Dicas de Roteiro

10/01/2013

História Primeiro, Personagens Depois

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 07:00
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O texto de hoje é do roteirista John August, e foi tirado do blog dele:

what's your story

Qual é a sua história?

Eu frequentemente me pego escrevendo metade de um roteiro e depois jogando-o na lixeira porque meus personagens perderam totalmente seu rumo. Como faço para me basear em meus personagens para me ajudarem, de forma que eles conduzam a história no rumo deles?

– Colin

No seu caso, eu lhe encorajaria a realmente descobrir o final de sua história antes de começar a escrever. Caso contrário, é muito fácil continuar a escrever cena após cena e acabar com personagens interessantes em uma confusão de história.

Uma armadilha que muitos escritores principiantes encontram – especialmente aqueles que já leram alguns dos livros mais famosos de roteiro – é tomar o truísmo "história impulsionada pelo personagem" literalmente demais. Sim, os filmes mais envolventes e de maior sucesso são aqueles em que os personagens parecem estar no controle de seu próprio destino, onde cada virada do enredo parece derivar de um elemento de sua personalidade.

Mas é ingênuo pensar que tudo que um escritor tem de fazer é criar personagens incríveis e vê-los ir trabalhar. A verdade é que grandes personagens são inúteis a não ser que os vejamos fazendo coisas interessantes – e criar essas coisas é o trabalho do roteirista. Não comece a escrever até que você saiba tanto quem são os seus personagens quanto o que eles vão fazer.

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Boa escrita pra você hoje! =)

07/01/2013

Eu Ouço Vozes – Por Fred Ritzenberg

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 07:00
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O artigo de hoje é do roteirista, diretor, produtor de filmes e professor universitário de roteiro Fred Ritzenberg, e foi tirado do site Script Frenzy:

i_hear_voice

“EU OUÇO VOZES”

Fred Ritzenberg compartilha os seus pensamentos sobre o desenvolvimento de personagens durante a reescrita.

Fred_Ritzenberg

Eu estava sentado no meu escritório na BDFI uma noite, quando olhei pela janela e vi um garoto, com um cabide dobrado, caminhando até um carro. Eu não sabia o que fazer. Deveria bater na janela e chamar sua atenção? Deveria chamar a polícia? Deveria correr pela rua e espantá-lo?

Enquanto eu estava me recompondo mentalmente, uma estudante entrou em meu escritório e me viu olhando para fora da janela. "Ah, aquele pobre cara trancou as chaves dentro do carro dele. Eu fiz isso na semana passada", disse ela.

Ok, então, nós dois estávamos assistindo a mesma coisa, mas vendo algo muito diferente. Então, me lembrei de uma experiência semelhante que eu tive cerca de 25 anos atrás, quando um garoto invadiu o carro da minha esposa e levou-o para um passeio.

A minha realidade estava sendo filtrada por essa experiência, assim como a da minha aluna estava por sua experiência recente, onde ela trancou as chaves no carro dela. No entanto, nós dois estávamos assistindo a mesma coisa. Quem vai dizer quem estava certo? Em outras palavras, tudo o que nós vemos é distorcido. Pense sobre o Rashomon de Kurosawa. A nossa percepção da realidade é filtrada através da distorção das nossas experiências de vida.

Ok, então para onde é que isto está indo? Aqui está a resposta. Para escrever um personagem, você precisa ver o mundo através de seus olhos… de seus olhos DISTORCIDOS. Então, o meu melhor conselho é escrever uma "biografia do personagem" sobre cada um de seus personagens. Escreva-a na primeira pessoa. Dessa forma, você se torna o personagem e vê o mundo da maneira como eles veem o mundo.Tente encontrar um "momento decisivo" em suas vidas que os fez quem eles são hoje.

O objetivo de escrever uma biografia do personagem é ajudar você a encontrar a VOZ de seu personagem. Uma vez que você tenha encontrado essa voz, ele/ela irá dizer-lhe como é que vai reagir a qualquer situação. Essa reação define quem eles são, e não quem eles pensam que são. Há uma grande diferença. "A adversidade apresenta um homem a si mesmo", disse Samuel Johnson.

Ao continuar com o processo de escrita, escrevendo versão após versão, você vai descobrir coisas novas sobre os seus personagens, então tenha em mente que as suas Biografias são documentos vivos. Elas vão crescer conforme a sua história se desenvolve.

Você também vai descobrir como cada personagem secundário ajuda a construir a história do protagonista. Eles estão lá por uma razão, e uma razão apenas, para nos ajudar a aprender mais sobre o protagonista. E certifique-se de que cada personagem esteja no centro de seu universo. Eles são seus próprios protagonistas.

Meu último conselho é, "Mate Seus Queridos". Acho que isto pode ser erroneamente creditado a Faulkner, mas quem quer que disse isso estava certo. Isso significa que nós não pensamos claramente quando estamos apaixonados. Já ouviu a expressão, "Idiota Apaixonado"? Nós não tomamos boas decisões quando estamos nos sentindo emotivos. Então, esteja aberto para mudar as coisas de que você gosta. Você somente pode dar à sua história a vida que ela merece.

E lembre-se, quando você estiver matando seus amados, use um bisturi, não um machado.

The voices aren't real

“EU SEI QUE AS VOZES NÃO SÃO REAIS.

MAS ELAS TÊM ALGUMAS IDEIAS REALMENTE ÓTIMAS!”

Boa escrita pra você hoje! =D

07/03/2012

Explorando o Lado Sombrio: A Jornada do Anti-Herói

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:40
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O artigo de hoje, do site Writers Store, foi escrito pelo autor James Bonnet:

james-bonnet

Você, sem dúvida, já ouviu falar dA Jornada do Herói. Neste artigo, nós vamos explorar a jornada menos conhecida do ANTI-herói e o inexplorado lado sombrio da passagem – o lugar onde as forças das trevas vivem e planejam seus esquemas nefastos. Na vida real, é gente como Hitler, Jack, o Estripador e Saddam Hussein, que personificam estas forças das trevas. Nas histórias, são grandes vilões como Voldemort, Hannibal Lecter, Darth Vader e Satanás, que encarnam o lado sombrio.

Harrison Ford, como Indiana Jones, Jodie Foster, em O Silêncio dos Inocentes, e Sigourney Weaver, em Alien, são heróis. Suas ações são motivadas e influenciadas por uma natureza superior. Macbeth, Scarlett O’Hara, e Michael Douglas, em Wall Street, são anti-heróis. Suas ações são motivadas por uma natureza inferior, primordial.

A natureza superior liga o herói às energias criativas que procuram superar os estados negativos e alcançar os estados superiores de ser. Isso inspira-o a aproveitar o dia, a ser criativo e virtuoso, corajoso e justo. É uma fonte de grande poder, e motiva o herói a fazer sacrifícios e realizar grandes coisas.

A natureza inferior liga o anti-herói ao lado físico e animal de sua natureza. É um eu mundano, que busca as coisas terrenas. Escondidas na matriz de suas energias sedutoras estão a libido e o id – a fonte de nossos mais básicos instintos, apetites e impulsos, aqueles que controlam a fome, o sexo e a agressividade. Eles competem com a natureza superior pela influência sobre o herói e o anti-herói, e eles são os principais opositores a toda mudança positiva.

A marca dos heróis é o sacrifício pessoal. Eles personificam o lado positivo e altruísta do ego, e suas jornadas revelam o lado positivo da passagem. O modus operandi dos anti-heróis é o ato anti-social. Eles personificam o lado negativo e egoísta do ego, o lado que deu à palavra ‘ego’ um mau nome, e suas jornadas revelam o lado sombrio ou inferior do ciclo.

Vilões tornam-se anti-heróis quando a história é sobre eles; quando nós vemos o processo que eles passam para tornarem-se vilões. Essa é a única diferença. Ambos são motivados pelos mesmos impulsos mais baixos da personalidade. Darth Vader é um vilão na parte IV de Guerra Nas Estrelas, mas, sem dúvida, será o personagem central e um anti-herói na Parte III, quando ele está sendo atraído para o lado negro.

No lado positivo da passagem, o herói resiste à tentação e sobe a escada.

No lado negativo, o anti-herói cede à tentação e desce a escada.

Enquanto o herói representa aquela parte de nós que reconhece os problemas e aceita a responsabilidade, o anti-herói é o desejo de poder e a ganância insaciável, o lado materialista, faminto de poder e tirânico de nossa natureza; o lado que quer possuir tudo o que deseja, sem limites, e controlar tudo o que necessita. Na vida real, este é o Hitler, o Stalin e o Mao Tsé-Tung. Nas histórias, é o Pequeno César, o Michael Corleone, e o Commodus de Gladiador.

Os estágios do lado positivo da passagem são: separação, iniciação, integração e renascimento. As ações dos heróis em histórias como A Lista de Schindler, Armageddon, Coração Valente, O Fugitivo e Mulan ajudam a iluminar estes passos.

Os estágios do lado negativo são: fixação, regressão, alienação e morte. Os anti-heróis de histórias como "Édipo", "Fausto", Drácula, …E o Vento Levou, Cidadão Kane e, mais recentemente, Jurassic Park, Onze Homens e Um Segredo, e A Cartada Final ajudam a delinear este lado do caminho.

Histórias focadas no lado positivo focam-se no caráter do herói e giram em torno de fazer o herói entrar ou retornar para a luta. Essas histórias são sobre a transformação do caráter do herói, e mostram o herói sendo trazido de volta a um quadro heroico da mente, e retornando à luta.

Histórias focadas no lado negativo focam-se na corrupção, em vez de na reabilitação de algum anti-herói. Otelo, Macbeth, Corpos Ardentes, Atração Fatal e O Poderoso Chefão estão todos focados no lado negativo. O "Paraíso Perdido", de John Milton, é todo sobre os esforços de Satanás para corromper Adão e Eva. ‘Macbeth’, que começa no lado positivo após a batalha culminante, está focado no lado negativo e é todo sobre a corrupção e a culpa de Macbeth. ‘Otelo’ está focado no ciúme e é todo sobre a destruição do Mouro por seu servo, Iago.

O objetivo do herói é libertar uma entidade como uma família, um país ou uma galáxia da tirania e da corrupção que causaram um estado de infelicidade, e criar uma nova, unificada e restaurada. O objetivo do anti-herói é tomar posse de uma entidade e redirecioná-la em direção a objetivos que satisfaçam seus próprios desejos e necessidades, que é acumular, controlar e desfrutar de tudo o que precisa para satisfazer seus desejos insaciáveis ​​por objetos dos sentidos, segurança, riqueza e território. Em termos modernos, estamos falando de dinheiro, sexo e poder. Psicologicamente, estes são os apetites e desejos do eu inferior tomando posse do eu consciente, e redirecionando seus objetivos.

Depois do herói completar o lado positivo da passagem, ele pode, como Adão e Eva, Rei Davi ou o Robert DeNiro em Touro Indomável, ser transformado em um novo anti-herói, e ser atraído para o lado negativo. Quando isto acontece, novas forças das trevas são despertas, e o progresso do herói é invertido. E onde havia iniciação, agora existe regressão; onde havia integração, agora existe alienação; onde havia força, agora existe fraqueza; onde havia amor, agora existe luxúria; onde havia unidade, agora existe polaridade; onde havia um super-herói, agora existe um tirano; e onde a humanidade do herói estava sendo despertada, a humanidade do anti-herói está sendo desligada. Sua generosidade tornou-se ganância descontrolada; sua compaixão tornou-se ódio e aversão. Onde havia celebrações, agora existem orgias; e onde havia um paraíso, agora há um inferno.

Às vezes, os ciclos são contínuos. Na saga de ‘Guerra Nas Estrelas’, Darth Vader começa do lado positivo como um Jedi, um jovem herói alinhado com a Força, mas depois ele deserta para o Lado Negro, torna-se um anti-herói e ajuda a acarretar o estado de tirania. Mais tarde, com o alvorecer de um novo lado positivo, um novo herói, Luke Skywalker, guiado pela Força, surge para se opor a ele. Estes ciclos alternantes de mudança-de-sorte são os motores que impulsionam todo este processo.

Você pode dizer de que lado do ciclo o seu personagem principal está através de quem está iniciando a ação. No lado negativo, o mal é agressivo e o bem está na defensiva. No lado positivo, é o contrário – o bem é agressivo e o mal está na defensiva. Histórias que terminam no lado positivo, terminam felizes. Histórias que terminam no lado negativo, invariavelmente terminam tragicamente. O falecimento do anti-herói com muita frequência está ligado às suas paixões exageradas e descontroladas. A miséria que o anti-herói cria finalmente torna-se insuportável, e ele tem de ser destruído. Um novo herói, com uma visão, tem que assumir a causa e persegui-la.

Na verdade, nós temos uma grande dívida com os vilões e anti-heróis fictícios. Eles criam os problemas que os heróis têm de resolver e que cria a necessidade de uma história que revela o funcionamento interno do lado sombrio de nós mesmos. Sem Darth Vader e o Imperador do Mal, não haveria Império do Mal, e não haveria a necessidade de salvar a galáxia. Sem Hannibal Lecter e Buffalo Bill, não haveria nenhum problema para a Clarice e o FBI resolverem. E sem esses problemas, não haveria revelações concernentes à luta básica entre o bem e o mal, e nada a relatar na história. Sem as ações destas forças negativas, haveria muito poucas histórias para contar, e as forças que motivaram Hitler e Jack, o Estripador, permaneceriam eternamente um mistério para nós. Lidar com o lado sombrio da história nos ajuda a lidar com o lado sombrio de nós mesmos.

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Uma ótima escrita pra você hoje! ^.^

04/03/2012

O Vilão

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:00
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Atendendo a um pedido de um colega nosso por informações sobre anti-heróis, publicaremos alguns artigos sobre o assunto. O texto de hoje foi escrito por Melanie Anne Phillips (criadora do software StoryWeaver e co-criadora do Dramatica) e publicado originalmente no site Storymind:

Coringa

Um vilão é a antítese dramática de um herói, e, portanto, tem os quatro seguintes atributos:

  • Ele é o Antagonista
  • Ele é o Personagem de Influência
  • Ele é o segundo em destaque em relação ao Personagem Central
  • Ele é um Cara Mau

Pelas nossas definições para este livro: O Antagonista é o Principal Obstáculo na trama – o principal obstáculo para a realização do objetivo geral da história.

O Personagem de Influência é o personagem mais persuasivo – o que assume a posição de advogado do diabo em relação à questão pessoal ou moral sobre a qual a história parece ser.

O Segundo Personagem Mais Proeminente é o que se destaca mais fortemente entre os jogadores, excetuando o herói.

O Cara Mau é o porta-estandarte da imoralidade – o personagem cuja intenção é fazer a coisa errada.

Juntando tudo, então, um vilão tenta impedir que a meta seja alcançada, representa o contraponto à posição do público na história, é o segundo personagem mais proeminente, e procura fazer a coisa errada. Agora podemos ver que quando criamos um herói que era um cara mau e outro que era um antagonista, estávamos na verdade tomando emprestado atributos do vilão. Da mesma forma, o vilão pode pegar emprestado atributos do herói. Por exemplo, podemos moldar um personagem com os quatro seguintes atributos:

  • Antagonista
  • Personagem de Impacto
  • Segundo Mais Proeminente
  • Cara Bom

Tal personagem poderia ser um amigo de um anti-herói (um herói que é um Cara Mau), tentando impedi-lo de cometer um erro terrível. Imagine que o anti-herói esteja tentando alcançar um objetivo, represente a posição do público, seja o mais proeminente, mas tenha más intenções. O Cara Bom variação de vilão teria boas intenções e, portanto, tentaria frustrar o plano maligno do anti-herói (antagonista), mudar sua mente (personagem de impacto) e seria o segundo jogador mais destacado depois do anti-herói.

Outra variação do vilão típico poderia ser:

  • Protagonista
  • Personagem de Influência
  • Segundo Mais Proeminente
  • Cara Mau

Na verdade, é esta combinação que é utilizada com mais frequência em histórias de ação/aventura. Esse personagem põe as coisas em movimento ao instigar um plano maligno (protagonista/cara mau), tenta atrair o "herói" para o lado do mal (personagem de influência), mas é o segundo em relação ao "herói" somente em destaque.

Como podemos ver, trocar atributos entre o herói e o vilão abre um mundo de oportunidades para a criação de personagens mais interessantes e menos típicos. Mas estas não são as únicas maneiras de trocar atributos. Por exemplo, só porque o herói é um Cara Bom, não significa que o vilão tem que ser um Cara Mau.

Suponha que temos os dois seguintes personagens:

Herói Típico:

  • Protagonista
  • Personagem Principal
  • Personagem Central
  • Cara Bom

Vilão Atípico:

  • Antagonista
  • Personagem de Impacto
  • Segundo Mais Proeminente
  • Cara Bom

Aqui nós temos uma história sobre duas pessoas, uma tentando realizar alguma coisa, a outra tentando impedir isso. Uma representando a posição do público na história, a outra sendo a mais influente, com um argumento de mensagem de oposição. Uma é a mais proeminente; a outra, a segunda no interesse do público, mas ambas acreditam que estão fazendo a coisa certa.

Estes dois personagens estão dramaticamente em oposição. Eles estão em conflito, tanto externa, quanto internamente. Mas cada um é levado a fazer o que ele acredita que seja certo. Então, quem está certo? Bem, na verdade, é sobre isso que uma história construída em torno desses personagens seria!

Na verdade, a mensagem do autor se centraria em convencer o público de que um desses personagens estaria equivocado e o outro, devidamente fundamentado. Uma história assim forneceria uma excelente oportunidade para explorar uma questão moral que não cai facilmente na clareza do preto e branco. Seria uma boa chance de passar a impressão de ser profundo, sério e provocante – e tudo pelo simples fato de ter dois Caras Bons competindo.

A esta altura, deve estar bastante claro que se você tem escrito apenas com heróis e vilões, você não tem feito nada de errado, mas esteve limitando as suas possibilidades criativas. E, no entanto, nós mal começamos a explorar as maneiras pelas quais os personagens podem trocar os atributos para criar mais variedade e interesse.

Vilão

Boa escrita pra você hoje! =)

18/02/2012

Como as Histórias A/A/A Diferem das Histórias A/B/C?

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:00
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Oi, pessoal, desculpem o atraso! Como prometido, o texto de hoje é um complemento do de ontem. Ele foi tirado do site da Scriptmag, e é de autoria do produtor, roteirista, autor e dramaturgo Chad Gervich (chad@chadgervich.com):

abc-blocks

A pergunta de hoje vem de Daniel, que escreve…

Meu parceiro de escrita e eu temos um piloto de uma hora mapeado, os personagens, e um "roteiro" de apresentação de venda quase montado, por isso temos muitas ideias de episódios. Nós estamos trabalhando com um dirigente de seriado, que fez uma referência a descrever "o sentimento de um episódio. Quantas histórias? Elas são tipo "A & B & C" ou "A & A & A?"

Qual é a diferença entre elas? É apenas uma questão de tempo de roteiro e ênfase do enredo? Isso tem algo a ver com o protagonista principal estar em todas as histórias, ao invés de entrecortar entre o principal e os secundários em suas próprias histórias?

Pergunta interessante, Daniel! — Então eu decidi consultar o meu amigo Rick Muirragui, que atualmente escreve para o não-convencional drama policial da FOX, The Good Guys. Rick já trabalhou em programas que usam as tradicionais histórias A/B/C, como Past Life e Charmed, e ele também escreveu para programas que usam histórias A/A/A, como o dramédia de sucesso da TNT, Men of a Certain Age.

Como Rick diz, "um episódio com histórias A/A/A é um episódio em que três personagens têm histórias de forma que todas possuam igual peso no episódio. Não é a história de um que preenche o episódio; todas elas preenchem o episódio igualmente".

(Eu suponho que também pode haver casos em que todas as três histórias-A iguais se concentram sobre o "principal protagonista", mas Rick e eu não conseguimos pensar em quaisquer exemplos específicos. Talvez um episódio de Família Soprano? Algo em que Tony está contrabalanceando uma história de casa com uma história de trabalho? De qualquer forma, uma história assim pode existir, mas eu acho que a maioria dos episódios A/A/A balanceia histórias-A sobre três personagens separados).

Isso frequentemente significa que as três histórias-A iguais tendem a ser menores do que as histórias-A que dividem o palco com histórias B e C, afinal de contas, o tempo do episódio deve ser dividido de forma mais uniforme. Em outras palavras, qualquer história-A em um episódio A/A/A  tem menos beats do que uma história-A no, digamos, NCIS: Los Angeles ou no The Closer, que geralmente são dominados por uma única história-A. Modern Family, embora uma comédia, é frequentemente citado como um programa com histórias A/A/A.

Em um tradicional episódio A/B/C, "você realmente se concentra na sua história-A", diz Rick. "Como aquela história-A vai ser? Ela vai preencher o episódio, você terá um montão de beats da história… e você trabalha as suas histórias B e C em torno da sua história-A, sustentando-as nela, conectando-as de alguma forma."

Ao lidar com programas A/A/A, Rick gosta de começar fazendo o brainstorm de histórias-A separadas para cada personagem principal, e então dando forma a elas independentemente, antes de combiná-las com as outras histórias.

"Men of a Certain Age é um bom exemplo", diz Rick, "porque desenvolvíamos histórias [independentes] para personagens específicos… então todos nós nos sentávamos na sala e Mike [Royce, o dirigente do programa] começava a atribuir tarefas. ‘O Episódio Quatro vai ser tal, e tal, e tal história."

Men of a Certain Age

"Men of a Certain Age", da TNT, frequentemente apresenta histórias igualmente contrabalanceadas seguindo cada um de seus personagens, Joe, Owen e Terry.

Em um episódio, por exemplo, as histórias de Rick incluíam Owen (Andre Braugher) vendendo carros com desconto, Terry (Scott Bakula) fingindo comprar uma casa, e Joe (Ray Romano) lidando com os medos de seu filho. O trabalho de Rick era tecer estas três histórias discrepantes em um roteiro único e coeso.

"Eu tento encarar isso como um problema de matemática", diz Rick, "garantindo que cada história tenha um número similar de beats, o mesmo alcance de história." Uma vez que cada história esteja formada, você pode organizar os diferentes beats em atos, colocando em cada ato um ou dois beats de uma história, um beat ou dois de outra etc. "[Isso me ajuda] a compreender como as histórias se relacionam entre si. É sempre uma surpresa divertida, porque você começa com três histórias independentes, e em seguida, descobre como elas se tocam, como se informam mutuamente, como uma história reverbera através da outra."

Conforme as diferentes histórias se misturam e se mesclam, tópicos emocionais comuns surgem. Com o episódio de Men of a Certain Age de Rick, ele percebeu que, conforme as histórias começaram a coexistir, um tema de ligação estava correndo por todas as três.

"Eu fui até o Mike Royce, e disse: "Todas essas três histórias são sobre personagens preocupados com a forma como eles são percebidos pelo mundo, e como eles veem a si mesmos em suas mentes", diz Rick. "Nós não desenvolvemos as histórias para refletir o tema… [mas] se você tiver sorte, e se você escreveu histórias sólidas, um tema vai começar a surgir."

Ao abordar primeiro a estrutura do seu episódio, deixando os temas borbulharem organicamente, você pode esquivar-se de escrever histórias desajeitadas, didáticas. As suas histórias-A separadas podem não se colar perfeitamente no início, mas conforme você as ajusta e as massageia, elas começam a se conectar tanto narrativamente quanto estruturalmente. No final das contas, você se encontrará com um episódio televisivo uniforme, apresentando três sólidas histórias-A.

De qualquer forma, Daniel – Eu espero que isso ajude… e obrigado pela pergunta. Continue lendo… (e perguntando)… e para o resto de vocês com dúvidas, mande-as [escritas em inglês] para chad@chadgervich.com.

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Boa escrita pra você hoje! =)

17/02/2012

Três Níveis de Personagens: Primário, Secundário e Terciário

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Oi, pessoal! Hoje estou dando uma pequenina pausa na nossa série para responder a uma dúvida meio urgente de um de nossos colegas, sobre a diferença entre esses três tipos de personagens. Este artigo é de autoria do roteirista Scott Myers, e foi tirado de seu site, Go Into The Story:

The Simpsons characters

Como acontece com muitas coisas sobre roteirismo que ficam girando em minha cabeça, eu não sei a origem exata dessa ideia. Há uma boa chance de eu mesmo tê-la criado.

Eu trabalho a partir da hipótese de que existem três níveis de personagens em um roteiro: Primário, Secundário e Terciário.

Primário: Os personagens principais.
Secundário: Personagens recorrentes que são de menor importância.
Terciário: Personagens que aparecem em uma, talvez duas cenas para um propósito específico, limitado.

Esta delineação de papéis se correlaciona aos nomes dos personagens (o modo como nos referimos a eles na descrição de cena e no cabeçalho de seus diálogos):

Primário: Primeiro Nome.
Secundário: Sobrenome.
Terciário: Título genérico (por exemplo, Guarda-Costas nº 1, Homem Gordo, Espectador Enlouquecido).

Uma vez que os Personagens primários aparecem na maioria das cenas de um roteiro, e uma de suas metas seja criar pelo menos algum tipo de conexão emocional entre eles e o seu leitor, o método padrão é atribuir primeiros nomes a eles, uma pequena forma de engendrar uma sensação de intimidade.

Aviso: Isto não se refere a personagens aos quais o escritor quer dar um ar de autoridade. Por exemplo, personagens-Nêmese. O que parece mais assustador: POTTER ou HENRY? GRUBER ou HANS? VADER ou DARTH? Ou heróis de ação. Qual deles é maior que a vida: JOHN ou RAMBO? MARTIN ou RIGGS? JAMES ou BOND?

Como uma forma de ajudar o leitor a distinguir os personagens Primários e Secundários, eu uso sobrenomes para os últimos. Se eu não preciso estabelecer um nível significativo de intimidade com um personagem que só vai circular por algumas cenas ou por uma subtrama menor, por que desperdiçar um primeiro nome com eles?

E então, há os personagens Terciários. Interpretando peças importantes, mas pequenas, em nossos roteiros, como é a melhor forma de honrá-los? Bem, em vez de TIRA nº 1, por que não TIRA FORTÃO? PUTA nº 3, que tal PUTA DE LYCRA? Em vez do genérico MEMBRO DA MULTIDÃO, talvez DESORDEIRO DESAGRADÁVEL. Esses descritores também tornam a leitura mais colorida, memorável.

Esse é o meu modus operandi. Não está gravado em pedra em lugar algum. E, como eu digo, eu não tenho ideia de onde ele veio. Mas ele fornece uma forma consistente de lidar com nomes de personagens.

Observação Final: Não importa se o seu personagem é Primário, Secundário ou Terciário, ele tem que ser autêntico. Se você tratar até mesmo um personagem Terciário como um cartaz publicitário ou um estereótipo, você perde respeito como escritor, na minha opinião. Todo personagem, não importa o quão pequeno seja o seu papel, merece a sua atenção amorosa. Eles existem dentro do universo da sua história, assim como o seu Protagonista; só acontece de eles aparecerem muito menos em seu enredo. Isso não diminui o fato de eles terem a sua própria experiência de vida e visão de mundo.

Um roteiro com personagens Secundários e Terciários bem definidos e distintos sugere um escritor que realmente se importa com a história deles.

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Ainda teremos mais um post sobre este assunto – aguardem!

E boa escrita pra você hoje! (•‿•)

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