Dicas de Roteiro

17/12/2009

Receita de Bolo

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:36

Já ouvi muita gente dizendo que não queria aprender técnicas de roteiro porque não passavam de “receitas de bolo” que apenas atrapalhariam a sua inspiração e criatividade. A imaginação de ninguém sai prejudicada ao aprender como se escreve um bom roteiro. Porque roteiro ruim qualquer um pode escrever, não há necessidade de estudo para isso, claro. O problema do aspirante a roteirista que não quer estudar seu ofício é que ele não saberá onde estão as falhas de seu trabalho, e muito menos como conseguir consertá-las.

Todo mundo que já foi ao cinema mais de uma dúzia de vezes na vida, ou assistiu a filmes e novelas pela TV, não importa, sabe o que faz uma boa história, e reconhece um trabalho ruim de longe. “Ah, mas existe muita porcaria por aí que o pessoal gosta”, alguns podem dizer. É verdade, mas se for um bom profissional você logo reconhecerá os elementos que estão prendendo a atenção do público. Às vezes pode ser apenas um personagem interessante que os atraiu, algumas cenas específicas, uma tensão sexual ou um suspense. Sempre há algo que prende o público, pois ele quer entrar no mundo de sonho que você está criando para ele. A não ser que seu trabalho seja insuportavelmente entediante, o público vai sempre tentar captá-lo e entendê-lo.

Você, assim como o público, sabe a diferença entre um filme ruim e um bom. Mas você precisa saber mais que o público em geral. Quando as pessoas disserem: “O filme foi muito confuso”, você deve saber que a premissa e os personagens não foram propriamente apresentados no Ato I. Quando “o meio do filme foi muito arrastado, ou muito chato”, você saberá que não houve o conflito necessário, ou pontos de virada o suficiente no Ato II. Se “o final não foi legal”, você reconhecerá que o roteirista não fechou o ciclo que havia iniciado com a jornada do personagem, ou foi clichê demais. E por aí vai.

Robin U. Russin e William M. Downs disseram que aprender técnicas de roteiro serve para evitar erros comuns e para escrever roteiros bem estruturados, excitantes, com um formato profissional, uma idéia bem desenvolvida e personagens bem construídos. “Escrever sem técnica é escrever sem ver o quadro todo”, diz Ronald B. Tobias. “É não ter nenhuma tática nem estratégia para vencer o jogo. É ser previsível. Conhecer a técnica não significa escrever histórias medíocres com o mínimo denominador comum para agradar o maior número de pessoas possível. Isso é ser previsível, é não ver o quadro todo”, completa ele.

Já segundo David Trottier, técnicas de roteiro servem como um guia quando você está começando a escrever e como uma ajuda quando estiver emperrado. Um roteiro que tenha um personagem com uma meta clara e específica, que tenha de enfrentar uma forte oposição a esta meta, levando-o a uma crise, e um final emocionalmente satisfatório, se encontrará nos 5% do topo. Poucos roteiristas dominaram o básico de técnicas de escrever roteiro. A maioria dos roteiros já falha no critério acima. Se seu roteiro também apresenta uma história bem construída, um conceito de história forte, e um personagem original com quem as pessoas simpatizem, então os produtores e agentes farão fila atrás de você. Roteiristas precisam trabalhar, aprender o ofício e desenvolver disciplina. Aplicar a arte da prazerosa persistência, porque haverá desapontamentos pelo caminho.

Terry Rossio, co-roteirista da trilogia Piratas do Caribe, disse que “o escritor tem de ser o expert. Você tem de ser o juiz mais cruel de seu trabalho, você tem de saber o que é bom o suficiente e o que não é. Sempre me pareceu estranho o fato de tantos escritores perguntarem a outros, ‘Você acha que isso é bom?’. Você deveria SABER que é bom. Você é o expert que você quer que eles contratem, certo?”

E a competição está cada vez mais acirrada. Na revista SUPERINTERESSANTE deste mês (Edição 273 – 11 DEZ 2009, pág. 89), a nota BOOM DE AUTORES informa que “Do ano 1400 até 2000 o número de escritores cresceu 10 vezes por século. De 2000 até hoje o número de escritores cresceu 10 vezes por ano. O total de pessoas que publicam algum tipo de conteúdo no mundo disparou com os blogs, microblogs e redes sociais. Os números foram calculados pela revista americana Seed, que considerou autores todos os que escrevem livros e postam na internet. (Com alguns critérios. Só twitteiros com mais de 100 seguidores entraram na conta, por exemplo.) Por essa estimativa, a maioria da população mundial publicará o que pensa e terá o poder de influenciar a sociedade até 2013.”

Com tanta gente escrevendo e lutando por um público leitor (mesmo que a maioria não seja roteirista ou criador de histórias) é bom nos especializarmos e dominarmos nossa técnica. Só assim conseguiremos nos destacar e conquistarmos nosso lugar ao sol.

Boa escrita para você!

Anúncios

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: