Dicas de Roteiro

01/01/2010

Os Oito Arquétipos de Heroínas

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:34

Eis a terceira parte (de cinco) do artigo Personagens Que Repercutem Nos Leitores, de Tami Cowden, sobre personagens arquetípicos:

Da última vez nós exploramos os heróis. Agora é a hora de dar uma olhada nas heroínas arquetípicas.

O que é uma heroína? Um herói feminino, basicamente. Essa palavra tem suas origens na Grécia Antiga, onde se refere a uma figura mitológica ou lendária, geralmente com ancestralidade divina ou força e poderes incríveis. Hoje nós não limitamos o termo “heroína” à sua conotação épica. Ao invés disso, nós usamos o termo para significar uma protagonista feminina; ou seja, a personagem principal feminina num trabalho dramático. A “heroína” é a mulher cuja história está sendo contada.

E, como os heróis através dos milênios, as heroínas se desenvolveram em nosso inconsciente coletivo com certos padrões distintos ou arquétipos. Em seu âmago, toda heroína bem definida é uma entre oito arquétipos. O arquétipo informa ao escritor os instintos mais básicos da heroína: como ela pensa, como ela se sente, qual modo de ver o mundo a impulsiona, e qual é a sua maneira de conseguir o que quer. O escritor hábil, por sua vez, comunica estes instintos para o leitor ou para o público que, reconhecendo de cara o caráter deste herói, se refastela para assistir à narrativa recontada de uma nova maneira.

Isto não significa, é claro, que em toda a literatura haja apenas oito heroínas. Membros da mesma família arquetípica não são meras fotocópias uma da outra. Heróis que representam determinado arquétipo compartilham uma psique similar, mas eles não são nem deveriam ser clones um do outro.

Por exemplo, a Capitã Janeway da série Jornada Nas Estrelas: Voyager (Star Trek: Voyager, 1995-2001) é uma CHEFE. Ela dá suas ordens sem nunca duvidar de que sua leal tripulação irá segui-la de pronto. Seu trabalho – sua nave – é seu único amor verdadeiro. Ela vai, de fato, audaciosamente além no universo e se apresenta como a própria imagem de uma líder. Mas Murphy Brown, da série de TV homônima, também é uma CHEFE. Ela, também, displicentemente anuncia sua vontade, sabendo que suas ordens serão obedecidas. Ela não tem dúvida de que a sua opinião é, na verdade, a coisa certa a fazer. Mas Jornada Nas Estrelas (de qualquer geração ou local!) teria sido um programa bem diferente se Murphy Brown se sentasse na cadeira de capitã da Enterprise.

Agora vamos dar uma olhada nos oito arquétipos de heroínas:

A CHEFE: Uma verdadeira empreendedora e muito enérgica, ela escala a escada do sucesso. Esta é uma mulher que está no comando, que não aceita nada menos que respeito. Alcançar o posto de seus sonhos é a coisa mais importante na vida para ela, e ela não se incomoda em irritar algumas pessoas ao longo do caminho. Pense em Annette Bening em Beleza Americana (American Beauty, 1999), Candice Bergen na série Murphy Brown (Murphy Brown, 1988-1998), Cate Blanchett em Elizabeth (Elizabeth, 1998).

A SEDUTORA: Uma mulher fascinante, ela faz o que quer. Esta é uma dama que está há muito acostumada a formar um conceito sobre todo mundo em um recinto no minuto em que ela entra. Misteriosa e manipuladora, ela esconde qualquer traço de desconfiança com extrema eficiência. O cinismo guia cada ato seu, e seu forte senso de sobrevivência dá a ela os meios de fazer o que for necessário para sair na frente. Pense em Liz Taylor em Cleópatra (Cleopatra, 1963), Sharon Stone em Instinto Selvagem (Basic Instinct, 1992), Vivian Leigh em …E O Vento Levou (Gone With The Wind, 1939), Madonna em Evita (Evita, 1996).

A CRIANÇA IMPETUOSA: Corajosa e verdadeira, ela é leal até o fim. Ela é a favorita de muitos escritores, e por uma boa razão. Você não consegue evitar de torcer por ela. Ela é a garota com determinação. Ela não procura estar no topo do mundo; ela só quer ficar no seu próprio cantinho. Ela é uma pessoa que gosta de jogar em equipe, aquela que está sempre pronta a dar uma mão. Pense em Meg Ryan em Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle, 1993), Melanie Griffith em Uma Secretária de Futuro (Working Girl, 1988), Mary Tyler Moore na série Mary Tyler Moore (The Mary Tyler Moore Show, 1970-1977), Whoopi Goldberg em Mudança de Hábito (Sister Act, 1992), Fiona em Shrek (Shrek, 2001).

A ESPÍRITO LIVRE: Eterna otimista, ela dança ao som de músicas que apenas ela escuta. Divertida, engraçada e afetuosa, ela viaja através da vida saltitante, sempre parando para cheirar as flores e admirar as belas cores. Ela age num impulso e segue seu coração, não sua cabeça. Pense em Jenna Elfman na série Dharma e Greg (Dharma e Greg, 1997-2002), Lucille Ball na série I Love Lucy (I Love Lucy, 1951-1957), Alicia Silverstone em As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless, 1995).

A DESAMPARADA: Uma dama em perigo, ela se curva ao vento. Ela é a donzela em perigo original. Sua inocência infantil desperta um impulso protetor nos heróis mais bestiais. Mas não se engane, pois a DESAMPARADA tem uma tremenda força de vontade. Ela não irá revidar, irá resistir. Pense em Judy Garland em O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939), Marilyn Monroe em Os Desajustados (The Misfits, 1961), Peta Wilson na série Nikita (La Femme Nikita, 1997-2001), Demi Moore em Ghost – Do Outro Lado da Vida (Ghost, 1990), Halle Barry em A Última Ceia (Monster’s Ball, 2001).

A BIBLIOTECÁRIA: Controlada e esperta, ela se segura. Ela é empertigada e decente, mas sob aquele coque apertado espreita uma mulher ardente. Vestida para se reprimir, ela pode ser a sabe-tudo cuja mão está sempre levantada nas aulas, ou talvez ela seja a tímida ratinha de biblioteca. Pense em Kathleen Turner em Tudo Por Uma Esmeralda (Romancing the Stone, 1984), Ellen Barkin em Acerto de Contas (The Big Easy, 1986), Shelley Long na série Cheers (Cheers, 1982-1993), Gillian Anderson na série Arquivo X (The X-Files, 1993-2002).

*E Emma Watson como Hermione na série de filmes Harry Potter.

A GUERREIRA: Uma lutadora dedicada, ela cumpre com seus compromissos. Não é a flor tímida nem uma donzela em perigo. Esta dama está numa missão, e ela marcha direto sobre qualquer um que estiver em seu caminho. Tenaz e obstinada, ela se livra de qualquer oposição aos seus objetivos. Pense em Diana Rigg na série Os Vingadores (The Avengers, 1961-1969), Sigourney Weaver em Alien, O Oitavo Passageiro (Alien, 1979), Sarah Michelle Gellar na série Buffy, A Caça Vampiros (Buffy, the Vampire Slayer, 1997-2003), Lucy Lawless na série Xena – A Princesa Guerreira (Xena, Warrior Princess, 1995-2001).

A MÃEZONA: Serena e capaz, ela alimenta o espírito. Nem sempre a dona de casa tipo Amélia, esta dama toma conta de todo mundo. Ela é uma excelente ouvinte, e é uma alegria tê-la por perto. Esta heroína cuida de todos. Ela é calma, competente e otimista. Pense em virtualmente todas as mães de seriados americanos tipo sitcom dos anos 1970, e Michelle Pfeiffer em O Feitiço de Áquila (Ladyhawke, 1985), Alicia Nash em Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, 2001), Julie Andrews em Mary Poppins (Mary Poppins, 1964).

Amanhã continuaremos com os vilões arquetípicos. Uma boa escrita e até lá!

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2 Comentários

  1. muito legal

    Comentário por Aline — 14/11/2010 @ 08:44

    • Oi, Aline! 😀

      Que bom que você gostou! Muito obrigada pelo comentário! 😀

      Comentário por valeriaolivetti — 14/11/2010 @ 10:18


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