Dicas de Roteiro

18/12/2009

Estrutura

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:31

William Goldman, roteirista de Butch Cassidy and The Sundance Kid, diz que “roteiros são estrutura.” Para Charles Deemer, o modo como a história é composta, sua estrutura dramática, é uma das principais capacidades que um roteirista principiante deve dominar. O que é estrutura?, ele pergunta. Um roteiro é dividido em 3 atos, apresentação, conflito e resolução (ou começo, meio e fim). Porém também existem roteiros de 4 atos, 7 atos e o de 12 passos. Segundo Deemer, há algumas décadas os escritores americanos queriam escrever “O Grande Romance Americano”, um livro de ficção que os deixaria ricos e famosos. Hoje em dia todo mundo quer escrever “O Grande Roteiro Americano”, porque a principal mídia de nosso tempo é o audiovisual. Essa busca pela fama, dinheiro e imortalidade artística leva a uma grande procura por livros de roteiro. Por isso volta e meia aparece alguém que se autoproclama guru de roteiro que inventa sua própria teoria de roteiro. Há muita demanda para isso.

Mas ninguém deve ficar confuso: todas as novas teorias são versões com outra terminologia, ou adaptações da teoria dos 3 atos descrita por Aristóteles em sua obra Poética. É como nossa cultura ocidental conta e compreende as histórias. A estrutura de 3 atos é a escalada de conflitos, cada vez mais perigosos e desafiadores, levando ao confronto final e à resolução. A estrutura em 3 atos é a fundação de todo roteiro e sem ela ele desmoronará, completa Deemer.

Já D. B. Gilles tem a própria versão da divisão em 3 atos. Ele diz que saber com certeza onde há mudança de atos é uma questão de prática e muita leitura de roteiros. Os roteiros seguem as mesmas divisões em atos que as obras teatrais, sejam peças ou óperas. Gilles criou a “Teoria de Pontuação do Roteiro”, que seria assim:

– O Ato I termina com um (?)

O herói se encontra numa situação incômoda (situação que ele chama de Evento Instigante) e faz algo para mudá-la. Ele será bem-sucedido? (a chamada Questão Dramática Maior).

– O Ato II termina com um (!)

O herói encontra empecilhos para destruí-lo ou tirá-lo de sua jornada. (chamada de Informação Nova). É o ponto de virada do herói.

– O Ato III termina com um (.)

O herói luta para resolver os conflitos e, ganhando ou perdendo, o filme acabará quando a Questão Dramática Maior for respondida.

Para Gilles essa teoria é simples, mas na prática é muito difícil de conseguir. Roteiros de longa-metragens podem ter de 105 a 120 páginas e ser dividida em 3, 5 ou até 7 atos (no último caso, mais comum em filmes de TV). Num roteiro de 3 atos, o primeiro Ato termina entre as páginas 28 e 35 (dependendo do tamanho de seu roteiro), onde ficará o (?). Isso significa de 30 a 40 minutos do filme já pronto. O Ato II termina entre as páginas 82 e 90 (!) e o Ato III tem de 25 a 30 páginas (.).

Resumindo, não importa qual divisão de atos você escolherá. O que importa é que a história tenha um começo, meio e fim, o que parece ridículo de tão óbvio, mas existem muitos filmes por aí que terminam sem um final, ou começam sem um começo. Parece doideira, e é mesmo.

Boa escrita!

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2 Comentários

  1. EAE ME ADD NO MSN!!

    Comentário por Dean Winchester — 25/02/2010 @ 12:45

    • Olá, Dean!

      Infelizmente eu não tenho MSN, nem Orkut, Facebook nem nada do tipo, pois o pouco tempo que eu tenho disponível eu uso para escrever roteiros e este singelo bloguinho. No dia em que eu tiver mais condições (tempo) de participar dessas comunidades, eu farei questão de adicioná-lo.

      Muito obrigada pela visita, estou muito contente pelo seu convite!

      Um grande abraço,
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 25/02/2010 @ 15:51


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