Dicas de Roteiro

17/02/2010

Abrindo portas com curtas – Parte 6

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:57

O artigo traduzido de hoje é de autoria anônima, escrito para o site BBC Writer’s Room, chamado Escrevendo Um Filme de Curta-Metragem:

Filmes Grandes Não Cabem Aqui

Um filme de curta-metragem pode ser um ótimo cartão de visita para o escritor — mas para que isto aconteça, você precisa fazer com que o roteiro de seu curta seja o mais perfeito possível.

Filmes de curta-metragem não são uma forma menor de narrativa cinemática — apesar do fato de você ter poucas probabilidades de fazer dinheiro com eles. A despeito das oportunidades de exibição nas redes de TV serem limitadas, os curtas são exibidos nos cinemas, ganham prêmios e funcionam como uma forma de apresentar talentos. Muitos dos melhores escritores e diretores começaram com curtas.

Um filme de curta-metragem pode ter qualquer duração entre 30 segundos e 30 minutos — e isto significa que eles podem fazer (e serem) coisas variadíssimas. Entretanto, se você quer colocar o seu curta em um festival, então limite-o a no máximo 10 minutos de duração. Lembre-se: você pode contar uma ótima história em meros 30 segundos. E as chances são de que, quanto maior o curta, mais caro será para produzi-lo.

A melhor coisa sobre curtas é que eles podem ser qualquer coisa — a única limitação, além do custo da produção, é a sua própria imaginação. Então não se limite — deixe a sua imaginação voar. Brinque com as suas idéias. Brinque com o formato. Cada curta pode e deve ser uma visão única.

Filmes significam contar histórias com imagens, que é o meio mais econômico de narrá-las — e ao fazer curtas, a economia é tudo. Lembre-se da regra de ouro do cinema: mostre, não conte. A ideia e a história podem ter um foco tão estreito que existam inteiramente na cabeça do espectador, portanto a lógica e o tempo podem ter um papel muito menor do que nos outros formatos, nesta jornada que vai do começo até o fim da história.

Os melhores filmes de curta-metragem são geralmente sobre um momento que é analisado, mas que tenha uma história em seu âmago — um conflito que precise ser resolvido, onde haja um prazo final para a ação, onde haja uma escolha que o personagem tenha de fazer. Você deveria sempre tentar contar uma história. Curta-metragens não são uma desculpa para quebrar todas as regras — mas eles são uma oportunidade de ultrapassar as fronteiras do que a narrativa cinemática é capaz de fazer.

Vale a pena pensar sobre:

  • A simplicidade, a clareza e a economia da narrativa.
  • A visão da obra, e as suas imagens visuais.
  • Tornar cada elemento pertinente.
  • Fazer a sua história coerente.

Vale a pena tomar cuidado com:

  • Mundos contraditórios e incoerentes.
  • Ideias que sejam muito presas a um conceito específico.
  • A falta de um mecanismo narrativo e de uma história.
  • A falta de personagens simpáticos.
  • A falta de foco e concisão.
  • Ações e repetições sem significado.
  • Diálogo descritivo.
  • Piadas longas com um clímax (geralmente) insatisfatório.


Pense sobre como o seu filme irá tocar o seu público — A sua história tem um apelo universal em potencial? O que o público irá saber, e quando ele ficará sabendo disso? O que eles irão ficar adivinhando? Que dúvidas eles terão que precisarão ser respondidas? E o que você pode mostrar sem ter de ficar dando explicações?

O impacto da página um é crucial — Estamos emocionalmente envolvidos? Qual é a visão e o mundo do filme? Ele é original? Nós entramos na pele dos personagens? O mundo e a história do filme têm integridade e auntenticidade? O último momento também é crucial — é fácil sair sem sentir nada demais em relação a um curta, então trabalhe para ter um final satisfatório e significativo.

Tenha cuidado com clichês, porque há muitos deles em curtas (matador de aluguel, assalto a agências dos correios, pessoas vendo a própria morte, crianças representando a inocência, relacionamentos disfuncionais abusivos, filmes sobre escrever ou fazer filmes, piadas específicas, entendidas apenas por um limitado grupo de pessoas; e ficar concentrado olhando demais para o próprio umbigo, ou analisar um assunto com demasiada profundidade). Escreva sobre o que você conhece e sente com paixão, ao invés de algo de segunda mão e tirado de outros filmes a que você tenha assistido. Use este formato para fazer algo novo, original e inesperado — você não tem a oportunidade de fazer isto com frequência em sua carreira de escritor.

Pense sobre praticidade ao escrever o seu roteiro, para que ele possa ser filmado com um orçamento baixo ou limitado — nunca há dinheiro suficiente à disposição para se gastar fazendo curtas. Lembre-se de que a tecnologia digital está abrindo as possibilidades dos cineastas em relação ao que podem fazer e o que são capazes de pagar. Mas lembre-se também de que um curta de baixo orçamento não precisa parecer barato — a não ser, é claro, que você queira isso.

Uma armadilha em potencial para os escritores pode ser dirigir os seus próprios roteiros — Muitos dos cineastas mais talentosos escrevem as suas próprias histórias. Mas tenha cuidado ao dirigir o seu próprio trabalho porque você pode querer ter ‘controle’ sobre o projeto. A colaboração criativa pode ser uma experiência imensamente recompensadora — e se você não for um cineasta por natureza, há uma chance de que você arruine a sua escrita com um direção inexperiente. Vá a festivais de cinema, conheça cineastas — encontre pessoas com quem você possa colaborar.

Preste atenção na apresentação do seu roteiro — Não é difícil fazê-lo fácil de ler, e sempre vale o esforço de reescrevê-lo e editá-lo para fazer a sua história brilhar. Não há desculpas para o seu roteiro não ser tão perfeito quanto possível.

——→ Escrever é reescrever. (Paul Abbott)

Assista a tantos filmes de curta-metragem quanto puder — Nada substitui o conhecimento dos trabalhos que já estão por aí, e a consciência do que você, como espectador (e como escritor), pensa e sente sobre eles.

Por hoje é só! Uma boa escrita para você hoje (Ah, sim, acabou a farra, agora é hora de voltar à labuta diária!), e até amanhã!

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2 Comentários

  1. adorei o blog, quero ler tudo!

    Comentário por Andrea Yagui — 18/02/2010 @ 18:55

  2. Olá, Andrea, seja benvinda!

    Fico super feliz que você tenha gostado, e agradeço muito pelo comentário!

    Volte sempre e fique à vontade para bater papo quando quiser!

    Um grande abraço,
    Valéria Olivetti

    P.S.: O seu blog é muito bacana, também quero ler tudo!

    Comentário por valeriaolivetti — 19/02/2010 @ 08:40


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