Dicas de Roteiro

04/01/2010

Narrativa em Alta

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 15:45

Trecho de uma matéria que saiu anteontem (sábado, 02/01/2010) no jornal O Globo – Caderno ELA, página 4, artigo “Isso é Cool”, escrito por Mariana Timóteo da Costa (interina) com EQUIPE:

Com 2010 já aqui, telefonamos para Amsterdã para uma conversa com o sociólogo holandês Carl Rohde. Ele é presidente da Science of the time (scienceofthetime.com), uma empresa de pesquisa de tendências, cujos clientes incluem Unilever, Coca-Cola, Microsoft, Procter & Gamble. O interessante é que a firma avalia não os produtos, mas a mente humana: não o que estamos consumindo, mas como estamos pensando e nos comportando. A seguir, o que será cool este ano segundo Carl e seus mais de 300 consultores espalhados pelo mundo, incluindo acadêmicos de 25 universidades importantes como a Universidade de São Paulo (USP).

RESGATANDO O COWBOY

Esta é para os rapazes. Hoje, um homem maduro é o que fala sobre sentimentos, conflitos internos, alguém que valoriza as relações e não tem medo de chorar. Em outras palavras: uma mulher. Ou o tal do metrossexual. Claro que ser assim é bom, mas, segundo a Science of the time, os homens andam se perguntando: “Onde está o cowboy em mim? “. “Qualquer propaganda, programa de TV ou ideia que responda a isso será benvinda”, diz Carl Rohde.

PODER, SIM, MAS COM DELICADEZA

O sucesso deve ser o caminho para as mulheres, sempre. Mas, por favor, sem perder a ternura. Aquelas poderosas, porém grossas e mandonas, não estão com mais nada, avalia o site.

HISTÓRIAS PARA CONTAR

A narrativa nunca esteve tão em alta, afirma a Science of the time. Sobreviverão as empresas, as marcas e as pessoas que conseguirem contar as melhores histórias. Para mostrar ao que vieram. “Engana-se quem pensa que conteúdo não é mais importante”, diz Carl.


E O BRASIL?

O Brasil está mais cool do que nunca, assim como os emergentes Índia, China, África do Sul, Rússia. “Só que o Brasil tem uma vantagem sobre a China por ser uma democracia, onde as pessoas já sabem que podem se expressar”, diz Carl Rohde. A alegria de viver, o entusiasmo, e o maior poder aquisitivo da população, segundo o sociólogo, aumentaram nossa auto-estima.

SÓ QUE…

O problema é que ainda falta empreendedorismo. “O brasileiro é indisciplinado, tem dificuldades de apresentar ideias inovadoras e tende a sorrir mais do que a apresentar resultados”, salienta Carl Rohde, que aponta os altos impostos e a dificuldade de se abrir uma empresa no Brasil como algo desanimador para quem deseja criar, finaliza ele, desejando um Feliz Ano Novo.

Alguns comentários sobre este excerto da matéria:

1- Acredito que Buda estava certo quando disse que na vida deveríamos seguir sempre o caminho do meio. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Atualmente as japonesas estão consumindo muitos livros e mangás sobre samurais porque sentem falta do modelo masculino machão, viril e protetor de antigamente. Os japoneses atuais seriam homens-herbívoros, ou seja, sensíveis, compreensivos, companheiros, que ajudam no serviço de casa e na educação das crianças, o que aqui chamamos de homens-beta (em oposição ao homem-alfa, o durão que quer ser o líder da matilha). Acredito que as mulheres não queiram homens que chorem mais que elas. Mas antigamente elas reclamavam que eles eram uns brutamontes sem sensibilidade. Nem acho tampouco que as mulheres devam ser choronas ou duronas. Para homens e mulheres o caminho do meio seria perfeito. Existe a hora de chorar e ser frágil e existe a hora de ser firme e forte. Para ambos.

2- No Brasil pode existir muita gente empurrando seu trabalho com a barriga, deixando para amanhã o que pode fazer hoje, ou sempre fazendo as coisas na última hora. Porém, também existe muita gente trabalhando horas demais por dia, ralando duro, dormindo pouco, comendo mal, enfrentando horas no trânsito em ônibus lotados, recebendo uma merreca, e aguentando patrões insuportáveis. Eu fico impressionada com a resistência e determinação do povo brasileiro. Tem muita gente dando tudo de si por aí, inclusive com empreendedorismo e inventividade. O brasileiro até poderia ser um pouquinho mais disciplinado em geral, mas dizer que todo mundo fica flanando só porque é alegre, também é um estereótipo. Me recuso a aceitar essas falsas alegações. Já li pesquisas demais provando que o brasileiro é um dos povos que trabalham mais horas por semana no mundo. Não é necessário ser sério e carrancudo para ser trabalhador, este é um estereótipo muito comum na Europa, Japão e EUA. Se você não tiver uma postura sisuda e “profissional”, não será levado a sério. Caminho do meio, pessoal! Caminho do meio!

3- A narrativa está em alta, eba! Mas na verdade ela nunca deixou de estar. Desde as lendas que nossos antepassados contavam nas cavernas, até o filme blockbuster da semana, o ser humano sempre foi sedento por histórias que lhe mostrassem um pouco do sentido da vida. Isso é algo que não mudará agora nem em um milhão de anos. Bom para nós, roteiristas, não é mesmo?

Aproveite esta semana para escrever algo com cowboys ou samurais que chorem (hehehe). Estou rindo mas é sério! Um abração e boa escrita!

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