Dicas de Roteiro

10/04/2010

POV: Um Aspirante A Roteirista No Mar Da Criatividade

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 16:40
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O artigo de hoje é de autoria de Scott Golub, para o site Scriptxray:

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Aprendi ao longo dos anos que a escrita, como a maioria das atividades de valor neste mundo, é um processo. Passei anos esperando e perdendo tempo, desejando que escrever não fosse bem assim, esperando sentar e descarregar todas as palavras do gênio dentro de minha cabeça rapidamente no papel e acabar com aquilo, mas, geralmente não funciona desse jeito. E o que quer que seja que os deuses vigiam do topo da “Montanha da Boa Escrita”, tudo foi decidido muito, muito tempo atrás para não torná-lo tão fácil para nós, escritores mortais. Eles decidiram fazer-nos trabalhar por nossa fama e fortuna, e deixar-nos passar tempo com nossas ideias e ofício. E hoje, 15 anos e alguns cabelos brancos depois, eu estou só agora aprendendo essa lição. Não existem atalhos.

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Eu também aprendi que, para mim, a criatividade parece vir em ciclos ou ondas. Se você alguma vez sentou-se na costa do oceano e assistiu as ondas crescerem, formarem cristas e quebrarem contra a praia, ou se você apenas já se sentou numa prancha de surfe ao largo do litoral e observou as ondas começarem a avolumar-se conforme rolavam para mais perto, então você sabe que as ondas, assim como a escrita e as ideias realmente boas, vêm em ciclos. Elas vêm em séries. Elas rolam, uma após a outra, e continuam vindo como se nunca fossem parar. E então elas param. Você olha para o oceano e ele está plano, como se nunca tivesse existido uma onda. E depois de pouco tempo, você começa a se perguntar se algum dia haverá alguma outra. E se você surfa, você senta e flutua, querendo saber o que aconteceu com todas as ondas maravilhosas que estavam lá agora há pouco. É o mesmo oceano? Alguma coisa quebrou? Existe uma máquina de ondas e ela simplesmente fez sua última onda do dia? Mas é o fim do dia, e esta não é a última onda que a máquina de ondas jamais fará. É apenas a natureza. E, assim como quando surfamos, se surfamos (e eu recomendo fortemente que todos façamos isto – ao diabo com os tubarões, – eles vão ter que se acostumar com isso), quando nós escrevemos, escrevemos no tempo da natureza, não no nosso. As ondas fluirão novamente, exatamente como sempre fizeram, – elas vêm em ciclos e em séries. E quando elas vêm, eu surfo, ou escrevo. E quando elas não vêm, então eu descanso, assim como o oceano descansa.

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E para mim, é assim que o maravilhoso mundo da escrita funciona. Os deuses imortais da Montanha da Escrita deram a todos nós o maravilhoso dom da imaginação e um mar maravilhoso de criatividade para flutuar e brincar, mas nós teremos de colocar nosso tempo e nosso trabalho em nosso ofício, assim como tudo o mais na natureza, um pouquinho de cada vez. E nós teremos de trabalhar em ciclos, e nos divertirmos quando as ondas estiverem lá para brincar, e descansar quando elas descansarem. Viva o surfe!

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Boas ondas pra você hoje! :mrgreen:

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7 Comentários

  1. Oi Valéria!…

    Sabe, eu leio seus posts, analiso eles, mas por não ter muito conhecimento técnico, prefiro não opinar e ficar na posição de leitora mesmo… Só que o post de hoje me chamou muita atenção para escrever sobre, porque o que esse cara define como ciclo, eu já identificava como “fases criativas”!… E vou confessar uma coisa, apesar de adorar escrever, o que me estimula a pôr uma idéia no papel mesmo, é se eu como telespectador, vou gostar daquela idéia, se vou chorar, rir daquilo, se vai prender a minha atenção, eu me uso como termômetro… E nem sempre tenho esses “estalos”, mas quando fico no meu período criativo, é como cachaça, ai funciona como um ciclo, são várias idéias brotando…

    O problema, é quando você se torna um profissional mesmo do ofício(de qualquer profissão), você acaba que se deparando com uma dita cuja chamada pressão. Pois é, quando você se compromete seriamente com aquilo, começa a ganhar dinheiro, a pressão (interna e/ou externa) compromete ou até estimula, claro, o seu desempenho… Tô falando, porque no meu último emprego, eu gostava do que fazia, era um emprego modesto, digno e eu gostava, mas a pressão externa principalmente, afetou meu desempenho ao ponto de eu ter de pedir demissão. Eu sei que saber lidar com pressão, é um desafio, mas a inspiração é a mola mestra e inspiração não é “tarefa repetitiva”, e ai a gente acaba que criando um grande dilema dentro da gente… Beijos, Januária!

    Comentário por januária — 16/04/2010 @ 00:41

    • Olá, Januária, que bom vê-la aqui de volta!!

      Em primeiro lugar, me perdoe o atraso na resposta, os últimos dois dias têm sido muito cheios, só agora tive tempo de voltar para o bloguinho!!

      Quanto ao aspecto técnico dos textos, para falar a verdade, até hoje eu estou aprendendo. Volta e meia eu me deparo com alguma coisa que não conhecia. Portanto, não se importe com isso. Pode comentar à vontade, perguntar à vontade, somos todos aprendizes aqui! Se eu não souber a resposta de alguma coisa, eu dou uma pesquisada nos meus alfarrábios :mrgreen: e tento responder da melhor forma possível! Na verdade eu não estou em melhor situação que ninguém! Mas não se sinta pressionada, comente quando tiver vontade de comentar, só estou dizendo que se quiser comentar sobre algo técnico, não se reprima, manda ver!! :mrgreen:

      Eu também já reparei nessas fases criativas. Tem hora que eu estou numa maré baixa terrível, parece que nunca mais terei uma ideia que valha, e fico olhando para a folha em branco numa deprê horrorosa. Aí, num belo dia, assim do nada, surgem um montão de ideias bacanas de uma vez só, e eu levo um tempão para colocá-las no papel, para desenvolvê-las. Elas acabam servindo de base para muitos e muitos dias de trabalho.

      Esse negócio é muito estranho, não é não? Às vezes eu me comparo com um radinho à pilha. Assim como o rádio, eu não sou, ou não me sinto, autora do que escrevo, do que transmito. Se eu fizer o meu trabalho bem feito, eu acredito que conseguirei ser o mais fiel possível à “mensagem” original, transmitindo os dados com fidelidade. Quando eu não estou bem, ou não faço bem a minha parte, a “mensagem” sai distorcida, e eu mesma sinto que está ruim, que não está como deveria ser. Aí eu preciso estudar mais, me esforçar mais, me empenhar mais em “fazer certo” para ficar satisfeita com aquilo. Não quero receber “A” e transmitir “B”. Meu sonho é ser um radinho de pilha valente, que faz sua parte bem feita. Mas ainda estou no processo de “afiar” a minha anteninha! 😀

      E também preciso aprender a lidar com a tal da pressão. Acredito que isso seja muito difícil para a maioria das pessoas. No mundo sempre houve pressão da sociedade sobre os indivíduos, mas parece que hoje em dia isso está cada vez pior, cada pessoa tem que corresponder às expectativas em muitos campos da existência: físico, moral, intelectual, monetário, social, familiar e por aí vai. É pressão demais! Mas o bom do trabalho artístico é sair da monotonia e fazer algo criativo e divertido! E é por isso que estamos todos aqui! 😀 Tomara que, quando nos tornarmos profissionais, nós não nos esqueçamos disso, para que no final das contas a pressão não leve a melhor sobre nós. 😦

      Um abraço super carinhoso, Januária! E uma ótima escrita para você, 💡 cheia de marés altas!! 😉 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 17/04/2010 @ 10:18

  2. mais uma vez você escreve coisas sábias, valéria… eu acho que acima de tudo, devemos ser honestos com nós mesmo, respeitando o nosso tempo, e no processo criativo, isso é muito importante. com certeza o nosso pior “juiz” é nós mesmo, mas nada que as derrapadas da vida para nos ensinar a sermos mais flexíveis e nem tão absolutistas assim, tô aprendendo a ser menos radical na vida e não ter tanta pressa, como dizia minha avó, “remediado, remediado está”, portanto, quando o “castelo” desmorona o jeito e juntar os cacos e seguir em frente!

    agora eu é que me desculpo pela demora em te responder, também fiquei sexta e ontem sem tempo de vir ao computador, mas não deixo mais o seu blog não, pode deixar, vou ser um pouco palpiteira também, rsrsrs!

    outra coisa valéria, estou com uma idéia de um quadro para programa de televisão de perguntas e respostas e gostaria de mostrar a esse “sbts” da vida, mas soube de um senhor que move uma ação na justiças, de anos, contra o “homem do baú” pelo uso da idéia sem repassar seus direitos autorais, aliás, o mundo da televisão, em se tratando de oportunidades e aproveitamento de idéias, e um caso à parte. já querendo ser incoveniente, o que você acha, vale a pena apresentar? e como registro essa idéia para não ter o risco de, mais uma vez, ver uma idéia minha roubada?

    Comentário por januária — 18/04/2010 @ 15:27

    • Olá, Januária!! Adoooooro palpiteiros!! :mrgreen: 😆

      Bom, a sua pergunta é bem diferente, e muito interessante, não havia pensado neste detalhe. Eu dei uma pesquisadinha, e descobri um post falando sobre como registrar a sua ideia para programas de TV nos Estados Unidos. Acho que é lá mesmo que você precisa registrar antes de tudo. Mas, quanto ao SBT… sei não. Mesmo com a ideia registrada eles podem roubá-la, ainda mais se você não tiver uma grana preta pra gastar com advogados. A própria Globo processou o SBT por causa da CASA DOS ARTISTAS, que foi lançada poucos meses antes do BIG BROTHER, e que tinha tido os seus direitos comprados pela Globo. Eles ficaram anos numa disputa judicial que não deu em nada, ou melhor, parece que a Globo perdeu. Se a própria Globo foi roubada e não conseguiu seus direitos, para pessoas físicas como nós, sem uma firma, sem grana preta, fica um tanto difícil engrenar uma ideia dessas e ganhar dinheiro com isso, a não ser que estejamos no ramo e conheçamos gente influente. Mesmo assim é capaz da gente ‘sifú’!! 😦 😕

      Talvez, se a sua ideia couber no estilo e na grade deles, valha até a pena mandar direto pra Globo! Nada vai impedi-los de roubar-lhe, mas me parece que eles são mais sérios quanto a direitos autorais. Eles até “caçam” atores sumidos que fizeram parte das novelas antigas que são vendidas para o exterior, para poderem pagar a porcentagem deles nos direitos autorais. A Globo pode estar fazendo isso para evitar futuros processos, mas mesmo assim é bem legal da parte dela, nem todo mundo age desse jeito.

      Por este motivo, esta semana eu vou traduzir esse post sobre como proteger as suas ideias para a indústria televisiva! Acho muito importante a gente ficar por dentro disso. Gostei muito da sua dica!!

      Um abração, Januária, e, por favor, continue sendo essa maravilhosa palpiteira!! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 18/04/2010 @ 17:58

  3. valéria, então eu meio que atirei no escuro, porque quando fiz essa pergunta a você, queria era uma orientação, nem imaginava que essa questão lhe renderia assunto, foi até bom… eu então vou pesquisar mais a respeito desse registro, ele pode ser feito naquela associação de roteiristas americanos que você mencionou no post do dia 01/02/10 se não me engano? de qualquer maneira, vou pesquisar!

    agora, quanto mostrar a minha idéia a globo… eu também não sei, olha, nesses 12 anos de peleja, tenho é coisa pra contar!… eu não mostraria a globo diretamente, porque eles tem milhares de projetos ali na mesa e não ficaria surpresa se algúm responsável alegasse que “não recebemos o seu trabalho, pois lidamos com milhares de projetos por dia” por mais experiente que ela seja… a record, nossa, aquilo ali é um verdadeiro caos, só quem trabalhe ali dentro sabe, não é criticar por criticar, não. onde trabalhava, tinha contato com maquiadores e camareiros que trabalham na record e dizem que, além da desumana “ralação” que são submetidos, a organização ali deixa a desejar, além de usarem critérios absurdos pra que seu projeto seja aceito como, tem que ser evangélico,isso soube com um colega do curso que fiz ano passado, enfim, mais cuidado ainda em se tratando de televisão… e uma coisa que descobri sozinha e você me confirmou agora, é com relação a esses processos de direitos autorais, são demorados e caros, nem todo mundo tem cacife pra encarar uma briga dessas… uma obra nossa é um bem precioso, não só emocionalmente, é um patrimônio que pertence a nós… mais uma vez muito obrigada valéria, a gente tem que ficar muito atento mesmo, beijos…

    Comentário por januária — 18/04/2010 @ 23:31

    • Oi, Januária!

      Você tem razão, se vender histórias de filmes e séries já é duro, nesse nicho é muito mais difícil de se entrar! Mas vou postar hoje um texto sobre os registros, e ainda essa semana um outro sobre programas televisivos de games. Espero que goste!

      Um abração e até logo! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 19/04/2010 @ 10:16

  4. já tô lendo todos eles!!!

    Comentário por januária — 21/04/2010 @ 21:03


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