. Esses momentos de drama sempre oscilam sobre a ESCOLHA que o concorrente deve fazer, e não em apenas obter a resposta certa.

1996-08-07

Eu chamo isto de “A Roda”

Em "Who Wants To Be a Millionaire?", a antecipação é criada com um grupo de concorrentes que entram numa competição de “dedo mais rápido” para ver quem sentará na ‘cadeira elétrica’ para tentar ganhar um milhão de dólares. Isto não acontece apenas no início do programa, mas várias vezes do começo ao fim. Cada concorrente que vai para a ‘cadeira elétrica’ enfrenta então uma escalada de questões cada vez mais difíceis, cada uma valendo uma maior quantidade de prêmios em dinheiro. Ao competidor é dada três “linhas seguras” de ajuda que ele pode usar a qualquer momento durante o jogo. Assim, as escolhas que ele enfrenta durante a crescente dificuldade das questões a caminho do milhão são: que ajuda ele ou ela usa, e quando; e se ele(a) tem confiança suficiente em sua resposta para arriscar quase todo o dinheiro que ganhou a fim de arrebatar o dinheiro ainda maior que é tentador. Então você também pode ver o fator “avareza” em jogo dentro do jogo.

Da perspectiva dos espectadores, não existe nada mais divertido do que saber a resposta que poderia lhe render meio milhão de dólares enquanto assiste o concorrente oscilar entre a resposta certa e a errada. O envolvimento do espectador evita que o canal seja virado.

2000-02-06

1. (-Ah, um game show! A oportunidade perfeita para se sentir superior…)

2. -Quem governou a Inglaterra de 1547-1553? / (-Ãhnn…) / -Edward VI…

3. –O Rio Volga deságua em qual corpo d’água? / (-Ãhnn…) / –No Mar Cáspio…

4. -Qual é a massa atômica do Telúrio? / (-Ãhnn…) / –127.60

5. –Qual Spice Girl foi a primeira a fazer carreira solo? / –GINGER! / –Ãhnn…

6. –Noz-Moscada? / (-Que completo idiota…)

Da perspectiva dos programadores da rede de TV, cada parte do programa é repleta de tensão dramática, e você também pode notar que praticamente todo momento de tensão dramática é interrompido por um intervalo comercial. Para um game show de horário nobre, isto significa grandes receitas de anúncios para a Rede de Televisão.

Criando além das barreiras – É impossível negar que alguma coisa não seja derivada de outras que tenhamos experimentado antes na vida, ou assistindo à TV. Se você quer ser um criador que quebra barreiras em qualquer formato televisivo, é importante fazer um esforço consciente de abandonar os instintos pré-programados que estão enraizados em nós por termos visto as dúzias e dúzias de programas ao longo de tantos anos que nos dizem: “É isto que é um game show”. Carimbe o seu próprio passaporte e diga a si mesmo: “Não, ISTO é que é um game show”. Deixe de lado as ideias tradicionais e invente novos modos de trazer jogos de entretenimento para o público. Estude o que está acontecendo agora, e procure por padrões ou avanços no apetite social. E quando for colocar a mão na massa, seja capaz de simplificar a ideia de modo que ela possa ser vendida numa apresentação de poucas frases, e, se for expandida, tenha elementos e um gancho que a tornem única.

Leia a nossa entrevista com o Executivo da CBS Studios International, Paul Gilbert, na qual ele aborda a situação atual e as tendências nos gameshows.

2009-05-01

“Quer comprar uma vogal?”

Para finalizar este assunto, amanhã eu postarei a entrevista citada acima. A seguir está o link de uma matéria sobre um game show da Rede Record: Game Show de Verão muda de nome e entra para a grade fixa da Record.

Na página 6 do Segundo Caderno do Jornal O Globo do dia 19/04/2010, na coluna da Patrícia Kogut, tem a seguinte nota:

Ponte-aérea Rio/Buenos Aires

• Pela terceira vez este ano, o “Domingão do Faustão” terá um quadro gravado nos estúdios da Endemol em Buenos Aires. Desta vez, trata-se de uma disputa entre famílias que acontece numa casa onde o mobiliário é gigantesco. O “Domingão” se tornou um grande comprador de formatos estrangeiros (da Endemol, Freemantle, Fox e outras).

• Mas o “Domingão” não é só um grande consumidor de formatos estrangeiros. A equipe de criação do programa é autora de quadros que a Globo incluiu em seu catálogo de vendas internacionais.

O Nome do Seu Show Aqui

game_show_presenter

Viu? Existe um rico terreno a ser explorado aí. Para quem gosta, vale muito a pena investir nisso!

Boa escrita de game shows para você, e boa sorte!! 😀

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5 Comentários

  1. Mais uma vez, parabéns Valéria!

    Você sempre vindo com suas traduções altamente instrutivas e gostosas de ler! Eu demoraria uns 4 a 5 sites pra encontrar tudo que você consegue reunir num único post de uma forma leve e esclarecedora. Esses textos até nas dúvidas que surgem no decorrer da leitura, se antecipam nas explicações. Aproveito para bancar a intrujona, de novo, e sugerir o tema, como é o mercado daqueles que trabalham como “ghost writers”, beijos, Januária! :]

    Comentário por januária — 26/04/2010 @ 14:18

    • Olá, Januária!! Que bom vê-la aqui de volta!! 😀

      Nossa, muito obrigada pelo seu apoio e sua força, você não tem ideia de como são valiosos para mim! Fico super feliz que você aprecie e aprove a minha escolha de textos, às vezes fico sem saber se estou fazendo a escolha certa, se estou pegando textos chatos e áridos, sem clareza e coisas do tipo. Por isso é muito bom ter esse feedback, assim eu posso continuar sem medo, sabe? Muito, muito obrigada mesmo!! =)

      Ah, gostei muito do tema de ghost writer! Fui pesquisar e acabei achando um site em português que explica bastante coisa, quer dar uma olhada? O endereço é: http://www.ghostwriter.com.br

      Mas vou continuar procurando, pra ver se tem mais coisas interessantes sobre o assunto! Nunca pensei que escrever abrangesse tantas e tantas possibilidades!! :mrgreen:

      Um super abraço, Januária, adorei muito a sua visita!! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 27/04/2010 @ 08:43

  2. Oi eu de novo!

    O campo da escrita tem várias possibilidades profissionais, é verdade, afinal o escritor trabalha com a comunicação, assim como o jornalista,o radialista, entre outros!… Nessa área do entretenimento, o escritor tem importância crucial, já que o diretor de um projeto artístico precisa da “receita de bolo” nas mãos para prepará-la, lógico que isso não é novidade nenhuma!… Mas pra gente que pretende um dia fazer parte desse meio, seriam chances aumentadas se sabermos explorar um campo de boas oportunidade, não muitas mas boas oportunidade!… Até breve Valéria, Januária!

    Comentário por januária — 27/04/2010 @ 22:14

  3. Oi, Januária!!

    Já me deu outra ideia para posts: novelas para rádio! Falou de radialismo aqui e sobre novela no outro post e acabei juntando os dois sem querer! Procurei e encontrei alguns textos sobre isso! Legal!! 😀

    Realmente o campo de oportunidades de um escritor é muito vasto, mas acho que a gente precisa se focar em algo que a gente goste mais, ou que tenha mais talento e vocação, senão acabamos nos perdendo nesse mar de possibilidades!! Mas não custa aprender sobre tudo, afinal, como vamos saber se gostamos se nem conhecemos as atividades disponíveis, né?

    Valeu mesmo, Januária! Um beijo grande,
    Valéria Olivetti

    Comentário por valeriaolivetti — 28/04/2010 @ 10:36

  4. É, confesso que tendo a atirar pra todos os lados sem pensar muito!… O lance é procurar investir naquilo que estamos mais familiarizados…:) mas sabermos dessas várias chances é importante, pois um roteirista não vive só de escrever roteiros para cinema! então, unir uma chance profissional à outra aumenta nossas chances em se tratando de oportunidades, sem falar que ajuda no aprimoramento, na qualidade dos textos!

    Comentário por januária — 28/04/2010 @ 21:51


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