Dicas de Roteiro

29/01/2012

Os Panteras de Smallville – Um Conto de Dois Ícones

Filed under: Direção,Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este é mais um artigo da revista Written BySummer (Verão) 2011, do WGA, páginas 14 a 17. A matéria é de autoria dos roteiristas Miles Millar e Alfred Gough, retratados abaixo (esta foto também foi retirada da mesma matéria):

Miles MillarAlfred Gough

Miles Millar (à esquerda) e Alfred Gough têm sido parceiros de escrita desde os anos 1990.

Uma dúzia de paparazzi estavam descaradamente acampados nas varandas dos apartamentos do outro lado da rua. Eles brandiam suas câmeras como assassinos, e não havia absolutamente nada que pudéssemos fazer quanto a isso. Eles estavam esperando pela tomada das três lindas mulheres que estavam prestes a sair do edifício Art Deco do lado oposto – o prédio que tínhamos temporariamente transformado na Agência de Detetives Towsend. Era o dia sete de nosso piloto de As Panteras. Tínhamos fechado uma parte da famosa Ocean Drive de Miami para rodar a parte final de nossa sequência de abertura principal.

Na “ação”, as portas artisticamente talhadas se abriram e as nossas três panteras surgiram para a luz beijada pelo sol. Elas eram uma visão em branco, um trio de combate ao crime com frescor feminino, caminhando em câmera lenta. Multidões de curiosos ficaram boquiabertas de trás das barricadas, enquanto os botões automáticos de disparo de fotos dos paparazzi zuniam.

Rachael Taylor-Minka Kelly-Annie Ilonzeh

“Corta.” As panteras se retiraram para dentro, enquanto nós nos afundávamos em nossas cadeiras para nos informarmos com nossos solitários BlackBerries. Casualmente, nós clicamos para abrir um e-mail de um executivo da TV Warner Bros.: “O último dia de produção de Smallville, obrigado pelas memórias, pessoal.” Isso foi como ouvir que um colega do ensino médio tinha morrido – um com quem você saía na adolescência, mas que tinha acabado perdendo contato. Não era segredo nenhum que esta seria a última temporada do programa, mas a notícia chegou como uma surpresa pungente. Os personagens e o mundo que tínhamos trazido à vida por uma década estavam prestes a ser silenciados para sempre. O exército de pessoas que prepararam o programa com esmero iria agora se dispersar, e outra produção se mudaria para a abandonada fábrica canadense de iogurte que Smallville tinha chamado de lar.

Nós dirigimos Smallville por sete anos. Nós conduzimos com sucesso o programa através de três mudanças de regime da rede de TV, cinco mudanças de horário, e até sobrevivemos ao cancelamento da WB. Nós nunca consideramos a nossa sobrevivência como certa. E nunca imaginamos que o programa que criamos poderia durar 10 temporadas. Nós nos desligamos dos nossos deveres diários de comando do programa três anos atrás. Logo após a greve ter terminado. Após 152 episódios, pareceu o momento certo de navegar por águas criativas diferentes. Nós supomos que tínhamos contado todas as histórias que queríamos contar.

O MELHOR DE AMBOS OS MUNDOS

Nós partimos para Nashville para produzir o longa de Hannah Montana para a Disney, e colocar a nossa energia na construção da nossa nascente companhia de produção. Nós conseguimos passar um tempo com nossas famílias, jogar tênis nos finais de semana, e viver existências civilizadas de não-diretores de programa. A nossa agente de TV ainda ligava e balançava à nossa frente projetos e acordos em potencial, mas estávamos relutantes em entrar novamente nas águas traiçoeiras de desenvolvimentos para a TV. Quando ela ligou e disse que a TV Sony queria que repaginássemos As Panteras, ficamos hesitantes.

Tendo revisado a mitologia do Super-Homem em Smallville, nós não queríamos tentar a sorte duas vezes lidando com outra franquia adorada. Também sentíamos que seríamos cúmplices no fomento do “buraco negro da originalidade” atualmente girando sobre Hollywood. Agora, mais do que nunca, os estúdios não estão dispostos a girar a roleta criativa por meio de novas ideias. Ainda assim, os horários das TVs também são cemitérios de refilmagens fracassadas.

Foi só quando ambas as nossas esposas disseram que não deveríamos tocar nisso, que decidimos dar uma segunda olhada. Em suas mentes, nós não tínhamos nada que ficar mexendo com uma franquia que significou tanto para elas enquanto cresciam. Suas reações e devoção às Panteras nos surpreendeu, mas também nos fez pensar. Gostávamos do desafio de criar algo que fosse à altura do original e que pudesse inspirar uma nova geração. O fato de que este era um put pilot [N.T.: Piloto que a rede de TV concordou em exibir. Se ele não for ao ar, a rede deverá pagar substanciais sanções monetárias ao estúdio, o que costuma garantir que a TV exibirá o piloto.] também não era ruim. O projeto era nosso para fodermos com ele. Nós engolimos em seco e dissemos que faríamos. A nossa agente pôs um acordo no lugar tão rápido que nos deixou perplexos.

Em nossas mentes, escrever um piloto é sempre mais assustador do que escrever um longa. Um piloto tem de fornecer a base para uma série que tem o potencial de ser exibida por anos. O mundo, os personagens, e a “franquia”, todos têm de ser completamente formados e engendrados em um pequeno roteiro de 60 páginas. O fato de tanto Smallville quanto As Panteras serem ícones, amplifica o desafio. É uma benção em termos de publicidade, mas uma maldição, porque, a menos que supere as expectativas do público, você estará condenado. Eles vão se sintonizar para assistir você fracassar. Reconhecimento de nome pode lhe comprar uma grande estreia, mas um piloto é totalmente sobre procurar convencer o público a voltar para o episódio dois.

Pode parecer que o sucesso de Smallville era uma coisa certa. Mas, na época, os céticos superavam em número os crentes, numa relação de 10 para 1. O mundo ainda não tinha sido inundado por uma tsunami de filmes com temas de super-heróis. Isto foi antes que a gigantesca máquina de fazer franquias da Marvel tivesse invadido os cinemas multiplex. O público em geral não estava familiarizado com todos os detalhes dos X-Men, do Homem de Ferro, ou do Homem-Aranha. Batman – O Cavaleiro das Trevas, como imaginado por Christopher Nolan e David Goyer, ainda não tinha surgido. Super-heróis eram para nerds e crianças viciadas em desenhos animados.

Muita coisa mudou em 10 anos. Hollywood agora venera os geeks de revistas em quadrinhos, e a Comic-Con anual de San Diego tornou-se uma peregrinação religiosa, tanto para as estrelas quanto para os executivos. A “erudição” de revistas em quadrinho originais é tratada com a reverência de um texto religioso. Nós brincamos que se quiséssemos desenvolver Smallville hoje, seríamos chutados por cima da torre d’água da Warner Bros. Naquela época, o Super-Homem era considerado brega e chato por muitos. Lois e Clark tinha sido cancelado algumas temporadas antes, e um projeto de longa estava estagnando no inferno do desenvolvimento.

Hoje, a Warner Bros. tem um “comitê criativo” que guarda o seu cofre de propriedades de revistas em quadrinhos, e que nunca teria nos permitido “revisar” a mitologia do Super-Homem. Não teria havido nenhuma chuva de meteoritos de Criptonita caindo sobre Smallville; Jonathan e Martha Kent teriam sido aposentados cheios de rugas, e Lex Luthor certamente não teria sido o melhor amigo de Clark.

BOM DIA, PANTERAS

De muitas maneiras, As Panteras foi mais fácil de repaginar do que Smallville, porque é um programa de procedimentos detetivescos. As Panteras solucionam casos a cada semana. Se este programa tivesse uma chance de atrair um novo público, teríamos que agitar as coisas. Em primeiro lugar, queríamos que o programa tivesse pé no chão. Sem acrobacias de mau gosto ou piscadelas para a câmera. Sem ninguém pendurado em fios ou ação ao estilo Hong Kong. Nós demos a cada uma de nossas Panteras passados criminosos e conjuntos distintos de habilidades. Nós criamos uma mitologia para o seu misterioso patrão, Charlie Towsend. A última grande mudança foi a locação: Nós transplantamos a Agência Towsend da Robertson Boulevard para a Ocean Drive. Miami parecia muito mais contemporânea, glamorosa e perigosa do que Beverly Hills.

Em ambos os projetos, tivemos a boa sorte de colaborar com dois dos melhores diretores de pilotos do ramo. David Nutter trouxe o mundo de Smallville à vida. Ele foi meticuloso na preparação e nos ajudou a acrescentar alguns toques inspirados ao roteiro. Foi um piloto imensamente ambicioso, e inovou em termos de efeitos visuais televisivos. Nós aprendemos muito trabalhando com David. Antes de Smallville, tivemos dois pilotos produzidos – BlackJaq e The Strip – mas este foi o primeiro em que nós afirmamos plenamente a nossa visão como criadores. Nós nos inserimos em todos os aspectos da produção e não deixamos nenhum detalhe ao acaso. Daquela vez, nós merecemos as nossas insígnias de diretores do programa.

Marcos Siega dirigiu As Panteras. Nós éramos fãs de seu trabalho no piloto de Diários do Vampiro. Sentíamos que ele traria um grande estilo visual, mas que também iria capturar o tom do programa que queríamos criar. O único problema: ele não estava disponível. Nós nos reunimos com alguns diretores de longas, mas finalmente assumimos o risco e decidimos esperar por Marcos, torcendo para que o piloto ao qual ele estava ligado morresse nos refugos dos pilotos. A aposta recompensou. Em todas as fases do processo, ele provou-se ser o diretor mais inclusivo com quem já trabalhamos, uma estrela do rock total.

É claro que a dura realidade é que não importa o quão grande é o seu roteiro, ou quem o está dirigindo – a escolha do elenco é o elemento decisivo de todo grande programa de TV. Estrague isso e você está engessado. Isso é provavelmente 10 por cento de bom gosto e 90 por cento de pura sorte e momento propício. A coisa pela qual nós sempre procuramos é “doçura”. Assistir televisão é uma experiência tão íntima, que sempre nos perguntamos: Nós convidaríamos este ator para nossos lares uma vez por semana?

Tivemos a sorte, com ambos os pilotos, de começar cedo a nossa caçada aos atores. Tivemos que começar três meses antes do frenesi de abastecimento de janeiro, quando 85 pilotos competem pelo mesmo e limitado poço de talentos. Em Smallville, nós conduzimos uma busca em âmbito nacional pelos personagens icônicos de Clark Kent e Lana Lang. Nós assistimos centenas de fitas de VHS e descobrimos Tom Welling e Kristen Kruek. Lex Luthor provou-se ser mais difícil de encontrar. Nós lutamos contra a rede de TV, que queria um Lex latino. Cinco dias antes de começarmos a gravar, Michael Rosenbaum veio e nos surpreendeu. Ele tinha feito um teste três meses antes, mas estava gripado na época e se saiu mal.

Andar nos saltos altos da Farrah Fawcett e da Drew Barrymore é uma coisa difícil. O desafio de escolher o elenco de As Panteras era encontrar três mulheres que fossem sucessoras dignas das Panteras do passado. Todo mundo queria que as Panteras fossem “mulheres, não garotas.” Nós selecionamos duas de nosso trio, Annie Illonzeh e Rachael Taylor, mas daí batemos num muro.

Nós provavelmente vimos todas as atrizes entre as idades de 25 e 30 anos em ambas as costas. Então conhecemos Minka Kelly. Nós dois sentimos que ela seria uma Pantera perfeita, sendo que o único problema era que ela não era certa para nenhuma das Panteras do nosso roteiro final. Com o consentimento do estúdio, nós desmembramos o roteiro e fizemos uma reescrita de cima a baixo e adaptamos um papel para Minka. Foi um risco calculado, mas ela tinha todas as qualidades que queríamos.

Nós tínhamos as nossas Panteras.

Nós suportamos noites de temperatura abaixo de zero na zona rural de Vancouver gravando Smallville, e estávamos mais do que felizes de trocar as nossas botas Gore Tex e as jaquetas tipo boneco da Michelin por bermudas e camisetas em As Panteras. Quanto aos pilotos, ambos tiveram longas gravações: 21 dias para Smallville e 17 para As Panteras.

Michelin-man Jaqueta tipo Michelin Man

Agora, enquanto escrevemos isto, estamos passando longos dias e noites tentando freneticamente cortar 60 horas de gravações para uns 42 minutos de acelerar o coração e causar desmaios.

O cronograma em velocidade de dobra da pós-produção parece ter ficado ainda mais curto desde Smallville.

Se As Panteras tiver sorte o suficiente para conseguir um pedido de série [e conseguiu], nós enfrentaremos o longo e quente verão antes da estreia: os problemas iniciais de produção, as sessões intermináveis de análise da história, e as chicotadas contundentes dos críticos de TV da nação, até os espectadores finalmente entregarem seus vereditos e nós descobrirmos se, de alguma forma, capturamos relâmpagos em uma garrafa duas vezes. Dadas as estatísticas de sobrevivência dos novos programas de TV, as chances são diminutas… mas nós vivemos na esperança.

Durante a greve dos roteiristas, havia uma atmosfera de otimismo de que a indústria poderia usar este momento traumático para mudar. A insanidade da temporada de pilotos poderia finalmente ser melhorada. Se os últimos cinco meses nos ensinaram algo, é que isso está pior do que nunca. Prazos mais apertados, mais anotações críticas, e mais camadas de burocracia. Fazer um piloto continua sendo um teste de resistência à base de Advil e Red Bull. É a coisa mais próxima que a nossa indústria tem de uma prova de Ironman. Agora que nós terminamos, não podemos esperar para fazer isso de novo no próximo ano.

As Panteras

Boa escrita pra você hoje!

6 Comentários

  1. Tão emocionante quanto levar uma nova ideia pra frente, é ter a oportunidade de recriar um clássico, renovando seu significado, e vendo tudo dando certo, como aconteceu na versão primordial.

    Comentário por rafaeljoinstech — 29/01/2012 @ 15:08

    • Oi, Rafael! Isso seria realmente maravilhoso, mas, como o Fernando disse aqui embaixo, parece que foi o oposto do que aconteceu! :?

      Obrigada pela visita, um abraço grande, e uma ótima semana pra você! =)

      Comentário por valeriaolivetti — 30/01/2012 @ 10:14

      • Oi,
        Em relação a Smallville, fluiu por um tempo, mas não manteve a linha de qualidade. Wonder Woman, outro projeto fracassado, não chegou nem a ser lançada (não sei nem se haviam terminado o piloto). Vamos ver o que o futuro das adaptações para a TV nos reserva.

        Comentário por rafaeljoinstech — 30/01/2012 @ 11:38

        • Pois é, Rafael, eu também assisti Smallville no começo, e estava prendendo a atenção, mas depois foi ficando uma encheção de linguiça só! E acho que foi lá pela quarta temporada mesmo que eu desisti de assistir. Eu ouvi falar do projeto da Wonder Woman, mas, realmente, também nem sei que fim teve! Essa mania de refilmagens de Hollywood para evitar fracassos é um tiro n’água, não se foge da falta de criatividade requentando pratos velhos. Os resultados serão sempre os mesmos: cancelamentos de séries e fracassos de bilheteria. :-/

          Um abração, Rafael, obrigada pela visita, e um excelente fim de semana pra você! =)
          Valéria Olivetti

          Comentário por valeriaolivetti — 03/02/2012 @ 10:30

  2. Olha… Fico sem palavras após esse texto.

    Os dois realmente achavam que estavam vencendo com maestria cada um dos pontos descritos no texto. Hoje podemos ver que erraram feito em cada um deles. Principalmente pelo elenco que aqui tanto se orgulham.

    Se as próprias esposas disseram para não fazer esse projeto, porque foram a frente? Eu sei. É aquele sentimento de “eu posso e vou provar para vocês”. Sua esposa não é sua mãe. Ela não falou isso porque não conhece seu potencial e acha que você não tem capacidade, é o oposto, ela sabe de seu poencial e por isso mesmo falou para não realizarem o projeto. Se elas soubessem que eles tinham capacidade de recriar As Panteras com a mesma qualidade ou melhor que o original teriam apoiado.

    E olha aí o resultado. Cancelados sem nem mesmo uma temporada. A série foi um lixo.

    O elenco não possuia 1% do carisma das originais, ou mesmo das personagens do filme (que já não tinha gostado).

    O texto então… Nossa. Parecia o que eu escrevia aos 14 anos.

    É por causa desses caras que minha amiga possui pavor da 4ª temporada de qualquer série. Isso mesmo. A partir da 4ª temporada de Smallville ela disse que a história degringolou e foi de mal a pior. O que é verdade. A série foi empurrada nos últimos anos somente para fechar com o número 10.

    Ela sempre me fala: “Escreva a sua [série] só até a 3ª temporada! Depois disso não vai dar certo”.

    Me espanta a pompa com a qual esses dois escrevem sobre suas conquistas. Lamentável.

    Comentário por Fernando — 29/01/2012 @ 18:15

    • Oi, Fernando!

      Eu não tinha ideia de que isso tinha acontecido! Na verdade eu nem cheguei a assistir um episódio sequer dessa nova versão, mas já sentia que o negócio não ia dar certo… E também achei o elenco muito sem sal, só pelas fotos! A única coisa que eu gostei foi o fato deles terem dito que consideram a doçura o elemento primordial na escolha de um elenco, eu achei isso uma raridade, já que o que vemos são tantos atores/atrizes e personagens durões e secos na maioria dos seriados que passa na TV. Eu também achei importante mostrar a ralação que o pessoal passa para fazer TV lá, é bom pra tirar um pouco das ilusões de muitos aspirantes a roteirista brasileiros que querem fazer sucesso em Hollywood — o buraco é bem mais embaixo.

      Agora, adorei a sua análise crítica do seriado, só por causa dela vou procurar assisti-lo! Rsrs! :mrgreen: E eu concordo completamente com a sua amiga, ela é das minhas! Eu também tenho essa coisa de três temporadas, a série que estou escrevendo também terá só três!! Isso me lembra do seriado original de Jornada Nas Estrelas. A proposta inicial era que aquela fosse uma viagem de 5 anos “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”, mas acabou durando apenas 3 anos. E virou um clássico!! Volta e meia ele é reprisado ad nausea!

      Este artigo foi escrito antes da nova versão de As Panteras ir ao ar, foi por isso que eles estavam com a corda toda. Deveriam realmente ter dado algum crédito a suas esposas.

      Um abração, Fernando, obrigada pelas informações (e pela divertida e perspicaz análise), e uma ótima semana pra você! :D
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 30/01/2012 @ 10:33


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