Dicas de Roteiro

10/04/2015

5 Dicas de Escrita de Tana French

Filed under: Escrita Literária — valeriaolivetti @ 13:00
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Oi, pessoal! Depois de quase dois anos de afastamento, estou de volta! Infelizmente, não poderei publicar posts diariamente como antes, mas apenas um ou dois por semana. Entretanto, espero que esses poucos artigos sejam de alguma valia e que sirvam de inspiração.

Essas dicas da romancista Tana French foram tiradas do site Publishers Weekly (originalmente publicadas em 20/julho/2012):

Tana French

Eu ainda estou muito na fase aprendiz da escrita. Eu li em algum lugar que você precisa escrever um milhão de palavras antes que saiba o que está fazendo – então eu estou me dirigindo para lá, mas estou longe de chegar. Mas, se valem algo, aqui estão algumas das coisas que aprendi ao longo do caminho.

1. Está tudo bem em estragar tudo. Para mim, esta foi a grande revelação quando eu estava escrevendo o meu primeiro livro, No Bosque da Memória (In the Woods): Eu poderia fazê-lo errado quantas vezes eu precisasse. Eu vim do teatro, onde você precisa acertar todas as noites, porque aquele público provavelmente nunca vai ver o espetáculo de novo; levei um tempo para perceber que, até que o livro vá para a impressão, é ainda um ensaio, onde você pode tentar tudo o que você precisa experimentar. Se você reescrever um parágrafo cinquenta vezes e quarenta e nove delas são terríveis, tudo bem; você só precisa acertar uma vez.

2. Seu personagem tem sempre razão. Nenhuma pessoa de verdade acha que está sendo estúpida, ou equivocada, ou intolerante, ou má, ou simplesmente errada – então os seus personagens não podem achar isso, tampouco. Se você estiver escrevendo uma cena de um personagem com o qual você discorda em todos os sentidos, você ainda precisa mostrar como esse personagem está completamente justificado em sua própria mente, ou a cena vai dar a impressão de ser sobre as opiniões do autor, em vez de sobre o personagem. Você não pode fazer o julgamento de que seu personagem está errado; deixe os leitores fazerem isso por si mesmos.

3. Não há tal coisa como ‘homens’ ou ‘mulheres’. Há apenas o personagem individual que você está escrevendo. Um cara me mandou um email me perguntando como escrever mulheres, e eu não pude responder, porque eu não tinha ideia de que tipo de mulher que ele quis dizer: eu? Eleanor da Aquitânia? Lady Gaga? Se você está pensando em “homens” ou “mulheres” como um grupo monolítico definido principalmente por seu sexo, então você não está pensando deles como indivíduos; por isso, seu personagem não vai sair como um indivíduo, mas como uma coleção de estereótipos. Claro, existem diferenças entre homens e mulheres, em média – mas você está escrevendo um indivíduo, e não uma média. Se o seu personagem individual é tagarela ao telefone, ou se recusa a pedir informações de ruas, isso precisa ser por causa de quem ele ou ela é, e não por causa do que ele ou ela é. Escreva a pessoa, e não a genitália.

4. Mate a sequência de sonho. O meu marido, que é o meu primeiro leitor e que tem um olho demoníaco para desleixo, diz que uma sequência de sonho é quase sempre, ou uma repetição de algo que já foi feito dentro da ação, ou uma forma preguiçosa de fazer alguma coisa que deveria ser feita dentro da ação. Eu acho que ele me deixou escapar com um sonho em quatro livros. A essa altura, eu simplesmente nos poupo tempo e mato-os antes que ele chegue a eles. Você pode muito bem precisar escrever a sequência de sonho para ajudá-lo em direção a uma compreensão de algo no livro, mas é muito improvável que alguém precise ler.

5. Não tenha medo de ‘disse’. Os escritores às vezes vão à procura de alternativas, porque eles temem que ‘ele disse’ e ‘ela disse’ vai parecer repetitivo se forem usados ​​o tempo todo, mas eu juro, eles não vão. ‘Disse’ é o fechamento de um diálogo padrão; os leitores nem sequer notam-no, o olho apenas desliza sobre ele. Qualquer outra coisa, por outro lado, realmente se destaca. Eu li um livro onde os personagens nunca diziam nada; em vez disso, eles passaram todo o seu tempo grunhindo, e balindo, e silvando, e arrulhando, e rosnando, e chilreando e… Era como um zoológico lá dentro. Depois de um tempo, eu não estava nem assimilando o resto do livro, porque isso era tudo o que eu conseguia ver: os arremates dos diálogos. A menos que o seu personagem esteja realmente fazendo algo específico que se precise apontar – gritar a fala, digamos, ou sussurrá-la – é quase sempre uma boa ideia permanecer com ‘disse’.

No bosque da Memoria - Tana French  Dentro do espelho - Tana French  Porto Inseguro - Tana French  O Passado e um Lugar - Tana French

Observações da tradutora:

– Quanto à dica nº 5, considero-a válida, mas no Brasil costuma-se ensinar exatamente o oposto em livros e cursos de escrita criativa. Vários autores consideram pobre um texto com apenas “ele disse, ela disse” arrematando os diálogos. Creio que o segredo é não exagerar nem de um lado, nem de outro. Ultimamente, eu tenho feito uma experiência de leitura: eu ouço o audiolivro em inglês enquanto acompanho lendo o livro físico ou o ebook da mesma obra traduzida para o português. E acabei me surpreendendo com algumas coisas. O que mais se destacou foi exatamente esse aspecto dos fechamentos de diálogo. Nos livros clássicos, da chamada “Literatura” com L maiúsculo, os autores têm um vocabulário muito rico e variam muito nos verbos, e a tradução costuma ser bem fiel aos originais. Mas quanto aos recentes livros infanto-juvenis, e/ou para jovens adultos, os autores americanos costumam se ater demais ao “Fulano disse, Sicrano disse”, só que os tradutores brasileiros não seguem o original, eles mudam/adaptam os verbos de fechamento de diálogo da obra inteira. Exemplos de verbos utilizados no lugar de “dizer”: ironizar, explicar, sugerir, perguntar, sondar, instigar, contemporizar, interceder, complementar, interromper, apressar, exigir, criticar, se impressionar, se ofender, discordar, concordar, acrescentar, supor, implicar, provocar, entre tantos outros. Comparando os dois, eu acabei preferindo a adaptação brasileira, para mim o texto ficou mais rico e “colorido”. O estilo americano ganha pontos pela simplicidade, pois como a própria autora do artigo explicou, os excessos podem complicar a absorção do texto, mas eu achei que o estilo brasileiro envolve mais o leitor nas emoções dos personagens e no clima da cena em geral. É mais saboroso, se bem usado. Note que não coloquei nos exemplos acima nenhum verbo de reação física, pois a autora já tinha sugerido isso no texto: gritar, sussurrar, gemer, cantarolar, gaguejar, engasgar etc. Enfim, as possibilidades são múltiplas, e cada autor deve refletir bem na melhor solução para cada uma de suas obras.

Uma ótima escrita pra você hoje!

08/01/2013

Provas de DNA

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 07:00
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Este texto é do roteirista William C. Martell e foi tirado do site dele, Script Secrets:

DNA

É importante certificar-se de que cada cena individual esteja focada nos objetivos do roteiro. Os pequenos objetivos têm de levar aos grandes objetivos. Pense no seu roteiro como um castelo de cartas. Cada cena é uma carta. Se você puder remover qualquer cena e a casa continuar de pé, aquela cena não deveria ter entrado em seu roteiro.

Não só cada cena deve mover a história para a frente, como cada cena também deve ser um microcosmo da história. Cada cena deve conter o DNA necessário para clonar o roteiro inteiro. Você deve ser capaz de ler qualquer cena de seu roteiro e ter alguma ideia do que se trata o roteiro todo. Qual é o conflito central do seu roteiro? Como é que ESTA cena explora esse conflito? Isso é parte do que eu chamo de Escrita de Roteiro Orgânica – Cada cena tem que ser integral para o caso, não apenas material de enchimento. Cada cena deve expor o personagem, mover a história para a frente, e lidar com o conflito central do roteiro… o DNA do roteiro.

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Boa escrita pra você hoje! =)

13/02/2012

Escrevendo Cenas de Luta

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Oi, gente! Eu estava devendo este artigo desde o ano passado! Ele foi uma indicação muito legal de um colega nosso. O texto é de autoria do roteirista John August (esse cara de olhar doce e simpático da foto abaixo), e foi tirado do site dele (de mesmo nome):

John August

Pergunta: O quanto de uma cena de luta devemos descrever em um roteiro? O quão específico deve-se ser? O que você deixa para o diretor e o coreógrafo criarem? 

— Evan

Resposta: Lembre-se sempre que você está escrevendo um filme, não um roteiro. Mesmo que só tenha palavras à sua disposição, você está tentando criar a experiência de assistir a um filme.

Quando dois personagens estão conversando, isso é fácil. Diálogos são simples.

Quando dois personagens estão lutando, isso é difícil. Sequências de ação são as coisas mais difíceis e as menos recompensadoras que um roteirista escreve, mas elas são essenciais a muitos filmes.

Eu primeiro lhe indicaria um vídeo de roteiro que eu gravei: Escrevendo melhor a ação.

O meu conselho lá se aplica a qualquer situação em que os personagens estejam correndo por aí, fazendo coisas.

Mantenha as frases curtas.

Use cabeçalhos para dividir as coisas.

Prenda a nossa atenção, para que não fiquemos tentados a pular aquela parte.

Quando tiver dois personagens lutando, você não vai escrever cada soco. Ao invés disso, você precisa ser específico em como esta luta parece diferente de qualquer outra luta de cinema. O que há neste estilo, no ambiente, nos riscos e na história que tornam esta batalha única para este filme e este momento?

O roteiro original da continuação de As Panteras, de 2001 (então chamado de As Panteras Eternas), exigia que a Alex (Lucy Liu) e O Homem Magro (Crispin Glover) se unissem em uma casa suburbana genérica de Las Vegas.

Aqui está como a versão minimalista da cena se pareceria:

As Panteras 1

É curta, e você encontrará exemplos como este em muitos roteiros, incluindo alguns que foram produzidos. Mas ela é paralisantemente inespecífica. Como leitores, não temos nenhuma ideia do que de fato veríamos na tela.

Vai ser assustadora? Apatetada? Macabra? Realista?

A cena real que eu escrevi era muito mais longa:

cena de luta 1

cena de luta 2

cena de luta 3

cena de luta 4

cena de luta 5

Apesar de eu ter incluído muitas ideias específicas sobre que tipos de coisas nós veríamos (portas de box de chuveiro, barras de armários), eu deixei muito espaço para o diretor e o coreógrafo de lutas serem criativos (“Seja uma fôrma de ferro de fazer waffles, um rolo de massa ou uma tenaz de churrasco, qualquer coisa que a Alex toca torna-se uma arma.”).

Como está escrita, a cena passa a sensação de como a cena final se parecerá, mesmo se muitos dos detalhes mudarem. É isso o que você deve ter como meta numa sequência de luta.

drew_barrymore_Crispin_Glover

Boa escrita pra você hoje! :-*** =D

05/01/2012

10 Maneiras de Criar Uma Reviravolta no Enredo

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este artigo, sugerido por um colega nosso, é de autoria do escritor T.N. Tobias e foi tirado do site dele (de mesmo nome):

Reviravolta de Vader

Toda história é mais emocionante com uma reviravolta. Como escritor, porém, pode ser difícil encontrar aquela situação certa, aquele momento e personagem certos, para virar de cabeça para baixo e mandar a história desviar-se em imprevisíveis novas direções. É assustador também. Vagar muito longe do que é comprovadamente confiável atrai mais da insegurança de que os ficcionistas parecem estar cheios até o topo.

Mas, como com tudo o mais, existem padrões para as reviravoltas, ou até mesmo maneiras de fazer o seu enredo linear parecer ter uma reviravolta, simplesmente por ocultar informação. Truque legal, hein? Então, aqui estão dez maneiras gerais de introduzir uma reviravolta no enredo, uma das quais com certeza cabe em qualquer manuscrito. Esteja avisado, dar exemplos de reviravoltas na história envolve spoilers pesados. Apesar de eu ter tentado pegar exemplos que fossem antigos e populares o suficiente para serem amplamente conhecidos, pode não ser o seu caso.

1. In Medias Res – Em latim, isto significa “no meio das coisas” e é uma técnica que lança o público para dentro a ação, uma vez que ela está ocorrendo sem o benefício de história pregressa ou motivação. Pense em Cães de Aluguel. Nós entramos no final do assalto sem saber nada do que aconteceu. Essa escassez de informação significa que cada interação é uma oportunidade, para a história, de desviar para uma nova direção. Tarantino usou isto para construir conflito porque nós, na plateia, não sabemos onde estão as lealdades e nem mesmo o que houve de errado com o trabalho, para começo de conversa. In medias res pode pegar uma narrativa bem direta e transformá-la numa trama de enredo retorcido simplesmente mudando a linha de partida.

2. A Arma de Chekhov – O termo A Arma de Chekhov refere-se à afirmação do autor Anton Chekhov de que: “Não se deve colocar um rifle carregado no palco se ninguém está pensando em dispará-lo.” Com essa citação, Checkhov combinou várias dicas de escrita em uma declaração muito simples. Não se demore em detalhes frívolos, prenuncie seus resultados, e esconda suas revelações em plena vista. Um bom exemplo disto é o martelo de geólogo de Um Sonho de Liberdade. Andy o recebe para fins aparentemente inocentes, mas ele acaba sendo fundamental para a trama. A reviravolta dependia daquele pequeno prenúncio para fornecer uma terceira opção para a questão de saber se Andy estava vivo ou morto em sua cela.

3. Narrador Não-Confiável – Quando o ponto de vista do personagem influencia a narrativa ao filtrar a informação ou manipular o entendimento dos eventos da história pregressa, esse personagem torna-se um narrador não-confiável. Um exemplo perfeito disto é Os Suspeitos, em que a história é contada aos investigadores pelo “Verbal”, que os leva a conclusões erradas. Outro é o Clube da Luta, cujo narrador é tão não-confiável, que mesmo ele não sabe disso até o final da história. A reviravolta, é claro, surge quando nós, do público, começamos a ver as coisas como elas realmente são, em vez das revelações do narrador.

4. Anagnorisis Esta reviravolta mais comum envolve revelar a natureza oculta de um personagem ou objeto. Pense nos pais de Luke Skywalker, no trenó de Charles Kane, ou quando Neo acorda na Matrix. Todas estas reviravoltas contam com uma revelação de informação que muda completamente a história até e a partir daquele ponto. Neo não pode entender o mundo como ele costumava antes de aprender o que era a matrix, nem Luke podia se esconder do conflito criado entre o mal em sua família e sua missão de destruir o império. Esta reviravolta talvez seja também a mais fácil de implantar, já que tudo o que ela exige é que o autor retenha a informação vital até o clímax. [N.T.: Anagnorisis é um momento em uma peça de teatro, ou em outro tipo de obra, em que um personagem faz uma descoberta crítica. Anagnorisis originalmente significava reconhecimento em seu contexto grego, não só de uma pessoa, mas também do que essa pessoa representava. Era a súbita consciência do herói de uma situação real, a compreensão das coisas como elas eram, e, finalmente, a sagacidade do herói em relação a um relacionamento com um personagem, frequentemente antagônico, na tragédia aristotélica.]

5. O Vilão Menos Provável Outra reviravolta comumente usada é esconder o vilão ao longo da história e, no final, revelar que era alguém conhecido do protagonista o tempo todo, alguém acima de qualquer suspeita. Watchmen usa esta reviravolta, revelando Adrian ser o cérebro por trás dos assassinatos e, em última análise, de um plano para simular uma invasão alienígena. Normalmente esta reviravolta é combinada com uma distração, uma pessoa suspeita perseguida pelos mocinhos, mas que na verdade é apenas uma tática diversiva.

6. Linha de Tempo Não-Linear Semelhante ao in medias res, mas um exemplo mais extremo, as linhas de tempo não-lineares podem conferir surpresa a elementos do enredo que de outra forma seriam simples, às vezes até mesmo revertendo uma linha de tempo inteira de modo que as resoluções precedam seus conflitos. Pulp Fiction faz uso de uma linha de tempo embaralhada, contando histórias múltiplas, enquanto começa e termina no mesmo ponto no tempo.

7. Fim Ambíguo Quando a cortina desce ou a última página é virada, o público realmente sabe o que aconteceu? O que vai acontecer? Deixar o final da história em aberto leva o leitor a inferir um significado para os eventos da história que pode constituir uma reviravolta ou uma interpretação simples. Veja o final da série Família Soprano. Será que Tony vive? Será que a família continua com seus negócios como antes? Ou será que ele morre violentamente lá na frente de seus filhos ou em algum momento mais tarde? A reviravolta é que nós não sabemos e temos que deduzir. Isto pode funcionar bem, como no final de A Origem, ou criar polêmica, como no acima referido Família Soprano.

8. Não Acabou Ainda Quando a ação cessa e nossos personagens estão retomando o fôlego no desenlace, as forças do mal voltam de novo com tudo para deixar o público saber que, enquanto esta história acabou, a guerra está longe de estar ganha. Mais recentemente visto em A Epidemia, quando nossos heróis escapam apenas para voltar direto para a mesma armadilha.

9. De Herói a Vilão Quando, após a batalha final, o herói sai vitorioso mas se transformou na própria coisa contra a qual ele estava lutando. Esta é uma reviravolta mais frequentemente associada com histórias de terror. A versão filmada de 30 Dias de Noite tem o herói transformando-se em um vampiro a fim de derrotar a horda de invasores. Em A Batalha de Riddick, o próprio Riddick torna-se líder dos Necromongers depois de matar o Grande Marechal.

10. Deus Ex Machina – Do latim, “deus da máquina”. Esta reviravolta ocorre quando um problema insolúvel é milagrosamente resolvido por uma intervenção não-prenunciada. A menos que seja usada para efeito de comédia, esta estratégia é desaprovada. Uma aplicação útil da técnica pode ser encontrada em Monty Python em Busca do Cálice Sagrado em que, enquanto são perseguidos por um monstro de animação, o animador tem um ataque cardíaco, e eles estão milagrosamente salvos.

Tenha cuidado ao implantar uma reviravolta na história. Cronometre-a errado e o leitor estará preparado e não se impressionará. Tome liberdades demais e os seus leitores não vão confiar em você para contar a história, mas se você não embaralhar as coisas um pouco, eles vão estar dormindo de tédio antes que você possa levá-los até o fim. Reviravoltas são iguais às muitas outras linhas finas sobre as quais os escritores devem andar e que, quando você acerta, o resultado é uma excelente ficção.

Darth Vader - o fodão número 1

Boa escrita pra você hoje! =D

04/01/2012

Cenas Para Cortar, Cenas Para Salvar

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este é mais um artigo da Martha Alderson para complementar o post do dia 04/12/2011, e também tirado do site da Writers Store :

Film-Script-Writing

A maioria dos escritores acaba escrevendo pelo menos o dobro das cenas necessárias para produzir uma história convincente. Uma habilidade que define um bom escritor é a capacidade de saber quais cenas manter e quais eliminar. Como consultora de enredo, eu desenvolvi duas ferramentas visuais de enredo para ajudar escritores a selecionar aquelas cenas que melhor avançam a história, e então fazer com que aquelas poucas escolhidas sejam verdadeiramente grandes.

O Planejador de Enredos aborda a trama a partir do nível global da história, e o Rastreador de Cenas divide o enredo a nível de cena. Ambas as ferramentas apoiam a escrita da trama conforme a divide em camadas de ação dramática, desenvolvimento emocional e transformação do personagem, e significação temática.

Ambas as abordagens são altamente estruturadas. Escritores analíticos, que usam mais o lado esquerdo do cérebro, captam e apreciam as ferramentas rapidamente. Todavia, para os escritores criativos, inovadores, que usam mais o direito do cérebro, as ferramentas de enredo tendem a ser contra intuitivas e, portanto, opressivas. Entretanto, para todos os escritores, depois de experimentar a liberdade de estrutura, e uma vez que você entenda a estrutura das histórias e como criar um enredo convincente e multi-camadas, você é livre para fazer o que quiser com a sua escrita.

Toda cena que merece ficar no corte final deve funcionar em uma multiplicidade de níveis de enredo de uma vez. Os elementos mais importantes, no entanto, sempre se originam das três tramas primárias de toda boa história – Ação Dramática, Desenvolvimento Emocional do Personagem, e Significação Temática. O Rastreador de Cenas e o Planejador de Enredos ajudam a rastrear essas linhas de enredo em cada uma das suas cenas e a determinar visualmente como elas funcionam juntas para o bem maior da história geral.

Três cenas acima de todas as outras precisam funcionar especificamente com afinco. Essas três cenas são:

1) O Fim do Começo ocorre a cerca de 1/4 do caminho que percorre o projeto inteiro. Este momento simboliza o fim de tudo o que costumava existir. Depois disso, a única forma de seguir em frente é em direção ao próprio coração do mundo da história em si – o Meio. A parte crítica e introdutória da sua história – o Começo – termina com um gancho que impulsiona o protagonista para dentro do mundo único da história, e promete mudanças.

2) A Crise geralmente ocorre a cerca de 3/4 do caminho que percorre todo o projeto. Ela compõe o evento mais altamente carregado do Meio e carrega uma enorme energia. Na Crise, frequentemente o personagem tem uma experiência que lhe abre os olhos, talvez pela primeira vez, de como os eventos em si não são responsáveis ​​por impedi-lo de alcançar seus objetivos, mas sim as escolhas que ele fez até este ponto.

Cada cena da parte do meio da sua história serve para fazer o protagonista marchar um passo mais perto em direção à Crise. O protagonista acredita que está marchando para mais e mais perto de sua meta pessoal de longo prazo. Quando a Crise o atinge, ele fica chocado. O público, no entanto, sentiu a inclinação constante e sente a inevitabilidade deste choque por causa da ligação entre cada cena e a partir de cada detalhe da temático.

3) O Clímax ocorre apenas um pouco antes dos momentos finais de um filme e, geralmente, a um capítulo do final de um romance. O Clímax constitui o coroamento de todo o trabalho. O Clímax é o desfecho final como resultado direto do modo como o protagonista respondeu aos eventos individuais que ocorreram ao longo da história. A progressão para o Clímax mostra ao leitor ou ao frequentador de cinema se o personagem está mudando ou não. O modo como ele reage ao evento mais importante de toda a história mostra se ele amadureceu e modificou-se em profundidade, ou não.

O Planejador de Enredos ajuda a garantir que você apresente cada uma destas três cenas bem no momento certo. O Rastreador de Cenas ajuda a garantir que cada uma destas três cenas contenha pelo menos sete elementos essenciais, e contribui para um todo repleto de camadas e nuances.

Trechos deste artigo foram retirados do Blockbuster Plots Pure & Simple [Enredos Arrasa-Quarteirão Puros & Simples] da Martha Alderson. Seu livro pode ser adquirido separadamente ou como parte do Kit Rastreador de Cenas.

Escreverei Por Chocolate (de Debbie Ridpath Ohi)

new-years-resolutions

1. Então, qual vai ser a sua Resolução de Ano Novo, Eliza?

2. Eu não acredito em fazê-las. As Resoluções de Ano Novo são auto-destrutivas, debilitam a nossa auto-confiança e individualidade.

3. Eu acredito em definir e ir ao encontro de objetivos alcançáveis durante o ano todo, não só em 1º de janeiro.

4. – Você já arruinou a sua, não foi?

– Eu realmente pensei que conseguiria escrever 3.000 palavras por dia… (*soluço)

Boa escrita pra você hoje! =D

03/01/2012

Crie Cenas Quentes – 7 Elementos Essenciais

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este é outro artigo da Martha Alderson que complementa o post do dia 04/12/2011. Como aquele, este aqui também foi tirado do site da Writers Store:

O Exterminador do Futuro2

Toda história se estende por um período de tempo. História pode ser definida como conflito mostrado em cena, o que significa que a maioria dos escritores vai tratar do tempo nas cenas, em vez de no resumo.

Um exemplo de uma cena parcial das memórias de Rick Bragg: Ava’s Man:

"Charlie sentiu o jato quente do tiro passar voando perto de sua face, e suas pernas tremeram debaixo dele com o “bum” da arma. Mas o tiro não acertou, e ele começou a correr para Jerry, diminuindo a distância, mesmo enquanto Jerry procurava em seu bolso por outra carga.

Seis metros.

Jerry xingou e abriu a culatra.

Quatro metros.

Ele tacou o cartucho novo.

Três metros.

Ele fechou a arma num estalo.

Dois metros.

Ele a botou no ombro.

Um metro e vinte.

Ele viu um punho do tamanho de um balde de banha vir voando para o seu nariz."

Cada ponto alto de uma história deve ser representado em cena na página, momento a momento, em tempo real. A técnica de ir devagar com as coisas obriga os riscos de uma história a serem cada vez mais elevados. Ao mesmo tempo, os riscos também aumentam para o escritor. Muitos escritores principiantes fogem da pressão de criar cenas confiando em resumos. Estes mesmos escritores mantêm a crença equivocada de que eles podem controlar melhor as coisas "contando" o que acontece em vez de "mostrar" o que acontece em uma cena. Considere, em vez disso, a ideia de que, ao desmembrar cada cena em suas menores partes, você mantém o controle.

Elemento Essencial nº 1: Tempo e Local

A primeira camada de toda cena lida com tempo e locação. Frequentemente, esta camada é implícita ou entendida a partir das cenas e resumos que a precedem. De qualquer maneira, certifique-se de estabelecer as bases para os seus leitores do "onde" e do "quando" da cena. A última coisa que você quer é que o leitor desperte do sonho que você criou tão cuidadosamente, devido à desorientação ou confusão.

Na cena de Ava’s Man, o tempo é estabelecido na parte inicial da cena – "Apenas algumas semanas depois, eles estavam se preparando para o jantar, quando…"

Elemento Essencial nº 2: Desenvolvimento Emocional do Personagem

Se o conflito, a tensão e o suspense levam o leitor a virar a página ou mandam o espectador para a beirada de seu assento, o desenvolvimento emocional do personagem os motiva. Leitores leem histórias e espectadores vão ao cinema para aprender sobre o desenvolvimento emocional de um personagem. A palavra desenvolvimento implica crescimento ou mudança. Portanto, o personagem torna-se uma camada.

Usando o exemplo, o desenvolvimento emocional do personagem de Charlie tinha se aprofundado através do âmbito da história até então. "Então Charlie fez uma das coisas mais corajosas de que eu já ouvi falar, uma coisa que seus filhos juram que aconteceu. Ele abriu a porta e saiu para encontrar o seu inimigo de mãos vazias, e simplesmente começou a andar."

Elemento Essencial nº 3: Meta

O protagonista tem uma meta de longo prazo durante o curso da história, e objetivos menores para cada cena. Ele pode ou não atingir a meta da cena até o final dela, mas espectadores e leitores que sabem o que está em jogo para o personagem são mais propensos a torcer pelo sucesso do personagem e a lamentar seus fracassos.

Por exemplo, em Ava’s Man, sabemos que o objetivo de Charlie para a parte da cena escrita acima é diminuir a distância entre ele e Jerry antes que Jerry recarregue a arma.

Elemento Essencial nº 4: Ação Dramática

A ação dramática que se desenrola momento a momento na página compõe a próxima camada de cena.

No nosso exemplo, a ação dramática se intensifica por causa do "tique-taque do relógio" – Charlie vai parar Jerry a tempo ou ele vai levar um tiro?

Elemento Essencial nº 5: Conflito

Embutidas dentro da ação dramática encontra-se uma camada ou duas de conflito, tensão e/ou suspense. O conflito não tem que ser patente, mas deve estar presente de alguma forma. Preencha uma cena com tensão ou suspense, ou algo desconhecido espreitando nas sombras, e você tem uma história emocionante. Lembre-se de que são os retrocessos e fracassos que criam o suspense, o conflito e a tensão, e não o sucesso ou as boas notícias.

O dilema de Charlie tem conflito, tensão, E suspense. “Será que ele vai ou não vai?” é uma condição simples e poderosa.

Elemento Essencial nº 6: Mudança Emocional

Assim como a ação em cada cena afeta o crescimento emocional geral de seus personagens como um reflexo do trabalho todo, a ação também afeta o estado emocional de seus personagens a nível de cena. Em outras palavras, o humor do personagem muda por causa do que é dito ou feito naquela cena específica.

Em Ava’s Man, Charlie começa a cena com raiva por Jerry ter machucado seu amigo, Hootie, "só por diversão." Quanto mais ele pensa que "agora este homem tinha chegado à sua casa, trazendo a ameaça de violência para onde sua esposa e filhos viviam," mais furioso e mais determinado ele se torna.

A raiva consome Charlie. Jerry diz então que vai entrar dentro da casa, e Charlie fica furioso (uma mudança na intensidade emocional).

A raiva de Charlie o faz alcançar o seu inimigo a tempo de detê-lo de imediato, apenas para ver "uma figura enorme atirar-se sobre ele das sombras", alterando seu estado emocional de novo, elevando-o ainda mais.

Elemento Essencial nº 7: Significação Temática

A significação temática não só cria o clima, ela também cria a camada final da cena e o espírito geral da sua história. A sua razão para escrever a história, o que você quer que seus leitores carreguem consigo por tê-la lido, detém a chave para o seu tema. Quando os detalhes que você usa em cena apoiam a significação temática, você tem uma cena de intrincadas camadas que fornece significado e profundidade à trama global.

O tema de Ava’s Man pode ser aquele em que um homem que bebe demais, mas é leal e justo, inspira respeito e torna-se lendário.

Em nossa cena de exemplo, o amigo de Charlie, Hootie, é acusado de roubar o uísque de Jerry. Charlie não está bebendo ou bêbado nesta cena, mas o fato de que o álcool é o objeto do conflito cria significação temática.

No começo da cena, Bragg descobre que Jerry fez mal ao Hootie. Embora a raiva motive as ações de Charlie, o mesmo acontece com o seu profundo senso de lealdade para com Hootie. Isto reforça a ideia de que Charlie é leal e, ao enfatizar o conceito, também fortalece o tema.

No final da cena, em resumo, somos informados de que nunca Jerry voltou, "talvez porque [ele] respeitava [Charlie]". Ainda outro dos elementos temáticos está destacado, aprofundando o significado temático da obra inteira.

Crie um Rastreador de Cenas

Crie um Rastreador de Cenas para o seu projeto usando todos os sete elementos essenciais para uma cena quente. Rastreie cada cena à procura dos sete elementos. Os elementos que você localizar logo de cara podem muito bem ser os seus pontos fortes na escrita. Os que estão faltando podem gerar um desafio a mais para você.

Ocupe-se com uma camada de cada vez. Confie no processo e boa sorte!

mafalda-ano_novo

Boa escrita pra você hoje! =D

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