Este texto é de autoria do professor de roteirismo da NYU, D.B. Gilles, e foi publicado no site Hollywoodlitsales:
Recentemente eu li um roteiro com um enredo bastante sólido. O personagem principal queria desesperadamente ganhar um prêmio importante. O tipo de prêmio que iria catapultar significativamente a sua carreira em sua área de atuação. A apresentação foi excelente, assim como foi o desenvolvimento até o Fim do Ato Um, onde ele começou a tomar medidas sérias em relação à sua meta.
Ao longo do caminho havia um bom subenredo romântico com uma mulher que também estava competindo pelo mesmo prêmio. E havia a clássica figura do mentor para o personagem principal, que também tinha interesse em ganhar o prêmio.
Aqui está o problema: ao chegarmos ao Fim do Ato Dois não houve nenhuma surpresa. Nenhuma reviravolta. Nenhuma revelação importante. E conforme ele prosseguia tranquilamente para o Ato Três, não houve nenhuma traição por parte de ninguém. O cara só se arrastava, lidando com obstáculos menores, e no final da história ele não venceu por um par de razões previsíveis. E perdeu a garota. E ele basicamente seguiu em frente com sua vida.
O problema com o roteiro foi que todas as portas pelas quais ele tinha que passar se abriram com muita facilidade. Às vezes, ele batia e alguém abria. Algumas vezes, ele tocava a campainha duas ou três vezes e alguém abria. Às vezes, a porta estava destrancada e ele apenas entrava direto.
Se o autor tivesse tornado aquelas portas difíceis ou quase impossíveis de abrir, ele teria tido uma história muito mais atraente.
Eu já disse isso antes: não torne as coisas fáceis demais para o seu personagem principal. É simplesmente chato.
Boa escrita pra você! =D


