Dicas de Roteiro

20/01/2010

Resoluções do Roteirista Para 2010 – Parte 1

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 07:34

Eu sei que este post está meio atrasado, mas como todos sabemos que para os brasileiros o ano só começa mesmo após o Carnaval, o tema de hoje ainda continua válido. O texto abaixo é uma tradução livre/adaptação de um texto de Lucy V. Hay, roteirista britânica.

Bom, como pedimos para todos os santos que 2010 seja o melhor ano para nossa escrita, podemos dar uma ajudinha a eles fazendo também a nossa parte. Aqui vão 5 dicas do que NÃO fazer ao escrever um roteiro neste ano:

5- Não-Linearidade. Por favor, por favor, pare de escrever seus roteiros de baixo para cima, de lado, ao contrário, do fim para o começo: as chances são de que sua história irá ficar desconjuntada, confusa e, no final, malucona. Tantos roteiros feitos ultimamente pensam que estão oferecendo uma “perspectiva única” à história ao não empregar a ordem tradicional de começo, meio e fim. Pense na HISTÓRIA, não em ESTILO. Se a não-linearidade é o melhor para a sua história, então vá em frente, faça isso. Contanto que você realmente saiba o que está fazendo. Mas em 9/10 dos casos ela não é necessária. MESMO.

4- Clichês. Há muitos clichês que aparecem várias e várias vezes nos roteiros que eu leio, independentemente do gênero, história ou o que quer que seja. Três aparecem com surpreendente regularidade e o primeiro é o garoto que está com um iPod e, portanto, não ouve alguém no andar de cima/um monstrengão/ou algum grande alvoroço. O segundo: o homem que surpreende uma mulher, que acaba gritando a plenos pulmões, atraindo a atenção da polícia/ou de passantes que acham que ele tentou atacá-la (quando ele não fez nada). O terceiro? O ESTRANHO SOMBRIO NO TOPO DA COLINA observando a casa em um roteiro estilo thriller sobrenatural, horror ou assustador, onde um casal vai passar as férias em alguma *locação esquisita* porque O FILHO DELES ESTÁ MORTO. Menos frequentemente, mas ainda valendo estar nesta lista, é alguém que está bebendo, ouve alguma coisa surpreendente e então COSPE O LÍQUIDO NUM JORRO SOBRE TODO MUNDO, o que geralmente está no mesmo nível do personagem que ao “ter uma idéia” bate com a palma da mão na testa: “Eureca!”. Por favor, por favor, por favor, parem! OK, valeu, tchau.

3- Dr. Who/Torchwood/qualquer outro programa de TV de Ficção Científica de grande orçamento. Eu amo o fato dos roteiros de TV hoje em dia estarem quase tão em voga quanto os de cinema, mas eu gostaria de ver mais roteiros de episódios-pilotos que não fossem de Ficção Científica E de grande orçamento. Isto não é porque eu não seja uma entusiasta do gênero – eu li alguns excelentes episódios-pilotos deste tipo, na verdade – mas porque a variedade é o tempero da vida. No último ano, para cada 5 pilotos de FC, eu peguei um drama de época; a cada 3 dramas de época, eu peguei um programa policial; de vez em quando eu conseguia ler um programa médico. É MAIS OU MENOS ISTO. Há mais na TV do que estas três/quatro coisas: mostrem aos leitores o que vocês podem fazer, escritores! Mesmo uma “ficção científica urbana” de pequena escala e baixo orçamento seria uma boa mudança de ares. Há mais na vida do que viagem no tempo, monstros, vórtices gigantes, alienígenas e pessoas/animais/insetos modificados geneticamente.

2-Diálogos ao estilo Joss Whedon. Sim, sim: Joss é Deus, mesmo *eu* não consigo argumentar contra isto. Mas por que você não escreve o *seu* tipo de diálogo, ao invés do dele? O que funciona para as histórias dele nem sempre funcionará para as suas.

1- Personagens femininos que na verdade são homens com seus nomes/medidas mudadas. Nós frequentemente ouvimos que igualdade é “mulheres sendo capazes de fazer o que o homens fazem”: isto é uma tolice total. Homens e mulheres são DIFERENTES: eles têm visões de mundo diferentes, portanto diferentes reações aos conflitos em suas vidas. Mesmo assim, o tempo todo em roteiros, as personagens femininas – mesmo aquelas que não arrebentam com todo mundo – têm reações masculinas aos problemas com que são confrontadas durante a narrativa, seja porque o escritor é um homem ou porque a escritora comprou um ideal de que as mulheres deveriam, de algum modo, ser *iguais* aos homens. Quando componho as reações das personagens femininas a certas situações no roteiro, eu sempre penso que vale mais considerar o CONTRASTE entre homens e mulheres e a probabilidade do que eles *poderiam ou não* fazer. Por exemplo, se você está escrevendo sobre o fim do relacionamento de dois personagens no seu roteiro, considere como os homens e as mulheres lidam com uma separação: é a mesma coisa… ou é diferente? Mesmo quando os homens e mulheres reagem *igual* – ou seja, ficam ensandecidos porque não conseguem lidar com a separação – isto é realmente igual? Qual a diferença entre uma mulher tipo ATRAÇÃO FATAL e um Perseguidor Tarado? Quem é quem? O que eles poderiam fazer, dependendo do gênero, habilidades, força e visão de mundo de cada um?

Amanhã falaremos sobre o que FAZER neste ano! Boa escrita para você e até lá!

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2 Comentários

  1. Lindo site!! Parabéns!!!

    Comentário por g23info — 10/12/2010 @ 14:39

    • Muito obrigada! Isso me deixa muito feliz! 😀
      Um abração,
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 10/12/2010 @ 16:16


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