Dicas de Roteiro

30/12/2009

Arquétipos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:52

Esta é uma tradução livre de um artigo de Tami Cowden dividido em 5 partes, que serão postadas um dia cada. Ela é co-autora do livro The Complete Writer’s Guide to Heroes and Heroines: Sixteen Master Archetypes (“O Guia Completo do Escritor para Heróis e Heroínas: Os Dezesseis Principais Arquétipos”). O artigo chama-se “Personagens que Repercutem nos Leitores”:

Os seres humanos têm contado histórias por um longo, longo tempo, bem desde os dias de caçada ao mamute e coleta de frutinhas. Nós contamos fábulas de homens e mulheres que nos protegem, nos excitam, nos inspiram. Desde os tempos primitivos os escritores de ficção têm tecido contos sobre heróis e heroínas, fiado teias e construído labirintos através dos quais personagens devem encontrar seus caminhos para a verdade, para a felicidade, para seus destinos. Algumas vezes os homens e mulheres fictícios têm sido maiores que a vida, e outras vezes eles têm sido cidadãos comuns. Mas de todo modo, as histórias dos personagens que sobrevivem dos tempos antigos até hoje são aquelas que soam verdadeiras.

Grandes heróis e heroínas surgem na literatura de tempos em tempos. Estes personagens recorrentes são instantaneamente simpatizados pelo público por causa da clareza de suas motivações. Tempo, lugar, ações, circunstâncias podem variar, mas os personagens dentro da história são reconhecíveis e compreendidos. Carl Jung teorizou que os seres humanos têm um inconsciente coletivo, “depósito de experiências constantemente repetidas da humanidade… um tipo de prontidão para reproduzir muitas e muitas vezes as mesmas, ou semelhantes, idéias místicas…”. De acordo com Jung, apenas a camada superficial de nosso inconsciente é pessoal e individual. Todos os seres humanos têm uma camada muito mais profunda que não se desenvolve individualmente. Jung chamou essa parte do inconsciente de “inconsciente coletivo”.

Um inconsciente pessoal contém pensamentos e material aprendido inicialmente de forma consciente, mas que foi então enterrado no inconsciente. Porém o inconsciente coletivo subjacente contém matéria nunca antes consciente e nem aprendida individualmente. Estas imagens embutidas incluem os heróis, heroínas e vilões arquétipos. Esta memória compartilhada de experiências resultou numa ressonância dos conceitos de herói e heroína que transcendem tempo, lugar e cultura. Jung chamou estas personalidades recorrentes de “arquétipos”, da palavra grega archetypos, que significa “primeiro de seu tipo”.

Os personagens que se encaixam nesses arquétipos estrelam em história após história, entretendo e informando a experiência humana por milênios. A revisão dos mitos, lendas, contos de fadas, poemas épicos, romances e filmes revelam que os protagonistas recorrentes nestas histórias caem em dezesseis categorias distintas, oito para heróis e oito para heroínas. Os vilões também se encaixam em dezesseis categorias, oito para homens e oito para mulheres. A partir de amanhã iremos explorar estes personagens arquetípicos.

A seguir está um trecho de um artigo do site 10emtudo sobre Carl Jung onde o inconsciente coletivo é melhor explicado:
http://www.10emtudo.com.br/imprimir_artigo.asp?CodigoArtigo=53

Carl Jung foi um dos maiores psiquiatras do mundo. Fundador da escola analítica de Psicologia, ele introduziu termos como extroversão, introversão e o inconsciente coletivo. Jung ampliou as visões psicanalíticas de Freud, interpretando distúrbios mentais e emocionais como uma tentativa do individuo de buscar a perfeição pessoal e espiritual.

Uma das teorias pela qual Jung é mais reconhecido é a teoria do inconsciente coletivo. Essa teoria foi adotada somente por algumas escolas psicológicas.

Segundo Jung, o inconsciente coletivo não deve sua existência a experiências pessoais; ele não é adquirido individualmente. Jung faz a distinção: o inconsciente pessoal é representado pelos sentimentos e idéias reprimidas, desenvolvidas durante a vida de um indivíduo. O inconsciente coletivo não se desenvolve individualmente, ele é herdado. É um conjunto de sentimentos, pensamentos e lembranças compartilhadas por toda a humanidade.

O inconsciente coletivo é um reservatório de imagens latentes, chamadas de arquétipos ou imagens primordiais, que cada pessoa herda de seus ancestrais. A pessoa não se lembra das imagens de forma consciente, porém, herda uma predisposição para reagir ao mundo da forma que seus ancestrais faziam. Sendo assim, a teoria estabelece que o ser humano nasce com muitas predisposições para pensar, entender e agir de certas formas. Por exemplo, o medo de cobras pode ser transmitido através do inconsciente coletivo, criando uma predisposição para que uma pessoa tema as cobras. No primeiro contato com uma cobra, a pessoa pode ficar aterrorizada, sem ter tido uma experiência pessoal que causasse tal medo, e sim derivando o pavor do inconsciente coletivo. Mas nem sempre as predisposições presentes no inconsciente coletivo se manifestam tão facilmente.

Os arquétipos presentes no inconsciente coletivo são universais e idênticos em todos os indivíduos. Estes se manifestam simbolicamente em religiões, mitos, contos de fadas e fantasias. Entre os principais arquétipos estão os conceitos de nascimento, morte, sol, lua, fogo, poder e mãe. Após o nascimento, essas imagens preconcebidas são desenvolvidas e moldadas conforme as experiências do indivíduo.  Por exemplo: toda criança nasce com o arquétipo da mãe, uma imagem pré-formada de uma mãe, e à medida que esta criança presencia, vê e interage com a mãe, desenvolve-se então uma imagem definitiva.

Jung acreditava que na vida cada individuo tem como tarefa uma realização pessoal, o que torna uma pessoa inteira e sólida. Essa tarefa é o alcance da harmonia entre o consciente e o inconsciente.

Jung explorou outras áreas da psicologia, tais como o desenvolvimento da personalidade, identificação de estágios da vida, as dinâmicas da personalidade, sonhos e símbolos, entre outras. Suas teorias tiveram um grande impacto sobre o campo da filosofia e são amplamente estudadas e praticadas até os dias de hoje.

Amanhã continuaremos com o artigo de Tami Cowden. Boa escrita e até lá!

Anúncios

%d blogueiros gostam disto: