Dicas de Roteiro

29/01/2010

Não seja o melhor: Faça o seu melhor

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 06:48

Herman Melville e sua Moby Dick

Resenha do livro Moby Dick, de Herman Melville, da editora Nova Cultural:

“A descrição feita por Herman Melville (1819-1891), em 1851, da caça à baleia-branca é uma alegoria da luta do homem contra as forças da natureza, avassaladoras e destruidoras, que, no entanto, se encontram presentes dentro do próprio homem. Nem a obra nem o autor foram compreendidos à época, o que fez de Moby Dick um fracasso. O tempo se encarregaria de fazer justiça: Moby Dick é considerado por muitos, hoje, o maior romance já escrito nos Estados Unidos.”

Edgar Allan Poe e o seu Histórias Extraordinárias

Trecho do divertido livro A Vida Secreta dos Grandes Autores, de Robert Schnakenberg, Ediouro:

“Atualmente pode-se encontrar o rosto de Edgar Allan Poe (1809-1849) reproduzido em tudo, desde paredes de livrarias até garrafas de cerveja. Mas nem sempre foi assim. O mais famoso produto de exportação literário dos Estados Unidos morreu na miséria e amplamente antipatizado em seu próprio país. Coube aos franceses (que insistem em se referir a ele como “Edgar Poe”, por razões desconhecidas) ressuscitar a sua reputação e elevá-lo ao status de ícone que ele desfruta hoje em dia. Edgar Allan Poe foi o pai da ficção macabra, um escritor cujas histórias sinistras e poemas pertubadores pavimentaram o caminho para H. P. Lovecraft e Stephen King. Ele também tinha medo do escuro. “Acredito que os demônios se aproveitam da noite para enganar os incautos”, ele certa vez confessou a um amigo. “Embora, é claro”, apressou-se em acrescentar, “eu não acredite neles.””

Nota: Foi Baudelaire quem publicou na França, em 1849, ano da morte de Poe, o livro Contos do Grotesco e do Arabesco, que lá (e aqui) ficou com o título de Histórias Extraordinárias. Este livro contém alguns dos contos mais famosos de Poe (e que inspiraram muitos filmes).

Eu acho que é natural a ambição de qualquer profissional, de qualquer área, querer ser o melhor no que faz. Isto inclui os roteiristas, é claro. Querer ser o melhor é um desejo genuíno, mas também pode lhe causar uma úlcera. Porque ser o melhor está além do alcance de qualquer pessoa. Nenhum ser humano tem controle sobre isto. Por outro lado, nós podemos, e devemos, fazer o nosso melhor. Muitos artistas morreram na miséria e sem reconhecimento nenhum. Alguns só tiveram seu trabalho reconhecido após a morte, mesmo assim apenas aqueles que puderam registrar (e ter conservada) a sua arte, como escritores, compositores, pintores e escultores. Atores e músicos talentosos, antes do advento do cinema e das gravações sonoras, não puderam deixar as suas obras para a posteridade.

No topo?!

Todos sabem que Van Gogh vendeu apenas um quadro na vida, e mesmo assim para o seu irmão. Hoje suas obras são as mais caras da história, e não se compra uma das mais baratinhas por menos de algumas dezenas de milhões de dólares. Vários artistas estavam muito além de seu tempo e não puderam desfrutar do suor de seu trabalho quando vivos. Isso não significa que eles não fossem talentosos e geniais, apenas estavam no lugar errado, na época errada. Mas suas sementes permaneceram e germinaram, inspirando muitos outros que passaram a admirar suas obras.

Eu não quero dizer com isto que devamos ralar até os 105 anos de idade, na maior miséria, e ficarmos felizes por conseguirmos a fama 5 minutos após a nossa morte. Se este for nosso destino, estará além de nosso alcance mudá-lo. Por isso mesmo devemos nos concentrar no que podemos fazer, no que podemos mudar. Caso estejamos na profissão que amamos, ralar para vivê-la, para realizá-la, mesmo que aparentemente tudo esteja contra nós,  não será um fardo tão pesado quanto parece, pois nosso espírito estará tranquilo por fazer o que quer, da maneira que acredita ser a mais acertada. Tem muito escritor famoso que começou escrevendo durante as horas da madrugada, dormindo umas 5 horas por dia, trabalhando o dia inteiro num emprego maçante para poder pagar as contas, e só depois de muitos anos conseguir viver de sua arte. Eles precisavam fazer isso porque seu espírito exigia se expressar. Dormir 8 ou 9 horas por dia não era o que os realizaria e deixaria felizes. Quando damos o melhor de nós mesmos, mais cedo ou mais tarde somos recompensados, e, mesmo que a fama e o reconhecimento ocorram apenas após a nossa morte, o importante é que tentamos.

Dando o melhor de si

Você pode até continuar querendo ser o melhor, mas  lutar dia a dia, hora a hora para fazer “apenas” o seu melhor lhe dará muito mais satisfação e tranquilidade na vida. Mesmo que não tenha o reconhecimento que acha que merece, ao fazer o melhor possível, você poderá colocar a cabeça no travesseiro todas as noites e dormir o sono dos justos. E se, em comparação com todos os roteiristas do mundo, você ficasse em último lugar, ao saber que fez o melhor que pôde, você teria uma paz interior que nenhum dinheiro poderia comprar.

Tô tranquilão…!

A competição não está fora de nós, mas dentro. Deveríamos competir apenas com nós mesmos. Deste modo, mesmo que cheguemos ao topo do mundo, ainda teremos motivação para seguirmos em frente e melhorarmos todos os dias, porque nosso maior competidor ainda estará na luta e com muito a aprender. Nossa evolução é eterna. E isso é que é divertido!

Um abração, boa escrita, muita paz de espírito, e até amanhã!

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