Dicas de Roteiro

08/01/2010

Fortalecendo Os Pontos Fracos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:26

Se você acha que ainda não é um roteirista completo, não precisa entrar em desespero. Existem modos de se remediar esta situação. A seguir estão algumas sugestões para se fortalecer em cada área específica de um roteiro. Tudo aqui é uma questão de se familiarizar com os elementos que compõem os bons diálogos, os bons enredos etc. Estas são as táticas que funcionaram para mim, se você tiver alguma outra ideia, sinta-se à vontade para sugeri-la. Quanto mais opções tivermos, melhor.

DIÁLOGO – Para escrever bons diálogos é recomendável ler romances (livros de ficção), desde os clássicos até os atuais. Contos também contam! Ir ao teatro ou ler peças (da mesma forma, desde as clássicas do teatro grego, até as atuais) também é muito importante. Essas são fontes de diálogos inteligentes, espirituosos, irônicos ou profundos. Além disso, você deve se tornar um bom ouvinte. Preste atenção ao que as pessoas falam à sua volta. Muitas vezes ficamos tão concentrados em nós mesmos, ou em falar, em expressar nossas opiniões, que perdemos oportunidades preciosas de ouvir os outros. Fique alerta, seja em filas de banco, dentro do ônibus ou numa reunião de amigos. Qualquer muvuca serve (exceto boates. Nestes locais não se consegue ouvir nem o próprio pensamento, que dirá ouvir os outros!). Nesses momentos você pode acabar captando um pedacinho de conversa que, além de se encaixar perfeitamente numa cena, é capaz até de servir de inspiração para uma história inteira. Portanto, ouvidos abertos!

ENREDO – Livros de ficção, peças de teatro e bons filmes têm bons enredos (e personagens, e diálogos…), mas se você só se inspirar nestas fontes, fará como a maioria dos roteiristas de Hollywood e escreverá apenas cópias de cópias de cópias. Se você quer ser original, leia livros de História, biografias, crônicas, jornais e revistas semanais tipo Veja. Quando você passa a ler destas fontes, começa a perceber que a vida é muito mais incrível que a ficção. Existe muito material fantástico dando sopa por aí, apenas à espera de ser transformado num bom filme. Aliás, os melhores escritores do mundo basearam seus melhores trabalhos em situações reais, criando obras-primas imortais. Se eles podem, você também pode!

“Meu resumo de livro é sobre o ‘Guia da TV’…”

PERSONAGENS – Como criar personagens interessantes e originais? Bem, além das fontes acima (todas as fontes de informação ajudam o roteirista a escrever melhor), eu citaria revistas femininas e masculinas, revistas de História, livros sobre Mitologia e a revista semanal Sou Mais Eu (que também servem para bons enredos). Mas o que ajudam mais são os livros de psicologia. Não precisa ler aqueles tijolões de mais de mil páginas com o típico jargão profissional intragável.  Servem muito bem aqueles livrinhos tipo auto-ajuda que abarrotam as prateleiras das livrarias. É claro que há muito caça-níquel nesta área, mas também tem muita coisa legal. Dê uma folheada antes de comprar. Os melhores são os escritos por psicólogos ou especialistas em comportamento. Você tem aí material para um montão de personagens (se você combinar os tipos de personalidades), e ainda passa a conhecer melhor o ser humano. Aposto que reconhecerá as características de cada pessoa que você conhece. O curioso é que existem mais de 6 bilhões de pessoas no mundo, mas os tipos de personalidades básicas não chegam a 50 – pelo menos nesses livros; afinal de contas, não sou psicóloga!

COMÉDIA – Essa é uma das mais difíceis, principalmente se a pessoa nasceu com o senso de humor de uma porta e rala muito para entender uma boa piada. Mas existem meios de se melhorar, tendo um tiquinho de senso de humor para começar. Assista a muitos filmes, programas e peças de comédia. Leia piadas na Internet. Se você conseguir ler em inglês, compre alguns dos incontáveis títulos à venda na Amazon.com sobre o assunto. Nos EUA há diversos livros que ensinam desde como escrever roteiros de comédia até como ser um bom comediante de Comédia-Em-Pé (Stand Up Comedy). Assista a tudo o que puder do gênero, não com olhos de espectador, mas com olhos de roteirista. Você perceberá que a comédia tem muitos elementos repetitivos, personagens, bordões, situações conhecidas. O que faz algo ser engraçado é o inesperado. O roteirista arma uma situação já batida, previsível, mas a fecha com uma reação ou fala que não esperamos. Geralmente é mesmo o oposto do que esperamos. A surpresa é que nos faz rir.

AÇÃO – Para cenas de ação, boas fontes de inspiração são os documentários médicos e policiais. Vídeos do YouTube com situações reais de perseguições e acidentes (de carro, de avião, de moto, barco, helicóptero, trem e o escambau) podem servir de base para cenas das mais alucinantes. Gosto muito também de ler revistas tipo Mundo Estranho, Superinteressante, Galileu, Conhecer/Knowledge e livros médicos e Enciclopédias (que são uma fonte riquíssima de conhecimentos variados, você aprende a fazer desde nós de marinheiro até quais são as melhores rãs venenosas para envenenar pontas de flecha – e como são as reações da pobre vítima). Um roteirista deve ter o leque de informações o mais amplo possível.

LER É FUNDAMENTAL – A maioria dos roteirista gosta muito de filmes, mas odeia ler. Porém, para se tornar um profissional de valor é necessário ler, e muito, o máximo que puder, dos mais variados assuntos. Eu já disse isso em outro post e repito, vou repetir sempre, pois A LEITURA É A FORTALEZA DE TODO ESCRITOR. É nela que você encontra suas melhores inspirações e é também onde se encontrará como ser humano.

Além de todas as fontes acima, eu preciso ainda citar as HQs. Nas Histórias em Quadrinhos praticamente assistimos a um filme no papel. É como uma storyboard caprichada. Às vezes fica mais fácil captar o ritmo cinematográfico, a montagem e os diversos tipos de planos através de uma HQ do que num filme de fato. Mesmo que você não dirija seu roteiro, é importante escrevê-lo com a linguagem visual apropriada. E quando eu digo HQ, estou falando das Graphic Novels ou de histórias para jovens e adultos; as historinhas da Turma da Mônica são muito fofas mas não servem a este propósito.

Sua inspiração também pode vir de uma canção, de uma pintura, de uma fotografia ou de uma escultura. Por isso, esteja aberto a todas as influências, deixe seus preconceitos de lado e absorva tudo à sua volta, feito uma esponja. Mas varie. De nada adianta ler apenas livros médicos (a não ser que você esteja fazendo pesquisa para um roteiro sobre o assunto), ou só navegar na Internet, ou apenas assistir TV. Divida seu tempo. Melhor um pouquinho de cada coisa do que muito de uma coisa só. A riqueza do escritor está na diversidade de suas ideias.

Muita inspiração e boa escrita pra você!

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