Dicas de Roteiro

03/11/2013

A importância de roteiros não produzidos e livros não publicados

Arquivado em: Roteiro — valeriaolivetti @ 07:00
Tags: ,

Oi, pessoal! Hoje eu volto com a tradução que o nosso querido colega Diego Schutt fez de uma entrevista do Robert McKee. Aproveitem para ler os outros textos do blog do Diego, FICÇÃO EM TÓPICOS, tem muita coisa legal por lá.

Eis o link da entrevista:

http://ficcao.emtopicos.com/2013/10/roteiro-cinema-tv-robert-mckee/

robert_mckee

Trecho favorito do Diego (e meu também!):

Aquele roteiro não produzido ou livro não publicado traz um benefício enorme para o escritor porque você tem que falhar. Você tem que estar disposto a criar pelo menos 10 trabalhos completos de storytelling para aprender a dominar a [linguagem dessa arte] e crescer [como artista]. – Robert McKee 

Uma ótima escrita pra você hoje! =)

02/11/2013

Citação de Charlie Kaufman

Arquivado em: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:00
Tags: ,

Oi, galera! Eu sei que ando negligenciando o blog de forma criminosa e imperdoável, mas juro que não foi intencional. Às vezes a vida puxa a gente pra outro lado e fica difícil recuperar os (bons) hábitos antigos. Mas para (re)começar, hoje estou de volta com esta citação foi enviada por nosso querido amigo Antunes e, como ele disse, isso vale para a vida! Obrigadão, Antunes! =)

C. Kaufman

“Eu não posso dizer a ninguém como escrever um roteiro, porque qualquer coisa de valor que você venha a fazer, virá de você. Como eu escrevo não é como você escreve e o propósito de qualquer ato criativo é este. O que eu tenho a oferecer, sou eu. O que você tem a oferecer, é você. E se você se oferecer com autenticidade e generosidade, eu irei me comover.”

- Charlie Kaufman.

work-love-dance

TRABALHE – Como se não precisasse do dinheiro

AME – Como se nunca tivesse sido machucado

DANCE – Como se ninguém estivesse olhando

Uma boa escrita pra você hoje! =)

11/08/2013

10 Dicas de Roteiro de Billy Wilder

Arquivado em: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:20
Tags: ,

Aqui vão dez dicas do grande roteirista e diretor Billy Wilder (Se Meu Apartamento Falasse, Sabrina). O post original foi tirado do site Screenplay How To, e publicado por William Robert Rich:

Crepúsculo dos Deuses

Você viu Pacto de Sangue, Crepúsculo dos Deuses, ou Quanto Mais Quente Melhor ultimamente? Bem, eles ainda se mantêm. Tendo em conta que todos eles têm mais de meio século de idade, isso quer dizer alguma coisa. Com uma carreira que durou por mais de 50 longas, dando-nos alguns dos filmes mais memoráveis ​​de todos os tempos, futuros roteiristas estarão estudando os filmes de Billy Wilder por um longo tempo.

A lista abaixo foi obtida a partir de uma excelente leitura, Conversations with Wilder, de Cameron Crowe.

10 Dicas de roteiro de Billy Wilder

  1. O público é volúvel.
  2. Agarre-os pelo pescoço e nunca deixe-os ir.
  3. Desenvolva uma linha clara de ação para o seu personagem principal.
  4. Saiba aonde você está indo.
  5. Quanto mais sutil e elegante você for em esconder seus pontos de virada, melhor você é como escritor.
  6. Se você tiver um problema com o terceiro ato, o verdadeiro problema está no primeiro ato.
  7. Uma dica de Lubitsch: Deixe o público somar dois mais dois. Eles vão te amar para sempre.
  8. Ao fazer voice-overs, tome cuidado para não descrever o que o público já vê. Acrescente ao que eles estão vendo.
  9. O evento que ocorre na cortina do segundo ato desencadeia o final do filme.
  10. O terceiro ato deve progredir, progredir, progredir em ritmo e ação até o último evento, e então – é isso. Não divagueie.

========================================================

Uma boa escrita pra você hoje! =)

08/08/2013

Perguntas e Respostas com Aaron Sorkin

Arquivado em: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:30
Tags: ,

Hoje temos uma sessão de Perguntas & Respostas com o roteirista e dramaturgo Aaron Sorkin, feita para o site HBO Connect. As perguntas foram feitas por várias pessoas e eu coloquei apenas “internauta” para identificar o interlocutor, ao invés de nomear cada um:

Q&A with Aaron Sorkin

HBO: Obrigado ao Aaron Sorkin por se juntar a nós para o Perguntas & Respostas de hoje. Bem-vindo, Aaron!

Aaron Sorkin: Obrigado, é ótimo estar aqui!

Internauta: Quanto tempo leva para os atores pegarem o jeito de andar e falar? Houve alguma dificuldade para eles tentarem ir no seu ritmo?

Aaron Sorkin: Atores gostam de ter uma tarefa física para realizar durante uma cena, e esse elenco estava pronto no primeiro dia de ensaio. É mais difícil para o operador de Steadicam, que tem que andar para trás, rápido, com uma câmera de 120 quilos atrelada aos seus ombros. Alguns deles caíram em batalha.

Internauta: Você tem todas as histórias pregressas dos personagens planejadas detalhadamente antes de escrever, ou espera para deixar elas virem até você?

Aaron Sorkin: Eu não gosto de tomar decisões sobre a biografia de um personagem até que eu seja obrigado – até que a história peça. Eu sabia por que Will e MacKenzie terminaram (o que você vai descobrir neste domingo) e por que isso é tão difícil para Will superar (o que você vai começar a descobrir em poucas semanas.)

Internauta: Quanto tempo você demorou para criar o piloto?

Aaron Sorkin: Bem, eu tive que pensar nisso por cerca de um ano e então escrever por cerca de 6 semanas.

Internauta: O que tem no "O Leão no Inverno", que você ama tanto?

Aaron Sorkin: O Leão no Inverno é uma das minhas peças favoritas. Eu assisti O Leão no Inverno quando eu era muito jovem, e ele me marcou.

Internauta: Oi, Aaron, amei o programa. Você já sabia as notícias que queria usar antes de escrever cada episódio, ou você tinha um tema abrangente e então selecionava as histórias que se encaixavam?

Aaron Sorkin: Eu não escolhi o momento em que um episódio ocorreu com base numa notícia. I escolhi onde um episódio ocorreu com base no desenvolvimento do personagem. Eu sabia onde a temporada começava e sabia quando ela terminava. A primeira coisa que fizemos foi criar um mural na sala dos escritores colando cada notícia que teve lugar no nosso cronograma.

Internauta: O quanto você tende a alterar os roteiros, do primeiro tratamento até o final? Você acha que é mais difícil corrigi-lo, uma vez que está escrito?

Aaron Sorkin: Eu gosto mais de reescrever do que de escrever. Eu odeio olhar para uma página em branco, eu prefiro muito mais ficar consertando um problema. Com The Newsroom tem havido um pouco mais de tempo, então eu tenho sido capaz de polir um roteiro depois de tê-lo escrito.

Internauta: O programa vai continuar a lidar com notícias de casos da vida real ou também vai lidar com as fictícias?

Aaron Sorkin: Todas as notícias da série são reais, todos os personagens da série são fictícios. Eu, na verdade, queria fazer o Jejum de Amor contra o pano de fundo de notícias de casos reais.

Internauta: Qual foi o maior desafio que você enfrentou ao escrever The Newsroom, especialmente após o sucesso de West Wing?

Aaron Sorkin: O maior desafio, eu acho que é o mesmo desafio que enfrentei quando escrevi minha primeira peça, "A Few Good Men". Apenas saber que eu queria ambientar um programa numa sala de redação não era o suficiente, alguma coisa tinha que acontecer.

Internauta: Qual é a maior diferença entre escrever para a televisão e escrever para o palco?

Aaron Sorkin: Duas grandes diferenças. Uma, com TV (e com Cinema), eu procuro usar a câmera como um personagem. Eu posso mover lentamente em direção a alguma coisa, e isso lhe diz que aquilo é importante. No palco, eu não posso direcionar o público para onde olhar. Mas eu realmente só sei escrever peças de teatro; porém, mesmo quando estou escrevendo um programa de TV, eu deixo os diretores verem o que é interessante. A outra grande diferença é que, quando estou escrevendo uma peça de teatro e a escrita não está indo bem, eu posso parar e começar de novo. Com uma série de TV, você tem prazos rígidos, o que significa que eu tenho que escrever, mesmo quando não estou escrevendo bem, e isso é uma pílula difícil de engolir. Em uma temporada de 10 episódios, um daqueles episódios vai ser o seu décimo melhor e eu não sou bom o suficiente para o meu décimo episódio ser bom o suficiente.

Internauta: Você mencionou Jejum de Amor. Algumas pessoas têm comparado o seu estilo de diálogo com esse filme. Ele te influenciou de alguma forma?

Aaron Sorkin: Sim, eu adoro Jejum de Amor e as comédias românticas dos anos 30 e 40, e as séries sobre locais de trabalho dos anos 30, 40 e 50, também. Eu adoro o som dos diálogos, as palavras colidindo umas com as outras, os duetos staccato… Eu acho que a influência de Jejum de Amor é bem clara em The Newsroom.

Internauta: Quando você está criando um novo programa, o quão longe você planeja? Duas temporadas, três? E, uma vez que faz esses planos, você se compromete com uma bíblia?

Aaron Sorkin: Com The Newsroom é a primeira vez que eu fiz qualquer planejamento. Com os outros programas que fiz, eu estava realmente improvisando na época. Com The Newsroom, eu sabia qual seria o arco da temporada quando comecei. Há algum espaço para fazer ajustes de curso ao longo do caminho. Em geral, a primeira temporada de The Newsroom é uma história de 10 horas dividida em três atos.

Internauta: Você sente que tem mais liberdade escrevendo para a HBO, em vez de uma série de um canal de TV aberto?

Aaron Sorkin: Sim, mas a melhor parte não é apenas a liberdade criativa. Um dos desafios da TV é que a TV, historicamente, tinha uma relação muito passiva com o seu público. As pessoas assistem TV quando estão folheando uma revista, cuidando do jantar ou falando ao telefone. O público da HBO está acostumado a assistir a um programa de TV do jeito que eles assistiriam a um filme ou uma peça de teatro – do início ao fim. A outra diferença é que, apesar de nós querermos que o maior número possível de pessoas assistam ao programa, importa quem está assistindo ao programa. Com a HBO, você tem créditos finais, e a razão pela qual isso é importante é que o último momento de uma canção, ou de um livro, ou de uma peça de teatro, ou de um filme, ou de um episódio de TV é feito para ressoar. Com um programa numa das redes de TV aberta, você pode ter um dos últimos momentos e imediatamente ter que fazer um corte abrupto para um comercial, não permitindo que o momento ressoe. Quando tem os créditos finais, você tem música permitindo que o público respire e realmente experiencie o fim de um programa.

Internauta: Qual próximo episódio da série você está mais animado para que o público veja?

Aaron Sorkin: A resposta a essa pergunta será sempre "o próximo".

Internauta: Eu amei a comédia do piloto. Você tem um processo para onde e quando inserir humor no drama?

Aaron Sorkin: Eu acho que quando você pode contar uma história séria de forma engraçada, você está se fazendo um grande favor. Há muita comédia maluca e comédia romântica em The Newsroom. A série é realmente feita para ser assistida com pipoca. Mas não, eu não tenho uma fórmula, é apenas instinto.

Internauta: Nós estamos vendo um Sam Waterston que é muito divertido de assistir. Como tê-lo interpretando esse papel afeta a gama de desenvolvimento de seu personagem?

Aaron Sorkin: Se você acha que o Sam é divertido agora, você ainda não viu nada.

Internauta: O que você mais gosta de escrever? Diálogos ou monólogos? Eles servem a propósitos diferentes para você, dramaticamente?

Aaron Sorkin: Eu adoro escrever ambos. Você tem que escolher os lugares onde vai ter um discurso. Os musicais funcionam melhor quando os personagens têm de cantar, quando falar não vai dar mais resultado… quando você não pode simplesmente dizer: "Ei, eu acabei de conhecer uma menina chamada Maria e eu realmente gosto dela", você simplesmente tem que cantar isso. Da mesma forma, um discurso funciona melhor quando o ritmo normal de uma conversa simplesmente não resolve mais.

Internauta: Então, por que você definiu a história de The Newsroom para começar em 2010?

Aaron Sorkin: Eu queria ambientar The Newsroom no passado recente porque eu não queria inventar notícias falsas. Eu escolhi 2010 porque, no momento em que percebi que o truque ia ser a ambientação da série no passado, aconteceu de eu estar olhando cenas do derramamento de óleo da Deepwater Horizon.

Internauta: Quem é o seu personagem favorito de escrever?

Aaron Sorkin: Eu amei escrever todos os personagens. O programa tem um ótimo banco de reservas e há muitas bocas para alimentar, mas esse é um problema que qualquer escritor ficaria feliz em ter.

Internauta: O que é mais importante para você – trama ou personagem?

Aaron Sorkin: Tudo é importante para mim. O personagem só se revela através da trama. Eu não gosto de dizer ao público quem o personagem é, eu gosto de mostrar ao público o que o personagem quer.

Internauta: Há muitos personagens jovens em The Newsroom que surpreendem e tornam humildes os seus superiores: Você já teve uma experiência assim como escritor?

Aaron Sorkin: Eu sou surpreendido e me deixam humilde o tempo todo. Eu trabalho com um grande grupo de pessoas. Muitos dos quais são assustadoramente jovens e incrivelmente brilhantes.

Internauta: Você mencionou filmes de Frank Capra no episódio "We Decided To" [“Nós Decidimos”] – seus filmes foram um fator contribuinte para você, e como você via a vida norte-americana?

Aaron Sorkin: Eu adoro os filmes de Frank Capra, e aquele momento em particular foi concebido como um insulto indireto para MacKenzie. Don Keefer (Tom Sadoski) disse que MacKenzie foi trancada numa sala e foi mostrado a ela filmes de Frank Capra até ela ter 21 anos, para indicar que ela é uma patriota americana ingênua e excessivamente ardente.

Internauta: Onde você estava quando as notícias do derramamento de óleo da BP vieram à tona? Você pode falar sobre a jornada a partir desse momento em sua vida até a sua inclusão na série?

Aaron Sorkin: Não me lembro de onde eu estava quando a história veio à tona, mas no dia 55 do derramamento eu estava flanando na MSNBC em Nova York, sendo uma mosca na parede, e estava prestes a desistir de todo o programa, porque eu simplesmente não conseguia descobrir como poderia fazer isso sem inventar notícias falsas (e, obviamente, eu não ia ser capaz de saber o que era notícia quando o episódio estivesse no ar). Eu estava sentado lá, em uma cadeira, pensando que era isso, e que eu ia ter que desistir. Enquanto estava pensando todas essas coisas, eu estava olhando para imagens da câmara do vazamento de 24 horas e foi aí que eu pensei: o programa não tem que acontecer hoje. Podemos começar o piloto, e pode parecer com qualquer outro piloto, nós temos todas as razões para supor que isto é hoje, quando, de repente, um computador emite um sinal sonoro com o iNews (o que ocorre cerca de 100 vezes por dia e, geralmente, não é nada) e nós ouvimos que um poço de petróleo explodiu no Golfo do México e uma legenda aparece na tela e percebemos que tudo o que estamos assistindo aconteceu há 2 anos. Isso não só resolveria o meu problema de inventar notícias falsas, mas acrescentaria elementos de história que são divertidos. Por exemplo, quando o público sabe mais do que os personagens, e nós estamos vendo eles correrem atrás. É interessante, por exemplo, no episódio 7, observar os personagens perceberem que os estranhos bips e textos eles estão recebendo em uma festa toda para "nós matamos Bin Laden".

Internauta: Você lê as críticas ao programa ou apenas se concentra na escrita e não se preocupa com o que as outras pessoas pensam sobre isso?

Aaron Sorkin: Uma das coisas boas da HBO é que a temporada inteira é escrita e rodada antes do primeiro episódio ir ao ar. Isso remove qualquer tentação de mudar a sua escrita a fim de mudar a mente de seus críticos.

Internauta: Você começa com a história ou com o diálogo, quando escreve?

Aaron Sorkin: Eu tenho que começar com uma intenção e um obstáculo. Alguém quer alguma coisa e algo está no meio de seu caminho para consegui-lo.

Internauta: Como você gerencia projetos, em termos de atenção? Por exemplo, você trabalha em um roteiro enquanto outro já está em andamento?

Aaron Sorkin: Eu dou 100% de minha atenção para aquilo que está bem na minha frente. O último ano e meio tem sido todo Newsroom. Eu estive escrevendo um roteiro enquanto outro estava sendo gravado, e outro estava sendo editado, e outro estava sendo preparado. Nós fechamos a primeira temporada e, obviamente, eu estou fazendo divulgação, mas agora posso voltar minha atenção para a adaptação cinematográfica da biografia de Walter Isaacson de Steve Jobs, e para um novo musical da Broadway no qual eu estou colaborando com Stephen Schwartz (Wicked, Godspell, Pippin), que se passa durante os últimos minutos da vida de Harry Houdini. Vai ser estrelado por Hugh Jackman, e estrear em 2013. Eu também vou estar me preparando para escrever a história do julgamento de Jihn Edwards, que acaba de ser concluído em Greensboro.

Internauta: Qual é a sua expectativa para este programa? Você acha que pode ser a base para discussões sobre jornalismo político "real", e quanto disso nos falta?

Aaron Sorkin: Discussões sobre jornalismo e acontecimentos atuais seria um grande bônus, mas este programa é para ser assistido com pipoca. Ele vai ter sucesso ou fracassar dependendo de como você está envolvido com os personagens e as histórias pessoais que começam a se desenrolar durante a primeira temporada.

Internauta: Você escolheu amarrar as tramas aos acontecimentos atuais anteriores. Qual foi o seu raciocínio por trás disso, e o quão recente você planeja, em relação aos acontecimentos atuais?

Aaron Sorkin: O programa foi ambientado no passado recente porque eu não queria inventar notícias falsas. Eu queria fazer o cenário de Jejum de Amor contra o pano de fundo de notícias de casos reais. Eu sabia quando a primeira temporada começava e quando terminava, e faz um ano este mês que a equipe e eu começamos a colar na parede da sala dos escritores cada uma das matérias jornalísticas daquele período de 18 meses.

Internauta: Por que Jeff Daniels foi escolhido para este papel? Grande escolha, aliás!!!!

Aaron Sorkin: Eu não poderia concordar mais. Eu tenho sido um fã de Jeff desde que ele fez 5th of July off-Broadway. A minha única preocupação foi que eu pensava que ele poderia ser agradável demais. (Will McAvoy, como você vai descobrir, é um cara traumatizado, com muito caos acontecendo lá dentro.) Jeff foi avisado que eu achava que ele era simpático demais, então ele veio para um almoço se reunir comigo decidido a demonstrar que ele é um filho da puta. Não deu certo – ele ainda é o cara mais legal do mundo – mas seu desempenho de "Deus da Carnificina" é o que lhe fez sentar na cadeira de âncora de Will.

Internauta: Você tem planos de chamar como convidados especiais quaisquer repórteres reais, como Christiane Amanpour, Jake Tapper, ou qualquer outra pessoa, no programa?

Aaron Sorkin: As pessoas reais só vão representar a si mesmas em imagens de noticiários. Há alguns programas nos quais ter elenco dublê é divertido (na verdade, eu representei a mim mesmo em 30 Rock e Entourage), mas eu acho que neste programa isso apenas pareceria fora de lugar. Esses personagens habitam uma versão aumentada e idealizada de uma sala de redação.

Internauta: De trabalhar em A Rede Social a West Wing (ambos incríveis obras de arte), qual é a maior diferença entre escrever para cinema e TV?

Aaron Sorkin: Quando eu estou escrevendo um roteiro de cinema e ele não está indo bem (que é a maioria das vezes) eu posso deixá-lo de lado por alguns dias. A única parte em relação à televisão que eu não gosto é que, por causa dos prazos rígidos, eu tenho que escrever quando não estou escrevendo bem. Eu tenho que colocar um roteiro sobre a mesa que eu sei que é fraco, e nós vamos filmar esse roteiro e você vai vê-lo. Em uma temporada de 10 episódios, um dos episódios vai ser o seu 10º melhor, e eu não sou bom o suficiente para ter o meu 10º melhor roteiro visto por um par de milhões de pessoas, mas isso é o que vai acontecer. É uma pílula difícil de engolir.

Internauta: O primeiro episódio de The Newsroom pareceu mais com assistir a uma peça do que à TV. Isso foi intencional, e se sim, por quê?

Aaron Sorkin: Fico feliz que você tenha captado isso. Eu realmente não sei como fazer qualquer coisa além de escrever peças, e então é isso o que eu faço, e eu deixo o diretor descobrir como torná-lo visualmente interessante. Greg Motolla, Alan Poul e nossos diretores convidados fizeram um trabalho fantástico trazendo toda a falação à vida.

Internauta: Como é a sensação de estar de volta ao jogo, na TV, anos após de West Wing; e a HBO lhe dá mais oportunidades que você não tinha antes?

Aaron Sorkin: Eu adoro séries de televisão, e a HBO é um lar fantástico para escritores, atores e diretores. Eles estão no negócio com o público, e não para os anunciantes, então a ênfase está menos em quantas pessoas estão assistindo, e mais em o quanto as pessoas que ESTÃO assistindo estão gostando do que veem.

Internauta: O primeiro par de minutos do seu novo programa foi uma declaração de missão que vai se desenrolar através do resto da série The Newsroom?

Aaron Sorkin: O primeiro episódio inteiro foi escrito como um prólogo para uma história de nove horas que vai se desenrolar durante os próximos nove episódios, na mesma estrutura de três atos utilizada em roteiros. É, na verdade, a metáfora do Don Quixote que se desenrola por toda a temporada (junto com referências a Camelot, Brigadoon, Atlântida e outras cidades imaginárias perdidas.)

Internauta: Óootima escrita, com várias tramas. Qual é o seu principal objetivo ao usar essa plataforma? Parabéns à HBO e à sua equipe por explorar esses temas.

Aaron Sorkin: Obrigado. Se nada mais, esta série vai mostrar às pessoas que são vocês que estão no comando do programa. Eu decidi ambientar a série no passado recente porque eu não queria inventar notícias falsas. Também é divertido quando o público sabe mais do que os personagens (ver Todos os Homens do Presidente).

Internauta: Eu tenho notado recentemente que a sua escrita está “sugando” seu trabalho anterior. Houve uma determinação de “chupar” de seu sucesso anterior?

Aaron Sorkin: Eu acho que essa é uma forma muito gentil de dizer a verdade – que é que eu tenho uma imaginação limitada.

Internauta: Com 12 episódios por temporada, como você escolheu quais notícias incluir? Você escolheu as suas *notícias* a partir de uma lista de casos realmente importantes, os que você acha que as pessoas vão lembrar, ou aqueles aos quais você acha que as pessoas não prestaram atenção suficiente na época?

Aaron Sorkin: Na realidade, é uma temporada de 10 episódios e, na maioria das vezes, não é uma notícia que determina quando um episódio ocorre, mas sim onde estamos no desenvolvimento dos personagens e de seus relacionamentos. As notícias são escolhidas com base em quanta história elas podem transmitir para os nossos personagens. A maior parte da equipe News Night é jovem, então, para eles, a morte de Bin Laden é a maior história de suas carreiras. Ela se encaixou bem no nosso cronograma, então, de jeito nenhum que eu ia deixar isso passar.

Internauta: Meu sonho é um dia escrever para a televisão, e você é uma das minhas maiores inspirações – é bom tê-lo de volta à TV. Que conselho você daria sobre escrever e ter sucesso na indústria?

Aaron Sorkin: Isso é muito gentil da sua parte dizer, e boa sorte com a sua escrita. O meu conselho seria ler um monte de roteiros – leia roteiros de filmes e séries de TV que você gosta. Em seguida, dê a si mesmo uma intenção e um obstáculo sólidos, e comece a escrever. Escreva muito, é preciso prática. Confie na sua própria voz. E leia Adventures in the Screen Trade, de William Goldman.

Internauta: Na escrita, o velho ditado é escrever o que você sabe. Você tem um bacharelado em Belas Artes. Você simplesmente usou uma fórmula específica de escrita a fim de criar essas histórias e personagens para preencher os espaços em branco? Além disso, onde foi fazer pesquisa para essas séries, e que tipo de experiência você tem em esportes, política e o dia-a-dia da sala de redação.

Aaron Sorkin: Eu quase nunca escrevi sobre algo que sei (se fizesse isso, eu estaria escrevendo muito sobre Pop Tarts.) Seja a Casa Branca, ou uma sala de redação, ou escrever código para um novo site de rede social, eu uso tutores especializados que me dão cursos rápidos, para que eu possa fazer você acreditar que os PERSONAGENS sabem sobre o que estão falando.

Internauta: Aquele era o Jesse Eisenberg ao telefone, como Eric Neal?

Aaron Sorkin: Você tem um bom ouvido. Era o Jesse, recitando quase literalmente uma entrevista que Eric Neal deu cerca de uma semana após o derramamento. Eu não coloco palavras falsas na boca de pessoas reais.

Internauta: Você sempre insere casualmente essas ideias sobre ser "engajado" e "revelar" [a verdade]. É este o seu modo de ser a mudança que você deseja para este país? Eu, pelo menos, concordo com esses ideais.

Aaron Sorkin: Eu concordo com eles também, mas, primeiro, último e sempre, eu tenho que obedecer às regras do drama e contar bem uma boa história.

HBO: Esse é todo o tempo que temos para o Perguntas & Respostas de hoje. Um enorme obrigado a Aaron Sorkin por se juntar a nós. Mais alguma coisa que você gostaria de dizer, Aaron?

Aaron Sorkin: Obrigado pelas ótimas perguntas, obrigado por estarem interessados na série, e, se vocês continuarem assistindo, ela vai recompensar.

======================================================

Uma ótima escrita pra você hoje!

31/07/2013

Aaron Sorkin Fala Sobre Escrita

Arquivado em: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:30
Tags: , ,

Continuando nossa série sobre o roteirista Aaron Sorkin, hoje temos este artigo escrito por William Robert Rich e tirado do site Screenplay How To. O artigo foi originalmente publicado em 10 de agosto de 2011:

the social network

Aaron Sorkin se mantém no alto escalão dos roteiristas na ativa. Jogos do Poder e A Rede Social são filmes fenomenais. O que vem a seguir, O Homem Que Mudou o Jogo, baseado no romance de Michael Lewis, parece fantástico. Sorkin ainda estava na casa dos vinte anos quando escreveu a peça Questão de Honra, vendendo os direitos do filme antes mesmo dela estrear.1 Isso não quer dizer que foi fácil…

Demorou dois anos para escrever Questão de Honra, já que o processo de escrita de Sorkin era tão meticuloso: "Eu escrevia até o fim e voltava e escrevia tudo de novo, voltava e escrevia tudo de novo, voltava e escrevia tudo de novo. Eu acho que, provavelmente, escrevi, sem exagero, cerca de vinte tratamentos de Questão de Honra."2

As horas gastas compensaram. Seu primeiro roteiro para Hollywood foi uma adaptação de sua própria peça, que aconteceu de atrair duas das maiores estrelas do mundo (na peça original, me disseram que a atuação de Stephen Lang no papel de Jessup gerou em Nicholson uma forte competição). Eu acredito que umas pessoas nascem para escrever e algumas realmente tem que trabalhar para isso. Sorkin nasceu para escrever.

Eu, de fato, tenho minhas críticas. A Rede Social está o mais próximo do impecável que poderia existir, mas poderia ter sido sólido da mesma maneira não usando o nome do Facebook. Os objetivos do roteiro (internamente, a necessidade de Mark de encontrar um verdadeiro amigo; externamente, o desejo de Mark de atrair a atenção dos clubes de veteranos) conduzem o filme e definem o personagem, mas os fatos nos dizem o contrário. Mark conheceu a garota que ele namorou exclusivamente desde 2003 (embora eles realmente tiveram uma breve separação) em uma festa de fraternidade: Uma festa organizada pela mesma fraternidade a que ele pertencia.3 Estas não são críticas do roteirista, mas da pessoa. Ele não está sozinho. Muitos têm feito isso e muitos vão continuar a fazê-lo sob o pretexto de "licença dramática". Para isso, eu só posso dizer que eles venderam muito mais bilhetes fazendo sensacionalismo da história do Facebook do que teriam sem isso. Cidadão Kane nos deu Charles Foster Kane, não um abastardamento da vida de William Randolph Hurst. Mas, de volta ao trabalho…

David Fincher conseguiu transformar o roteiro de 163 páginas de A Rede Social em um filme de duas horas. Isso é um bocado de roteiro, pessoal. Eu não posso evitar de imaginar Sorkin acendendo um cigarro no outro, furiosamente martelando um teclado por horas a fio. Quando me deparei com uma entrevista com ele comentando sobre seu processo de escrita, ao que parece, esse tipo de retrato pode não estar muito longe da verdade:

Uma vez que você tenha começado, ele diz, você tem que seguir em frente: "Não adie, não escreva um argumento. A diferença entre estar na página dois e estar na página nada é a diferença entre a vida e a morte. Eu não consigo encarar aquela página em branco com o cursor piscando, ela me deixa louco. Eu quero dar o primeiro passo, eu quero ter começado. E, uma vez que eu tenha começado, eu quero chegar ao fim, e, uma vez que estou no fim, eu sei muito mais sobre o que estou escrevendo, de modo que eu posso voltar e retirar tudo o que não tem relação com que eu estava escrevendo."4

Quantos realmente possuem a capacidade de apenas "seguir em frente?" Eu duvido que sejam muitos. Para mim, o argumento é a estrutura. É inútil pintar uma parede até que eu saiba o tamanho. Independentemente da maneira que você chega lá, isso só se resume a disciplina. O coração para escrever e reescrever até que você não possa dar mais. Mas para um cara como Sorkin, é vida e morte.

==========================================================================

Boa escrita pra você hoje! =)

29/07/2013

A Última Palavra: Aaron Sorkin

Arquivado em: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:00
Tags: ,

Oi, pessoal! Aqui está um post sugerido por nosso querido colega Antunes, uma pequena entrevista com o roteirista Aaron Sorkin, feita por Sean Woods para o Men’s Journal:

298_298_the-last-word-aaron-sorkin

O criador de Newsroom fala sobre escrita, arrependimento, e a única coisa que faz jus à falação:

Que conselho você daria ao seu eu mais jovem?
Para tentar aproveitar as coisas um pouco mais e não ser tão nervoso com tudo. Gostaria de dar um monte de conselhos, porque eu fiz um monte de erros. Certamente, eu diria a mim mesmo para não experimentar drogas. Uma vez que você fizer isso, vai mudar a trajetória de sua vida de uma maneira terrível.

As drogas não ajudam o processo criativo, pelo menos por um tempo?
Sim. Se vamos ter uma conversa realmente honesta sobre isso, as drogas não prejudicaram nem um pouco o meu conjunto de realizações. O meu grande medo quando eu parei com as drogas era de que eu não seria mais capaz de escrever. Porque, se você é um escritor e está numa maré boa – e eu estava numa maré boa quando estava “alto” –, você não quer mudar nada em relação à sua maneira de trabalhar. Mas eu estou limpo há 11 anos agora, e tenho sido muito mais produtivo nesses 11 anos do que eu era nos 11 anos anteriores. Mas, mesmo se eu não tivesse sido, isso não teria valido a pena.

O que te motiva?
Minha maior motivação é que eu amo escrever. E eu adoro produzir um programa. Além disso, o medo do fracasso é uma grande motivação. Cerca de um ano e meio atrás, eu ganhei o Oscar e saí do palco e fui levado por um labirinto de salas de imprensa, e não acho que cinco minutos se passaram antes de pensar comigo mesmo: "Ah, merda… agora eu tenho que fazer isso toda vez, ou é um fracasso."

Qual é a melhor maneira de terminar um relacionamento?
Eu tive que acabar com alguns. Eu tenho um divórcio fantástico. Julia, minha ex-mulher, e eu nos separamos quando a nossa filha Roxy tinha apenas cinco meses de idade, de modo que seus pais vivendo separados é a única vida que ela já conheceu. Nós não a passamos de lá para cá, não há nenhuma programação. Nós muitas vezes fazemos coisas como uma família. Nós tiramos férias juntos, vamos jantar fora juntos. Nós saímos juntos. Eu me considero extremamente sortudo por ter esse tipo de divórcio. Então o que quer que nós fizemos é o jeito de se fazer.

Como ser pai tem mudado você?
Ser pai é a única coisa que faz jus à falação. Quando estou com a minha filha – quando estamos fazendo lição de casa juntos, ou saindo e assistindo a um filme, ou chutando uma bola de futebol por aí, ou fazendo qualquer uma das coisas que fazemos – esta é a única hora que sinto que estou fazendo o que eu deveria estar fazendo. Quando estou com a Roxy, é um grande alívio deixar de ser a coisa mais importante na minha vida.

Como é que um homem sabe quando alguém está enganando ele?
Aqui está o problema: quando alguém está te enganando, eles geralmente estão te dizendo algo que você quer ouvir, então você não quer que aquilo seja mentira, e portanto você não ativou o seu detector de mentira. É por isso que, quando você puder encontrar pessoas que são honestas com você, você deveria ficar perto delas.

Qual é a coisa que todo homem deveria experimentar antes de morrer?
Bem, o amor, com certeza, e um bife no Peter Luger.

Como um homem deve envelhecer?
O truque é que é muito fácil ficar com raiva dos jovens, porque você está tão invejoso deles. Eles têm tanto mais de sua vida sobrando. Eles têm mais energia do que você, o mundo é meio que calibrado na direção deles. Esqueça isso. Não vai fazer nenhum bem.

O que os americanos não entendem sobre Hollywood?
Sabe, sempre meio que me faz rir quando a Direita acha que Hollywood é anti-Estados Unidos. Nenhuma indústria chegou mais perto de criar a ilusão desses Estados Unidos do que Hollywood chegou. Nós somos aqueles que criaram a ideia do pioneirismo no Oeste, com John Wayne. Nós somos aqueles que criaram a imagem de um núcleo familiar americano, onde todo mundo é feliz. Nós fizemos tudo isso. Você tem a imagem dos Estados Unidos que tem porque nós a inventamos e a colocamos numa tela.

Como um homem deve lidar com o arrependimento?
Oh, Deus, o arrependimento é o pior. Tem um monte de coisas na minha vida de que eu me arrependo, mas se eu puder encontrar uma maneira de traçar uma linha a partir daquela coisa até a minha filha, e dizer: "Se não fosse por aquela coisa idiota, eu nunca teria feito essa coisa idiota, o que me levou a esta coisa boa, o que me levou a Roxy." Então eu me sinto ótimo. Então eu não me importo.

======================================================

Uma ótima escrita pra você! =)

Próxima Página »

O tema Rubric Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.210 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: