Dicas de Roteiro

31/03/2010

5 Modos de Superar o Bloqueio Criativo

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 02:51
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Este artigo foi tirado do site Ezine @rticles, e foi escrito por Sarah Beek:

Muitos mecanismos de combate aos bloqueios criativos são um desperdício de tempo. Você checa o seu e-mail, e então checa-o novamente, perde tempo em sites de mídias sociais ou obcecado com o seu web analytics. Por que nós fazemos isto? Pode ser útil chegar à raiz de seu bloqueio criativo para que você possa criar uma tática apropriada de combate a ele.

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Problema: Tédio

Tédio em relação a um projeto pode ser proveniente de superexposição, ou poderia significar que você está dirigindo-se para a direção errada num projeto ou numa ideia.

Solução: Escreva

Escreva a sua ideia de todos os ângulos possíveis e preencha folhas de papel com ela. Assegure-se de escrever qualquer coisa que esteja lhe incomodando, ou que esteja ficando em seu caminho. Escrever suas ideias ajuda a manter a sua mente livre.

Problema: Negatividade

A negatividade é um mau hábito, e se este é um dos seus, então você precisará reconhecê-lo e tratar dele. Mas crie coragem: admitir que você tem um problema já é metade da batalha ganha.

Solução: Música

Descubra alguma música de que você goste e ponha-a para tocar. Música pode ajudar a levantar o humor mais rápido do que praticamente qualquer outra coisa.

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Problema: Hábitos de Auto-Boicote

Hoje em dia existem tantas distrações para impedir o trabalho de ser feito que você só tem de escolher uma. Transtorno Obsessivo-Compulsivo de surfar na Internet? Junk food? Comprar online coisas de que você jamais precisaria?

Solução: Dê Um Passeio

Algumas das melhores ideias surgem quando você está em movimento e focando em algo além do fato de que você não consegue ter foco. Exercício faz o seu sangue circular e o seu coração bombear, e logo você estará pronto para trabalhar e produzir rapidamente aquela obra.

Problema: Preguiça

Escrever e executar uma ideia é um trabalho duro. Mas pode ser uma boa notícia (de um jeito estranho) descobrir que você não está bloqueado, apenas preguiçoso. Isto significa que você pode fazer algo a respeito!

preguiça

Solução: Pesquise

Esta pode ser complicada. A chave para esta solução funcionar é fazer pesquisa focada, não só aquele surfe aleatório na Internet que você chama de pesquisa. Se você achar inspiração em livrarias, ou no dicionário, procure lá.

Problema: Orgulho

Orgulho pode basicamente ser definido como deitar em seus louros. Se você já fez alguma realização significativa, pode ser fácil demais só se recostar e reler os elogios que você recebeu. Mas não recoste-se para gozar da glória se você não está nem perto de terminar!

Garfield

Solução: Vá Trabalhar

Se você está apenas procrastinando, então tem de se forçar a simplesmente parar. Inércia é quando um objeto em repouso permanece em repouso. Então mova-se, e experimente o outro lado, o lado mais produtivo da inércia!

inércia Boa escrita hoje! Ação!

30/03/2010

Os Erros Mais Comuns do Roteirista (3)

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:04
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Olá! Esta é a segunda parte do artigo de Darwin Mayflower para o site UGO Screenwriter’s Voice (hoje apenas UGO). O artigo chamava-se Os Top 11 Erros Mais Comuns Em Roteiros, pois já foi para o além, seja lá onde isso for. Ou melhor, ele acabou de voltar de lá, já que estou traduzindo-o e colocando-o de volta na rede. Oh, ele ressuscitou! Que lindo!! 3D Smiles (71)

Eis a continuação:

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6 – Não seja um escravo da estrutura de três atos

Uma vez, é sério, eu era jovem, talvez tivesse uns dezessete anos, e esse cara que tinha acabado de começar a escrever roteiros estava me contando tudo sobre a estrutura de seu roteiro, onde eram as mudanças de ato e como ele tinha afinado tudo com precisão. “Então, quantas páginas do seu roteiro você já escreveu?”, eu perguntei inocentemente, como os adolescentes de dezessete anos fazem. E ele disse: “Eu ainda não comecei a escrevê-lo.”

Isso serve para tudo, mas especialmente para isto: não se preocupe tanto! Você não precisa de uma estrutura três atos definida para ter um bom roteiro. Na maior parte do tempo, se a sua história funcionar, coisas deste tipo irão se resolver sozinhas. Estes são os tipos de coisas nas quais você não deveria estar pensando antes de escrever o seu roteiro. Apenas preocupe-se em escrever algo divertido e original.

O Pescador de Ilusões (The Fisher King, 1991) tem uma estrutura de três atos sólida? E o Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941)? E que tal 21 Gramas (21 Grams, 2003), Pulp Fiction – Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994), Embriagado de Amor (Punch-Drunk Love, 2002) ou Sob a Areia (Sous Le Sable/Under The Sand, 2000)?

Não escreva o seu roteiro como se ele estivesse saindo de uma linha de montagem. Isto pode chocar os mais jovens da platéia mas –  cubram os seus ouvidos! – isto é exatamente o que você deveria evitar. Por quê? Porque todo mundo está escrevendo o mesmo roteiro estúpido de três atos! Se você topar com uma regra em um livro de roteirismo, provavelmente é melhor quebrá-la. Passar pela árdua tarefa de ajustar a sua ideia em algo pré-embalado e contido é o oposto exato da liberdade que deve ter lhe atraído para a escrita em primeiro lugar.

5 – Seja original, e pegue leve com as homenagens

Seja original. É, eu sei, você está começando a ficar enjoado de escutar isso. Que pena. Qual é o motivo número um pelo qual ninguém quer ler roteiros de novatos? Porque todo mundo está escrevendo a mesma maldita porcaria de roteiro. Se você pôr de lado os suspenses policiais, os sobrenaturais noturnos arrepiantes, as comédias românticas sobre a galera na idade universitária, terá apenas um punhado de roteiros sobrando.

Se você tiver uma nova interpretação maravilhosamente inventiva de um suspense policial, deveria escrevê-la. Uma nova interpretação de um velho conto é tão boa quanto algo inteiramente novo. Mas o que você realmente precisa fazer é ser duro consigo mesmo. Pergunte-se se o que você está escrevendo é original, e tente responder honestamente. Se a resposta for de que é tipo Sete – Os Sete Crimes Capitais (Seven, 1995) com Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), descarte a ideia e trabalhe com mais afinco. Quando alguém tenta algo novo e falha, eu dou pontos a ele pela tentativa. Quando você lê algo que não passa de uma ideia roubada de outro filme, e ainda por cima a escrita é desprezível, você nunca mais irá querer ficar com aquela pessoa no mesmo recinto novamente. É como uma enxaqueca dupla rachando o centro de seu cérebro.

Talvez o subtítulo deste item deveria ter sido “Seja honesto consigo mesmo”, porque a maioria das pessoas não é.

Quanto às homenagens: ouça, eu sei que é divertido fazer referência ao trabalho daqueles que você gosta, mas a não ser que a homenagem esteja embutida como uma piada interna numa cena que já funcione, isso geralmente é uma auto-adulação. E quando a “homenagem” nada mais é do que uma cena ou ideia completamente pronta de outro filme, isto é chamado roubo. Não importa quão antigo ou quão obscuramente estrangeiro seja um filme, mantenha as suas mãos longe dele. Inspire os outros a lhe roubarem, ao invés de roubar os outros.

E na disputa maior, você não é Woody Allen, não é Joss Whedon, não é Charlie Kaufman (ou Shane Black, Daniel Waters, Quentin Tarantino, Scott Frank etc., etc.), então não tente ser. Você deveria querer que as pessoas tivessem apenas um modo de descrever você: com o seu próprio nome. Assim como você não quer escrever algo que possa ser reduzido a títulos de dois outros filmes Duro de Matar com Máquina Mortífera).

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4 – Não use diálogos para encher linguiça no lugar de uma narrativa ou de um desenvolvimento ruim de personagens

Quer fazer alguém dar uma boa gargalhada? Então, desleixadamente enfie uma descrição detalhada das deficiências psicológicas de alguém (por exemplo: “Ele nunca poderia ser amado!”) na boca de outros personagens. Confie em mim, isso irá arrancar umas boas risadas.

Isto é escrita malfeita e descuidada em sua pior forma. Se você não puder tornar compreensível o que estiver acontecendo – no enredo ou na cabeça de uma pessoa – e se reduzir a contar explicitamente para o público, irá rapidamente, inexoravelmente, descer pela descarga da privada da mediocridade.

Você nunca deveria usar outra pessoa, ou mesmo a própria pessoa, para revelar como ela está se sentindo – você precisa ser capaz de fazer isto através da atividade: através das ações dele, das comunicações com os outros, e pelo modo como nós vemos as coisas afetarem-no.

3 – Não aja com cautela e nunca faça o óbvio

De acordo com o passar dos anos, tendo lido mais e mais roteiros, eu acho que o que eu mais noto é que poucas pessoas se esforçam. Elas sempre fazem exatamente o que se espera delas. Os seus personagens seguem jornadas que são previsíveis. As risadas, as piadas, o drama, as explosões emocionais – tudo preordenado em sua monotonia. O que me deixa mais excitado com um roteiro é quando ele tem novas ideias. Atividades estranhas, excêntricas e exuberantemente anormais. O tipo de coisa que ao lê-la, eu sorrio e digo: “Eu nunca previ isso.” É isso o que eu quero: uma surpresa. Leve-me para algum lugar de modo que eu não tenha ideia de onde esteja indo, e esteja em suas mãos.

Agir com cautela é criar uma história feita para ultrajar e não levá-la adiante com algo honesto. Eu penso nisso como uma síndrome de A Última Ceia (Monster’s Ball, 2001). Fazer um personagem racista, ou lidar com o racismo de frente, não é simplesmente fazer alguém usar a palavra ‘preto’. Se você criou a coragem de escrever sobre algo tão carregado quanto o racismo, então escreva um roteiro que faça isso, ao invés de evitar comprometer-se dando respostas fáceis e linhas finamente desenhadas separando o bem do mal para tirar o público de uma situação difícil.

Esteja pronto para ofender as pessoas, chocar as pessoas, ir onde as pessoas não querem que você vá. Não comprometa a integridade da história só porque alguém talvez confunda os seus sentimentos pessoais com os dos seus personagens, ou porque o assunto é delicado. Se você seguir esse caminho (e deveria), você deverá estar prontamente batendo a sua testa contra a parede e ter o coração e a força para ver o assunto de todos os ângulos para poder desafiar o leitor.

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2 – Divirta-se

No final, é isso o que conta. Escrever deveria ser a maior diversão que você pudesse ter usando roupas. Deveria ser o seu melhor amigo, a sua esposa, a sua amante, a sua mãe, a sua vida. Deveria ser tudo o que você quer. Deveria ser o seu sonho favorito e o mais habitual.

Não – por favor, por favor, por favor, não – se preocupe com sinopses, em vender o seu roteiro, com o que está popular e com reescritas. A verdade é, você provavelmente nunca conseguirá que o roteiro seja feito. As chances estão contra você. É mais do que provável que você nem consiga que alguém o leia. Quando você se sentar e começar a digitar, é tudo sobre você – sobre escapar e criar o seu próprio mundo e formar estes personagens que você faz falar. Mesmo se você for sortudo o suficiente para levar o seu roteiro ao próximo estágio, a primeira versão é sua. Deixe-a seguir em frente rapidamente.

Outros podem discordar, mas eu sinto que se a escrita for uma luta, ela também será um desperdício.

1 -  Conheça os seus personagens

De longe o maior erro que eu vejo em roteiros são personagens que não têm nenhuma profundidade. Eles são superficiais, bonecos de papel sem importância criados somente para levar um enredo adiante. Estas criaturas frias como gelo não têm uma gota de sangue correndo em suas veias.

Como escritor, como criador, como o homem que pega um naco grande de argila e molda uma forma de vida, você tem de ser capaz de contar tudo sobre esta pessoa. Não apenas onde elas nasceram, onde cresceram, como eram os seus pais e a sua vida familiar, mas também quais são os seus sonhos, se elas realizaram esses sonhos, e o que elas querem do mundo. Qual é a motivação delas para continuar seguindo na vida? Você precisa ser capaz de dizer o que o seu personagem faria ou diria em qualquer situação.

É claro que a maioria dos escritores não se incomoda com estas questões, com estas descobertas divertidas, e isto acaba transparecendo na superficialidade do personagem e em seus diálogos inflexíveis. Se você sabe quem o seu personagem é (e isto não é difícil, já que é você quem está criando ele) o personagem irá falar com você. Ele lhe contará o que quer falar. Ele lhe deixará saber quando estiver fazendo um movimento em falso.

Para mim é incrível toda vez que eu leio um roteiro e o personagem principal é um borrão sem graça e sem rosto: sem passado, presente ou futuro. A única coisa para que ele serve é uma fala dita às pressas sobre algo em sua vida ou algum perigo/drama atual em que ele esteja. O que eu quero de um escritor é que ele seja capaz de me contar o momento mais embaraçoso de seu personagem. Quem ele levou para o baile de formatura. Quem ensinou-o a dirigir, quando ele sentiu-se como um adulto pela primeira vez, quem foi a sua primeira paixão, com que celebridade ele sonhava quando era um garoto, quem era o seu herói na época e quem é hoje. Eu quero que ele me conte o que moldou a vida deste cara e como isso está afetando a história que estou lendo agora.

Se você não souber quem são os seus personagens principais, o leitor certamente não saberá. Você deveria começar com o personagem. Se você fizer isso, as coisas irão se propagar a partir daí.

Bem, estes são os meus conselhos sobre o assunto. Sinta-se livre para ignorar a informação que acabou de ler. Como escritor, você precisa fazer o que lhe deixa feliz. Porém, se eu consegui evitar que alguém escrevesse outro roteiro hollywoodiano insípido, então eu ajudei tremendamente a sociedade.

— Darwin Mayflower

Braga Tepi -Andarilho

Acabou-se aqui. Um abração para todos, e boa escrita hoje!

29/03/2010

Os Erros Mais Comuns do Roteirista (2)

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:11
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Este artigo foi escrito por Darwin Mayflower para o site UGO Screenwriter’s Voice (que hoje em dia é apenas UGO). O nome do autor é um pseudônimo, e vem do personagem interpretado por Richard E. Grant no filme Hudson Hawk – O Falcão Está à Solta (Hudson Hawk, 1991). O artigo chama-se Os Top 11 Erros Mais Comuns Em Roteiros e, como é um tanto longo, eu o postarei em duas partes. Ah, e esse artigo também já saiu do ar, é outro que está renascendo das cinzas!

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Aviso importante: esta é a minha opinião pessoal. Se você vir aqui nesta lista qualquer coisa que contradiga algo que ache vantajoso, então imediatamente desconsidere-a. Exceto por uma categoria, todo o resto é subjetivo. Simplesmente não há nenhum modo “correto” de se escrever um roteiro. O que eu lhe apresento agora não é nada mais do que coisas que eu tenho visto, várias e várias vezes, nos mil ou mais roteiros que li no passar dos anos. E enquanto eu acho que isto aqui ofereça uma certa solidez empírica, você deve sempre ouvir a voz que é a mais importante: a sua própria.

11 – Três palavras: brevidade, brevidade, brevidade

Mantenha o seu texto num mínimo. Você quer ver a face de um leitor, empresário ou produtor empalidecer? Então dê a ele ou ela um roteiro com imensos blocos de texto. O estômago dele irá se contrair, o suor irá gotejar de sua testa e ele definitivamente irá encontrar algo melhor para fazer. Goste ou não, o seu roteiro não é nada mais do que uma lista de diálogos para o elenco decorar. Então não canalize o seu Fitzgerald interior para impressionar alguém com a sua prosa descritiva. É inútil. Guarde isto para o romance que você irá escrever algum dia.

Se um cara entra em uma sala, tudo o que você tem de dizer é que ele entra numa sala. Não me conte qual é a cor do papel de parede ou de qual época são as cadeiras. Lembre-se de que apenas os detalhes importantes deveriam ser incluídos nas descrições. Nunca fique contando cada pôster que está pendurado na parede ou o que está na caixa de CD de alguém. A melhor coisa que um roteirista pode ter é concisão. Diga muito dizendo pouco. Comunique tudo o que é preciso saber sobre alguém em uma frase perfeita.

Vida é equilíbrio, assim como a escrita de roteiros. Você não precisa refinar o seu texto até o minimalismo de Walter Hill. Use os seus músculos de prosa comedidamente, para que quando você usá-los, ela tenha um sentido. A apresentação de sua protagonista feminina é uma coisa importante para você? Então dê tudo o que você tem – conte-nos sobre cada curva dela – só não faça isto com todo mundo. Vá à loucura ao descrever o esconderijo colonial de seu personagem principal, mas limite os outros domicílios a “um apartamento”, “uma casa”, “uma espelunca”, “um lugar bacana” etc.

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10 – Faça pesquisa

Se você escreve um personagem com um emprego específico – seja um policial, um chef confeiteiro, um carpinteiro ou um taxista – assegure-se de ao menos fazer alguma pesquisa básica para descobrir o que o trabalho requer. Nada me deixa mais louco do que roteiros que apresentam personagens com certas profissões onde se torna claro que o escritor não tem ideia nenhuma do que se trata o ofício. Hoje em dia, com a internet, a pesquisa está mais fácil do que nunca. Digite algumas poucas palavras no Google e você achará, no mínimo, informações rudimentares sobre o seu assunto. Não é injusto um leitor questionar a competência e a dedicação de um escritor quando ele consegue notar falsidades óbvias na descrição de um trabalho. Recentemente eu li um roteiro onde o personagem principal era um fotógrafo de moda e estava claro, desde a primeira cena, que o escritor não sabia nada sobre esta vocação ou sobre o mundo que a cerca. Um dos piores casos foi “Os Detalhes Sangrentos”, um roteiro baseado no trabalho das equipes de limpeza de cenas de crime. O roteiro inteiro existia por causa deste trabalho, e o escritor nem se importou em descobrir o que o pessoal da limpeza de cenas de crime faz.

Outras vezes isto se torna constrangedor. Se você tem os seus policiais, ou advogados ou médicos fazendo coisas realmente tolas – um policial agindo como delegado de polícia, um advogado tentando levar o caso ao tribunal errado, um médico identificando erroneamente uma doença – o seu drama de repente se torna uma comédia.

Pesquisar é fácil. E pesquisar é divertido. Isso também lhe ajuda a aprofundar o seu personagem. Tornará mais fácil preencher o passado dele. E você descobrirá que pesquisar irá gerar ideias: você lerá sobre a experiência de alguém no emprego e isso abrirá possibilidades que você, com o seu conhecimento limitado, jamais teria pensado. Há níveis para isto, é claro. Se o trabalho estiver em segundo plano, eu suponho que não seja necessário ficar cego de tanto ler na biblioteca. Quanto mais importante a profissão for para a história, mais informado você deveria estar.

[N.T.: Uma boa página que ensina a pesquisar melhor na Internet é a da Secretaria da Educação. Vale a pena dar uma conferida.]

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9 – Escreva diálogos naturais

Escreva os diálogos do jeito que as pessoas falam. Que, no geral, é essa glória gaguejante e cheia de pausas da procura por palavras. Se alguma coisa excitante ou dramática acontecer, assegure-se de que ela apareça nos diálogos. Não tenha medo de fazê-los caóticos, fluidos e hesitantes. O que você precisa fazer é um tantinho de ato de mágica: o diálogo tem de parecer com algo que alguém poderia dizer, mas deve ser muito mais interessante do que qualquer coisa que uma pessoa normal fosse criar na pressa.

Se uma mulher está de pé na rua e alguém de repente atira no homem que está parado ao lado dela, eu tenho certeza de que quando ela falar sobre isto para a polícia mais tarde, ela soará mais ou menos assim: “Eu estava… Eu só estava parada ali, e então esse cara – esse homem – ele tinha uma arma e… e ele atirou nele! Eu fiquei tão aturdida! E ele nem mesmo olhou para mim. Ele s-só saiu andando!” Isto soa melhor do que, “Eu só estava parada ali e então este cara armado atirou nele! Eu fiquei tão aturdida! Ele nem olhou para mim. Ele só saiu andando!”

Escritores como David E. Kelley, David Mamet, Ron Bass e Shane Black – que escreveram todos diálogos fabulosos – levam isso um passo adiante e jogam a gramática pela janela quando escrevem diálogos. Esta é uma situação em que você não tem de se prender ao sentido mais exato das normas gramaticais.

Um ator pode muito bem jogar as suas pausas e o seu gaguejamento fora. Mas isto realmente ajuda o leitor a se perder no seu mundo, e torna mais fácil ouvir o diálogo exatamente como você pretendia que fosse ouvido. Veja do seguinte modo: se o seu personagem falar como um robô, ele se tornará um robô.

Note também, é claro, que só porque você joga um bocado de gagueiras e pausas em seu diálogo, isso não o torna natural. Você pode ter todos os gaguejos do mundo, mas isso não ajudará em nada se as falas forem rígidas. Você também deveria evitar fazer todo mundo falar com a sua linguagem. O melhor exercício que eu já vi para isto é criar uma situação – como assistir a um acidente na rodovia – e fazer cada um dos seus personagens falar sobre o que eles viram. Se todos os personagens fizerem as mesmas observações e falarem do mesmo jeito, você estará em apuros.

8 – Aprenda a escrever corretamente

Este é o único fato incontestável deste artigo. Você nunca deveria ter erros de ortografia em seu roteiro. Não é verdade que se você tiver um erro de digitação em seu roteiro um produtor ou agente irá jogá-lo na lata de lixo. Erros acontecem. Está tudo bem se o seu dedo escorregar no teclado e você escrever “dele” no lugar de “ele”. Mas se isto for constante e disseminado no roteiro todo, e se isto estiver por toda a parte nas primeiras páginas, o leitor irá perder o respeito por você. E então você se encontrará na posição de ter de reconquistá-los, que não é onde que você quer estar.

Com a correção ortográfica salvando a nossa pele hoje em dia, a maioria dos erros de ortografia aparecem em palavras como “its” e “whose”. Ou “let’s” e “due”. [N.T.: Não traduzi as palavras por desconhecer quais são os erros mais cometidos em português, mas dá para entender o que ele está tentando dizer.] Uma vez eu escrevi um artigo inteiro sobre isto e mais tarde eu o apaguei porque pensei que era pretensioso demais dizer às pessoas como escrever corretamente. O melhor modo de combater isto, com exceção de entregar o seu roteiro para alguém que seja um bom editor, é prestar atenção ao que você lê. Eu posso lhe garantir que cada revista, livro ou mesmo história em quadrinhos que existe neste instante tem pelo menos um uso para a palavra “its”. E ainda assim nove entre dez pessoas escrevem isso errado.

Eu só mencionei isso porque eu vejo o tempo todo. Constantemente. Isso se tornou um pouco assustador, para ser honesto com você.

Ortografia e gramática não irão lhe fazer ganhar ou perder nenhum prêmio, mas mantê-los fora de discussão é uma coisa muito boa.

korassaum di estudantiii

7 – Não se desculpe pelo comportamento de seus personagens

Está tudo bem escrever um canalha irredimível. Contanto que ele seja interessante. Você não tem de matá-lo no final, ou fazê-lo ver a luz, ou “salvá-lo”. Algumas vezes um filho-da-mãe deve permanecer um filho-da-mãe. Não caia na sedução dos “arcos do personagem”.

Muitas vezes os roteiristas criam um homem vil, pervertido, indecente – geralmente mordaz e mal-humorado –, e nos deixam ter toda a diversão do mundo com ele – até o final, quando ele tem de voltar ao seu comportamento anterior e admitir sua “culpa”.

Não há regras de como viver a sua vida (a não ser que você entre numa atividade criminosa, mas vamos simplificar). Então, quando escritores fazem um personagem que vive fora da norma se rebaixar e mudar no final, eles estão se desculpando pelo comportamento do personagem, dizendo que viver fora da norma é “errado”. Isso não apenas é contrário à realidade, mas é também entediante. Grosseirões são engraçados. Vadias são ainda melhores. E só porque alguém é desagradável isto não significa que ele tenha que se esforçar ao máximo para agir conforme as regras.

Deixe os seus personagens serem quem são. Sem desculpas. Não compre a ideia de que todo mundo precisa mudar a si mesmo para se encaixar em algum ideal. Porque algumas vezes, quando um escritor está fazendo alguma coisa diferente, onde ele começa é nesse ideal, só que distorcido e desvirtuado.

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Paramos por aqui. Amanhã teremos o final do artigo. Boa escrita para você hoje!

28/03/2010

O Que Fazer Com Um Argumento de Um Roteiro

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:13
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Oi, pessoal! Hoje teremos dois artigos em um. Ambos têm o mesmo título (igual ao do post) e foram tirados do mesmo site, Helium. O primeiro é de autoria de Paul Lines:

Porta canetas

Sempre que um roteiro, ou na verdade qualquer outro projeto de escrita, tenha sido completado, é de minha opinião ser uma boa ideia preparar um argumento para ele. Existe um número de razões para isto:

a) Companhias produtoras geralmente são muito ocupadas. Assim, eles talvez só tenham tempo de ler uma pequena parte de seu roteiro. Geralmente eles irão fazer isto para averiguar se você tem as habilidades necessárias para ser um roteirista bem-sucedido. Um argumento enviado junto com o roteiro irá dar à firma uma ideia melhor do projeto em si.

b) Muitas companhias insistirão em que você envie primeiro uma ideia básica do projeto, ao invés do manuscrito completo. Isto permitirá ver se ele se encaixa no gênero em que os negócios deles estão focados naquele momento. Isso reduz o tempo que precisam gastar na avaliação.

c) Se o argumento for preparado antes de você começar a escrever o projeto, ele irá servir como um guia e um lembrete de para onde a história está indo, o que é uma boa disciplina para o autor. Entretanto, lembre-se de que ela pode mudar ao longo do caminho.

Como você pode ver, muitas coisas podem ser feitas com um argumento de um roteiro.

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Apontador de lápis para crianças (e escritores) com tendências psicopatas

O artigo a seguir já é de autoria de Scott Manville. Este texto é na verdade uma propaganda de uma firma, um site, que cobra uma taxa para você publicar ali as suas ideias, argumentos ou roteiros, mas serve de exemplo para as pessoas que gostariam de saber como vender os seus argumentos para Hollywood. Não estou pessoalmente indicando esta firma para ninguém, até porque não a conheço. Só sei que existem dezenas de outras iguais a ela anunciando seus serviços por todo lado na internet, portanto aconselho aos interessados fazerem uma pesquisa aprofundada antes de contratá-la, verificando se os valores ($$$) cobrados são justos, e se a firma é idônea. Vamos a ele:

Eu trabalhei por 7 anos como o executivo de desenvolvimento principal de um dos maiores filmes de Hollywood. Eu posso lhe dizer por fato que ideias escritas apenas no formato de argumento são compradas e desenvolvidas todos os dias. Você não precisa ter um roteiro completo para arranjar um contrato para aquele grande conceito que você criou.

Escrever um argumento que seja bem desenvolvido e tenha um gancho original pode fazer muito por sua carreira. Um produtor pode fazer uma “opção” pelo seu conceito e então ir trabalhar, embrulhando-o para a venda para uma rede de televisão ou um estúdio. Parte do processo, mesmo a nível de estúdio, é vincular Escritores e Show Runners (Produtores) ao projeto para uma produção material real.

The Television Writers Vault [N.T.: Caixa-forte dos Escritores de Televisão] foi desenvolvido como uma fonte que é usada por companhias produtoras e redes de televisão à procura de novos conceitos e roteiros, de escritores novos ou estabelecidos. Um Escritor pode arquivar o seu argumento ou projeto para ser avaliado por companhias que estão sob um acordo de não-divulgação, e conseguir uma prova eletrônica efetiva da avaliação sempre que o projeto for analisado.

Projetos têm sido vendidos via TV Writers Vault, e centenas de Escritores estão fazendo novos contatos diretos com Produtores para os quais eles agora podem tentar vender diretamente, porque o seu material foi examinado no TV Writers Vault.

Um serviço inestimável para um negócio difícil. Construído por profissionais da indústria, usado por profissionais da indústria.

Conte o conceito e o argumento de sua história em The Television Writers Vault.

Smut 1

Smut 2

É isso por hoje. Espero que tenha sido elucidativo. Muitos afirmam que essas firmas são todas caça-níqueis, portanto é melhor tomar cuidado! Se existem pessoas que realmente vendem seus roteiros e ideias através delas, isso é um mistério para mim. É bom sempre desconfiar de todo e qualquer tipo de propaganda, e procurar saber, antes de tudo, como foi a experiência de outros que as experimentaram.

Boa escrita para você, boa sorte e até!

27/03/2010

Escola de Cinema Em 10 Minutos de Robert Rodriguez – Parte 3

Aqui vai a última parte do capítulo do livro Rebel Withou a Crew, de Robert Rodriguez:

Robert Rodriguez

Montando o Seu Filme

Geralmente, ao editar em vídeo você transfere o filme para uma fita digital, ou 1” , e então faz um dub [N.T.: Cópia de um meio eletrônico para outro. Pode ser um som ou uma imagem de vídeo. → Retirado do livro Direção de Cinema – Técnicas e Estética, de Michael Rabiger, Editora Campus; uma excelente fonte de informações para quem quer fazer seu próprio filme] para uma ¾” e faz uma edição off-line. [N.T.: Edição de vídeo manual, não computadorizada]. Mais tarde, você conforma [N.T.: corta o negativo, ou o original na versão final do longa] a fita de 1” usando os números SMPTE correspondentes impressos na fita de vídeo. Isso é ótimo se você for rico, caso contrário, você pode fazer algo como o que eu fiz em Mariachi, mesmo não sendo a melhor opção. Eu simplesmente montei off-line em ¾”, sem números. Eu fiz sem números porque nunca esperei conformar nada. Eu ia direto para o mercado de vídeo, vender a minha fita ¾” editada off-line como fita master [N.T.: fita de onde se originarão todas as demais cópias].

Direção de Cinema

Mas o que isto fará é lhe dar um copião barato de seu filme para mostrar por aí, onde talvez um distribuidor de filmes ou vídeos interessado possa comprar o seu filme e pagar pelos custos de finalização. Veja, isto é diferente do que as faculdades e os livros de cinema lhe ensinariam. Todos eles iriam lhe dizer para pegar os seus rolos de filme de 16mm, editar num copião (work print), conformá-lo, fazer as primeiras cópias (answer prints) e então arranjar exibições para distribuidores, ou mandar as primeiras cópias para festivais. O que não é uma má ideia se você for milionário. Para o resto de nós existem modos mais inteligentes e muito mais baratos de alcançar os mesmos resultados. Fazer uma primeira cópia a partir de um negativo conformado para o Mariachi teria me custado pelo menos outros 20.000 dólares. E o que teria acontecido? Eu teria mostrado ele para um estúdio ou distribuidor e eles teriam-no comprado e pago por uma ampliação para 35mm e mixagem de som estéreo a fim de que os cinemas pudessem exibi-lo. Esse é o trabalho deles. Então por que mostrar a eles uma cópia cara do filme quando você pode mostrar-lhes o filme copiado num vídeo barato? Eles ainda teriam de ampliá-lo para 35mm de qualquer jeito. Deixe-os arcar com os custos; é o trabalho deles fazer isso. Tire vantagem das novas tecnologias, e também repense e questione todos os velhos métodos. Existem maneiras melhores de fazer as coisas e você pode descobri-las.

Algumas pessoas dizem que cortar no próprio filme ao invés de no vídeo ou no computador dá ao cineasta uma relação muito mais íntima com ele por permitir a manipulação manual das imagens, ao invés de apertar botões eletrônicos para montar o seu filme. Se você gosta desta ideia, faça a si mesmo um favor e leve à noite algum filme para casa e afague-o o quanto quiser. Mas quando chegar a hora de montar o seu longa, use um vídeo ou um sistema computadorizado. Em minha opinião, cortar em filme é o modo mais lento e absurdo de se montar um longa. Montar numa droga de sistema de vídeo off-line é mais rápido e isso já é bem incômodo. Quando você está cortando o seu próprio filme, aquele pelo qual você tem vivido e respirado desde sempre, as ideias que você tem ao montá-lo vêm tão rápido que cortar em filme apenas atrasaria aquele impulso – a espera e o tempo consumido lhe matam criativamente. Me mata, de qualquer modo. Eu descobri que editar em vídeo é muito mais condizente com o modo que você pensa, e você pode cortar uma cena quase tão rápido quanto você a vê passando em sua cabeça.

El_mariachi

Eu não mencionei o som. Eu rodei o meu filme mudo, gravando todo o som na locação sem controle, e então sincronizando-o mais tarde à mão. Veja, eles nunca teriam lhe ensinado como fazer isto na faculdade de cinema porque é trabalhoso demais. Eles prefeririam lhe ensinar como fazer isso do modo correto. Que é o modo mais caro. A conclusão é que não existe um modo único de se fazer as coisas. Invente o que quer que funcione para você. Após terminar o Mariachi eu ouvi alguns jovens falando sobre um filme que eles estavam rodando com uma câmera sem som, e apesar deles não terem um Nagra [N.T.: Gravador de som direto mais utilizado no Brasil e no mundo inteiro e que, por ser equipado com motor de quartzo, opera na mesma velocidade da câmera (quando equipada com o mesmo tipo de motor), permitindo o sincronismo total na hora de gravar a imagem e o som → Retirado do livro O Filme Publicitário, de Leighton D. Gage e Cláudio Meyer, Ed. Atlas, 1991. Hoje em dia os mais usados são os gravadores digitais, que são muito mais fáceis de se trabalhar e onde não há perda de qualidade ao se fazer cópias], eles gravaram todo o som digitalmente usando uma câmera Hi-8. Ideia legal. O Hi-8 tem som digital. Eles podem transferi-lo mais tarde e ter um ótimo som. Outros que eu encontrei estavam gravando o som diretamente no disco rígido (HD) de seus computadores e editando-o digitalmente, usando programas de edição de som como o Protools [N.T.: Aqui no Brasil são muito usados o Cubase e o Sonar]. Elabore o seu próprio jeito.

Então por que a maioria dos filmes custa tanto? Um dos motivos principais é que eles levam tempo demais para rodá-los. Existe uma falta de tomada de decisão perante um filme. As pessoas levam cinco meses para rodar alguma coisa que vai durar cerca de uma hora e meia na tela. Na maior parte dos filmes eu não vejo por que alguém precisaria de mais do que catorze dias para rodá-los. Quando você está gastando no mínimo cinquenta mil dólares por dia, pensaria que um diretor consciente dos custos conseguiria o máximo que ele pudesse num dia.

Toda vez que alguém fala sobre rodar filmes, eles não falam a mesma coisa? Eles dizem: “É a espera… a espera.” Todo mundo espera. Eu estou lhe dizendo, esperar é ruim. A espera é sua inimiga. Esperar irá matar a sua criatividade, e irá matar a sua energia.

Então, como você filma rapidamente? Ensaie até que você ache que está bom, rode-o e então esqueça-o. Siga em frente. Tenha em mente que o seu filme será feito de muitas partes, e incutir um monte de detalhes e refilmagens dolorosas de cada pequenino instante é um desperdício de seu tempo e dinheiro. É o efeito geral que você está procurando. Acostume-se com a ideia de que você terá de viver com a primeira ou a segunda tomada, e fazê-la funcionar mais tarde na sala de edição. Se você planejou as suas tomadas cuidadosamente, descobrirá que terá tudo o que precisa quando chegar à fase de montagem. Novamente, siga os seus instintos. A melhor coisa de operar a sua própria câmera é que você sabe quando conseguiu a tomada. Ao olhar através das lentes enquanto a ação está acontecendo, você vê como o seu filme irá aparentar na tela. Você não consegue esta percepção com um monitor de vídeo ou qualquer outra coisa.

Chega de ensinar. Saia daí e faça um filme. Porque eu estou lhe dizendo, Hollywood está pronta para ser tomada. Existem tantas pessoas criativas aí fora se coçando para fazer alguma coisa, mas elas são negativas demais ao pensar que nunca chegarão a lugar algum, ou que o que desejam nunca irá acontecer. Eu sei tudo isso porque eu acreditei na mesma coisa por tempo demais. Então vá em frente com isso e me ligue quando tiver terminado. Você faz o filme e eu levo a pipoca. Até lá… tudo de bom.

Trabalhe duro e seja assustador.

Robert Rodriguez

El mariachi

Acaba aqui o capítulo. A seguir estão mais alguns links interessantes…

Aulas de culinária de Robert Rodriguez:

10 Minute Cooking School – Puerco Pibil

10 Minute Cooking School – Breakfast Tacos

Palestra em que Robert Rodriguez explica porque agora só usa High Definition (e nem liga mais para o fotômetro):

Film is dead – Parte 1

Film is dead – Parte 2

Paródias deste capítulo:

Robert Rodriguez Five Minute Film School

Robbie Rodriguez’s 1-1/2 Minute Film School

E mais o seguinte texto:

Cinco filmes que custaram menos de US$ 100 mil e viraram hits

Espero que tenham gostado. Boa escrita e boas energias para o seu filme. Até!

26/03/2010

Escola de Cinema Em 10 Minutos de Robert Rodriguez – Parte 2

Oi! Voltamos com a continuação do capítulo do livro Rebel Without a Crew, de Robert Rodriguez:

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Seja o seu próprio Diretor de Fotografia

Como você começa a rodar um filme? De quais equipamentos você precisa? Eu comecei com uma câmera de 16mm emprestada sobre a qual não sabia nada, mas em poucos minutos eu aprendi tudo o que precisava saber simplesmente fazendo algumas ligações para companhias que lidavam com apetrechos de câmeras usadas.

Escolha a sua arma, seja ela vídeo, 16mm, Super 16, 35mm, Super-8, Hi-8. Nenhuma é melhor do que a outra. Do que se trata o seu projeto e o que você espera alcançar são o que determinarão o que você vai utilizar. Você pode também depender do que está mais facilmente disponível para você. Eu falo com aspirantes a cineasta que desperdiçam tanto tempo perguntando às pessoas com que tipo de câmera ou formato eles deveriam rodar e blá-blá-blá. Pegue a câmera na qual você puder pôr as mãos mais rápido e comece a rodar com ela. Todo o resto irá se encaixar. De outro modo você nunca começará, e este é o passo mais importante para se alcançar qualquer coisa: O primeiro. Então dê esse passo e vá em frente.

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Três modelos diferentes de fotômetros Sekonic

Eu tinha o meu velho e confiável fotômetro Sekonic que havia comprado alguns anos atrás na loja de fotografia onde eu costumava trabalhar. Ele ainda estava em ótima forma. Então, para leituras de luz, tudo o que você faz é determinar a velocidade do seu filme no mostrador. Se estiver filmando em externas, você irá usar um filme para externas com uma ASA baixa, 64 talvez. [N.T.: “ASA = Iniciais de American Standard Association, um organismo americano para estabelecimentos de normas que estudou e, posteriormente, codificou a sensibilidade dos filmes. Os índices de exposição ASA são dispostos em progressão aritmética. Por exemplo: um filme de 100 ASA é duas vezes mais rápido do que um de 50 ASA e quatro vezes mais vagaroso do que um de 400 ASA” → Retirado do livro O Cinema Amador em 10 Lições, de Claude Tarnaud e Guy Fournié, Ed. Hachette, 1976. A sensibilidade do filme também pode chamar-se ISO = International Standards Organization. Os números são iguais, só muda o nome. Geralmente os dois aparecem na embalagem]. Então você marca 64, segura o fotômetro de frente para o rosto do seu ator, e mira o pequeno domo branco em direção à câmera. Agora aperte o botão do fotômetro e leia o número que ele lhe dá. Legal. Agora, rode aquele número nas lentes da íris de sua câmera e você terá o seu Número-f. [N.T.: “Número-f, ou F-stop = Ajuste de abertura. O número é a distância focal da objetiva dividida pelo diâmetro da abertura. Por esse motivo, os maiores Números-f representam os menores tamanhos de abertura.” → Retirado do livro O Novo Manual de Fotografia, de John Hedgecoe, Ed. Senac São Paulo – um excelente livro de fotografia para iniciantes e iniciados]. O que é um Número-f? Quem liga para o que seja um Número-f? Não se preocupe com o Número-f. Eu nunca me preocupei. Apenas faça o que o fotômetro lhe manda; o fotômetro é seu amigo. Apenas pegue aquele número mágico que o fotômetro assopra em seu ouvido e ajuste as lentes naquele número. Bingo! Você acabou de se tornar o seu próprio diretor de fotografia. Parabéns. Coloque o seu nome nos créditos como tal. Eu fiz isso. Se você superexpor um pouco o seu negativo, não se preocupe. Você terá um negativo mais denso, com os tons pretos mais vivos e as cores mais saturadas. Você está salvo.

Links para sites de fotografia com mais detalhes sobre Número-f e Abertura:

Número Guia

Abertura

photoflood photoflood1 Photoflood azul Photoflood reflector 

Exemplos de luminárias e lâmpadas photoflood

Falando em fotômetros, e quanto à iluminação de internas? Eu decidi iluminar todos os meus interiores com práticos bulbos de luz ou photofloods [N.T.: Lâmpadas de facho, para proporcionar iluminação ao fotografar], e usar um filme de velocidade mais alta. Estes são bulbos de luz de tamanhos normais, que se encaixam em bocais de lâmpadas normais, mas eles emitem luz a 3.200º Kelvin, então é registrada como luz branca. Isto dará ao seu filme uma sensação natural, granulada. Por um longo tempo, antes que o conceito de longa-metragem sem orçamento entrasse em prática, aspirantes a cineastas fariam filmes de curta-metragem ou simplesmente trailers para seus roteiros de modo a atrair atenção. Eles despejariam um monte de dinheiro nesses curtas e tentariam fazê-los parecer o máximo possível com um filme hollywoodiano de primeira linha, a fim de mostrar que eles poderiam ser competitivos. Esta não é uma boa ideia. Não importa o quanto eles tentassem, com os seus fundo limitados eles nunca poderiam fazer os seus filmes de demonstração tão bacanas quanto os de Hollywood. Eles iriam ficar parecendo imitações baratas. Então vá para o lado oposto. Por que tentar fazer um filme com aparência bacana quando você não tem nenhum dinheiro? Nem tente. Faça um filme que Hollywood jamais poderia fazer não importa quanto dinheiro eles tenham. Conte uma história que eles jamais arriscariam, ou faça um filme que vá direto na jugular de um jeito que eles nunca fariam porque eles são mainstream demais. Preencha o seu filme com ótimas ideias, que eles não podem igualar não importa quanto dinheiro eles tenham. Eles não podem fazer os seus filmes mais criativos com dinheiro. Apenas mais caros. A pessoa criativa com imaginação ilimitada e sem dinheiro nenhum pode, todas as vezes, fazer um filme melhor do que o magnata sem talento com o talão de cheques ilimitado. Tire vantagem de suas desvantagens, destaque os poucos recursos que você deve ter e trabalhe com mais afinco do que qualquer outra pessoa à sua volta. Quando dada uma oportunidade, entregue excelência, e nunca desista.

OK. De volta à filmagem de seu longa. Segure a câmera e olhe para o seu ator através de suas lentes. Não tem suporte para a câmera? Bom. Não há nada pior do que ter um suporte de câmera decente quando for rodar um filme de baixo orçamento. Porque um suporte de câmera decente não lhe levará a lugar nenhum. Um ótimo apoio de câmera provavelmente irá realizar milagres. Eu não sei, eu nunca usei um. Mas eu sei o que um suporte de câmera decente irá fazer por você: nada. Ele fará você querer prender a câmera, de modo que acabará com um filme de aparência formal que parece morto.

A resposta? Um suporte de câmera de bosta. O que eu tinha em Mariachi não era nem para câmeras de cinema. Era um tripé de câmera fotográfica, um daqueles fracos. Sem cabeça giratória, sem nada. Eu coloquei a minha câmera de cinema nele e ele mal aguentou. O meu quebrou no final das filmagens. Eu usei-o para os close-ups durante as cenas de diálogos. Todas as minhas cenas de diálogos foram rodadas com a câmera imóvel. Você não precisa de um tripé caro para isso. E já que o suporte era tão inútil para fazer panorâmicas ou tilts, isto na verdade me liberou para tirar a câmera do apoio e correr em volta com ela na mão, e filmar em estilo documentário. Isto deu ao filme mais energia.

Então ponha alguma energia em seu filme! Energia é boa, energia acrescenta valor de produção, faz o seu filme parecer mais caro. Você não acredita no número de pessoas, profissionais e não-profissionais, que me disseram o quão caro o meu filme aparentava só porque a câmera estava constantemente se movendo. É claro, eu estava movendo a câmera! Se eu tentasse ficar parado com a câmera e tentasse segurá-la firme com os meus braços, ela ainda iria se mover um pouco enquanto eu respirava. Então se ela vai se mover um pouco de qualquer modo, por que não mover muito? Faça de modo a parecer que você tinha um carrinho (dolly), um Steadicam, ou uma grua, alguma coisa cara.

two_cameras_dollies

Dois carrinhos dollies com câmeras num set de filmagens externo (e com guarda-chuvas!)

Steadicam1 Grua

Steadicam (à esquerda) e grua, ambos equipados com câmera

OK, então você está olhando para o seu ator através de sua câmera. Você não está preso a um suporte, então você está numa ótima posição para conseguir uma ótima tomada porque… o que você vê? Você é o público agora, olhando através das lentes para o ator. Este é o ângulo mais interessante de onde assistir este filme? Mova a câmera e veja como a cena aparenta agora se você se agachar e filmar de um ângulo mais baixo, olhando para cima em direção ao seu ator. Mova mais para perto, você realmente precisa ver a falta de design de produção (N.T.: Também conhecido como Direção de Arte) de sua locação? Mova para mais perto e preencha o quadro com um ator de aparência interessante. O humano interessante irá sempre superar o cenário desinteressante. Como está este ângulo? Está interessante mas não dispersivo demais? Bom. Lembrando novamente, este é apenas um modo de fazer isto. Questione tudo e encontre o que é melhor para você.

Agora, antes de filmar qualquer coisa, você realmente deveria assistir o seu filme na sua cabeça. Exiba-o na sua cabeça, assistindo-o enquanto imagina os atores e os ângulos que você escolheu. Imagine a cena. Veja quais cortes você faria se estivesse montando-o. Você ficaria com um ator o tempo todo, ou você iria cortar no meio da cena para alguma outra coisa? Assista ao filme na sua cabeça; então quando achar que viu algo interessante, pegue um pedaço de papel e faça a sua lista de tomadas. Liste cada tomada que você precisa fazer para a cena funcionar. Não exagere, apenas siga os seus instintos. Num tipo de filme de baixo orçamento, filmado no improviso, os seus instintos são tudo o que você tem, então comece a aprender a confiar neles. Confie nos seus instintos e no seu fotômetro. Eu não era esperto o suficiente para descobrir como fazer tudo o que eu precisava fazer em El Mariachi. Então eu não tive escolha a não ser confiar nos meus instintos, e eles me serviram bem.

Após você ter feito a sua lista de tomadas, leia-a do começo ao fim. Leia as tomadas que você escreveu e assista-as em sua cabeça, como se fosse um filme montado. Você está sentindo falta de quais tomadas? Assista novamente. Quais tomadas você vê no filme que está assistindo em sua cabeça que não estão escritas? Escreva-as. Mantenha essa lista de tomadas à mão porque com ela você pode se concentrar em uma tomada de cada vez. Tudo o que você tem de fazer agora é conseguir cada tomada e cortá-la da lista. Quando a sua lista estiver completamente riscada, você terá terminado. Parabéns.

Nota: Se parecer que eu estou supersimplificando até mesmo estes aspectos de cinematografia, eu não estou! Eu acho que é melhor não concentrar a sua energia em todos os detalhes chatos que não são tão importantes a esta altura de sua carreira. Eu estou lhe dizendo o que você precisa saber para se virar, para que você possa ficar livre para se concentrar no que é realmente importante: o ritmo, os personagens, a história. Ninguém jamais irá ligar para o fato do seu filme ter excelentes Números-f. A história é convincente? Os personagens são interessantes? Quando tudo estiver acabado, estas são as únicas coisas que realmente irão importar. E todo o resto será perdoado.

mariachi

Você deveria aprender todos os aspectos do processo de produção de um filme, não importa em qual área de cinema você pense em entrar. Se você fizer cada trabalho sozinho, terá uma percepção melhor do que realmente quer fazer. Mais tarde, se você estiver dirigindo um filme, saberá as necessidades do engenheiro de som, do operador de câmera etc., porque você já terá feito tudo aquilo antes.

Em um filme que eu estava rodando com uma equipe de cinema, nós estávamos constantemente conseguindo um determinado número de tomadas por um  dia de 12 horas de trabalho. Num dia nós conseguimos setenta e oito tomadas em um dia de 13 horas com uma única câmera. Bem, eu nunca poderia forçar a equipe a conseguir tantas tomadas sentando numa cadeira de diretor e latindo “Mais rápido, mais rápido!” para eles. Eles iriam me mandar cair fora. Mas o que eu fiz foi simplesmente pegar a câmera e começar a rodar a minha lista de tomadas, tão rapidamente quanto eu senti que poderia de modo a conseguir as tomadas corretamente. A minha equipe me viu com a câmera fazendo as tomadas e foram trabalhar bem ao meu lado. Se eu tivesse pedido a eles para fazerem sozinhos, eles teriam me chamado de louco, e partido. O fato de eu estar filmando tornou mais fácil arranjar cooperação e trabalhar em conjunto, porque eles sabiam que se eu podia fazer, eles também podiam. Então, sem qualquer reclamação nem ninguém caindo morto, nós fomos capazes de nos movermos rápido e arranjar tudo rapidamente. Os atores se divertiram muito porque eles estavam constantemente atuando, e nós filmamos tantas cenas naquele dia que eles nunca ficaram presos numa rotina repetindo as mesmas falas cinco tomadas. Eles realmente tiveram que passar correndo por suas cenas, mantendo uma energia e espontaneidade que eles nunca poderiam mostrar se o filme fosse rodado num ritmo mais lento por mais dias de filmagem. A energia teria sido destruída.

Por que quando você vê filmes num cinema hoje em dia eles parecem, na maior parte, grandiosos e sem vida? O motivo é que a energia foi destruída antes mesmo das câmeras rodarem. Ao se mover lentamente, você suga a energia e o ímpeto não só dos atores, mas do filme também. O filme irá durar apenas cerca de uma hora e meia de qualquer modo. Por que levar três meses para filmar algo que irá durar 90 minutos? Quanto mais rápido você se mover, menos o seu filme irá custar. E o ambiente de filmagem será mais condutor de criatividade e imaginação, sem mencionar o fato de que o seu filme terá um nível de energia que uma produção grande, gorda e lenta de Hollywood nunca poderia igualar, não importa quanto dinheiro eles gastem.

Então não pense que para fazer filmes você precisa fazê-los no estilo-Hollywood. O jeito deles é tão lento e caro que você se encontrará caindo no sono no set de filmagem e se esquecendo de dizer “ação”.

Com os avanços na tecnologia cinematográfica, você pode rodar o seu filme inteiramente com a luz disponível, com uns poucos objetos úteis. Foi isso o que eu usei em El Mariachi.

robertrodriguez

A seguir estão os links de mais alguns extras dos DVDs dos filmes do Robert Rodriguez:

15 Minute Flic School – Parte 1 [de Sin City – A Cidade do Pecado (Sin City, 2005)]

15 Minute Flic School – Parte 2

10 Minute Film School – Parte 1 [de Planeta Terror (Planet Terror, 2007)]

10 Minute Film School – Parte 2

E este vídeo a seguir nos leva para dentro do estúdio de Rodriguez. Nada mal para quem começou com El Mariachi, não?

Inside Troublemaker Studios – Parte 1 (legendado em espanhol)

Inside Troublemaker Studios – Parte 2

Por hoje é só. Amanhã teremos a terceira e última parte deste capítulo (que também é a mais curtinha).

Boa escrita (e inspiração para fazer seus filmes!) e até lá! positivo2

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