Um escritor de TV consegue a oportunidade de uma vida, mas, como uma trágica reviravolta na história, o destino intervém.
Como eu aprendi na quarta série, quando a minha primeira paixão me disse, ah… tão eloquentemente, “Se manda, esquisitão!”, nem tudo o que você busca na vida vai funcionar como planejado. Agora, na idade madura e avançada de 28 anos, nada me fez lembrar mais daquela lição escolar do que quando eu recentemente apresentei a ideia do meu primeiro programa para uma rede de TV.
Depois de trabalhar em TV e Cinema pelos últimos sete anos, passando de um estagiário a um assistente de produção, e ao escritório dos roteiristas, eu decidi me mudar de Nova Iorque para Los Angeles. Eu estava por aqui há oito meses quando, durante uma reunião, eu mostrei de improviso uma ideia de programa para os executivos de desenvolvimento. “Nós entraremos em contato”, eles disseram, que em Hollywood significa “Você nunca vai ouvir de nós novamente.” Mas então eles fizeram algo estranho. Eles entraram em contato.
“Nós queremos que você venha e apresente a ideia.” Peraí. Esta foi apenas uma ideia que eu tive. Nem mesmo uma ideia – uma semente de ideia! E agora eles queriam que eu viesse com uma flor completamente crescida? Em menos de uma semana.
Menos de uma semana? Eu nunca tinha tentado vender a ideia de um programa antes. A minha única noção preconcebida de como apresentar a ideia de um programa foi quando eles fizeram isso em Seinfeld, mas eu duvidava que me basear no George Costanza fosse me ajudar a passar por isto.
Normalmente, apenas 10% do processo de escrever é a escrita de fato. Os outros 90% são uma sutil mistura de procrastinação e insegurança. Mas não havia tempo para nada disso. Eu tinha que delinear a premissa. Descobrir os pontos de virada. Quem são os meus personagens? Eu não sei!
Quais são os seus relacionamentos? Sei lá! Episódios futuros? Não tenho nenhum!
E isso era apenas metade da coisa. Porque eu também precisava descobrir como ficar na frente destes executivos e realmente vender o programa. Como escritor, você está condicionado a se comunicar por detrás do conforto de um notebook e uma tigela grande de Cookie Crisp.

Precisando de conselhos sobre como vender, eu me voltei para o meu amigo Scott, um vendedor de carros. “Sorria, faça contato visual, e transpire confiança”, ele disse. “Faça com que eles lhe queiram mais do que você os quer.”
Então eu dirigi para a casa do meu colega de trabalho, Frank, no meu recém-comprado e apenas um pouco usado Chevy Silverado 1994 (o que eu posso dizer? O Scott é um bom vendedor). Lá, Frank disse: “Apenas saiba sobre o que você está falando.” Eu achei que era um bom conselho, até perceber que talvez esse fosse o jeito dele de me dizer que eu normalmente não sei sobre o que estou falando.
Por último, me disseram para “praticar várias e várias vezes na frente do espelho.” Isso é fácil – eu passo a maior parte do meu tempo na frente do espelho, de qualquer forma. Isso ia ser mamão com açúcar!
CORTA PARA: Dia da apresentação. Eu entrei na rede de TV com o meu sistema de apoio intacto (meu empresário, meu agente e meus dedos cruzados). Nós nos sentamos junto aos belos, bem-vestidos e inteligentes executivos de TV (Sim, eu estou sendo puxa-saco, mas, ei, eles podem estar lendo isto).
Eu comecei a me apresentar. O entusiasmo deles crescia conforme eu falava, o que acabou me deixando entusiasmado. Eu respondi suas perguntas. Fiz eles rirem. A minha braguilha não estava aberta. Isto estava indo bem.
Daí veio o jogo de espera. Eu estava preparado para o pior. Afinal de contas, a maioria das ideias de programas não são vendidas.
Cinco dias mais tarde, eu recebi o telefonema – eles vão comprá-la!
Eles perguntaram se eu estaria disposto a escrevê-la como uma sitcom tradicional de múltiplas câmeras, em oposição à comédia de uma única câmera, como eu originalmente propus. Eles estão brincando? Eu a escreveria legendada em alemão, se eles quisessem que eu fizesse isso. Eu estava exultante. Eu consegui! Vou começar a usar caros óculos escuros dentro de casa e comer omeletes de caviar em todas as refeições.
CORTA PARA: 68 dias e 11 horas depois (mas quem está contando?)
Um executivo recém-contratado entrou na rede de TV. Fez algumas mudanças. E, por mudanças, eu não me refiro à troca do adoçante da cozinha do escritório de Splenda para Sweet’n Low. Não, a mudança foi botar um fim ao desenvolvimento de roteiros da emissora, para focar em reality shows.

E, como resultado… o meu piloto não iria em frente.
Mas, ei, isto acontece o tempo todo. Muitos escritores ganham a vida vendendo ideias que nunca são produzidas. Apesar disto tudo, os escritores de TV continuam a ser um bando de otimistas. “Claro, o piloto dele não foi escolhido, mas isso não vai acontecer com o meu programa.” As únicas pessoas que dizem “isso não vai acontecer comigo” mais do que os roteiristas de TV estão nervosamente sentadas em clínicas de saúde, tendo perdido a conta de seus casos de uma noite. Exceto que, diferente delas, a penicilina não pode curar a dor do escritor de ter um acordo de piloto firmemente no lugar, só para tê-lo retirado 68 dias e 11 horas mais tarde (mas, sério, quem está contando?)
Então, depois da minha primeira experiência apresentando, vendendo e perdendo o meu próprio programa… eu ainda amo este negócio?
Totalmente. E, ao que parece, a quarta série fez um trabalho dos diabos me preparando para ele.
Lasky tem trabalhado com a equipe de roteiristas da série Bored to Death, da HBO, e tem escrito monólogos de piadas para The Late Show With David Letterman.