Dicas de Roteiro

20/12/2009

Os 5 Assassinos de Carreira

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:17

Segundo Terry Rossio, há cinco assassinos de carreira que novatos cometem:

1- Reescrever uma mesma idéia por vários anos ao invés de desenvolver qualidades de escrita criando um conjunto de trabalho.

2- Focalizar em fazer contatos ao invés de desenvolver qualidades de escrita.

3- Ir ao mercado cedo demais, com material inferior – o que estabelece uma reputação ruim, e fecha as portas da indústria que poderiam estar entreabertas.

4- Perder energia com idéias medíocres que nunca deveriam ser elevadas a projetos viáveis, ao contrário de fazer um nome para você mesmo com um único, poderoso roteiro tipo cartão de apresentação.

5- Ignorar o poder de fazer uma “opção” pelo seu material, ou fazer o pitch de um roteiro já pronto que o estúdio vai acabar pedindo para você adaptar.

O quinto item se relaciona mais com Hollywood especificamente. “Opção” no sentido que ele quis passar é um tipo de venda em que o roteirista ganha um dinheiro para que aquele roteiro seja de um produtor por determinado tempo, digamos, dois anos. Se durante esse tempo o filme tiver carta branca para ser produzido, então o produtor comprará definitivamente o roteiro. Caso contrário, passado esse tempo o roteirista pode vender seu roteiro para outra pessoa. Já um pitch meeting (‘encontro de venda‘, traduzido livremente) é quando um roteirista se encontra com um ou vários produtores para vender oralmente seu roteiro, ou seja, ele tem de contar resumida e entusiasticamente a história de seu roteiro, para tentar convencê-los de que vale a pena transformá-la em filme. Existem até encontros pagos, onde centenas de roteiristas pagam para fazer o pitch de suas histórias para cerca de uma ou duas dúzias de produtores (que são de segundo ou terceiro escalão. Eles estão tão desesperados para encontrar bons roteiros para produzir quanto os roteiristas estão para tentar vendê-los). Cada roteirista consegue uns 5 a 6 minutos de entrevista com cada produtor, e vai pulando de mesa em mesa tentando vender sua idéia, até ver se alguém se interessa.

Terry Rossio diz que “o escritor socialmente competente tem vantagem sobre o introvertido de língua presa em Hollywood quando se trata de pitch meetings e de assegurar aos poderosos que eles estão fazendo uma escolha certa e maravilhosa ao colocar o projeto deles nas suas mãos. Contudo, as pessoas que têm a principal vantagem nesta cidade são os escritores que podem produzir rapidamente e continuamente ótimos roteiros a um ritmo decente.”

Quando ele diz sobre os produtores colocarem o projeto deles nas mãos do roteirista, está se referindo aos roteiristas contratados por um estúdio, por exemplo, Disney. Um dos produtores tem uma idéia-mãe, sobre uma história que se passa na época da queda do Império Maia, por exemplo. Então eles pedem que todos os roteiristas contratados façam o pitch de suas idéias para um filme sobre o assunto. O que se identificar mais com a idéia que o produtor tem em mente irá desenvolver o roteiro (e escrever e reescrever até que o produtor ache que está do jeito que ele imaginava). Isso aconteceu com Terry Rossio e Ted Elliot com o roteiro de O Caminho Para El Dorado (The Road To El Dorado, 2000). Eles escreveram mais de 5.000 páginas de roteiro (entre escrever e reescrever) e no final o produtor mudou tudo por conta própria e fez o que deu na veneta, criando um filme fraquinho. Coisas de Hollywood.

Boa escrita pra você!

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