Dicas de Roteiro

23/03/2010

Christopher Lambert

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:16
Tags: , ,

Aqui vai uma entrevista com o ator Christopher Lambert, retirada do site The Screenwriters Homepage, de Brad Mirman:

Christopher Lambert

Christopher Lambert e eu temos sido bons amigos já por muitos anos. Nós fizemos dois filmes juntos, Face a Face Com o Inimigo (Knight Moves, 1992) e Highlander III – O Feiticeiro (Highlander III – The Sorcerer, 1994). Recentemente, eu conversei com ele sobre suas opiniões em relação à escrita de roteiros a partir do ponto de vista de um ator.

Knight_Moves_(1992)

SCREENWRITERS HOMEPAGE: Como ator, quais qualidades você procura em um roteiro?

LAMBERT: A história. É a coisa mais importante. Sabe, já fiz bons filmes e filmes ruins, mas eu tenho notado cada vez mais (provavelmente porque, ou estou melhorando, ou estou crescendo) que o roteiro é a coisa mais importante. Por exemplo: no filme que eu acabei de fazer, Nirvana (Idem, 1997), a história é tão forte, tão boa, tão emocional, que me deu consciência de ter cometido alguns erros no passado ao escolher histórias que não eram certas para mim.

nirvana

SH: O que você procura num personagem?

LAMBERT: Fantasia. O fato de não ser um personagem da vida normal. Eu não preciso representar alguém normal, porque eu vivo isso todos os dias. Eu quero sonhar. Eu quero fugir da realidade da vida e entrar em personagens que me permitam sonhar.

SH: Foi isto o que lhe atraiu em Highlander?

LAMBERT: É, sobre Highlander… Eu procuro por personagens que sejam diferentes daqueles da vida real. Eles poderiam estar assaltando bancos… eu não farei isso na vida real, então isso me faz sonhar… não estou dizendo que atacar um banco me faria sonhar, mas me permite escapar para um outro lugar e entrar em contato com algo que eu não poderia fazer.

SH: Quantos roteiros são enviados para você ler por semana ou por mês?

LAMBERT: Depende. Eu acho que, como a maioria dos atores, você tem momentos em que recebe quinze roteiros por semana e outros em que pode receber um. Na maior parte do tempo o que acontece é que eu recebo um monte de roteiros, e, ou o meu agente, ou o meu empresário, ou o meu advogado me enviam eles se acharem que são certos para mim. A maioria deles é analisada e criticada antes de chegar a mim, e se eu ler a sinopse e ela não me emocionar, eu não leio o roteiro.

SH: Quando você lê um roteiro, quantas páginas você lerá antes de desistir dele?

LAMBERT: Em geral eu vou até mais ou menos a página 40, o que é aproximadamente a metade do roteiro. Se a esta altura você estiver se perguntando sobre que diabos é aquilo… é hora de seguir em frente para o próximo roteiro. Mesmo se as últimas cinquenta páginas forem ótimas, isto não salvará a história. Mas alguns roteiros, por exemplo, Nirvana… e eu não quero ficar falando e falando sobre Nirvana… mas quando eu o li, fui arrebatado na página 3. Eu me lembro de pensar: “Isto é interessante… é diferente. O que está acontecendo? O que vai acontecer?”. É como ler um bom livro. Se na página 3 de um livro você já estiver envolvido, você irá terminá-lo. Digo, é ótimo ler um bom roteiro onde você se envolve imediatamente, mas isto é raro.

Nirvana poster

SH: Por quais gêneros você se sente mais atraído?

LAMBERT: Eu amo filmes de fantasia e suspense. Por exemplo, eu amei Fogo Contra Fogo (Heat, 1995). Acho que faz muito tempo desde que alguém fez um bom filme de assalto à mão armada com gângsteres… e acho que eles foram gângsteres de muita classe. Em geral, se eu tivesse que escolher um gênero, seria fantasia.

heat

SH: Existe algum erro comum que você veja muitos escritores cometerem?

LAMBERT: Quando você tem um sucesso… quando você tem um filme que é lançado e faz um montão de dinheiro, então parece que logo surge uma onda de filmes semelhantes. Parece que todo mundo começa a copiar a fórmula. Isto, para mim, é um erro grande, bem grande. Você precisa de sua própria imaginação como escritor, porque de outro modo os leitores dirão: “Okey, isto é muito parecido com O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), eu já vi isto antes”. Sabe, se você for escrever algo baseado em outro filme… por exemplo, a Internet, por um tempo houve uma enxurrada de filmes baseados em Internet. A Rede (The Net, 1995) surgiu e todos os outros roteiros eram comparados a ele.

terminator_poster  The net

SH: Qual é o seu próximo projeto?

LAMBERT: Tem este projeto que eu estou querendo fazer há anos chamado Bear Wolf [N.T.: Acredito que este roteiro permaneça não-produzido] com o produtor de O Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2: Judgement Day, 1991) e Mortal Kombat (Idem, 1995). É uma ótima história sobre alienígenas malignos. Eu nunca li um roteiro como este. Sombrio, mas romântico. Altamente positivo. É uma batalha entre o bem e o mal. Cada um dos elementos por si só soam familiares, mas você põe todos juntos e tem algo muito diferente. Eu lembro de pensar, enquanto estava lendo-o, que nunca havia lido um roteiro como aquele. O que eu percebi… o que eu deveria ter percebido antes, mas não estava pronto como profissional, foi que quando assisti Greystoke – A Lenda de Tarzan (Greystoke – The Legend Of Tarzan, Lord Of The Apes, 1984), ou Highlander, ou Subway (Idem, 1985) pela primeira vez, eu não vi a qualidade real daqueles filmes. Eu não vi a emoção.

Greystokehighlander3 subway

SH: Existe alguma outra coisa que você procure além de personagem e história?

LAMBERT: Emoção. Se não tiver emoção num roteiro, você pode ter o melhor diretor, o melhor elenco etc… mas terá um filme sem emoção… porque tudo começa com o roteiro.

SH: Você acredita que não existem novas ideias, apenas modos diferentes de contar as mesmas histórias?

Uma Linda Mulher      Cinderella

LAMBERT: De certo modo, sim. Quero dizer, você vê os filmes e sempre pode encontrar algo que lhe lembre de outra história. Uma Linda Mulher (Pretty Woman, 1990) é Cinderela (Cinderella, 1950) adaptada para uma prostituta e um homem de negócios. Outro é O Príncipe Encantado (The Prince and The Showgirl, 1957), que vem de um conto de fadas escrito em 1750 ou algo assim. São todos filmes diferentes, mas compartilham temas comuns.

The Prince And The Showgirl

SH: o quão envolvido você está em desenvolver roteiros?

LAMBERT: Não muito. Este não é o meu trabalho, eu não sou um escritor. Eu posso trazer ideias para um roteiro após ele ter sido escrito. Eu posso dizer que, do meu ponto de vista, seria melhor se tal coisa fosse feita… e não apenas para o meu personagem… Eu gosto de trabalhar com a totalidade do filme, porque se o meu personagem for o único que for bom, você não tem uma boa história. A mente de um ator é diferente da mente de um escritor. Eu poderia ter uma ideia durante a filmagem que acrescentaria algo à cena, ou a impulsionaria para a próxima. Tudo pode começar com um bom roteiro… mas isto é apenas o começo de um bom filme. Todo mundo tem de fazer a sua parte para transmitir o que está no papel.

Teatro Máscaras

Por hoje é só. Amanhã acabaremos de traduzir este site (ufa!). Boa escrita! Até lá!

Anúncios

%d blogueiros gostam disto: