Dicas de Roteiro

07/01/2010

O Especialista

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:27

Abaixo está a tradução livre de um trecho de uma entrevista com o roteirista hollywoodiano Terry Rossio:

Entrevistador: Ivan Reitman (entre outros) disse que ele contrata um monte de escritores… um para diálogo, outro para ação, outro para coisas de relacionamento, ainda outro para piadas. Ser um especialista é uma boa coisa ou você precisa ser um pau-pra-toda-obra?

Terry Rossio: Para mim não há valor em ser considerado um especialista. Se você pensar melhor vai perceber que isso é apenas outro modo das pessoas te dizerem que há muitas coisas que eles não acham que você possa fazer. Tipo: “Vamos pegar a Martha para fazer o enredo, mas ela não é boa em diálogo, então vamos contratar George para fazer isso.”. É melhor ser um especialista conhecido por escrever uma boa comédia, por exemplo, do que nada, se isso te arranja trabalho. Mas a maioria dos escritores prefeririam pensar que eles podem lidar com o pacote todo, e serem contratados para isso.

Acho que Terry Rossio está certo. Um roteirista deveria ser um especialista sim, em escrever boas histórias. É claro que um escritor sempre será melhor em alguns dos elementos que compõem um roteiro do que em outros. Você pode ser um excelente roteirista de filmes de terror e péssimo com dramas. Então escreva ótimos filmes de terror, isso já é o suficiente. Peter Jackson começou sua carreira escrevendo, dirigindo e produzindo divertidos filmes B de terrir, lá em sua terra natal, a Nova Zelândia. Com o tempo, a experiência e o amadurecimento, ele passou para os dramas até chegar a filmes épicos de grande orçamento, como a trilogia O Senhor dos Anéis (The Lord Of The Rings, 2001-2002-2003), King Kong (King Kong, 2005) e Distrito 9 (District 9, 2009). Nada na vida é definitivo.

Na TV americana ocorre muito essa estratificação, essa divisão de tarefas. Para escrever um seriado semanal de uma hora, por exemplo, às vezes há uma equipe de uma dúzia de roteiristas. Nas novelas brasileiras isso também acontece, mas não sei se em todas há tanta especialização de tarefas. Acho que aqui a divisão se expressa mais em núcleos dramáticos: o núcleo principal, o núcleo jovem, o núcleo cômico, o núcleo idoso e por aí vai… E há uma boa razão para isto, escrever uma novela é um trabalho hercúleo, me admira que ainda haja novelistas que escrevem com poucos colaboradores ou até mesmo sozinhos! A novela inteirinha! É algo para se tirar o chapéu, mesmo quem não gosta de novelas. Escrever é uma ralação danada.

Valorize suas qualidades e aprenda sempre, você sempre pode melhorar. Amanhã darei algumas dicas para fortalecer seus pontos fracos em cada aspecto de um roteiro. Um abração, boa escrita e até lá!

(P.S.: Não se esqueça de escrever todo dia! A prática é a melhor professora!).

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